Quinta-feira, 14.06.12

Um banco de bébés

Um banco de bébés

Já havia os bancos de hospital, os bancos de tempo, os bancos propriamente ditos. Agora há os bancos de bebés, também alcunhados caixas. Uma espécie de incubadoras externas onde se depositam recém-nascidos para outras pessoas ficarem com eles.

 

Ao contrário dos outros bancos, aqui o depositante não se identifica; o seu objetivo é precisamente ficar anónima (quase sempre é uma ela).

Os bancos ficam geralmente num hospital, uma igreja ou outra instituição pública. A mãe deposita-os do lado de fora, soa um alarme, e alguém lá dentro vai logo recolhê-lo.  

 

Quando se tem um bebé mas faltam condições - financeiras, familiares, emocionais ou outras - para o criar e educar, este tipo de solução pode ser uma resposta.

Comité das Nações Unidas discorda

É a resposta que nos EUA e um pouco por toda a Europa, sobretudo a Leste, estão a dar grupos de natureza ainda não muito definida, mas que se julga terem ligações à Igreja, pelo menos nalguns casos.

 

Só na Alemanha já existem oitenta desses bancos. Na Bélgica, Hungria, Lituânia, Polónia (e até em Portugal, segundo Kevin Browne, da universidade de Nottingham) há mais uns quantos. Ao todo são já umas centenas. A crise tem-nos feito multiplicarem-se. Aliás, também do outro lado do Atlântico, nos EUA.

 

Parece prático. Mas há quem não concorde. E um dos desmancha-prazeres é um organismo das Nações Unidas: o comité para a proteção dos direitos da criança.

 

Lembra esse comité, brandindo a convenção internacional homónima, que as crianças têm direito à identidade. O que implica saber quem são o pai e a mãe.

"Com boa vontade, tudo se resolve" 

A lei varia conforme os países. Nalguns o abandono à nascença à crime, outros só se causar perigo à saúde da criança. 

 

Para os defensores dos bancos, o importante é que os bebés nasçam e fiquem em segurança. O resto vem depois. É bom conhecer os pais, mas poder nascer e viver uma vida inteira é mais importante. Os bancos de bebés são uma forma de lutar contra o aborto.

 

Conforme disse um eurodeputado da direita cristã ao Guardian, "o essencial é proteger a vida das crianças em situações extremas. Todos os outros problemas podem ser resolvidos com boa vontade, desde que a criança esteja viva".

 

"Não é um comité das Nações Unidas que vai decidir o que fazemos para ajudar os nascituros e os que já nasceram", acrescenta o eurodeputado.

 

Noticia do Expresso



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Terça-feira, 15.05.12

 

"Estar desempregado não pode ser um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade." Pedro Passos Coelho


 

Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas não se esqueceram de onde vieram e por o que passaram. Sabem o que é o sofrimento e não o querem na vida dos outros. São solidárias. Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas ficaram para sempre endurecidas na sua incapacidade de sofrer pelos outros. São cruéis. Há pessoas que tiveram uma vida mais fácil. Mas, na educação que receberam, não deixaram de conhecer a vida de quem os rodeia e nunca perderam a consciência de que seus privilégios são isso mesmo: privilégios. São bem formadas. E há pessoas que tiveram a felicidade de viver sem problemas económicos e profissionais de maior e a infelicidade de nada aprender com as dificuldades dos outros. Sãorapazolas.

 

 

Não atribuo às infantis declarações de Passos Coelho sobre o desemprego nenhum sentido político ou ideológico. Apenas a prova de que é possível chegar aos 47 anos com a experiência social de um adolescente, a cargos de responsabilidade com o currículo de jotinha, a líder partidário com a inteligência de uma amiba, a primeiro-ministro com a sofisticação intelectual de um cliente habitual do fórum TSF e a governante sem nunca chegar a perceber quenão é para receberem sermões idiotas sobre a forma como vivem que os cidadãos participam em eleições. Serei insultuoso no que escrevo? Não chego aos calcanhares de quem fala com esta leviandade das dificuldades da vida de pessoas que nunca conheceram outra coisa que não fosse o "risco".

 

 

Sobre a caracterização que Passos Coelho fez, na sua intervenção, dos portugueses, que não merecia, pela sua indigência, um segundo do tempo de ninguém se fosse feita na mesa de um café, escreverei amanhã. Hoje fico-me pelo espanto que diariamente ainda consigo sentir: como é que este rapaz chegou a primeiro-ministro?

 

Daniel Oliveira

 

 

 

Retirado do Expresso



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Segunda-feira, 14.05.12

Os portugueses adoram o Euromilhões. São dos que mais apostam, em termos relativos, entre os países que partilham o jogo. Pode ter a ver com as diferenças de rendimento ou com o nível de escolaridade, como sugere um estudo sobre este tipo de jogos de Horácio Faustino, Maria João Kaizeler e Rafael Marques publicado pelo ISEG em 2009. Seja qual for a explicação, a verdade é que não parece uma grande alternativa de investimento.  

 

À primeira vista, até pode parecer bastante atrativo. Com apenas dois euros é possível ganhar muitos milhões e passar a integrar, num piscar de olhos, a lista dos mais ricos do país. Dito assim parece altamente tentador. Mas basta um bocadinho de Matemática para perceber que não é assim tão fantástico. Os apostadores estão a comprar gato por lebre pagando um valor exagerado pelo 'serviço' que adquirem. A situação já era desigual antes e agravou-se a partir de maio de 2011 quando passaram a ser 11 estrelas em vez de nove.

 

É tudo uma questão de cálculo combinatório. Existem 116,5 milhões de combinações possíveis de cinco números e duas estrelas num universo de 50 números e 11 estrelas. Assim, o apostador paga dois euros por aposta e tem uma probabilidade de 0,0000009% de acertar. (Antes eram 76,3 milhões de combinações, o que significa que esta 'pequena' alteração implicou que os apostadores passassem a pagar o mesmo por um serviço que encolheu cerca de um terço.)  

 

Significa que é necessário um jackpot do dobro do número de combinações possíveis - 233 milhões de euros, que nunca aconteceu - para que o valor esperado da aposta seja de dois euros. Quaisquer prémios inferiores significam que o apostador está a pagar dois euros por uma coisa que vale menos, bastante menos. Por exemplo, se o jackpot for de 116,5 milhões, o que também é bastante elevado, o valor esperado é de apenas um euro.  

 

Esta questão tem a ver com o facto de nem todo o dinheiro das apostas ir para os prémios (há impostos, por exemplo) e, além disso, haver mais do que um prémio o que implica repartir o bolo. Desta forma, um apostador que aposte em todos os números, perde dinheiro e muito. 

Alguém que aposte em todos os sorteios durante cinco anos (às terças e sextas-feiras) gasta 1040 euros e o mais provável é chegar ao fim de mãos a abanar. A probabilidade de acertar, pelo menos uma vez ao longo deste período, ronda apenas 0,00045%. Ou seja, praticamente zero. A verdade nua e crua é que alguém que jogue tem pouco mais hipóteses de acertar do que algúem que não apostou.

Quem achava que a dívida grega era má, porque impôs um corte de 75% aos credores, não sei como classificará este 'investimento'. Como já alguém disse, "o Euromilhões é um imposto para quem não sabe Matemática". E coitados dos portugueses que já pagam tantos impostos.


Retirado do Expresso



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Quarta-feira, 02.05.12

As aparências iludem

 

O homem brasileiro fala em ritmo de Bossa Nova, melado, carinhoso e... malandro. Já o francês tem o dom de nos fazer ouvir sons de acordeão quando passeamos por Monmartre, já que para ele somos uma pintura, uma forma de arte e algo ingénuas. O inglês diverte-nos, faz-nos beber uns copos e cai mais depressa que nós. O italiano faz de nós deusas, conta-nos histórias enquanto divide um prato de pasta e mira a ragazza da mesa ao lado. O homem português é tudo isto com o toque de macho latino, com ciúme e devoção, mesmo que não queira que ninguém o saiba verdadeiramente, porque tem dificuldade em mostrar sentimentos.  

 

Entre todos e singularmente em cada um deles a dúvida instala-se, e perfeito perfeito seria o que reúne todas estas características (umas mais que outras) e nos acorda ao som da Bossa Nova, com o pequeno-almoço, uma flor, um vestido perfeito e um passeio inesquecível. Ei! Psst! Acorda lá, para Bossa Nova é melhor pôr o Tom Jobim, ou João Gilberto, porque na realidade ninguém vive nem de Samba a vida inteira, e os príncipes encantados estão todos presos numa cidade enfeitiçada nuns EUA imaginários (já gostei mais da série "Once upon a time").

 

Nos últimos tempos tenho-me dedicado a um estudo sociológico muito pessoal, do qual concluo que é impossível, ou pelo menos deveria ser, julgar a unidade pelo total, até Jobim dizia que "menos com menos dá mais", e a vida não é um cálculo integral, nunca se sabe quando é que um sapo nos salta para o colo e nos transforma em "sapa", ou nos aparece um "príncipe" cujo bólide foi adquirido em leasing, ou vai ser confiscado em breve por falta de pagamento.

 

Deste meu estudo pessoal concluí que não vale demasiado a pena a embalagem (embora esta tenha a sua quota parte de interesse), se o conteúdo está fora de prazo e nos arranja uma indigestão. Por exemplo, devo ser um caso perdido em Portugal, não ligo a grandes carros, eu própria conduzo um chasso com mais de 20 anos e mais facilmente empenharia a casa para dar a volta ao Mundo, do que para ter um grande plasma e um topo de gama à porta da grande casa que jamais conseguiria pagar, ou então perder tempo à procura de um velho rico que não se aguenta nas "canetas".

 

Por falar em carros velhos, chateia-me não poder entrar com o meu Nissan 1400 slx durante a semana em Lisboa. É que este menino tem catalizador, não gasta muito e com gasolina sem chumbo 98 anda que é um mimo e não polui assim tanto. Tudo bem, está velho e não faz virar as cabeças, mas está pago, e exemplifica a nata do parque automóvel português. Parece quase uma analogia, mas só porque é feio e velho envergonha os postais very typical da cidade de Lisboa, que quer mostrar que o resto da Europa que afinal não somos assim tão pelintras, e temos todos carros ulteriores a 96, mas que continua a viver à custa da imagem da bela sardinha assada e do manjerico (ai que nunca mais chega o Sto.António).

 

Isto chateia, garanto que me chateia, até porque preciso de usar o meu carro em Lisboa, mas o raio da forma humana precisa de manter esta velha maniazinha das aparências, o não assumir a realidade de um povo que não tem de facto dinheiro para comprar carros novos, porque já mal dinheiro tem para pagar os passes.

 

E a culpa é nossa, e é por estas e por outras que pelos lados da Gália ainda pensam que a mulher portuguesa é gorda, baixa, peluda e de bigode, e que em alguns locais do Brasil ainda pensam que a música portuguesa mais alegre é a cantada pelo Roberto Leal.

 

Agora desculpem-me mas tenho de ir aparar o meu bigode e editá-lo em Photoshop, enquanto danço um vira ao som de Roberto Leal, porque não quero que os meus amigos do Facebook me vejam nestes preparos...ou então não!


Retirado de A Vida de Saltos Altos



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Quarta-feira, 18.04.12

Rei de Espanha caça elefantes

 

Depois de ver a fotografia infeliz do rei Juan Carlos ( aparentemente feliz em 2006), de caçadeira em riste, com um elefante morto atrás de si com a tromba dobrada  e colocada propositadamente - em jeito de troféu - de encontro a uma árvore, o mínimo em termos de sofrimento que desejo a este senhor são as múltiplas fracturas na anca a que teve direito ao cair de rabiosque no chão, há poucos dias, em pleno acampamento de caça grossa. Por mim podia ter partido a real tromba, ser atropelado por uma manada de elefantes em fuga ou servir de entrada à ceia de meia dúzia de leopardos. Dormia (eu, e não o rei) bem mais descansado.

 

A proprietária do acampamento onde Juan Carlos deu o tombo - a empresa Rann Safaris - cobra milhares para que este tipo de pessoas goze com a vida, neste caso regozije com a morte, imputada de forma facínora e cruel a diferentes animais selvagens que têm oportunidade nula de se defenderem. É caso para perguntar: quem é o selvagem, o elefante ou o rei? Cobarde. Um verdadeiro nojo.

 

A mesma empresa oferece pacotes de diversão/massacres selvagens que vão de safaris de 14 dias para caçar elefantes no Botswana ao preço de 59.500 dólares, 14 dias de safari para caçar leopardos por 46.900 dólares ou ainda 14 dias para caçar búfalos a 29.120 dólares. O rei nuestro hermano parece adorar este tipo de pacotes pois figura numa outra foto divulgada de espingarda na mão junto ao corpo já sem vida de dois búfalos. Haja dinheiro (crise? o que é isso?), falta de humanidade e sobretudo excesso de estupidez. Curiosamente, ou não, poucos minutos após a publicação desta informação a página principal da Rann Safaris foi bloqueada : 'This Account Has Been Suspended'.

 

Até há algum tempo achava que as famílias reais europeias mantinham a função (paga e bem pelos contribuintes dos países que ainda sustentam esta pândega)  de animar os súbditos com historietas de faca e alguidar, imbecilidades, debilidades, escândalos e disparates. Mudei de opinião: esta gente não serve para rigorosamente nada.


Brigitte Bardot, em carta aberta ao rei de Espanha, foi clara: "É indecente, repugnante e indigno de uma pessoa com a sua responsabilidade. Você é a vergonha de Espanha". Nada a acrescentar.


Retirado do Expresso



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Sexta-feira, 13.04.12
Começar por tornar a coisa divertida é o melhor caminho
Começar por tornar a coisa divertida é o melhor caminho

Agora já não há dúvidas: a carne vermelha é mais letal do que se pensava . Há algumas semanas, a notícia esteve em destaque nos principais sites de jornais nacionais e internacionais, na blogoesfera e nas redes sociais, já que um novo estudo da Harvard School of Public Health , nos EUA, provou que, mesmo em quantidades reduzidas, o consumo de carne vermelha aumenta em muito os riscos de doenças cardiovasculares e de cancro. Por isso, o melhor mesmo é trocar o vermelho do sangue pelo verde dos legumes.

Não ponha a saúde dos seus filhos em risco

Como muitos pais constatam, a maioria das crianças adoram (e consomem) carne vermelha, seja em hambúrgueres, seja em bifes ou em almôndegas. Se cruzarmos este facto com os resultados do estudo norte-americano, a situação é preocupante. Foi exatamente por isso que decidi abordar este tema hoje.

 

Você tem de cozinhar todos os dias para as suas crianças e já não sabe mais como variar nos pratos, sobretudo no que toca a comida saudável e, ainda mais agora, sem recorrer à carne vermelha. Ao mesmo tempo, as crianças têm de gostar do que lhes é servido para que comam. Isto tem sido um problema para si? Calma, não desespere. Conheça alguns truques para levar as crianças a comer o que é mais saudável e até a quererem repetir.

 

Sugestões apetitosas da organização de prevenção da obesidade infantil:

 

Massas: já sabemos que as crianças adoram massas, no entanto, em vez de pôr sempre o queijo ou limitar-se ao molho de tomate, experimente servir o esparguete com pedaços de brócolos ou tiras de frango. Se acrescentar um pouco de natas light ou margarina derretida na massa, elas vão adorar.

 

Sopas: experimente variar nas sopas. Além da típica sopa de puré de cenoura, as crianças costumam apreciar sopa de lentilhas, e se ainda acrescentar aipo, não só vão gostar, como também estarão a cumprir parte dos requisitos dietéticos essenciais.

 

Hambúrgueres mais saudáveis: os hambúrgueres são de facto um dos pratos favoritos da maioria das crianças. Mas agora, com as conclusões do estudo da Harvard School of Public Health, torna-se realmente imprescindível repensar o tipo de hambúrgueres que damos aos miúdos. Podemos substitui-los por hambúrgueres de frango, que ficam igualmente deliciosos. Mas em vez de os servir com as tradicionais batatas fritas, que tal servi-los dentro de um pão com cereais, tomate, alface e queijo magro? Acredite que eles vão gostar à mesma. E se ainda quiserem batatas fritas para acompanhar, então experimente substitui-las por batatas assadas no forno. São muito mais saudáveis e não dão trabalho praticamente nenhum a cozinhar.

 

Tortilhas: são outro prato que podem ser muito nutritivos - com ingredientes caseiros -, e as crianças costumam gostar muito.

 

Legumes: as crianças não costumam gostar de legumes e normalmente colocam-nos na borda do prato. Mas é possível faze-los comer alguns. Por exemplo, acrescentando queijo no topo dos brócolos cozidos e levando-os ao micro-ondas durante um minuto. Ficam deliciosos e, mais importante, irresistíveis para as crianças. Há outro prato saboroso com legumes que também é fácil de cozinhar: couve-flor com bacon. Tem dúvidas? Então aqui fica o linka para a receita . Verá como a criançada vai adorar.

 

Por outro lado, há ainda uma regra de ouro para que as crianças não torçam o nariz cada vez que lhe puser legumes ou vegetais à frente: a decoração do prato. Muitos especialistas afirmam, que se a apresentação do prato for divertida, pode ser a chave para um apetite mais aberto a verduras.

Sugestões para tornar um prato mais divertido

 


Retirado de  A Vida de Saltos Alto




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Terça-feira, 13.03.12

As maminhas que pararam a Tunísia

 

Apesar de ser alemão, Sami Khedira deve ser o tunisino mais famoso do mundo e, não por acaso, está no centro do primeiro ataque à liberdade de imprensa da nova Tunísia. O homem, está visto, é um portento. Além de ser o médio-centro da primeira Nationalmannschaft tutti-frutti e do Real Madrid, Khedira é namorado de um avião chamado Lena Gercke. Tudo bem? Tudo mal. Os islamitas da Tunísia embirraram com as mamocas marmóreas de Gercke. Passo a explicar. 

 

Khedira e Gercke fizeram um ensaio (eufemismo de soft porn) para a edição alemã da GQ, do qual resultou esta bela foto . Julgando que a nova Tunísia era um sítio desempoeirado, o director do jornal Attounsia, Ben Saida, publicou a foto na edição de 15 de Fevereiro. Como é óbvio, o nosso Ben queria mostrar a força do ADN tunisino, exemplificado na forma como Khedira faz uma conchinha para cobrir o seio desnudado da deusa teutónica . Como é óbvio, o nosso herói não mediu a força que os islamitas têm na nova Tunísia. Ao que parece, mesmo os islamitas mais moderados são permeáveis aos sectores mais radicais que exigem vergastadas em seios desnudados. Ben queria acordar em Berlim, mas acordou em Riade. Foi preso logo no dia 15 de Fevereiro e só foi libertado no dia 23. Por outras palavras, a nova justiça tunisina tem ar de ser mais dura com um jornalista impuro do que com um violador ou espancador de mulheres. Aliás, aposto que a nova Tunísia deve encarar a figura do violador como algo vago e impreciso. A culpa, afinal de contas, é da mulher que envenena o homem com um desejo impuro. É a moral do "ela estava a pedi-las", não é verdade?

 

Qual foi a pena de Ben? Livrou-se de passar uns anos na cadeia, mas pagou uma multa de 500 euros (uma fortuna na Tunísia) por violar as leias da decência. Ben ainda apelou à liberdade de imprensa e de expressão, mas o tribunal não esteve para aí virado. A história regista assim a causa da primeira prisão de um jornalista na nova Tunísia: duas mamocas teutónicas devidamente tocadas por um tunisino. A nova Tunísia promete. A nova Tunísia promete não resolver o problema de cama que está no epicentro dos nossos queridos vizinhos da outra margem do Mediterrâneo.


Via Expresso



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Quinta-feira, 08.03.12

Usar as redes sociais para encontrar antigos amigos, vizinhos ou colegas já há muito que não é novidade. No entanto, utilizar o Facebook para encontrar filhos biológicos que foram dados para adoção levanta problemas bem mais complicados e, no mínimo, é preocupante.

 

Não há dúvidas que as redes sociais estão a transformar o conceito do segredo ou do sigilo. Nas redes, a exposição da vida privada está praticamente ao alcance de tudo e de todos, sobretudo para quem for imprudente.

 

O jornal The New York Times , por exemplo, relata o caso de uma mãe que consegue finalmente encontrar o filho biológico - que tinha dado para adoção dezasseis anos antes -, após alguns meses de pesquisa no Facebook. O mesmo jornal relembra que a Internet aumentou a velocidade com que se pode efetuar uma procura de um paradeiro ou simplesmente seguir o rasto de alguém. Por conseguinte, os adolescentes adotados (e mesmo algumas crianças em situação idêntica) são facilmente encontrados pelos pais biológicos nestas redes sociais e, pior, precisamente quando se encontram no momento mais vulnerável para o desenvolvimento da sua identidade. Por outro lado, há também registo de vários casos em que acontece o inverso: são os próprios adotados que tomam a iniciativa de procurar os pais biológicos através do Facebook, sem sequer informarem os pais adotivos.

 

A verdade pode ser um choque

 

O grande problema desta complexa situação surge quando os pais biológicos encontram os filhos que deram para a adoção antes mesmo destes saberem que foram entregues a outra família, o que pode causar grandes distúrbios, não só para as crianças ou adolescentes, mas também para os próprios pais adotivos. Há toda uma estrutura familiar que entra em derrocada.

Invasão não planeada

 

Também o jornal inglês The Guardian publica uma entrevista a Jonathan Pearce (responsável pela Adoption UK, entidade que apoia famílias adotivas no Reino Unido), onde afirma que cada vez mais tem de lidar com as consequências dessa "comunicação intrusiva e não planeada", alertando para o facto de ser cada vez mais difícil garantir a confidencialidade, quer de quem adota, quer de quem é adotado.

 

É importante não esquecer que, até há bem pouco tempo, o contacto correto dos pais com os filhos que foram dados para adoção devia ser feito unicamente através de um assistente social ou intermediário legal do processo de adoção. Agora, com as redes sociais - onde não parecem existir fronteiras para nada no que toca à informação privada -, torna-se muito mais difícil impedir situações que podem ter consequências devastadoras para todos os envolvidos. Pelo contrário, fica tudo bem mais facilitado, já que basta uma data de nascimento, o nome e a localidade para a pesquisa ter uma forte probabilidade de ser bem sucedida.

 

Perante uma situação tão delicada e que levantar tantas questões, deixo uma pergunta para abrir o debate: como é que se pode impedir ou proteger as crianças e os adolescentes adotivos na era das redes sociais, que parece ter vindo para ficar? Não basta proibir ou pensar que é fácil, pois isso é ignorar a verdadeira dimensão do problema. Daí que o melhor mesmo seja pensar no assunto com ponderação e tentar ajudar a produzir conclusões úteis e eficazes, afinal de contas está em causa um ecossistema tão delicado como as relações entre membros de famílias adotivas.

 

Via A Vida de saltos Altos



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Sexta-feira, 02.03.12

A legislação portuguesa, depois da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, passou a viver com uma aberração: homossexuais solteiros podem adotar uma criança, heterossexuais sozinhos podem adotar uma criança, um casal de homossexuais não pode adotar uma criança. Não há nenhum argumento racional - mesmo para os que defendem que as crianças precisam sempre de um modelo masculino e feminino - para defender o absurdo legal em vigor. Se uma criança precisa de um pai e de uma mãe (ao ponto de ser preferível ficar institucionalizada se não os tiver), então a adoção por famílias monoparentais teria de deixar de existir.

 

Portugal transforma-se numa raridade: permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo sem permitir a adoção. Só vejo um raciocínio possível: façam lá as vossas porcarias mas não metem crianças ao barulho. Ou, numa versão mais benigna, demasiados deputados aceitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo mas têm vergonha da sua posição. Precisaram de garantir uma exceção na lei para que existisse uma qualquer diferença entre casais homossexuais e casais heterossexuais. E as crianças institucionalizadas foram usadas neste expediente político.

 

Adotar não é um direito. É o superior interesse da criança que deve presidir a todas decisões relacionadas com a adopção. O problema é que, com esta decisão, que não tem qualquer base científica ou coerência jurídica, as crianças ficaram a perder. Repare-se que permitir a adoção, seja por casais heterossexuais, seja por casais homossexuais ou seja por indivíduos isolados, não garante, à partida, que o candidato a adotante consegue adotar. Serão os técnicos a avaliar se estão em condições de o fazer. O que a lei faz é excluir, à partida, por mero preconceito, milhares de candidatos. Muitos deles com excelentes condições emocionais para o fazer. Isto quando há milhares crianças institucionalizadas. O legislador colocou os seus preconceitos à frente do interesse da criança. Foi negligente.


O argumento da estigmatização da criança adotada por casais homossexuais não colhe. Os filhos de pais divorciados viveram, durante muitos anos, esse preconceito. E, se os pais souberam lidar com isso, aí estão saudáveis e felizes. Os filhos de casais racialmente mistos também. Os filhos de homossexuais, que são muitos, ainda o vivem. A ideia de que só pode adotar quem corresponda, perante os preconceitos de uma sociedade, ao casal tradicional (cada vez menos habitual), é absurda. Deve poder adotar quem esteja em condições para educar uma criança, dar-lhe o afeto e a atenção que ela precisa e fazer dela um adulto tão feliz e saudável como a maioria das pessoas. Não há pais perfeitos. E não me parece que orientação sexual dos pais seja um factor especialmente relevante para aferir da funcionalidade ou disfuncionalidade de uma família.


De todos os votos, o mais difícil de explicar foi o do PCP. Ao lado da maioria de direita (e mesmo nela houve votos divergentes) e de uma pequena minoria de deputados do PS, os comunistas deram o pior argumento possível: a sociedade não está preparada para esta decisão. Em português corrente: não estamos preparados para corrermos o risco da impopularidade de uma decisão que até consideramos correta.


O que me interessa saber é se as crianças adotadas e os pais adotantes estão preparados. E se é justo que tantos seres humanos passem os primeiros anos da sua vida em instituições, a que nunca poderão chamar de lar, para satisfazer preconceitos sem qualquer base científica. Cabe aos deputados fazer o que a sua consciência determina. Se se limitassem a ser cataventos e a ir sempre uns passos atrás da sociedade muitas coisas que hoje temos como fundamentais para a dignidade humana não estariam garantidas na lei.

Daniel Oliveira
Via Expresso


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Sábado, 04.02.12
Amnistia Internacional - Terá a União Europeia Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina?

 

Com a aproximação do Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, que se assinala a 6 de fevereiro, a parceria portuguesa da Campanha Europeia "Fim à Mutilação Genital Feminina", constituída pela Amnistia Internacional Portugal e pela Associação para o Planeamento da Família, apelam ao Estado português para ratificar a Convenção para a Prevenção e Combate da Violência contra as Mulheres. Pretende-se garantir a sua implementação a nível nacional e assumir a liderança na eliminação da violência contra as mulheres.

 

A violência contra as mulheres, de que a mutilação genital é um exemplo, é um fenómeno fortemente disseminado: quase todas as mulheres na União Europeia irão experimentar alguma forma de violência durante a vida, uma em cada cinco irá ser vítima de violência doméstica e uma em cada dez irá ser violada ou forçada a praticar atos sexuais.

A nível internacional, a Amnistia Internacional e o Lóbi Europeu das Mulheres mantêm o desafio à União Europeia de clarificar o seu compromisso na luta pela eliminação da mutilação genital feminina e de outras formas de violência contra as mulheres. Desde 2010, altura em que a Comissão Europeia se comprometeu a adotar uma estratégia sobre a violência contra as mulheres, incluindo a mutilação genital feminina, não se adotou nenhuma medida estruturada e coerente para combater esta violação dos direitos humanos.

O Parlamento Europeu estima que 500 mil mulheres e raparigas na Europa estejam a sofrer com as consequências da mutilação genital e que outras 180 mil por ano sejam colocadas em risco. Na maioria das vezes, as raparigas são levadas para o estrangeiro durante as férias do verão e forçadas a submeterem-se à mutilação para assegurar a possibilidade de casamento ou o seu estatuto social.

Apesar de alguns Estados-Membros terem leis e outras medidas políticas em marcha, existe ainda uma grande disparidade entre si. França, Suécia, Reino Unido e outros países onde a mutilação genital feminina foi criminalizada há mais de uma década continuam a lutar contra esta prática. "Isto mostra que a legislação não é resposta suficiente. A União Europeia tem de adotar uma abordagem integrada, que envolva os membros da comunidade, para assegurar que as raparigas sejam protegidas e que as suas famílias não sejam estigmatizadas", afirma Christine Loudes, diretora da campanha europeia "Fim à Mutilação Genital Feminina".

A Amnistia Internacional e o Lóbi Europeu das Mulheres acreditam que uma das medidas a adotar pelos Estados-Membros da União Europeia é assinar e ratificar a Convenção para o Conselho da Europa, cujo objetivo é prevenir e combater a violência contra as mulheres e a violência doméstica.

"Erradicar todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo a mutilação genital feminina, deve ser uma prioridade, especialmente em tempos de crise. Sabemos que a União Europeia tem os meios para acabar com a violência contra as mulheres e para desenvolver uma estratégia que permita que vivam sem violência. De que estamos à espera?", questiona Cecile Greboval, secretária-geral do Lóbi  Europeu das Mulheres.

 

Via Expresso



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Sexta-feira, 03.02.12

Alerta: afinal as mulheres estacionam melhor que os homens!  Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/a-vida-de-saltos-altos=s24943#ixzz1lGNTCxbB

 

A conclusão chegou diretamente do Reino Unido, onde foi feita uma análise a mais de 700 parques estacionamento e entrevistas a mais de 2 mil condutores. Ao que parece eles são mais rápidos a estacionar, mas elas são mais perfeccionistas e deixam o veículo mais direitinho. Eles andam demasiado depressa e não conseguem ver logo os lugares vagos, enquanto elas andam mais devagar (eu diria mesmo a passo de caracol...) e não perdem um.

Feitas as contas à rapidez com que encontram lugar, a forma como se dirigem a ele, o tempo perdido em manobras e quantas vezes se reposicionam, as mulheres ganharam a eterna batalha do estacionamento. E eu, que faço parte delas, estou aqui para dizer-vos que acho isto uma bela treta.

Contra mim falo, até porque me gabo regularmente de ter verdadeira facilidade em estacionar. E não é mentira. Quando tirei a carta trabalhava numa área que me obrigava a regulares idas à baixa lisboeta. Sem dinheiro para pagar parques, não tinha remédio senão enfiar o carro em todos os buraquinhos possíveis. Acreditem: "a necessidade ensina a rezar". E foram muitas as frases verdadeiramente pouco católicas que disse frente àquele volante sem direção assistida.

 

Complexo de inferioridade masculino VS Falta de jeito feminino

 

Podia ter aqui o discurso "femininamente correto" de que não é uma questão de género, mas a verdade é que a larga maioria das mulheres não tem jeito para a coisa. Num estudo feito em parque de estacionamento, onde os lugares são largos e habitualmente basta pôr o carro de frente, não me admira que o resultado tenha sido melhor. Se fosse para estacionar de lado, a história mudava de figura. Já de marcha atrás ou para o lado esquerdo prefiro nem falar.

São muitas as amigas que, volta não volta, me pedem para estacionar. "Ah e tal, com os saltos altos não consigo...". Depois há as que preferem estacionar a quilómetros de distância do destino porque "muito apertadinho não dá". Se optam por tentar, dão verdadeiras batidelas à frente e atrás até conseguir. Ainda há também as que me pedem ajuda para meter gasolina porque geralmente é o pai ou o marido que o faz (sim, isto é real!). São mulheres emancipadas, com belíssimas carreiras e tudo mais... mas com muita pouca apetência para isto. E quando puxo conversa sobre o tema (e acreditem que já o fiz, inclusive fora de Portugal), o cenário repete-se. Há exceções, como em tudo. E conheço mulheres que podiam dar aulas de estacionamento a muito salto raso. Mas vá, deixemo-nos de coisas: na maioria, eles são melhores que nós a estacionar.

Na realidade, eles gozam, gozam, mas adoram que assim seja. É como colarem-se à nossa traseira e ultrapassarem-nos na auto-estrada porque irmos a 120 à hora é uma maçada (aquilo é uma pista de corrida e nós é que não percebemos... influencia de demasiadas horas na Playstation, diria eu...). Dá-lhes uma sensação de conforto emocional. O gozo irracional de mostrarem a sua superioridade masculina nestas coisas tão... pequenas. De eterno complexo de inferioridade.

 

O mítico vídeo de desastrosos estacionamentos femininos que faz as delícias masculinas





 



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Segunda-feira, 30.01.12

Nasceu sem braços mas fez dos pés os seus maiores aliados, numa longa caminhada no universo da massagem profissional. Aos 49 anos, Sue Kent conseguiu alcançar o seu sonho: ser massagista olímpica oficial. Com os pés.

 

Esta é daquelas histórias que merecem ser contadas. Não porque Sue seja uma "aleijadinha", como tanta gente lhe chamou ao longo da sua infância, mas sim porque é uma vencedora mesmo sem levar medalhas para casa. Um daqueles exemplos em que toda a gente que gosta muito do queixoso "vai-se andando" devia pôr os olhos.

Sue tem dois filhos e é uma profissional de sucesso. Embora nos Jogos Paralímpicos nos tenhamos habituado a ver deficientes no estrelato, desta vez chega-nos um exemplo de como a imaginação, aliada à perseverança, podem mudar a vida de alguém que nasceu, à partida, condenado a ser diferente.

"Nunca me senti uma coitadinha"

 

Lembro-me de há uns anos ter entrevistado alguns dos nossos maiores campeões. Todos multimedalhados, todos deficientes. Não ganhavam ordenados do género Cristiano Ronaldo... Aliás, muitos deles pagavam para ser atletas de alta competição, com apoios mínimos do Governo do país cuja bandeira foi hasteada ano após ano graças ao seu esforço. O litro deram-no por satisfação pessoal.

Recordo a nadadora Leila Marques , que se desdobrava entre o curso de Medicina e as três horas de treino diárias... com um braço a menos. Trouxe-nos o bronze no Campeonato do Mundo. Recordo também a boa-disposição de Bento Amaral , que ficou tetraplégico aos 25 anos a fazer uma carreirinha no mar e voltou a "encontrar a liberdade" com a vela adaptada. Categoria em que se sagrou campeão mundial, ao mesmo tempo que dava aulas e era chefe de Câmara dos Provadores do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto.

Teria sido mais fácil (ou não) ficar sentado no sofá a dizerem mal da vida que os presenteou de forma tão ingrata. Teria sido até legítimo que perdessem a vontade de tentar dar a volta. Mas não foi isso que fizeram. Tal como Sue, que não se resignou e contornou os seus obstáculos.

Não quero com este texto ser melodramática ou puxar ao sentimento com histórias que realmente podiam fazer parte de um filme, mas que são da vida real. Que podia ser a minha ou a de quem quer que esteja a ler estas palavras agora. Os tempos são cinzentos, é certo, mas paremos de nos queixar por tudo e por nada. Condenarmo-nos ao mundo da inércia parece-me um erro. Com uma fatura demasiado cara para pagar no futuro.

 

Veja como Sue Kent massaja com os pés

 



Via A vida de Saltos Altos



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Segunda-feira, 23.01.12

Dickens: bicentenário do nascimento de uma obra

 

Charles John Huffam Dickens é considerado um dos mais populares romancistas britânicos da época Vitoriana e o Reino Unido comemora este ano os 200 anos do seu nascimento. No site http://www.dickens2012.org/ poderá aceder a uma panóplia de eventos que se encaixam nesta celebração, tanto no Reino Unido como no resto do mundo. Eventos literários, mas também cinematográficos, teatrais e exposições farão as delícias dos fãs de Dickens um pouco por toda a parte, mas em especial na Inglaterra.

 

Mas se Charles Dickens nos deixou um legado literário onde se incluem clássicos títulos como "Oliver Twist", ou "A Christmas Carol", não é menos verdade que a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa foi a sua maior façanha. Um homem que vivia no seu tempo, Dickens atravessou um importante período na história britânica que acompanhou a passagem de uma Inglaterra industrializada para uma era de puro capitalismo, com a expansão do império Britânico e um progresso social e político na esfera da vida inglesa.

 

É neste contexto que a literatura de Dickens encontra um terreno fértil, juntamente com a ascensão da burguesia e o declínio operário, para a proliferação de personagens trágico-cómicas altamente complexas e que se tornaram memoráveis na literatura e na sociedade inglesa.

 

Tendo como principal público a população anglófona (na altura a mais alfabetizada do mundo) Dickens consegue o equilíbrio perfeito entre a crítica social, abordando temas polémicos como o trabalho e o abandono infantil, mas manter-se - ao mesmo tempo - à parte de uma conotação comunista ou mesmo revolucionária, conseguindo usufruir do lado excitante da vida.

 

Amante da globalização e da circulação de bens e serviços aponta, contraditoriamente, a acumulação de bens como um dos malefícios do capitalismo empurrando personagens para vidas arruinadas pela expectativa de um conforto materialista, especialmente na ausência de um conforto emocional.

 

Dickens morreu a 8 de Junho de 1820 de ataque cardíaco e deixou um extenso legado de extraordinárias histórias onde se contam uma vintena de romances.

 

A vida e as obras de Charles Dickens são tão fascinantes, e tão extensas, que o seu resumo seria impossível neste texto. Deixo-vos o convite a visitar Londres no próximo mês e a assistir de perto às comemorações do bicentenário do nascimento de Dickens. Em alternativa, numa forma low cost mas não menos atrativa, a revisitar a obra literária que vos fará certamente viajar por personagens perfeitas e imperfeitas, mas sempre complexas e profundas como o resto da humanidade.


Via Expresso



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Segunda-feira, 09.01.12

Há coisas que nos fazem sonhar. Pessoas também. Natsumi é uma delas.

 

Natsumi Hayashi é uma jovem fotógrafa de Tóquio. Até aqui nada de especial, não fossem as fotografias de Natsumi ter uma particularidade que já fizeram duvidar da sua veracidade. Esta cativante rapariga tira fotografias a si própria a saltar, até conseguir captar o momento perfeito em que parece estar a... levitar.

 

Em entrevista ao "Daily Mail UK", Natsumi Hayashi explica: "a única forma de obter o momento perfeito para a fotografia é saltar muito. Às vezes necessito de saltar mais de 100 vezes para obter a fotografia perfeita".

 

Equipada apenas com uma câmara com temporizador, um tripé e a ajuda de alguns amigos, Natsumi presenteia-nos com fotografias cujo resultado final é uma perfeita levitação, sem o esforço do salto declarado. Em perfeita harmonia com o meio envolvente, os cenários das suas fotografias são o mais banal possível, em situações perfeitamente normais do quotidiano.

 

Se este impressionante trabalho é fruto de muita dedicação ou se é puro Photoshop é algo que tem sido discutido por especialistas. No entanto, tal como qualquer manobra de ilusão (ou não), estamos perante imagens que parecem quebrar as leis da gravidade, e isso transporta-nos par uma sensação única de "tirar os pés do chão", especialmente quando os precisamos ter bem assentes na terra.

 




Via A vida de Saltos Altos



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Sábado, 07.01.12
Um golo único! O guarda-redes do Everton marca na baliza do adversário sem sair da sua baliza. 


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Sexta-feira, 06.01.12

Afinal é dos feios que elas gostam mais!

 

A história do patinho feio e da Bela e o Monstro parecem visitar o imaginário feminino muito além da infância. E como diz o ditado "quem feio ama, bonito lhe parece!"  Um estudo  norte-americano  recentemente divulgado pelo "Daily Mail" vem agora revelar que os saltos altos preferem os homens feios do que os bonitos.  Porque as mulheres já consideram o seu parceiro uma beldade se ele for confiante na vida e se se achar esteticamente aceitável.

Além disso, o bom humor e a simpatia parecem mais facilmente conquistar uma mulher do que um bom par de músculos ou uma sessão masculina no SPA. No fundo, uma mulher considera um homem atraente não tanto pelos seus atributos físicos, mas pela sua personalidade, como tantas outras pesquisas já vieram demonstrar.

Segundo este estudo,"os homens mais bonitos que as suas parceiras revelam uma  tendência para oferecer menos apoio emocional e prático às suas mulheres". Motivo? Talvez os mais bonitos sejam demasiado vaidosos e confiantes e que além de galãs sejam também engatatões, esquecendo-se das suas companheiras e preferindo lançar charme para outros saltos altos. Como diz uma amiga minha "homem bonito não, porque dá muito trabalho" e a conclusão desta pesquisa vai nesse mesmo sentido. São as próprias jovens a constatar isso já que o estudo foi feito com base em inquéritos a 200 universitárias dos EUA.

As mulheres podem invejar os bonitos, mas para um relacionamento sério preferem os que são mais cavalheiros e que lhes dão mais carinho e atenção. Na adolescência até podem interessar mais os galãs para disputar o colega mais giro no baile de finalistas, mas para o futuro preferem um homem leal e engraçado. É também para combater a 'livre concorrência', evitando os olhares indesejados e as demais tentações... Porque, afinal, mais vale prevenir do que remediar!

 

Via A Vida de Saltos Altos



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Quinta-feira, 05.01.12

 

Uma das muitas brincadeiras enviadas para o blogue, com personagens do cinema

 

 

Tudo começou com o rabo de Scarlett Johansson. Agora, continua com muitos internautas anónimos que decidem mostrar a sua intimidade traseira pela Internet. Pelo caminho, participam também o Presidente Obama, a famosa boneca Barbie e até mesmo o peludo Chewbacca.

 

 

Após uma badalada batalha em tribunal pelo bem da sua privacidade revelada em imagens no tão pouco privado mundo da Internet, a atriz tornou-se fonte de inspiração para centenas de pessoas de todo mundo que dão agora largas à imaginação no blogue "Scarlett Johanssoning ". E engane-se quem achar que são só as senhoras que aderiram: tanto saltos altos como rasos perderam a vergonha (se é que a tinham) e exibem o rabiosque alegremente para quem quiser ver.

 

Tem a sua piada, é verdade. Tenho amigos que o fizeram e eu fui das que se riu a bom rir com o resultado. Mas numa altura em que tanto se debatem os limites da privacidade no mundo virtual, não deixa de ser irónico que tanta gente decida mostrar o corpo - e em grande parte das fotos a sua identidade explícita - através de imagens tudo menos discretas. Por iniciativa própria.

"Scarlettear" o traseiro: sim ou não?

 

Será que isto de "scarllatear" o traseiro deve ser encarado apenas como uma brincadeira inofensiva... ou põe mesmo em causa o bom-senso dos limites do que devia ser privado? Quem publicou as fotos teve livre arbítrio para o fazer, é certo. Mas pergunto-me se pararam antes para pensar que o seu traseiro e a sua cara estariam espalhados pelas buscas do Google, em blogues, redes sociais, sites de jornais e por aí fora. À mão de semear de patrões, colegas de trabalho, vizinhos do lado, filhos, pais e toda a gente curiosa que faça algo tão simples como abrir um link reenviado de amigos, para amigos, com um site muito giro onde aparece a brincadeira.

Eu cá não gostava que um dia um editor cá da casa me dissesse: "Ontem andava a passear num blogue que me enviaram e vi-te de rabo à mostra". Mas isto sou eu. Podem-me chamar paranoica à vontade, mas eu e o meu traseiro gostamos muito de privacidade.  

 

Via Expresso



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Terça-feira, 03.01.12

O espírito queirosiano ficou irritado com o anúncio da Coca-Cola, que tem o descaramento de dizer coisas positivas sobre Portugal, que tem a lata de dizer que Portugal não é o Burundi . Não por acaso, nos últimos dias, muitos amigos e amigas deixaram cair a indignação queirosiana a respeito da coisa: "como se atrevem a dizer bem desta choldra?" (eu prefiro as variações com palavrões). Ora, esta característica portuguesa interessa-me muitíssimo . O português deve ser o único ser à face da terra que fica incomodado quando ouve coisas positivas sobre o seu próprio país. Este anúncio só poderia causar incómodo em Portugal. Se a Coca-Cola tivesse feito um anúncio a gozar e a desprezar Portugal, ui, ui, teria o apoio dos portugueses que, agora, estão irritadinhos com a perspectiva meio otimista. 

 

Mas, afinal, qual é a mensagem do maldito anúncio? É uma mensagem simples e correcta: apesar da década perdida, Portugal ainda tem o copo meio cheio. Para compreender isto, basta olhar, com humildade, para as vidas dos nossos pais e avós. Em 1950, o português tinha um rendimento per capita de 40% da média da Europa rica; no ano 2000, o nosso rendimento já estava nos 70%. Em 1993, a inflação ainda era de 9%. E eu poderia ficar aqui o resto do dia a apresentar factos (repito: factos) que provam um facto (repito: facto): Portugal foi um dos países que mais cresceu, que mais evoluiu nas últimas gerações. Mas, como é óbvio, o espírito queirosiano já está a abanar a cabeça, já está a dizer "mas este tipo está para aqui com lições de história para quê?". Pois muito bem. Falemos então de factos do presente, falemos de factos retirados dos jornais deste fim-de semana. A tecnológica portuguesa Biodroid produziu um jogo de computador que é um sucesso mundial (Expresso economia). A tecnológica portuguesa Roff abriu filial em Casablanca e já tem escritórios em cidades menores como Paris ou Estocolmo (Sol). A Microprocessador, empresa xpto de Matosinhos que faz a gestão electrónica das auto-estradas, exporta tecnologia para 10 países (i). A Amorim comprou uma empresa na Argentina, no sentido de reforçar a sua posição num dos países-chave do chamado novo mundo vinícola (Sol). Na coluna de João Paulo Martins (Única/Expresso), descobrimos que um restaurante canadiano vende, por dia, 400 garrafas de vinho português. A Adira, maior fabricante lusa de máquinas-ferramenta, exporta que se farta (Expresso economia), e - atenção - a Adira é um dos bons exemplos do sector metalúrgico, cujas exportações subiram 20% em 2011 (Sol). A GL, cadeia alimentar portuguesa, começou a exportar hambúrgueres para Angola, e as marcas desta empresa já exportam para Espanha, Holanda, Suécia, Polónia, Inglaterra e Noruega e - um pormenor - produzem para o Starbucks e Ikea (Sol). Um grupo de hotelaria espanhol abriu um novo hotel no Porto, que resulta da requalificação de 5 edifícios da Ribeira (Jornal de Notícias).

 

Como dizia há pouco, estes factos foram encontrados em apenas 4 jornais de sexta e sábado. Todos os dias aparecem factos desta natureza. Mas, lá está, não existe uma narrativa mediática e cultural que permita o encaixe desta luminosidade tuga . E, assim, tudo acaba num cenário um pouco cómico: os factos positivos sobre Portugal são incómodos para os portugueses, logo, são desprezados. É como se não existissem. Calma, calma. Não estou a dizer que Portugal é a Suécia mediterrânica. Tenham calma. Estou apenas a dizer que Portugal, apesar de tudo, não é o Burundi . Entre o optimismo desmiolado e o pessimismo apocalíptico, há um espaço para pensar Portugal.


Via Expresso



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Sábado, 31.12.11

 

O fim do sinal analógico e a transição para a Televisão Digital Terrestre, que começa a 12 de Janeiro e acaba a 26 de Abril, não podia calhar em pior altura. Muitos dos portugueses que não têm televisão por cabo e compraram o seu aparelho antes de 2009 - geralmente os que têm menor folga financeira, onde se incluem muitos idosos - terão de pagar um aparelho descodificador. São 77 euros mais IVA, com reembolso de 22 euros pela PT para os pensionistas com menores rendimentos e algumas pessoas mais desfavorecidas. Uma coisa chocante para os senhores da ANACOM: 55 euros é muito dinheiro para quem tenha reformas abaixo dos 300 euros ou para quem esteja desempregado. Pior: quem tenha um televisor sem tomada de interface SCART ou HDMI terá mesmo de comprar uma televisão nova ou um modulador de sinal RF, não comparticipado. E não podemos esquecer todos os que vivem nas zonas não cobertas pela TDT (cerca de 13% da população) que terão de de usar o satélite.

 

Não ponho em causa as vantagens da TDT para a modernização do sector. Mas elas não se farão sentir, de forma evidente, para a maioria dos consumidores. O sinal poderá ser melhor mas continuarão, apesar da despesa, a ter direito aos mesmíssimos quatro canais do costume.

 

Se a transição tecnológica não traz serviços novos e relevantes porque têm de ser os cidadãos a pagá-la? Parece, a quem tenha alguma noção das situações dramáticas que se vivem, no meio desta crise, por este país fora, que esta é uma despesa prioritária para as famílias? Se obrigam as pessoas a isto não seria normal darem-lhes qualquer coisa em troca? Um exemplo: se já pagamos a RTP nos nossos impostos não seria uma boa solução aproveitar as potencialidades da TDT e oferecer no pacote gratuito os restantes canais da televisão pública? Porque temos de pagar duas vezes (nos impostos e na subscrição por cabo) a mesma coisa?

Via Expresso


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Terça-feira, 13.12.11

"As dívidas dos Estados são, por definição, eternas. As dívidas gerem-se." São eternas porque, ao contrário das pessoas, os Estados não morrem. Nunca nenhum País decidiu ficar com as suas dívidas a zero. A questão é sempre e apenas se pode continuar a pagá-las. Se os juros praticados são suportáveis e o seu crescimento económico permite cobrir os custos da dívida. E por isso são geridas. O que José Sócrates disse, para qualquer pessoa minimamente informada e que esteja de boa-fé nem merece debate. Não é matéria de opinião e ou de confronto ideológico.

 

No entanto, bastou o ex-primeiro-ministro afirmar uma ululante evidência para que se instalasse a indignação do costume. "Esta declaração do engenheiro José Sócrates explica porque é que afinal a bomba lhe rebentou nas mão e ele nos conduziu para a tragédia em que nos encontramos. Se as dividas não são para pagar e se foi isso que ele enteu dos estudos que fez de economia e finanças então está explicado porque ele não se preocupou que Portugal tivesse cada vez mais dívidas e não as pagasse." A frase é do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, Freitas do Amaral, que teve simpatia pelo antigo regime antes do 25 de Abril, foi democrata depois dele, de direita quando a direita chegou ao poder, apoiante e governante do PS quando o PS ganhou as eleições e é agora entusiasta apoiante de Passos Coelho. Trata-se de um fenómeno que desafia as leis física: como pode alguém sem espinha dorsal manter-se de pé? Neste caso é fácil explicar a falta de honestidade intelectual. Noutros, é bem mais preocupante.

 

É fácil acreditar na ideia de que a nossa situação atual se deve a um homem. Mesmo que tudo nos demonstre o absurdo de tese. Sócrates não conseguiu, apesar de tudo, governar Portugal, a Grécia, a Irlanda, Itália e a Espanha em simultâneo. E mesmo os nossos problemas - dívida externa, desigualdade na distribuição de rendimentos, crescimento cronicamente baixo, desequilíbrio da balança de pagamentos, uma moeda demasiado forte, distorções no mercado de arrendamento, falta de competitividade da nossa produção, erros crassos no nosso modelo de desenvolvimento - não têm seis anos. Só que resumir tudo à dívida pública e a um homem dispensam-nos de qualquer reflexão mais profunda. Há um culpado e a coisa está feita. E tem outra utilidade: sendo a culpa do primeiro-ministro anterior só nos resta aceitar tudo o que seja decidido agora. Afinal de contas, Passos Coelho está apenas a resolver os problemas deixados pelo seu antecessor.

 

Sócrates foi, na minha opinião, logo depois de Cavaco Silva (que desperdiçou uma oportunidade histórica), o pior primeiro-ministro eleito da nossa democracia. Mas nem por isso dispenso a honestidade intelectual e o rigor na análise. Nem por isso aceito a estupidificação coletiva na interpretação de uma frase óbvia. Nem por isso aceito o simplismo político. Nem por isso resumo o debate à demonização de uma só pessoa. Que políticos ressabiados ou gente que se quer pôr em bicos de pés o façam - e não posso deixar de assinalar que Pedro Passos Coelho se recusou a entrar na gritaria e encerrou o assunto com um "acho que ninguém pode discordar" - não me espanta. Já acho mais perturbante que economistas e jornalistas de economia embarquem em tão rasteiro expediente argumentativo. Torna-se difícil dar crédito a qualquer opinião que emitam sobre qualquer outro assunto.

 

Escrevi-o antes das eleições em que o PS foi julgado pela democracia e escrevo-o de novo: se os problemas portugueses e europeus tivessem começado e acabado em José Sócrates bem mais fácil seria a nossa vida. E nem o confronto político desculpa a desonestidade intelectual da indignação que se instalou com a afirmação do óbvio.

 

Via Expresso



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Quinta-feira, 08.12.11
Uma das sobreviventes fotografadas por David Jay
Uma das sobreviventes fotografadas por David Jay
David Jay

 

Olho para a fotografia de uma mulher grávida, com a profunda cicatriz de uma mastectomia e não consigo deixar de me arrepiar e pensar que esta frase faz todo o sentido: "O cancro da mama não é uma fitinha cor de rosa". Arrepio-me não só pela crueza da imagem mas também pela serenidade que o olhar dela transmite. A serenidade dos que sobreviveram à sombra da morte.


A fotografia faz parte do "Scar Project" (em português, "Projecto Cicatriz"), do fotógrafo de moda David Jay , que se tem dedicado a revelar ao mundo histórias de jovens sobreviventes do cancro da mama. Ao todo, já foram retratadas mais de 100 mulheres, todas com idades entre os 35 e os 55 anos, numa mensagem de sensibilização muito clara: a doença afeta cada vez mulheres mais novas e o rastreio é essencial.

Sinto um nó na garganta enquanto percorro uma a uma as imagens. São mulheres reais, com histórias, olhares e cicatrizes reais. A preto e branco ou a cores, sozinhas ou acompanhadas por quem esteve ao seu lado na dura batalha com o cancro, as sobreviventes mostram a nova realidade dos seus corpos. Sem pudores. Com a coragem e a honestidade de quem já aceitou a mastectomização, não só da mama mas também da alma. Onde as feridas profundas na perceção da feminilidade demoram muito, diria mesmo demasiado, a cicatrizar.

"Fiz as pazes com o meu espelho"

 

Leio as mensagens sensibilizadas, deixadas por outras mulheres e multiplicam-se os casos não só de outras sobreviventes, como também de doentes prestes a serem operadas, que perceberam que não estavam sozinhas quando viram estas imagens. " Este livro ajudou-me a ter orgulho nas minhas cicatrizes", escreve uma, seguida de outra: " A beleza está na autenticidade de todas estas mulheres". Concordo. 

E ao ler isto ecoa na minha cabeça uma frase que ouvi durante uma entrevista a uma sobrevivente de cancro da mama, que nunca mais esqueci: "Fiz o que todas as mastectomizadas têm de fazer: as pazes com o meu espelho". E sabendo que a velha frase do "isto só acontece aos outros" cada vez faz menos sentido, só consigo fechar os olhos enquanto repito um pensamento comum a tantos saltos altos: espero nunca ter de passar por isto.

O "Scar Project" foi já publicado em livro (que pode comprar aqui ) e deu origem também a um documentário. Tudo, "dedicado às mais de 10 mil mulheres com menos de 40 anos que, só neste ano, serão diagnosticadas". Os lucros revertem a favor de programas de investigação para o tratamento do cancro da mama, doença que continua a ser a principal causa de morte das mulheres entre os 35 e os 55 anos. Posto isto, lembrei-me de deixar aqui a sugestão: por que não pôr este livro num dos sapatinhos?

 




Via Expresso



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Sexta-feira, 02.12.11
Tabatha McCourt, de 17 anos, acabou por morrer
Tabatha McCourt, de 17 anos, acabou por morrer
Poderá uma simples tinta para o cabelo pôr a sua vida em risco? Para muitos de nós, a resposta seria algo como "Oh, que disparate, há anos e anos que em todo o mundo se faz coloração". Mas no último mês, os casos de lesões graves, e até mesmo morte, provocadas por uma simples mudança da cor do cabelo multiplicam-se. Inclusive, em Portugal.

 

Há um mês, a história de Tabatha McCourt correu mundo. Como tantos outros saltos altos (e também rasos!), a adolescente britânica, de 17 anos, gostava de pintar o cabelo. Da última vez que o fez, foi mesmo a última. Cerca de 20 minutos depois de aplicar a tinta, teve uma reação alérgica fortíssima e ficou em coma, acabando por morrer algumas horas depois.

 

Há menos de uma semana foi a vez de Julie McCabe, de 38 anos, entrar em coma pelos mesmos motivos. A história parece um cliché: aplicou a tinta e 20 minutos depois estava a lutar pela vida frente a uma reação alérgica. Dizem os médicos que, se sobreviver, os danos cerebrais serão irreversíveis.

 

As autoridades de saúde inglesas estão a investigar os casos, ainda sem conclusões, mas acredita-se que um químico chamado PPD (p-Phenylendiamine), presente em 99% das tintas de cabelo comercializadas, tenha sido a causa da reação alérgica. Pus-me a ler sobre estas três letrinhas em vários sites, blogues e afins, e pelo que percebi o PPD já foi banido de todos os produtos de beleza vendidos na Alemanha, França e Suécia. Nos restantes países da UE, apenas é permitido o uso de 6% deste químico. Já num estudo realizado nos EUA, a substância está diretamente ligada ao aumento de casos de cancro da bexiga. Mesmo sendo controverso, o que é certo, é que as marcas continuam a usá-lo. Sem pudor.

 

Somos apenas distraídos... ou inconscientes?

 

Ambas as histórias anteriores remetem para reconhecidas marcas de produtos de beleza. Mas os casos avançam também em marcas menos conhecidas e em território português. Nisa Gonçalo, de 20 anos, foi parar ao hospital após ter ficado com graves queimaduras na cabeça, resultado de tinta comprada numa "loja do chinês". O Infarmed já está a investigar e diz que o produto, oriundo de Espanha, está à venda em Portugal de forma irregular.

 

Hoje fui ao surpermercado e dei por mim a fazer algo que não fazia há imenso tempo: a olhar para a composição dos produtos que comprava. Todos nós sabemos de alguns dos perigos químicos eminentes nas caixinhas que nos sorriem nas prateleiras, mas pouco de nós paramos para pensar nisso quando os metemos no cesto.

 

Poucos de nós também "perdem tempo" a fazer os tais testes de segurança com um bocadinho do produto numa pequena zona da pele, antes de o usar na área total. Assumo a minha culpa e admito que, em inúmeras "tardes de gaja" em que ajudei amigas a pintarem o cabelo (sim, o mundo dos saltos altos de vez em quando gosta de brincar aos cabeleireiros caseiros), nunca, repito, nunca me lembro de termos feito tal teste. O mesmo posso dizer de loções depilatórias ou cremes auto bronzeadores, que tantas vezes acabam com cenários dantescos de peles cheias de reações alérgicas. Somos apenas distraídas... ou inconscientes? Quando a vida pode ser o preço a pagar, isto dá que pensar. 

 


 

Via A Vida de Saltos Altos



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Domingo, 27.11.11
O governo avançou, ondem ao fim da manhã, com números de adesão à greve geral - que qualquer pessoa com olhos na cara percebeu que foi superior há de há um ano - na administração pública3,6%. O relatório dos números era hilariante, com sectores inteiros de milhares de trabalhadores e fortes níveis de sindicalização com zero grevistas (é que nem os delegados sindicais fizeram greve, meus senhores). A preocupação deste governo com a sua própria imagem é tão baixa que nem se preocupa que a sua palavra possa ser facilmente posta em causa por aqueles que, nem tendo feito greve, sabem que colegas seus a fizeram. rating da credibilidade deste governo está como o da nossa dívida pública: no lixo. Mas quem tem, no dia da greve geral, como seu principal porta-voz, uma figura como Miguel Relvas não precisa de se esforçar para se ridicularizar.

 

Depois atualizou os números: 10%. Não sei se, de madrugada, já tinham chegado a qualquer coisa que merecesse sequer a nossa atenção. Mas tenho um conselho para o governo: da próxima vez, nomeia um grupo de trabalho - talvez dirigido por João Duque- para analisar os números da greve. Com sorte, dizem uma coisa ainda mais estapafúrdia do que diria Miguel Relvas. Tem resultado: fazer encomendas a gente com ainda menos credibilidade do que ele para ele parecer apresentável.

 

Agora mais a sério. Dizia António Aleixo que "para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade". É que nem para aldrabar esta gente tem talento.

 

Mas o governo não fica sozinho na falta de rigor e na manipulação. O jornal I fez ontem uma capa onde se lia: "Bom dia Portugal e bom trabalho". A folha de couve em que se tornou aquele jornal apelava assim à não adesão à greve. Está no seu direito. Como por lá os colunistas escrevem à borla - há quem ache, lá saberá porquê, que é isso que vale o seu trabalho -, compreende-se o ponto de vista do ativista que dirige tão singular publicação: se vendemos o trabalho gratuito dos outros como poderíamos sequer tolerar a ideia de que quem trabalha faça exigências? Talvez por isso pouca gente compre a coisa. Com capatazes assim e "empresários" do mesmo calibre (Jaime Antunes, mandatário, nas últimas eleições, de Passos Coelho em Ourém, deve ser recordista de flops editoriais) percebe-se porque este país não anda para a frente.

 

As televisões também fizeram bem o seu trabalho. Às vezes nem percebo porque tentam os governos manipular os jornalistas. Nem precisam de se dar ao trabalho. É fazer figas (ou mais do que isso) para que haja um "incidente" e está feito o noticiário de uma greve. E o argumento: a austeridade é inevitável e só arruaceiros se opõem a ela. E, para falar da greve, Miguel Relvas e o presidente da CIP fizeram as honras da casa em televisões generalistas e por cabo. Ainda assim, a greve aconteceu. Como sabe quem conhece o País fora do telejornais e dos delírios do ministro Relvas.


Via Expresso



publicado por olhar para o mundo às 17:40 | link do post | comentar

Quinta-feira, 24.11.11

Caro funcionário da República, hoje sou apenas o portador de uma mensagem do meu primo (sim, as bestas reacionárias também têm primos). O meu primo trabalha numa empresa que, como tantas outras, enfrenta imensas dificuldades. A hipótese da falência deixou de ser uma coisa longínqua e, por arrastamento, o desemprego passou a ser um cenário possível. E é assim há muito tempo. Há muito tempo que este pesadelo está ali ao virar da esquina. Portanto, a mensagem do meu primo começa assim: V. Exa. está disponível para trocar o seu vínculo-vitalício-ao-Estado por um contrato-ameaçado-pela-falência-e-pelo-desemprego? Quer trocar 12 meses certíssimos por 14 meses incertos?

 

Depois, o meu primo gostava de compreender uma coisa. Se a empresa dele fechar, ele cairá no desemprego e terá de procurar emprego novo. Mas se a repartição pública de V. Exa. fechar, o meu caro funcionário da República irá para o "quadro de excedentários". Por que razão V. Exa. tem direito a esta rede de segurança que mais ninguém tem? Porquê? Em anexo, o meu primo gostava de propor outra troca: V. Exa. está disponível para trocar a ADSE pelo SNS? Sim, porque o meu primo tem de ir aos serviços públicos (SNS), mas V. Exa. pode ir a clínicas e hospitais privados através da ADSE. Quer trocar? E, depois de pensar na ADSE, V. Exa. devia pensar noutro pormenor: a taxa de absentismo de V. Exa. é seis vezes superior à das empresas normais, como aquela do meu primo. E, ainda por cima, o meu primo não tem uma cantina com almoços a 3 euros, nem promoções automáticas. Mas vai ter de trabalhar mais meia-hora por dia.

 

Para terminar, o meu primo está muito curioso sobre uma coisa: das milhares e milhares de famílias que deixaram de pagar a prestação da casa ao banco, quantas pertencem a funcionários públicos? Quantas? Eu aposto que são pouquíssimas. Portanto, eu e o meu primo voltamos a colocar a questão inicial: V. Exa. quer trocar? V. Exa. quer vir trabalhar para uma empresa real da economia real que pode realmente entrar em falência e atirar os empregados para a realidade do desemprego? V. Exa. quer trocar a síndrome do funcionário público pela síndrome do desemprego?



Via A tempo e desmodo



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Sexta-feira, 18.11.11
As indianas também devem sonhar, basta acreditar
As indianas também devem sonhar, basta acreditar

 

A robustez do corpo contrasta com a fragilidade de carácter. Sempre altiva parece caminhar com toda a tranquilidade. E teria a primeira das razões para ser assim. É bonita apesar dos quarenta anos de idade. Mas a insegurança é-lhe constante. Medo de errar, medo de desapontar, medo de perder.

A sua figura séria afasta muitos outros, que decerto ignoram a sua verdadeira personalidade. Lamenta-se por isso. Enquanto todo o universo aspira a beleza, ela não. Preferia antes ter uma aparência vulgar e não ser o palco das atenções. Mas raramente se queixa aos outros. Pelo contrário. Ri muito. Sempre. Tem consciência do efémero da vida e quer aproveitar todos os momentos intensamente. E assim o faz.

A ervanária é a sua arte, mas a par disso concilia uma série de outras atividades. Da cozinha às danças indianas, das aulas da filha à religião - em todas dá o máximo do seu empenho. Por trás de tudo isto há uma organização forte e sem tréguas, segundo a filha. É segura disso. Apenas. Mas tem, sobretudo, uma alegria e experiência de vida pouco comum para uma

mulher ainda jovem, que não sabe nem uma letra do alfabeto.

Escola da vida


Conhecia-a este ano quando tive uma tendinite e andei desesperada no Martim Moniz à procura de pomadas e óleos que aliviassem a dor. Como sou uma gralha sei que não é difícil trocar uns bons dedos de conversa comigo, mas depressa houve uma empatia que já me fez voltar lá para comprar outros frascos.

Ontem lembrei-me dela quando estava a ler um artigo sobre um interessante projeto na Índia. Trata-se de um programa de saúde que visa formar mulheres analfabetas para serem médicas.

Num país onde as castas são uma rígida estratificação da sociedade e onde elas são educadas para ser submissas à família - este projeto torna-se ainda mais importante. A ideia nasceu na década de 70 por um casal de médicos que visitou a aldeia de Jamkehd, no interior da Índia, constatando que havia falta de médicos nos meios rurais e que para contornar o problema bastava ensinar as mulheres sobre os cuidados básicos de saúde.

Aldeia mais saudável


Só as mulheres, porque são elas que são os pilares da família - embora a sociedade indiana não reconheça - e porque são elas que tratam de todos, sobretudo, das crianças. E os resultados saltam à vista. Em 40 anos são poucas as mulheres que morrem no parto, a taxa de mortalidade infantil foi reduzida em 30% e há menor incidência de casos de tuberculose, tétano e de outras doenças. Um projeto notável que mostra que todos são úteis e importantes e que, sobretudo, devolveu às mulheres o orgulho perdido. Porque as indianas também devem sonhar, basta acreditar!

Via A vida de Saltos Altos



publicado por olhar para o mundo às 10:13 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 16.11.11

Está na altura de dragarmos o pântano em que se tornou este país. O problema não pode continuar apenas do lado de quem governa, de quem decide, de quem nos representa enquanto cidadãos. Seria demasiado fácil. Não quero viver num país onde a única esperança e alternativa viável é ir ouvir um velho jarreta a opinar do alto das suas pantufas sobre revoluções armadas. Este senhor, se vergonha tivesse na cara e depois de tudo o que andou a fazer assim que se julgou dono da liberdade de um povo, permaneceria calado até que Deus nosso senhor lhe pegasse por uma mão. Isto se Deus se esquecer das mortes que o assombram,dos atos cobardes e das prisões estúpidas decretadas em branco sobre gente inocente. Agindo da mesma forma infame que o regime que criticava e ajudou a derrubar. Ninguém é dono da liberdade. Fosse assim e eu o dono desta e o senhor Otelo estaria preso até ao fim dos seus dias, pagando pelo que provocou.

 

O problema está em nós, e cabe-nos a nós resolvê-lo. Através de atitudes, de pequenos gestos, das nossas revoltas interiores exteriorizadas, das palavras e dos atos, mudarmos efetivamente algo. E não são apenas palavras. O pequeno somatório de todas a nossas tomadas de posição no presente serão a imagem reflectida no espelho do nosso futuro. Aquilo que vamos ser enquanto cidadãos, o que vamos conseguir demonstrar enquanto país.

 

Está provado que qualquer um que governe este país, seja de que quadrante político for, o que pretende é sempre o mesmo. Guterres está onde está, Durão Barroso está onde está, Cavaco Silva está onde está, Sócrates está onde está, Mário Soares está como está, Santana Lopes - o misericordioso - está bem e recomenda-se e todos sabemos que em conjunto são os coveiros do Portugal moderno. E entre todos eles só um factor decisivo os une - os eleitores - nós.

 

Cabe-nos a nós por isso, enquanto indivíduos, pais, filhos, profissionais, criativos, cidadãos preocupados e pessoas com vontade de marcar a diferença fazermos algo para dar a volta ao estado calamitoso de coisas a que nos fizeram chegar, ao estado sufocante a que nós próprios nos deixámos chegar, uma vez mais iludidos por um bando de mentirosos de pacotilha. Os políticos portugueses não me merecem qualquer respeito.

Expludam, marquem a diferença, façam alguma coisa, tomem partidos e mostrem a cara, denunciem os crimes, exponham a vergonha, façam opções mas não se deixem nunca, mas nunca, oprimir e subjugar. Hoje somos um povo oprimido e de rastos. E isto é sem duvida o pior que nos poderia acontecer. Juntem-se solidariamente mas não se calem. Não aceitem tudo sem lutar pelos direitos que muitos perderam a vida para serem uma realidade, o direito a podermos sonhar com um futuro, a ter esperança. Lutem, levantem-se do sofá, da cadeira do escritório ou do banco de jardim e lutem pelo que nos estão a sonegar. Usem os punhos se preciso mas não se deixem esmagar. Porque uma coisa é certa, Passos Coelho, este filho adoptivo da senhora Merkel, será apenas mais mais um a ficar bem e a deixar-nos mal. E o próximo que vier irá ter exatamente a mesma atitude cobarde e de profunda falta de respeito pelo povo. Vamos acabar com esta palhaçada. Por nós, e não contra eles.


Via 100 Reféns



publicado por olhar para o mundo às 08:32 | link do post | comentar

Quarta-feira, 09.11.11

Era para escrever uma peça sobre sapatos, mas depois de mais uma semana a acompanhar as temporadas do "Sexo e a Cidade" via cabo, e terminar o fim desta mesma semana, numa reunião de amigas, assolaram-me outros temas sobre os quais senti vontade de partilhar, uma vez que retratam a realidade social que homens e mulheres adquirem mediante as suas atitudes, mas que muitas vezes tentam esconder.  

 

De facto as relações são muito mais complicadas do que aquilo que aparentam, e muitas vezes, as ligações e os casais perfeitos parecem-no muito mais pelos olhos de quem os observa, do que aos olhos dos que a vivem. Já pensaram que a família perfeita que vive na casa ao lado pode ter muito mais "esqueletos" no armário do que cristais da Boémia?

 

A perfeição não existe, e os contos de fadas são isso mesmo. Não vale a pena julgar aquele/a que partilha a nossa cama, achando que somos menos felizes do que a vizinha com o carro topo de gama, a casa perfeita e de quem o marido se despede apaixonadamente todas as manhãs, quando leva os filhos à escola.

 

À semelhança de muitos casos reais, Charlotte, a mais "betinha" de todas as intervenientes da série "Sexo e a Cidade" vive um casamento de aparência, com Trey. Sim, o casamento foi efetivamente de sonho, com um tipo bem sucedido, rico, uma boa imagem, mas que não "dá uma para a caixa" e quando utilizo esta expressão, não dar uma para a caixa não significa não ter qualquer tipo de "saída" inteligente, mas sim ser impotente.

 

Não é pela doença que vem o mal ao mundo, mas sim por este mal ser mais comum entre os homens, e por eles terem muita dificuldade em reconhecê-lo.

 

Desde tenra idade que o homem é estimulado a ser um tigre e a mulher a gazela, mas o facto é que muitos não passam sequer de gatinhos recém-nascidos, que pelo seu orgulho e incapacidade emocional, condenam a relação à ruptura. Sim nos dias que correm nenhuma mulher é de ferro, e aceita calada esta situação por muito tempo, ao contrário do que se passava em tempos idos.

 

Voltando à série, neste mesmo episódio o casamento fica ensombrado por um leviano escape de Charlotte, que beija o fiel e musculado jardineiro, com o qual tinha tórridos sonhos eróticos, depois de dois meses de um casamento não consumado.

 

E aqui pergunto-me, de quem é a culpa? Da mulher insatisfeita pela sua falta de assistência, por parte do companheiro (friso uma vez mais que por falta de assunção de culpa face ao seu problema), ou do homem se recusa a fazer amor com a sua mulher, porque não aceita a sua disfunção erétil recusando-se a tratá-la?

 

Assolam-me sempre dúvidas, porque ao contrário dos homens, que juram a pés juntos nunca falar entre amigos da sua vida sexual com a mulher, as mulheres e debatem-na entre amigas.

 

E já agora, que nome se dá ao membro do sexo masculino, quando este desculpa as suas infidelidades por culpa das dores de cabeça femininas, mas que se cala quando surgem as mesmas por parte de si mesmo?

Eles também têm

 

Poderá a mulher escusar-se de culpa se, após meses e meses à míngua, decidir dar uma escapadela com um "amigo"? Será aqui a mulher tão facilmente absolvida da infração cometida, ou pelo contrário, ainda apelidada de rameira leviana, e ainda acusada por não despertar desejo sexual no homem?

 

Ficam aqui as minhas questões, porque mesmo com o nosso 6º sentido, também nós mulheres, independentemente da experiência e reuniões semanais entre amigas, nem sempre conseguimos encontrar resposta para os comportamentos masculinos.

 

Na minha opinião, e escusada de qualquer tipo de tendência, afirmo com certeza que seria bem mais efetivo o comportamento masculino se este absolvesse o orgulho sexual que cresce de forma geracional há séculos, e procurasse um especialista, e que, deparando-se com falta de desejo, soubesse assumi-lo de forma tão frontal como a mulher.

 

Se calhar as relações a dois teriam muito mais a ganhar, existiriam menos traições e possivelmente o número de divórcios/separações baixaria consideravelmente. Porque apesar da intimidade ser muito mais complexa que a sexualidade, estas complementam-se de parte a parte.

 



Via A vida de Saltos Altos



publicado por olhar para o mundo às 21:23 | link do post | comentar


O casal em tempos mais felizes

O casal em tempos mais felizes

O fotógrafo estava lá. Na verdade, eram três. Mas não apanharam tudo.

 

Falharam a última dança (a festa durou seis horas), e o momento em que a noiva atirou o ramo de flores. Terá sido isso que deu má sorte?

O facto é que o casamento não durou muito. Em 2008, Todd J. Remis e a sua bela Milena Grzibovska, letona de origem, separaram-se. Dois anos mais tarde concluiu-se o divórcio, e ela terá regressado ao seu país.

 

Todd não se conformou. Agora, ao fim de anos, processou a empresa que fotografou o casamento. Queixa-se das fotos não feitas, e da má qualidade das outras. Exige que lhe devolvam o dinheiro pago: 4100 dólares. Mas mais importante, pede 48 mil dólares para recrear o casamento inteiro e obter finalmente as imagens em falta.

A importância das memórias

O caso suscitou boa disposição por parte da juíza, que citou as letras de uma canção de Barbra Streisand para ilustrar a ideia de memórias que são mais importantes do que a realidade.

 

Parte do que Remis pedia - em especial, uma indemnização por danos emocionais - foi logo afastado pelo tribunal. Mas o resto ficou. E já obrigou a firma H&H Photographers a gastar uma pequena fortuna em advogados. Pelo menos tanto como o queixoso pede.

 

Fundada por um judeu europeu que fugiu para os Estados Unidos durante a II Guerra Mundial, a H&H tem 65 anos. Diz que é a primeira vez que lhe acontece uma coisa assim. Considera-se vítima de um abuso do sistema judicial, até porque Remis só processou ao fim de seis anos.

Remis responde que teve de ser agora porque o prazo estava a chegar ao fim.

Dificuldades logísticas

Ainda que o tribunal lhe venha a dar razão - o que está longe de ser garantido - Remis enfrentará inúmeras dificuldades logísticas. Quem lhe garante que os participantes originais no casamento se disporão a participar na reconstituição?

 

A confirmar-se que a sua ex-mulher regressou à Letónia, dispor-se-á ela a viajar até aos EUA só para se deixar fotografar amorosamente nos braços do homem de quem se separou, ou a atirar um ramo de flores?

 

Ou dar-se-á o caso de Remis, um analista financeiro desempregado há dois anos, estar tão necessitado de dinheiro que qualquer pretexto serve - mesmo um projeto tão absurdo como o que ele agora propõe?

 

Uma imagem (ausente) vale muitas palavras (em tribunal). Estas valem dinheiro. Pelo menos é o que ele espera. A ver se desta vez tem sorte.


Via  Do Outro Mundo



publicado por olhar para o mundo às 17:29 | link do post | comentar

Quinta-feira, 03.11.11

Quando se está grávida, saber lidar com observações diárias (muitas delas deselegantes e inapropriadas) por parte de alguns colegas de trabalho, ser descriminada profissionalmente ou ter fazer entender a um superior que se sente mal disposta continuamente, não é nada fácil e representa mais um grande desafio para quem enfrenta a vida de saltos altos.

 

É exatamente por isso que decidi escrever sobre este tema, não apenas para tentar motivar as grávidas trabalhadoras, mas também para sugerir formas de dar a volta por cima neste tipo de situações confrangedoras, o que pode fazer toda a diferença e melhorar o ambiente de trabalho.

 

Qual a melhor altura para anunciar a gravidez na empresa?

 

Se sente necessidade de querer anunciar (ou alertar) os seus colegas para a sua gravidez deve primeiramente ter em atenção o tempo de gestação em que se encontra. Se a sua gravidez está apenas no início tem muito tempo para dar a boa nova. Por outro lado, se não há sintomas secundários (enjoos, tonturas, etc.) dê tempo ao tempo, a não ser que precise de dispensa em horário laboral (por exemplo, para ir a consultas).

 

Nesse caso, convém avisar a chefia da razão dessas ausências, que podem tornar-se frequentes. Atenção, mesmo numa boa relação com a chefia, nunca deixe de apresentar as devidas justificações médicas, para que um dia mais tarde esteja salvaguardada, se precisar.

 

Se possível, anuncie que está grávida numa altura em que concluiu com sucesso um projeto de responsabilidade. Deste modo, mostra que a sua produtividade não foi negativamente influenciada por se encontrar grávida.

 

Não aceite bullying nem discriminação disfarçada de paternalismo

 

Mesmo que o seu estado de gravidez não lhe permita executar a totalidade das suas tarefas, não é motivo para se deixar perseguir psicologicamente, ou sequer aceitar a estafada frase "gravidez não é doença", ou outras "pérolas" provocadoras do género. Realmente a gravidez não é uma doença, mas um processo que modifica por completo, física e emocionalmente, uma mulher que, além de ter de lidar com isso, ainda tem de pensar permanentemente na segurança do feto.

 

Se sentir que há uma descriminação subtil por parte dos seus superiores hierárquicos, como, por exemplo, retirarem-na (ou afastarem-na) de um projeto de grande responsabilidade; convidarem-na menos vezes a deslocar-se em trabalho ou mesmo justificarem com a gravidez uma avaliação abaixo da que sabe ser a sua. Para lidar com tudo isto e muito mais, saiba que pode reivindicar, caso chegue a ponto de ter de o fazer se se sentir prejudicada. Para tal, antes de qualquer ação, deve conhecer muito bem os direitos das grávidas .

 

Indumentária: entre a grávida profissional e a profissional grávida

 

O que vestir para trabalhar quando se está grávida não tem de ser um problema. É natural que tenha de mudar alguns hábitos, faça-o com alegria - as grávidas emanam normalmente uma beleza única, própria do período que estão a viver - e com a noção de que uma apresentação cuidada pode ser aplicada a qualquer situação.

 

Camisas de seda largas, vestidos de malha, túnicas e calças de modelo com o cós em malha são algumas alternativas para quem está grávida e precisa de ter uma indumentária cuidada no emprego.

 

Evite os saltos altos, sobretudo muito altos. Existem modelos elegantes e confortáveis.

 

Quanto a indumentárias, veja alguns bons exemplos na imagem a seguir.

 


Já agora, aproveite e goze bem a sua gravidez, por todos os motivos e mais algum, mas sobretudo, por si e pelo seu futuro filho. Lembre-se: se há momentos únicos que não se repetem, este é um deles.

 


Via A Vida de saltos altos



publicado por olhar para o mundo às 00:33 | link do post | comentar

Sexta-feira, 28.10.11

Quando os doze anos de casamento de Kevin Cotter com "aquela de quem não se pode dizer o nome" terminou, ao vê-la partir de malas feitas ele fez-lhe uma pergunta: "Esqueceste-te do teu vestido de noiva. O queres que faça com ele". A resposta, em tom mal-humorado, foi a seguinte: "Não quero essa m(!!!!) para nada. Faz o que quiseres com ele!". E foi isso mesmo que o recém-separado decidiu fazer... da pior maneira (ou melhor, depende do ponto de vista).

 

Para se vingar da mulher que lhe partiu o coração e o deixou sozinho, Kevin Cotter começou uma extensa lista de formas, no mínimo originais, de usar os muitos metros de tecido que tinham marcado o suposto dia mais feliz das suas vidas. Desde tapete de ginástica a coador de esparguete e toalha de mesa para jantares com amigos na hora da fossa, o vestido branco foi sendo destruído.

 

Kevin deu-se mesmo ao trabalho de criar um blogue - cujas audiências metem a um canto qualquer pipoca doce ou amarga portuguesa -  a explicar a sua vingança e a pedir a outros "saltos rasos" ideias para dar cabo do vestido de noiva da mulher que um dia amou.

 

Já os motivos que levaram a senhora a fazer as malinhas e a pôr-se ao fresco é que ele nunca explica, mas pronto... para todos os efeitos ela devia "ser apenas" mais uma daquelas coisas que eu não posso dizer aqui, mas que começa com "c" e com cujo leite até se faz um queijinho de chorar por mais. Pelo menos é o que muitos comparsas solidários com a causa devem achar, dado que a lista das coisas a fazer ao vestido já vai acima das 100 e as propostas não param de chegar de todo o mundo à casinha no Arizona, onde o "salto raso" de coração partido se diverte a pô-las em prática já há dois anos.

 

E não é que a brincadeirinha deu um livro?

 

Conclusão: a brincadeirinha rendeu a Kevin Cotter, nada mais, nada menos, do que um livro, intitulado "101 Uses For My ex-wife's Wedding Dress ". Sim, é mesmo verdade. Não me parece que chegue ao Nobel com tal conteúdo tão profundo, mas a realidade é que o seu site já tornou quase num a terapia virtual para outros recém divorciados que não conseguem ultrapassar as respetivas separações.

 

Podia aqui fazer o discurso sobre a total imaturidade da solução arranjada por Kevin, mas rir é o melhor remédio, sempre ouvi dizer. Lamento apenas que o salto alto envolvido tenha visto a sua vida privada exposta desta maneira mas, do mal, o menos.  

 

E o homem, ao que parece, tem mesmo paciência para responder a quem o entope com desabafos de "divorciado de fresco". Nisto, tiro-lhe o chapéu. Ao menos que sirva para acalmar os ânimos de outros homens destroçados, que encontram assim forma de ultrapassar a crise (emocional) em vez de entrarem no mundo dos crimes passionais bem ao género de Hollywood que, infelizmente, nos fomos habituando a ver diariamente nos jornais. Praticados tanto por homens, como por mulheres, convém lembrar. É que não há géneros santos nestas (e noutras) coisas.

 

 

 



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