Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012
Alejandro Sanz: 'A música é intocável'
Já vendeu mais de 25 milhões de álbuns e ganhou 15 Grammy latinos e tres Grammy internacionais. É um dos mais bem sucedidos músicos espanhóis de sempre. Alejandro Sanz acaba de lançar La Música no Se Toca, o seu 10º álbum de estúdio.

Como surgiu La Música no se Toca?


De uma forma um pouco sui generis, muito discretamente, quase em sigilo. Ao começar um disco tenho sempre medo de não conseguir escrever, é o medo do compositor. Entrava no estúdio em pontas dos pés, esperando não assustar a minha musa. Nasceu com a ideia – representada no título – de dizer que apesar de todas as coisas que estão a mudar em torno da música, e da velocidade dessas mesmas mudanças, não podemos renunciar a tentar fazer a melhor música possível. É uma homenagem à música.

 

Mas a música toca-se…


Sabe quando as mães dizem aos filhos pequenos: ‘Aí não se toca!’? É isso. Há coisas que são intocáveis. Não podemos abdicar de defender a música, de deixar que perca qualidade. É preciso cuidá-la e respeitá-la.

 

Preocupam-no as mudanças na música devidas à internet?


Não. Já é uma realidade. Não é o futuro, é o presente. Preocupam-me os meus discos, que não podem perder qualidade devido às mudanças na indústria.

 

Esteve três anos sem editar, o que lhe deu muito tempo para escrever. Teve que deixar de lado muitos temas?


Começo por escrever muitas canções, mas só termino as que vão entrar no disco. Ou seja: as próprias canções passam por um crivo próprio e desaparecem as que não avançam. Algumas não querem ser terminadas, transformam-se num novelo, é preciso dar-lhes muito amor.

 

Passaram-se 21 anos desde o lançamento de Viviendo de Prisa. ‘Yo Te Traigo’ é uma canção de amor para o celebrar?


Sim, é um canção de amor e de agradecimento: à música e às pessoas que estão comigo há 20 anos nesta viagem. Há muitos que estão comigo desde o primeiro momento, pessoas que compram os discos, vão aos concertos, sabem as canções e lhes dão vida. Chegaram a pedir-me um concerto para celebrar os 20 anos. Mas a melhor forma de o celebrar é fazendo uma canção.

Como foram estes 20 anos?


Passaram-se entre quatro pestanejares, três acordes, duas noites de amor e um suspiro.

 

Imaginava vir a vender milhões de discos, ganhar vários Grammy?


Nunca. Não comecei a fazer música com ambições materiais. Fazia música porque adorava, sentia-me bem. Era muito introvertido, não gostava de jogar futebol. O mundo onde me sentia mais seguro era o da música. Quando fazia uma canção e a tocava na guitarra sentia-me protegido.

 

O certo é que as suas canções chegaram a todo o mundo. Olhando para trás, para onde começou, isso fá-lo feliz?


Sim, mas isso de olhar para trás e sentirmo-nos bem é muito relativo. A perspectiva é dada pelo sítio onde se está. Agora estou bem, gosto do que está à minha volta, de onde está a minha carreira. Cometi erros como todos. Mas também fiz coisas certas. Seria até ingrato se hoje olhasse para trás com algum tipo de censura.

 

Mas o sucesso tem um preço. Em Madrid pode ir ao cinema, dar um passeio?


Não, não posso andar pela Gran Via e aproveitar para ir ao cinema ou ao McDonald’s. Há coisas a que se aprende a renunciar, já nem me conheço de outra forma. Mal me lembro de sair anónimo pela rua a passear. O que sou agora dá-me oportunidade de estar hoje em São Paulo, amanhã no Rio de Janeiro, depois em Lisboa e seguir para o México ou Nova Iorque. Os passeios são menos anónimos, mas são muito maiores.

 

Vive em Miami. Contempla voltar a viver em Espanha?


Nunca me fui embora permanentemente de Espanha. Passo muito tempo em Miami, tenho lá o meu estúdio, mas tenho residência em Espanha, nunca pedi residência americana. Continuo a ser espanhol, agora mais que nunca. Com o problema da crise nunca colocaria a hipótese de pagar impostos em qualquer outro sítio.

 

Virá a Portugal com La Música no Se Toca?


Irei. Com e sem. Quando estou na Andaluzia passo muitas vezes a fronteira em Huelva, vou com amigos pescar a Portugal. E espero voltar no ano que vem para um concerto

 

Este disco não tem colaborações internacionais. Porquê?


São coisas pontuais. No caso de Shakira, ela propôs-me fazer um dueto, foi a minha casa, deixou-me a canção e fiz o que quis. No caso de Alicia Keys também foi algo que surgiu. Estávamos num barco, em Nova Iorque, e começámos a falar de fazer uma canção juntos. São coisas que devem surgir. Não devem ser feitas como um intercâmbio comercial, até porque dessa forma não costumam funcionar.

 

Na edição portuguesa tem um dueto com Luísa Sobral. Como surgiu?


Vi um vídeo no YouTube de que gostei muito. Pedi à editora que me mandasse o disco. Gosto muito não só da sua voz mas da sua personalidade artística. Então pedi-lhe que fizesse uma parte da canção e ela, muito amavelmente, fê-la. Espero que um dia possamos estar em palco juntos.

 

Retirado do Sol



publicado por olhar para o mundo às 10:52 | link do post | comentar

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