Sábado, 14 de Janeiro de 2012

destinos de sonho

Entre capitais da cultura, design ou desporto. De Portugal ao fim do mundo. De destinos de milhões, como Londres, a destinos de muito poucos, como Erevan. Eis 12 destinos em foco em 2012 por muitas e boas razões (e más, a crer nos maias...).

 

1. PORTUGAL, Guimarães
{Capital Europeia da Cultura}

Portugal até "nasceu" ali, mas no século XXI Guimarães é uma das mais jovens cidades do país, com uma grande percentagem de habitantes com menos de 30 anos. Essa mescla de história e juventude já era um atractivo que não passava despercebida lá fora: o artigo do New York Times em Julho do ano passado é disso sintomático e em 2012 a cidade minhota é presença recorrente na imprensa especializada nas listas de destinos a visitar. O factor decisivo é a sua investidura como Capital Europeia da Cultura - no dia 21 de Janeiro, Guimarães torna-se a terceira cidade portuguesa palco da Europa.

E na abertura oficial conte-se com muita música (sob a designação deAfectos, desfilarão desde o guitarrista vimaranense Manuel d'Oliveira, o mestre-de-cerimónias, a Rão Kyao, dos Danças Ocultas ao Grupo de Caixas e Bombos Nicolinos), seguida de teatro (Berço de uma Nação servido pelo Centro de Criação para o Teatro e Artes da Rua e pelos catalães La Fura Dels Baus) e festa popular a invadir bares e ruas do centro histórico.

E este é apenas o primeiro dia do resto do ano de Guimarães, que terá uma agenda de mais 600 eventos entre música, teatro, fotografia, cinema, artes plásticas, dança, arquitectura, literatura, pensamento e artes de rua. E tudo isto terá por cenário uma cidade com um centro histórico Património Mundial da UNESCO, único na preservação das características medievais que se harmonizam com a vida agitada de ponto de encontro de gerações.

E são muitas as que cruzaram as pedras desta cidade, donde houve Portugal e onde tanto nos remete para os primórdios da nacionalidade. Do castelo ao Paço dos Duques de Bragança, na Colina Sagrada, onde D. Afonso Henriques continua a olhar o país que fundou, do Parque de São Mamede onde Portugal se forjou a ferro e fogo à Penha sacralizada em grutas-santuários, da românica Capela de São Miguel onde o primeiro rei foi baptizado à gótica Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, "herança" de Aljubarrota, percorremos séculos de História e de fé.

E aproveitamos ali mesmo o Padrão do Salado para começarmos a viagem pelas ruas e praças do casco antigo, do Largo da Oliveira à Praça de Santiago, passando sob os arcos dos antigos Paços do Concelho, entre casas com alpendres, traves de madeira e sardinheiras, esplanadas e lojas, para nos descobrirmos fora de tempo - mas a caminho do futuro.

E, sublinhe-se, mesmo ao lado (a 25km), a capital de distrito, Braga, é Capital Europeia da Juventude 2012.

Guimarães 2012 | Turismo de Guimarães | Braga 2012

[Sábado, 14/01, Especial Guimarães na revista Fugas]

 

2. ESLOVÉNIA, Maribor
{Capital Europeia da Cultura 2012}

 

No norte da Eslovénia, encravada entre a Áustria e a Hungria, está a cidade que divide com Guimarães o título de Capital Europeia da Cultura (CEC) 2012 - Maribor, a segunda cidade de um país que ainda não entrou na alta-roda do turismo internacional e isso talvez se deva à falta de tempo: afinal a pequena Eslovénia cumpre este ano apenas o vigésimo primeiro aniversário da sua independência da Jugoslávia (antes havia sido parte do império austro-húngaro e antes ainda da República de Veneza).

Por isso, esta CEC é um bom pretexto para viajar até ao país dos Balcãs com uma das menores densidades populacionais da Europa, coberto de florestas e com um pezinho no Mediterrâneo.

Maribor, cidade medieval de casas coloridas com grandes mansardas e edifícios majestosos herdados dos Habsburgo na margem do rio Drava, não é alheia às andanças culturais - o seu teatro foi fundado em 1786 e o multicultural e multidisciplinar Festival Lent traz milhares de artistas à cidade todos os verões, por exemplo - que este ano estarão exponenciadas no tempo, claro, e na dimensão.

A própria fisionomia da cidade vai mudar, com uma nova ponte pedestre e um novo museu, a Art Gallery, cuja inauguração está prevista para Julho. O que não vai mudar é a cultura vinícola da região: Maribor orgulha-se de ter a videira mais antiga do mundo (segundo o Livro de Recordes do Guiness), que se ergue majestosa há mais de quatrocentos anos, o seu vinho continua a ser engarrafado e reencontrou a glória com a criação de um museu e loja de vinho, de que ela é a estrela que cobre a fachada.

Os vinhedos propriamente ditos estendem-se fora da cidade, para lá das montanhas Pohorje, uma área de lazer que no Inverno se enche de esquiadores e no Verão de ciclistas - o vinho, esse, corre pelas vinotecas, bares e restaurantes que têm enchido a cidade, emprestando-lhe algum cosmopolitismo da dolce vita não muito habitual no centro da Europa.

Maribor 2012 | Turismo da Eslovénia

 

3. BRASIL, São Luís (de Maranhão)
{Capital Americana da Cultura 2012}

Está fora dos trilhos mais percorridos pelos turistas portugueses no Brasil, mas está longe de ser um segredo. A prova disso são os dois milhões de turistas, quase todos brasileiros, que recebe todos os anos, mas o seu perfil internacional até pode ganhar nova dimensão nos próximos meses - ou não tivesse São Luís (Maranhão) sido escolhida para Capital Americana da Cultura de 2012, o ano em que também se assinalam os 400 anos da sua fundação. Foi em Setembro de 1612 que os franceses criaram a única cidade em território brasileiro, São Luís, no Maranhão e a despedida de 2011 já foi marcada por esta celebração - Réveillon, 400 anos, foi o nome dado às festividades.

Nos próximos tempos, a cidade, com um centro histórico património da UNESCO e praias paradisíacas no nordeste brasileiro, concentrará o seu esforço na promoção do seu património no âmbito do que são os objectivos desta capital americana da cultura. Como prólogo desta iniciativa, foram eleitos os "sete tesouros de São Luís", entretanto revelados e que entraram na lista dos tesouros mundiais do Bureau Internacional de Capitais Culturais, todos com traços da herança lusa: azulejaria, Convento das Mercês (inaugurado pelo Padre António Vieira), Igreja da Sé (séc. XVII), Palácio dos Leões (sede do governo, séc. XVII), praça Gonçalves Dias (séc. XIX), rua Portugal (artéria ex-líbris do centro histórico) e Teatro Arthur Azevedo (séc. XIX). 

Celebra-se, assim, uma herança sobretudo portuguesa, apesar da fundação francesa (e breve ocupação holandesa), feita de casas e palácios de típica traça colonial em perfeita adaptação ao clima local (segundo a UNESCO), que convivem com edifícios modernos e até uma praça assinada por Óscar Niemeyer na parte nova da capital do Maranhão, um prodígio geográfico que embala 640 quilómetros de praias tropicais, mangues, cerrados, deltas, o único deserto mundial com milhares de lagoas e um "pedaço" da Amazónia.

Conhecida como a "Atenas brasileira", pelo número inusitado de poetas e escritores que aqui viveram no século XIX, foi capital brasileira da cultura em 2009, tem fama de ali se falar o melhor português do Brasil e o culto do reggae vale-lhe também o epíteto de Jamaica do Brasil. Mas é do Bumba-Meu-Boi que emana a sua mais genuína manifestação cultural: teatro, música e dança em representação folclórica que é cartaz cultural.

Capital Americana da Cultura | São Luís

 

4. INGLATERRA, Londres
{Olimpíadas, Jubileu & megafestival de Verão}

Já sabemos que nunca faltam pretextos para ir a Londres - aliás, parafraseando o escritor inglês Samuel Johnson, quem está farto de Londres, está farto da vida - mas, é verdade, 2012 tem um grande motivo acrescido para a visita - dois, na realidade. O óbvio: Londres recebe, uma vez mais (depois de 1908 e 1948), os Jogos Olímpicos, de 27 de Julho a 12 de Agosto; o simbólico: a rainha Isabel II cumpre o seu jubileu de diamante, com os festejos principais a decorrerem de 2 a 5 de Junho.

Esperam-se hordas de visitantes de todos os cantos do mundo a deambular por alguns dos mais icónicos monumentos do mundo - alguns deles bem ligados à monarquia, como o Palácio de Buckingham ou a Abadia de Westminster, a catedral de São Paulo ou a Torre de Londres -, uma overdosede inaugurações, e o revelar de um "novo" East End. Afinal, é aqui, nesta área da cidade, que se vai concentrar grande parte da azáfama olímpica - o Olympic Park vai receber estruturas desportivas, a aldeia dos atletas, o centro de imprensa - e é aqui que se concentram os maiores projectos de reabilitação urbana, que vão dar novo rosto a antigas áreas industriais mais ou menos abandonadas.

Mas já vislumbradas por todos os que caminharam pelo parque do observatório de Greenwich ou pelo futurismo de Canary Wharf, os que deambularam pelo colorido exótico de Brick Lane ou ouviram música na O2 Arena - fica tudo no lado olímpico da cidade, embora o orgulho pelos jogos vá também ser exibido bem no centro da cidade, na Tower Bridge, onde os cinco anéis das olimpíadas vão ficar suspensos (e a brilhar, durante a noite, com leds). De resto, a vida como sempre em Londres: museus carregados de obras de arte, teatro ecléctico, parques soberbos, lojas para gostos que nem sabíamos ter, ruas fervilhantes...

A tomar nota: o festival de Verão de Londres, London Festival, deverá ser dos maiores de sempre - entre 21 de Junho e 9 de Setembro, propõe mais de 300 eventos.

Olimpíadas de Londres | Jubileu de Diamante | London Festival | 


 
5. ISLÂNDIA, Aurora Borealis
{até Abril e depois de Novembro}

A natureza é o principal trunfo da Islândia e é a natureza que em 2012 se manifesta de forma avassaladora no país do gelo e do fogo. Desde 2007, a intensidade da aurora boreal vem aumentando e este ano, dizem os peritos, vai ser a mais luminosa dos últimos 50 anos - as agências de viagens não andam distraídas e há pacotes por todo o mundo prometendo experiências únicas deste fenómeno natural. Em geral, considera-se época ideal para avistar as auroras o período entre Novembro e Abril.

Natural, mas mais assustador, o fogo também andará a fazer das suas neste país ainda em formação (como o célebre Eyjafjallajökull gritou ao mundo em 2010) e a actividade vulcânica vai intensificar-se, esperando-se que a terra mostre com veemência a massa de que é feita. 

Prodígios naturais, portanto, na terra das maravilhas naturais. Mais motivos para ir ao país à porta do Círculo Polar Árctico, como se estes já não sobrassem. A tal natureza viva que se vive a pouca distância da capital - o famoso "Círculo Dourado" pode ser feito num dia, trezentos quilómetros com paragens no Parque Nacional de Thingvellir, onde funcionou o velho parlamento (o mais antigo do mundo, fundado em 930), o vale geotérmico Haukadalur e Gullfoss, uma grande e cénica cascata no rio Hvitá - atrai milhares de turistas, que fazem de Reiquejavique a plataforma para as deambulações pelo país.

E lança o seu charme cool, que está intimamente ligado ao ambiente boémio reflectido numa vida nocturna musculada e numa cena musical de referência, sobre os visitantes. No resto do dia, seja este interminável ou uma distracção da luz, há museus, cafés despretensiosos, lojas pitorescas, boutiques chiques - e, claro, as piscinas termais naturais ao ar livre que tornam Reiquejavique verdadeiramente singular.

Turismo da Islândia | Turismo de Reiquejavique

 

6. IRLANDA do NORTE, Belfast
{a partir de Abril}

A 2 de Abril de 1912, o mais famoso navio da história saía dos estaleiros Harland e Wolff, de Belfast, terminada a mega-empreitada de construção, com destino a Southampton. A 10 de Abril, começaria neste porto inglês a sua viagem inaugural (e última...), com destino a Nova Iorque. Quatro dias depois, embatia no icebergue fatal. Passados cem anos, contados quase até ao dia, oTitanic regressa a Belfast para soltar amarras. Desta feita, não literalmente: oTitanic Belfast abre no dia 31 de Março "condenado" aos passos em volta do mito do navio "indestrutível" que se afundou na sua única viagem.

Num complexo servido por tecnologia de vanguarda, Belfast oferece ao mundo a experiência de acompanhar a construção do RMS Titanic nos estaleiros de Harland & Wolff e do seu lançamento à água, de passear pelas suas entranhas e conhecer o seu dia-a-dia, viver o seu naufrágio e as ondas de choque que percorreram o mundo depois, assistir ao nascimento do mito, explorar os seus destroços e terminar no Centro de Exploração Oceânica.

O fascínio com o Titanic é a grande aposta do turismo da Irlanda do Norte para incrementar o número de visitantes ao território nos próximos tempos mostrando que o tempo dos conflitos é agora apenas mais um capítulo da história. Porém, outra novidade promete um novo olhar sobre um dos ícones mais perenes do turismo norte irlandês.

O Giant's Causeway (a "calçada do gigante"), as colunas de basalto resultado de uma erupção vulcânica há 60 milhões de anos mas que parecem ter sido talhadas à medida de um ser de proporções extraordinárias, património mundial da UNESCO, vai ter, a partir de Setembro, um novo centro de visitantes, que pretende oferecer uma interpretação mais interactiva e novos trilhos de visita.

Titanic Belfast | Turismo de Belfast | Turismo da Irlanda do Norte


7. JAPÃO
{Primavera_Verão}

2011 não foi um ano fácil no Japão. Um terramoto, seguido de um tsunami e culminando com a crise nuclear em Fukushima, deixou marcas profundas no país e teve consequências nefastas no turismo na terra do sol nascente. Com o número de turistas em queda, caíram também os preços, o que faz com que, por estes dias, o Japão seja um país um pouco mais acessível às bolsas da austeridade.

A tudo isto alia-se ainda a vontade declarada do governo japonês de levar mais visitantes ao país: chegou a ponderar oferecer milhares de voos mas, entretanto, o plano não foi aprovado.

E até há novidades de monta para apresentar ao mundo. A capital prepara-se para inaugurar, na Primavera, a Tokyo SKy Tree, a maior torre de comunicações do mundo e, com 634 metros, o segundo edifício mais alto, atrás apenas do Burj Khalifa, no Dubai,  com dois observatórios, restaurante, ameaça fazer com que a Tokyo Tower, construído em 1958 e com 333 metros de altura, seja vista como uma anã.

E, não sendo um gigante em tamanho, o Shibuya Hikarie, com 34 pisos, ameaça tornar-se um centro cultural e de lazer incontornável. Teatros, galerias, lojas, cafés, constituirão o grosso da sua oferta, quando abrir no Verão. Já aberto, um museu que se vem juntar à lista de idiossincrasias japonesas que constituem parte da sua atracção - um sentido de estilo pop inigualável, electrónica de ponta, arquitectura futurista, gastronomia única, animação de referência, jardins encantatórios: o museu de cup noodles, onde o visitante descobre a história da popular "massa em copo" e até pode fazer a sua.

Turismo do Japão

 

8. ARMÉNIA, Erevan
{Capital Mundial do Livro a partir de Maio}

Não estará no topo de muitas viagens de sonho e isso é também culpa da história recente conturbada. E, claro, do relativo apagamento em que esteve mergulhada nos tempos da URSS. Uma (quase) ilustre desconhecida, a Arménia é também uma surpresa que começa nas pessoas e se reflecte no estilo de vida relaxado que por vezes pode remeter para paragens mais meridionais da Europa no modo como transborda para as ruas.

Isso é mais visível na sua capital, Erevan, uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo - foi em 782 a.C. que foi fundada a fortaleza Erebuni, no extremo ocidental do planalto de Ararat (o monte sagrado onde, segundo o Génesis, a Arca de Noé repousou depois de 150 dias a navegar, é presença majestática no horizonte da cidade) -, que este ano se vai encher de livros. Cortesia da UNESCO, que declarou a capital arménia a Capital Mundial do Livro (uma "corrida" na qual Lisboa participou) no ano em que se assinalam os quinhentos anos da introdução da tipografia no país.

O programa vai arrancar oficialmente a 23 Maio, dia internacional dos direitos de autor, e inclui o sortido habitual de conferências, festivais, exposições - com especial ênfase nas crianças e com convidados de todo o mundo, entre os quais se esperam alguns autores nobelizados. O entorno é o da mais descontraída capital do Cáucaso, com significativas heranças arquitectónicas russas e soviéticas, amplas zonas arborizadas e rodeada de importantes sítios arqueológicos, que testemunham cem mil anos de história e os encontros e desencontros de muitas civilizações.

Turismo da Arménia | Erevan Capital Mundial do Livro



9. FINLÂNDIA, Helsínquia
{Capital Mundial do Design 2012}

Pode soar como inusitado um encontro de "cadeiras de baloiço" num parque, mas vai mesmo acontecer - no dia 30 de Junho. Na verdade, não é a primeira vez que tal vai suceder: aconteceu no ano passado em Turku, no âmbito da Capital Europeia da Cultura, e parece que os finlandeses lhe tomaram o gosto.

Desta vez, Helsínquia é o palco e a Capital Mundial do Design 2012 é o subterfúgio. É à boleia desta que este será um ano repleto de eventos, entre os mais ortodoxos e os mais invulgares, que vão invadir a cidade todo o ano. Às vezes mesmo literalmente, portanto, como com essas cadeiras de baloiço, um objecto que é, aliás, também pretexto para um concurso de design.

Já no dia 31 de Dezembro Helsínquia foi invadida pelo espírito da Capital Mundial do Design, 
quando, ainda antes da meia-noite, a catedral foi iluminada por uma projecção 3D - porém, a cidade há muito que foi tomada pelo espírito utilitário do design, em parceria com as áreas de tecnologia, como ferramenta do desenvolvimento da cidade e da melhoria das condições de vida das pessoas.

Agora, vai abrir-se ainda mais a todos os criativos da área e ensaiar novas soluções com a participação da população e visitantes. Isto numa cidade onde nomes incontornáveis do modernismo - como Alvar Aalto e Eliel Saarinen - deixaram marcas indeléveis que convivem em harmonia com a arquitectura grandiosa herdada do império russo, que contribuem para fazer da "pérola do Báltico" uma das mais interessantes capitais do Norte da Europa.

Capital do Design 2012 | Turismo de Helsínquia | Turismo da Finlândia


10.
 Ucrânia
{Euro 2012, Junho e Julho}

Durante séculos, a Ucrânia passou mais ou menos despercebida no mundo, primeiro no império russo, depois no meio das repúblicas soviéticas, para referir os ocupantes mais recentes. Há 21 anos independente, e com uma Revolução Laranja pelo meio, esta "terra de fronteira", mestiça de influências, parece estar a conquistar uma identidade própria e espaço de afirmação no contexto europeu e mundial.

A co-organização do Campeonato Europeu de Futebol pode ser vista como um sintoma disso e, claro, constitui uma oportunidade única para o país se mostrar ao mundo e partilhar uma história riquíssima de encruzilhada entre o leste e oeste, e, em grande medida, desconhecida.

Da capital, onde se jogará a final a 1 de Julho, espreitam 15 séculos de História, que fazem de Kiev uma das mais antigas cidade eslavas, berço da Igreja Ortodoxa (o mais antigo mosteiro, do século XI, fica aqui), montra da magnificência bizantina na catedral de Santa Sofia, 13 cúpulas azuis e douradas num skyline onde dezenas de outras cúpulas se destacam, e vitrina de arquitectura soviética (grandiosa e utilitária), nas margens do rio Dnieper amplamente arborizadas.

Donetsk, cuja equipa local é agora presença assídua entre a alta-roda do futebol europeu, viu nascer um estádio grandioso num cenário eminentemente industrial e Lviv, a segunda cidade e capital cultural da Ucrânia, prepara-se para dar o palco central ao futebol em cenário de arquitectura gótica, renascentista, barroca (património mundial da UNESCO) com intromissões soviéticas, e lugares sagrados do mundo ortodoxo. Kharkiv orgulha-se de ser a origem da indústria nuclear soviética e a ciência (e o ensino, em geral) dominam o enquadramento mental desta cidade universitária de grandes praças.

Estas são as quatro cidades "do" europeu de futebol, mas, haja tempo, muito mais Ucrânia espera o visitante, desde a cinematográfica Odessa à balnear Crimeia, passando pelos Cárpatos.

Turismo da Ucrânia | Ucrânia 2012 |

 

11. Polónia
{Euro 2012, Junho e Julho}

O futebol é santo-e-senha na Polónia em 2012, não fosse este um dos países anfitriões do Campeonato Europeu. Aliás, já o vem sendo desde que foi anunciada a organização do campeonato que transformou o país num estaleiro de obras públicas. A apoteose chega em Junho-Julho, quando a bola começar a rolar nos campos e os adeptos a invadir as ruas das cidades. E em cada adepto há um potencial turista e por isso as autoridades estão a apostar na promoção do país para capitalizar a afluência inusitada esperada.

Na Polónia, as grandes avalanches terão encontro marcado em Varsóvia, Gdansk, Poznan, Wroclaw, Chorzów e Cracóvia e seguindo este itinerário futebolístico conhece-se boa parte do país - começando no centro-leste do país, subindo até à costa do Báltico, a norte, e descendo, passando pelo centro-oeste, antes de entrar no sul - e passeia-se pela sua história, com passagens por cidades charneira da história do século XX, sobressaindo Gdansk, que foi ponto de ignição da II Guerra Mundial (a Danzig "alemã") e do princípio do fim do regime comunista (o movimento Solidariedade, de Lech Walesa, nasceu aqui), ou Cracóvia, capital cultural polaca.

Em Varsóvia, a cidade-fénix constantemente a reerguer-se dos escombros, encontramos uma urbe a transformar-se numa capital europeia cosmopolita, Poznań mistura os pergaminhos de ser uma das mais antigas cidades polacas com uma população universitária vibrante, Wroclaw exibe-se entre ilhas e pontes como a "Veneza polaca" de arquitectura colorida e rigorosamente centro-europeia que se estende a Chórzow, cidade, como outras nesta zona de confluência de interesses, com história dividida entre Alemanha e Polónia.

Turismo da Polónia | Polónia 2012

 

12. Guatemala, Belize, Honduras e México - o mundo maia
{Dezembro...}

Os maias crêem que este será o ano do fim do mundo e seja isso o apocalipse ou começo de uma nova era é o que se verá ao longo do 2012 - com o seu culminar no solstício de Inverno, a 21 de Dezembro.

O mundo maia prepara-se para celebrar o fim do que chama a "Contagem Longa", um ciclo de 5125 anos, e por isso nos países onde a cultura maia é mais perene este é um ano de festivais, cerimónias, visitas temáticas, um bom pretexto para conhecer os principais sítios arqueológicos e a sua cultura através dos seus descendentes. O tiro de partida já foi dado, com cerimónias na Guatemala, Honduras, Belize e no México (onde, inclusive, um relógio do fim do mundo já entrou em contagem decrescente), países que apostam todos os seus trunfos turísticos em torno desta profecia.

Na Guatemala, que tem a maior população de maias, o Oxlajuj B'aqtun 2012 engloba uma série de eventos e novas rotas turísticas ao coração do mundo maia do país: Universo Maia - Tradições ancestrais permite interacção com comunidades; Calendário Maia - Traços do Tempo concentra-se no planalto central do país e passa por cidades e locais arqueológicos; Dualidade Maia - Equilíbrio do Corpo e Espírito é uma exploração do desenvolvimento espiritual dos maias pelos trilhos do planalto ocidental.

Nas Honduras, as ruínas de Cópan vão concentrar as atenções com diversas iniciativas, com especial destaque para os solstícios, e com a abertura de cinco novas ruínas nas redondezas. No Belize, que se assume como "o coração do mundo maia" e onde há um calendário mensal de celebrações, também os solstícios - e os equinócios - serão dias de charneira: os visitantes serão instados a passar a noite nas ruínas de Caracol, excepto no solstício de Inverno, o "último" dia do calendário, no qual será Cahal Pech a receber as festividades, que incluem fogo-de-artifício, corrida de tochas e concertos. Este ano, haverá também um "passaporte maia", que deverá ser carimbado em cada um dos inúmeros sítios arqueológicos, dos quais contém informação.

No México, onde uma série de cidades-estado maias dominava uma grande região, os festejos vão abranger diversas regiões do país, desde a península do Iucatão a Chiapas, as celebrações vão incluir tanto conferências académicas como, por exemplo, recriações de jogos, cerimónias e peregrinações.

 

 

Via Público



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