Terça-feira, 26.06.12

Curta portuguesa entre as semifinalistas do festival de cinema do YouTube

North Atlantic é uma co-produção luso-britânica e já arrecadou nove prémios em festivais (DR)


North Atlantic, a estreia de Bernardo Nascimento na realização, está entre os 50 semifinalistas do Your Film Festival. É a única produção de origem portuguesa portuguesa em competição no festival de cinema que decorre online, no YouTube, e cujos vencedores serão exibidos no Festival de Veneza.

 

A curta-metragem portuguesa foi seleccionada entre cerca de 15 mil propostas, para o lote de 50 no qual o público é chamado a votar até 13 de Julho. Dessa votação popular sairá uma lista de dez finalistas. Nesse momento, entrarão em cena o cineasta Ridley Scott e o actor Michael Fassbender – que trabalharam recentemente juntos em Prometheus – para atribuir o “grande prémio”.

A entrada na lista de finalistas vale automaticamente a presença no Festival de Veneza, o mais antigo festival de cinema do mundo, que acontece no Lido, entre 29 de Agosto e 8 de Setembro. Mas o “grande prémio” vale meio milhão de dólares (400 mil euros) ao realizador vencedor para pôr em prática o seu projecto para uma longa-metragem.

North Atlantic conta, em cerca de 15 minutos, a história de um controlador aéreo numa ilha açoriana, que entra em contacto com um piloto perdido sobre o Atlântico. O filme é uma co-produção luso-britânica e o facto de ser semifinalista nesta primeira edição do Your Film Festival não é uma surpresa completa: exibido em mais de 40 festivais, foi já distinguido com nove prémios – em Portugal, Itália, EUA, Japão e Polónia – e uma menção honrosa.

 

Noticia do Público



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Segunda-feira, 25.06.12

 

“Rua Sésamo”, da televisão para o cinema

 

 

Segundo o Hollywood Reporter, a 20th Century Fox terá comprado os direitos do programa “Rua Sésamo”, a popular série infantil que durante anos e em vários paises, incluindo Portugal, fez as delícias de pequenos e menos pequenos, com o objectivo de a passar para o grande ecran.

 


Em 1985 e em 1999 muitos foram os filmes realizados com base nos seus personagens, mas sem as caraterísticas que os marcavam na série televisiva. 

Agora, poderá ser diferente, uma vez que o autor do argumento será um dos dos escritores da Rua Sésamo, Joey Mazzarino.

 

Retirado de HardMúsica



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Domingo, 24.06.12
Festival de curtas de Vila do Conde faz 20 anos
"Manhã de Santo António", de João Pedro Rodrigues

Festival tem a maior competição nacional de sempre e filmes encomendados pelo certame. Entre as obras a concurso estão os filmes de Gabriel Abrantes, Sandro Aguilar, João Pedro Rodrigues ou Basil da Cunha.

 

O Curtas Vila do Conde faz 20 anos no "ano de todos os perigos" para o cinema português, mas não deixa que o negrume do quadro lhe dê cabo da festa. O programa da 20.ª edição, a decorrer de 7 a 15 de Julho, foi anunciado ontem. Vai ser um aniversário "não em modo best of", nas palavras de um dos três directores-programadores, Dario Oliveira, mas "criando peças de arte, novos filmes, para mostrar que somos um festival sempre em reinvenção".
A festa faz-se com a maior presença nacional de sempre: 19 filmes a concurso, 45 produções portuguesas entre todas as secções, seleccionados de entre mais de 200 submissões. Entre os títulos competitivos estão os novos filmes de Gabriel Abrantes (Zwuzo), Sandro Aguilar (Sinais de Serenidades por Coisas sem Sentido), João Pedro Rodrigues (Manhã de Santo António) ou Basil da Cunha (Os Vivos também Choram). Dario Oliveira diz que "é um ano excepcional, em que tivemos de aumentar o número de sessões nacionais para não deixar de fora filmes de que gostamos e em que acreditamos. É o resultado de uma afirmação do cinema de curta-metragem português que estava em franca ascensão - mas é também o fim de uma colheita, porque estes são os últimos filmes a terem sido apoiados pelo actual sistema de produção". 
A festa faz-se também com quatro estreias mundiais comemorativas dos 20 anos do Curtas. São desafios lançados a cineastas internacionais que fazem parte do que Dario Oliveira chama a "família" do festival, propondo a cada um deles filmar em Vila do Conde ou ao seu redor, mas dentro das suas temáticas habituais e usando jovens técnicos locais. Os quatro cineastas que responderam "presente" são o americano Thom Andersen (Reconversão), o francês Yann Gonzalez (Land of My Dreams), o russo Sergei Loznitsa (O Milagre de Santo António) e o brasileiro Helvécio Marins Jr. (O Canto da Rocha). (A restante "família" será também "retratada" num livro com 20 entrevistas a 20 autores dos 20 anos do Curtas, a lançar durante o festival, e no documentário de José Vieira Mendes Geração Curtas?) 
Serão também estreados quatro filmes no âmbito do projecto Campus (programa de formação de estudantes de cinema organizado pelo Curtas), dirigidos por cineastas portugueses - Luís Alves de Matos (Um Rio Chamado Ave), João Canijo (Obrigação), Graça Castanheira (A Rua da Estrada) e Pedro Flores (Cinzas). 
O Curtas homenageia ainda Stanley Kubrick com uma exposição na galeria Solar, 2012 Odisseia Kubrick, reunindo obras de artistas plásticos e multimedia nacionais e internacionais inspiradas pelo realizador de Laranja Mecânica e 2001: Odisseia no Espaço. Inaugurada no próximo dia 28, a exposição ficará patente até 11 de Novembro, e prolonga-se pela projecção de alguns filmes do cineasta (entre os quais a sua terceira longa-metragem Um Roubo no Hipódromo), pela presença do seu cunhado Jan Harlan (com o documentário A Life in Pictures), e pela exibição do documentário de Rodney Ascher sobre The Shining, Room 237. 
Kubrick será também um dos traços de união de Vila do Conde com Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012: Um Roubo no Hipódromo será apresentado numa das sessões de antevisão agendadas para Guimarães entre 2 e 6 de Julho, que mostram ainda os filmes premiados ao longo dos 20 anos do Curtas. Por seu lado, alguns dos filmes comissariados por Guimarães irão ser exibidos em Vila do Conde - é o caso de Posfácio nas Confecções Canhão, de António Ferreira, O Dom das Lágrimas, de João Nicolau, e Vamos Tocar Todos Juntos para Ouvirmos Melhor de Tiago Pereira. 
A festa do Curtas, evidentemente, faz-se também com as secções de sempre. Numa forte competição internacional, apresentam-se filmes de Lisandro Alonso, Valérie Massadian, Ben Rivers, Jay Rosenblatt, Tsai Ming-Liang, Ken Jacobs ou Vincent Dietschy. Os filmes-concerto estão este ano entregues aos Black Bombaim e Evols. A secção retrospectiva In Focus debruça-se sobre o francês Olivier Assayas e sobre o cineasta americano Robert Todd. Ambos estarão presentes no festival, apresentando os seus filmes e encontrando-se com o público, a par de Ed Lachman, director de fotografia que trabalhou com Todd Haynes, Steven Soderbergh ou Larry Clark, e João Braz, montador de João Canijo, presentes para workshops. Da Curta à Longa, dedicada à exibição de longas-metragens de cineastas que já foram premiados ou visitantes do Curtas, mostra o mais recente filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul, Mekong Hotel, a par de obras de Nicolas Provost (The Invader, escolhido como filme de abertura), Laurent Achard e Adrian Sitaru. 
Tudo isto, e muito mais, de 7 a 15 de Julho no Teatro Municipal de Vila do Conde. O programa completo pode ser consultado aqui.
Noticia do Ipsilon


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Sábado, 23.06.12
Béla Tarr, o insustentável peso do ser
MARTON PERLAKIA

O Cavalo de Turim é cem por cento Tarr: preto e branco, em planos-sequência, pessimismo existencial de cortar à faca


Cavalo de Turim, o filme que o cineasta húngaro anuncia como o seu derradeiro, é o primeiro filme de Béla Tarr a ser estreado em Portugal. Nascido em 1955, foi revelado na viragem dos anos 80 para os anos 90, com um par de enormes filmes - Perdição e O Tango de Satanás (este, enorme também na duração: mais de sete horas...). A sua influência chegou a sítios insuspeitados, pergunte-se por exemplo a um americano como Gus van Sant, cujo cinema "mudou" depois de conhecer Tarr (e Gerry, confessada e expressamente, foi um filme feito sob o feitiço do cinema do húngaro). O Cavalo de Turim é cem por cento Tarr: preto e branco, estruturado em planos-sequência (figura de que Tarr é um dos últimos grandes estetas), em relação alusiva com elementos da cultura húngara e europeia, um pessimismo existencial de cortar à faca. 

Tarr recebeu-nos em Budapeste, nos escritórios da sua empresa de produção recentemente encerrada ("tenho duas semanas para esvaziar esta porcaria"), instalados num complexo arquitectónico ainda cheio de sabor da época comunista, onde funcionam os estúdios da televisão húngara. Doem-lhe três costelas recentemente partidas, e está mal disposto, em mood verdadeiramente terminal. Mas é um homem doce e põe-nos logo à vontade: "não ligues aos sinais, podes fumar onde quiseres".



Em Lisboa, antes de viajar para aqui, a última notícia relacionada consigo que li na Internet foi o anúncio do fecho da sua empresa de produção [T.T. Filmuhély]. As coisas estão assim tão mal?

Já não dá, não consigo mais. Não há dinheiro, não há hipóteses. Isto existia para produzir os meus filmes, mas também para projectos de outros cineastas. Chegou a altura de encarar a realidade: todos os meus sonhos se esfumaram. Não tenho como pagar às pessoas, não tenho como pagar coisa nenhuma. Acabou.

Mas entretanto pôs-se a montar uma escola de cinema na Croácia.

É verdade. É o meu trabalho principal, neste momento.

Porquê na Croácia e não aqui [na Hungria]?

Aqui ninguém me pediu para o fazer. Ninguém mostrou interesse.

Vai-se mudar para a Croácia?

Agora ando cá e lá. A dada altura vai ter que ser, sim.

Apesar da má conjuntura que descreveu, O Cavalo de Turim tem sido bem recebido, visto e falado. Vai estrear em Portugal e tudo, coisa que nunca tinha acontecido a um filme seu. Presumo que seja o seu filme com maior circulação comercial internacional...

Foi vendido para 42 países. China, Rússia, Estados Unidos... Tenho a lista algures. Mas não sigo o rasto dos meus filmes. Liberto-os, eles vão para onde forem.

O ponto de partida do filme é aquela anedota nietszcheana que se ouve no início. De onde é que ela vem? Ou por outra, como é que ela gera a inspiração para um filme?

Na verdade, a ideia germinava desde 1985. Nesse ano assisti a uma conferência de Laszlo Krasznahorkai [escritor, e argumentista de Tarr] em que ele contava a história. E no fim, alguém perguntava: "e o que aconteceu ao cavalo?". Entre nós, repetimos muitas vezes a pergunta ao longo dos anos: "o que aconteceu ao cavalo?" [risos].

O cavalo é o primeiro protagonista. Aquele plano-sequência de abertura é espantoso, coloca logo o filme sob o signo do esforço físico, do cansaço...

Verdade. Conhece aquele livro que fala da insustentável leveza do ser... O meu filme é o contrário, fala do insustentável peso do ser...

Mas também de um enclausuramento progressivo, as personagens têm cada vez menos espaço e luz, é uma espécie de fim do mundo, um apocalipse...

O apocalipse não. O apocalipse é um grande espectáculo de televisão: há explosões, fogo, muito barulho. No meu filme há escuridão e silêncio. É só uma história da vida no dia a dia, e de como vai havendo cada vez menos energia, cada vez menos esperança...

Foi uma rodagem difícil?

Um bocado. Precisávamos de uma meteorologia específica, não podia haver um raio de sol. Filmámos no Inverno, mas frequentemente tínhamos que ficar à espera do tempo.

décor é fabuloso. Rodou na Hungria?

Sim. Não posso dizer onde, mas foi na Hungria.

E já lá estava tudo, a casa, o estábulo, o poço, ou há algum artifício?

Não, construímos tudo. Mas construímos a sério, com tijolo, pedra e argamassa. Ficou tudo lá.

E a árvore?

A árvore já lá estava.

No genérico vemos os nomes habituais nos seus filmes: Krasnahorkai [argumentista], Fred Kelemen [director de fotografia], Mihaly Vig [compositor], Agnes Hranitzky [mulher de Tarr, creditada sempre como co-realizadora]. É importante trabalhar com um grupo estável, à evidência...

É que sou um tipo preguiçoso. Detesto falar, detesto ter que explicar coisas. Estas pessoas conhecem-me há muito tempo, compreendem-me sem que eu precise de falar e de me explicar muito.

Também é claro que continua fiel à película, numa altura em que o cinema se tornou uma questão de vídeo digital...

Claro que sim. A tecnologia digital não é filme. Está bem para quem a quiser usar. Mas não digam que são "filmes". Chamem-lhe outra coisa, digital pictures ou assim. Mas não são filmes.

Deve estar consciente de que há muita gente a associar o pessimismo do seu filme a uma visão, ou um discurso, sobre a Hungria contemporânea...

As pessoas são livres de ver nos filmes o que quiserem. Mas detesto metáforas, o cinema não é feito de metáforas. O filme é o que é, simplesmente.

Mas já agora, como a vê, à Hungria? Na Europa tem-se falado muito do governo Orban...

Muito mal. As pessoas estão a enlouquecer, os políticos são péssimos. O que eu vejo neste país de merda [this fucking country] é que as pessoas estão cada vez mais pobres e têm cada vez menos esperança nalguma coisa.

Nos anos 80 e 90 via-se nos seus filmes, Perdição, de 1987, ou mesmo O Tango de Satanás, de 1994, um reflexo desolado do estertor do regime comunista. Mas com a passagem à democracia, a sua visão não mudou.

Nem tinha razão para mudar. Não há grande diferença entre o comunismo e o capitalismo. Humilham-te com o mesmo poder, subjugam-te da mesma maneira. E no meu trabalho como cineasta continuo a ter que lidar com a censura. Dantes era uma censura política, agora é comercial. Ambas me dizem: "não podes fazer isto".

Há uma cena, a do monólogo do homem que vem à procura de palinka [aguardente húngara], que tanto parece aludir a Nietzsche ["não há bem nem mal", "não há deus nem deuses"] como, difusamente, a um estado político ["adquirir e degradar, degradar e adquirir"]. É fácil encontrar um sentido político para o monólogo...

É só conversa de bêbedo. Foi Laszlo [Krasznahorkai] que escreveu o monólogo, e é o tipo de filosofia que podemos ouvir se entrarmos num bar ou num café. Há sempre um tipo a dizer coisas destas para quem o quiser ouvir.

E o livro que a rapariga soletra, também é invenção ou existe mesmo?

Também foi escrito por Laszlo. É invenção total.

Como habitualmente, O Cavalo de Turim vive de longos planos-sequência. Exigem muito ensaio?

Com os actores, não. Digo-lhes o que têm que fazer e eles agem. Com a câmara sim, porque a câmara tem que ser precisa. É a contradição essencial no meu método de filmar: quero que os actores sejam muito livres, enquanto que a câmara tem que ser muito rigorosa.

Os actores vêm de outros filmes seus. Mas o cavalo [Ricsi], como fez o casting do cavalo?

Fomos a um mercado de animais e descobrimos este, que tinha ar de não querer trabalhar. Podia ser o cavalo da história de Nietzsche. Percebemos que era o nosso cavalo.

Tem dito que é o seu último filme. Há hipótese de mudar de ideias?

Não. Tenho a sensação de já ter dito tudo o que tinha a dizer. Se fizer mais filmes, começarei a repetir-me e a plagiar-me. A minha obra está feita, embalada [packed].

A situação do cinema na Hungria não tem nada a ver com a decisão, portanto.

Não. Mas o cinema húngaro está morrer. As estruturas foram desmanteladas, e o novo modelo quer decalcar o método hollywoodiano. Aquele tipo [aponta para uma foto de Andrew Vajna, o produtor americano de origem húngara trazido para a Hungria como supervisor da cinematografia nacional] é uma desgraça.

Tem um discurso tão pessimista, mas está a montar uma escola de cinema. Não é contraditório?

Não vejo porquê... E na minha escola não ensino, liberto. Não digo aos meus alunos que têm que fazer "assim" ou "assado". Digo o contrário: não têm que fazer nem "assim" nem "assado".

Que citação do Godard é que tem ali na parede, em húngaro?

"Van Gogh inventou o amarelo quando queria pintar e já não havia sol".

Prénom: Cármen...

Sim. Não há outro remédio se não passar a vida a inventar o amarelo.

 

Notícia do Público



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Quarta-feira, 20.06.12
Ridley Scott criou o Your Film Festival
Ridley Scott criou o Your Film Festival (Reuters)

Ridley Scott reincide. Depois de, em 2011, ter inovado com “Life in a Day”, este ano lançou “Your Film Festival” no YouTube.

 

Os dois eventos foram anunciados no Sundance Film Festival, em Janeiro, com um ano de intervalo. E ambos serviram de montra para amadores ou profissionais mostrarem os seus filmes. No segundo caso, foi aberta a votação no YouTube e o concurso entrou na recta final. 

Se em “Life in a Day”, as pessoas eram convidadas a filmar um pequeno documentário sobre o dia 24 de Julho de 2011, neste “Your Film Festival”, qualquer género ou formato foi aceite.

No primeiro concurso, o resultado foi uma longa-metragem criada por Kevin McDonald a partir da colagem das melhores curtas apresentadas. 

No segundo, o concurso pode abrir um mundo de possibilidades para os dez finalistas, escolhidos pelo público. Os seus filmes serão exibidos no Festival de Veneza em Agosto. Mais tarde, um único vencedor será eleito por um júri composto por profissionais do cinema e presidido por Ridley Scott. E a esse será dada a oportunidade de realizar um filme com um orçamento de 500 mil dólares produzido por Ridley Scott e com o actor alemão de “Shame” (“Fome”, 2011, de Steve McQueen) Michael Fassbender. 

Dez regiões representadas

Num pequeno ecrã num site de entretenimento, Ridley Scott fez o anúncio: a escolha dos 50 melhores concorrentes está concluída e a votação aberta. Essa shortlist está disponível no site do You Tube e todos os 50 filmes, representativos de dez regiões do mundo, podem ser vistos e submetidos ao voto dos utilizadores do YouTube. Ouvem-se várias línguas, por vezes com legendas. Em comum, os filmes têm a duração e essa é, em todos os casos, inferior a 15 minutos. 

Lançado pelo YouTube e patrocinado pela Emirates Airline, o festival apresenta-se com o lema: “Criado por ti, visto por todo o mundo”. O prazo de candidaturas terminou em 31 de Março. A votação começou a 14 de Junho e termina a 13 de Julho. 

 

Noticia do Público



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Terça-feira, 12.06.12
Portugal convida os espanhóis a verem cinema português

 

Barcelona, Filmoteca da Catalunha, até 12 de Junho; Corunha, no Centro Galego de Artes da Imaxe, de 12 a 28 de Junho


"Cinema Português - Hipóteses para um Futuro" é uma proposta de programação da Zero em Comportamento, associação por trás do IndieLisboa, por terras de Espanha. Contexto: o Indie procura criar espaço para a visibilidade da produção nacional não só durante o festival como também através das suas extensões - nacionais e internacionais. Assim está a ser em Barcelona, na Filmoteca da Catalunha, até 12 de Junho, assim vai ser na Corunha, no Centro Galego de Artes da Imaxe, de 12 a 28 de Junho. Uma mostra integrada no programa Portugal Convida 2012. Eis os filmes: O Barão, de Edgar Pêra, É na Terra não É na Lua e Balaou, de Gonçalo Tocha, Guerra Civil de Pedro Caldas, Incêndio de Karen Akerman, de Miguel Seabra Lopes, Traces of a Diary - Fragmentos de um Diário de André Príncipe, de Marco Martins, Infinito, de André Santos e Marco Leão,Palácios de Pena, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, Angst, de Graça Castanheira, José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes.

 

Noticia do Público



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Segunda-feira, 04.06.12
Festival de cinema dedicado ao surf de 14 a 17 de Junho
O primeiro festival português de cinema dedicado ao surf, hoje apresentado e destinado a dinamizar a actividade e produção cinematográfica daquela actividade desportiva, decorre de 14 a 17 de Junho no cinema São Jorge, em Lisboa.

O Surf at Lisbon Film Fest (S.A.L.) «tem como objectivo, dinamizar a actividade e produção cinematográfica da modalidade, promovendo intercâmbios a nível internacional nas áreas da cultura, turismo e desporto, além de suprir uma lacuna para os cerca de 70.000 adeptos deste desporto», refere o texto de apresentação do festival, integrado na programação das Festas de Lisboa.

 

A iniciativa será aproveitada para «sensibilizar os participantes para as questões ecológicas, de preservação do meio ambiente e para uma utilização responsável dos recursos naturais, firmando o surf como modalidade desportiva responsável e embaixador da preservação do nosso planeta».

 

Durante os quatro dias de S.A.L., serão apresentados 38 filmes, seleccionados de um total de 45 que se candidataram a esta primeira edição, provenientes, além de Portugal, de países como os Estados Unidos da América, o Reino Unido e o Brasil.

 

A Deeper Shade of Blue, de Jack McCoy, precedido da curta-metragem Blue Sway, do mesmo realizador, abre o festival, no dia 14, às 21h00.

 

A exibição dos filmes em competição termina no dia 16, às 21:00, com a estreia de 'Idiosyncrasies', com a presença do realizador Patrick Trefz.

 

O dia 17, o último do certame, está reservado para a exibição de filmes fora de competição, como Summer One, de Tito da Costa, «o primeiro filme de surf português».

 

A programação do festival é complementada com exposições, palestras e concertos.

 

O 'foyer' do São Jorge irá acolher um 'work in progress' do artista plástico Pedro Zamith. Nas vitrines existentes naquele espaço estarão expostas pranchas trabalhadas pelo artista plástico Gonçalo Mar e o designer Armando Gomes. Durante o festival, o São Jorge acolhe também uma exposição de fotografia de Ricardo Bravo, acompanhada de textos do cronista de viagens Gonçalo Cadilhe.

 

A música estará representada com espectáculos dos Capitães da Areia, no dia 14, dos Voodoo Marmalade, a 15, e dos Capitão Fausto, a 16, e actuações de DJ.

 

O S.A.L. foi desenvolvido pela Surf at Lisbon Associação Cultural (SALAC) em co-produção com o cinema São Jorge e em parceria com a empresa municipal EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa.

 

Noticia do Sol



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Quarta-feira, 30.05.12

O Festival de humor de Lisboa está de volta

 

A 2ª Edição do The Famous Humour Fest (Festival de humor de Lisboa) chega nos dias 6,7 e 8 de Julho e agrega os melhores humoristas do país no cinema São Jorge.


O maior festival do género nacional promete uma vez mais ser a "referência de o humor em Portugal" que justifica o envolvimento da marca com a "irreverência e criatividade que espelham o festival" conforme declarou André Marques gerente da marca, The Famous Grouse, na apresentação.


A boa adesão da primeira edição, de cerca de 8000 visitantes, fez com que a organização mantivesse os nomes sonantes como Bruno Nogueira, Nuno Markl, Aldo Lima, Herman José. E continua com a comédia aliada ao cinema, que estará em grande com a antestreia nacional de 'Bernie- Morre e deixa-me em paz' a protagonizar com Jack Black ou mesmo um cheirinho de 'Balas e Bolinhos 3', para além disto estarão presentes ainda nos festival workshops com destaque para a escrita criativa de Frederico Pombares e o humor físico de Cesár Mourão.


No entanto a organização a cargo da H2N por Hugo Nóbrega, traz novidades ao São Jorge, com a noite do open mic que visa transportar ao palco pessoas desconhecidas da plateia, uma exposição 'Amor com humor se paga II' onde será exposto personalidades fotografadas de forma humorística, The Famous Ladies, será a Ladies Night que contará com a apresentação de Joana Cruz.


Em conversa, Joana Cruz revelou estar "aterrorizada",  dizendo que o convite não se trata somente de "contar uma história para 600 pessoas", mas sim envolve também interagir com as convidadas,  Tânia Barbosa que não conheçe, Inês Lopes Gonçalves e Ana Markl que nunca fizeram stand up e Marta Gautier a qual afirma importar  intensidade às suas actuações.


Um dos humoristas nacionais já consagrados e que vai pisar o palco do São Jorge na noite de 6 de Julho é Luís Franco Bastos, o conhecido imitador tem preparado material renovado e afirma "as pessoas que me conhecem e querem ver, têm uma noção do que eu faço e esperam determinadas coisas e para além disso há sempre material novo com personagens já conhecidas e outras novas, vai ser uma mistura de 'hits' e alguns novos". Em exclusivo ao Hardmusica confidenciou que uma das personagens novas será Francisco Louçã, mas promete fazer o possível para que seja atirado ao Rio Tejo pelos seguranças do Cristiano Ronaldo, pois como diz o próprio "Neste momento quem não é atirado ao Tejo, é sinal de que não está a trabalhar bem".


Os bilhete do  The Famous Humour Fest já estão à venda nos locais habituais, para mais informações sobre o cartaz visite thefamoushumourfest.pt ou veja na página do facebook.com/thefamousgrouseportugal.

 

Retirado de HardMúsica



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Segunda-feira, 28.05.12
Michael Haneke segura a Palma de Ouro com a actriz Emmanuelle Riva (à esquerda) e Jean-Louis Trintignan (à direita)Michael Haneke segura a Palma de Ouro com a actriz Emmanuelle Riva (à esquerda) e Jean-Louis Trintignan (à direita) (Valery Hache/AFP)
Amour, do austríaco Michael Haneke, é o vencedor da Palma de Ouro do Festival de cinema mais importante do mundo. É a segunda Palma de Ouro para o realizador de A Pianista, depois de O Laço Branco em 2009.

Depois de em 2011 o prémio máximo do Festival de Cannes ter sido entregue a A Árvore da Vida, de Terrence Malick, o júri 2012, sob a batuta do realizador italiano Nanni Moretti, premiou um filme que acompanha os últimos meses de um casal idoso interpretado por Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant.

Amour, de Michael Haneke, era o filme favorito da maior parte da imprensa presente no Festival de Cannes 2012, edição que muitos dizem ter sido a melhor em muitos anos. Nanni Moretti, presidente do júri, podia perfeitamente assestar os holofotes noutro filme.

Na volta, Amour foi o vencedor da cerimónia de encerramento que teve lugar ao fim da tarde de domingo sob chuva torrencial em Cannes, valendo ao realizador austríaco a sua segunda Palma de Ouro após O Laço Branco em 2009. 

O júri fez questão de assinalar, ao entregar o prémio, o trabalho fundamental dos seus actores, Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, dois veteranos do cinema francês convocados para interpretar um casal idoso confrontado com a doença terminal da esposa. (Trintignant aceitou interromper o seu “auto-exílio” dos écrãs para entrar no filme, e Haneke disse que se ele tivesse recusado o filme não se faria.) 

Mesmo que Amour fosse um vencedor “anunciado”, o restante palmarés trouxe confirmações e surpresas. Confirmou o dinamarquês Mads Mikkelsen, que já foi vilão de James Bond (em Casino Royale), favorito para melhor actor em The Hunt de Thomas Vinterberg. 

O novo filme do romeno Cristian Mungiu (Palma de Ouro por 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias), no geral bem recebido, foi o único filme a “repetir” no palmarés, com os prémios de melhor argumento e melhor actriz, este entregue ex-aequo a Cosmina Stratan e Cristina Flutur. 

E The Angel's Share, comédia do veterano inglês Ken Loach (Palma de Ouro por Brisa de Mudança) sobre desempregados de Edimburgo e uma golpada com whiskies, gerou bastante entusiasmo na Croisette. O júri de Moretti deu-lhe o Prémio do Júri com Loach a enviar nos agradecimentos os seus votos de solidariedade para com os resistentes europeus à austeridade económica. 

O júri surpreendeu, contudo, ao dar o Grande Prémio – o segundo mais importante do certame – a Reality, onde o italiano Matteo Garrone, realizador de Gomorra, lança um olhar sobre a cultura dos reality-shows televisivos. Reality foi um dos filmes menos unânimes da competição, tal como Post Tenebras Lux do mexicano Carlos Reygadas, que recebeu o prémio de realização. 

Reygadas, ao receber o prémio, não resistiu ironicamente a agradecer à imprensa que “tanto o tinha apoiado”, e Nanni Moretti, na conferência de imprensa após a cerimónia de encerramento, confessou que esse fora um de três filmes que dividiram abertamente o júri. Dos três, foi o único a entrar no palmarés: os outros dois, Paradise: Love, do austríaco Ulrich Seidl, e Holy Motors, o regresso do enfant terrible francês Léos Carax, ficaram de fora. Este último foi o evidente “caso” do festival, “o” filme de que toda a gente falava entre duas projecções, o que justificou alguma indignação junto dos seus muitos apoiantes pela sua ausência do palmarés. 

O palmarés da 65ª edição do festival completa-se com a Câmara de Ouro, prémio atribuído ao melhor primeiro filme no conjunto das secções competitivas, ao americano Beasts of the Southern Wild de Benh Zeitlin, já vencedor de Sundance 2012. A Palma de Ouro da Curta-Metragem coube a Sessiz-be Deng, do turco Rezan Yesilbas. 

Nas secções paralelas, foi a América Latina que saiu vitoriosa: a Quinzena dos Realizadores entregou o seu prémio principal a No, do chileno Pablo Larraín, e Un Certain Regard premiou Después de Lucía, do mexicano Michel Franco.

Palma de Ouro: Amour, de Michael Haneke

Grande Prémio do Júri: Reality, de Matteo Garrone

Prémio do Júri: The Angel's Share, de Ken Loach

Prémio de Realização: Carlos Reygadas, Post Tenebras Lux

Prémio de Interpretação Masculina: Mads Mikkelsen, The HuntPrémio de Interpretação Feminina: Cristina Flutur e Cosmina Stratan, Beyond the Hills

Prémio de Argumento: Beyond the Hills, de Cristian Mungiu

Câmara de Ouro (Melhor Primeiro Filme): Beasts of the Southern Wild, de Benh Zeitlin

Quinzena dos Realizadores: No, de Pablo Larraín

Un Certain Regard: Después de Lucía, de Michel Franco

 

Retirado do Público



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Terça-feira, 22.05.12
Viegas quer nova Lei do Cinema no Parlamento dentro de 15 dias
Nova lei irá "criar um ambiente para o cinema e o audiovisual", diz Francisco José Viegas (Nuno Ferreira Santos) 

 

O secretário de Estado da Cultura, o escritor Francisco José Viegas, confirmou neste domingo que pretende ter no Parlamento a proposta de nova lei do cinema, no prazo de 15 dias

 

"Se o prazo legislativo decorrer com normalidade, acho que há essa possibilidade de, no prazo de 15 dias, termos a Lei do Cinema disponível para circular, portanto para entrar na Assembleia da República", afirmou Francisco José Viegas à Lusa. 

O secretário de Estado da Cultura confirmou assim o que antecipara na sexta-feira, no final de uma reunião com a Associação Portuguesa de Realizadores (APR), um grupo de subscritores do documento "Cinema Português: Ultimato ao Governo", entre os quais os realizadores Miguel Gomes e João Salaviza, e os produtores Humberto Santana e Luís Urbano. 

Segundo Francisco José Viegas, esta nova proposta de enquadramento legal "não é uma lei para financiar o cinema, é uma lei para criar um ambiente para o cinema e o audiovisual, ou seja, desde o Plano Nacional de Cinema, que entra em vigor já no início do ano lectivo de 2013/2014 para as escolas, à semelhança com o que acontece com o Plano Nacional de Leitura, até aos apoios à exibição à produção e à promoção internacional". 

"É uma lei geral do cinema e do audiovisual que, pela primeira vez, traz o audiovisual para o mundo também do cinema", acrescentou ainda o secretário de Estado, referindo que a situação de falta de verbas "não é singular do nosso país, vive-se em toda Europa". 

Segundo Francisco José Viegas, "há países onde há financiamento zero, há países onde foi cortado 50 por cento, mas esses países onde o corte foi muito radical, tinham já uma estrutura montada e essa estrutura é a que nós queremos montar com esta Lei do Cinema e do Audiovisual". 

Quanto ao "plano de emergência" referido pelos representantes dos realizadores no final da reunião de sexta-feira, o secretário de Estado afirmou compreender "as dificuldades e a situação de penúria em que o sector foi deixado", por isso está "a ver em que medida é que se podem arranjar soluções muito pontuais para alguns dos casos mais dramáticos". 

A sua vontade é "ver se a partir do momento em que a lei é a aprovada, se podem abrir os concursos habituais do ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual] ainda este ano, tal como os concursos pontuais das artes". 

O secretário de Estado falou à entrada de uma sessão do ciclo literário "Porto de encontro", na biblioteca Almeida Garrett, no Porto, durante a qual afirmou a sua vontade de regressar ainda este ano aos romances policiais, com um livro intitulado "O coleccionador de relva". 

O actual titular da Cultura respondeu que "uma pessoa não ‘está' escritor, ‘é', mas ‘está' secretário de Estado". Admitiu no entanto que as funções públicas o obrigaram a "uma paragem que não quer dizer um corte". 

"Às vezes recorro mesmo à necessidade de ter que escrever por razões mentais, de sanidade absoluta", acrescentou. "Uma pessoa precisa mesmo de escrever, este é um mundo pessoal que não posso deixar de ter, mesmo que isso signifique menos horas de sono".

 

Noticia do Ipsilon



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Sexta-feira, 18.05.12
De Rouille et D

A voracidade de Emmanuelle Devos em Sur mes Lèvres é inultrapassada aqui por uma Marion Cotillard amaneirada

 

Dizer que De Rouille et D"Os arrisca o "kitsch metafórico" pode ser excessivamente metafórico, mas a expressão, ouvida à saída da projecção para imprensa, em concurso, do filme de Jacques Audiard, está de acordo com o tom deste melodrama "impressionista" - desta vez, expressão do próprio Audiard. Sinaliza que algo se torna agora mais explícito, menos secreto e até mais gongórico na obra deste cineasta francês de trajectória particular, que se iniciou como realizador em 1994 aos 42 anos (afinal, uma idade como qualquer outra para começar...), com Regarde les Hommes Tomber, e que em 18 anos realizou apenas seis longas. Argumentista e realizador, experimenta sempre um parto difícil com os filmes.

 

De todos, aquele que mais vem à memória perante De Rouille et D"Os - vejam-se as semelhanças e as diferenças, onde ele estava e onde está - é Sur mes Lèvres (2001), em que Emmanuelle Devos (que integra o júri do concurso desta edição) era infeliz, surda e usava próteses auditivas, e Vincent Cassel o fura-vidas que se abeirava dela. Com esse encontro, sôfrego e ao mesmo tempo delicado, ocupado pela sensualidade e o assombro do cinema mudo, Audiard filmava qualquer coisa da ordem da metamorfose e da monstruosidade. Este é o seu tema, na verdade: como homens e mulheres se transcendem pela força das circunstâncias e que limites - morais, por exemplo - se rompem nessa deriva animal(esca).

 

Em De Rouille et D"Os, uma leitura de Rust and Bone, colectânea de contos do canadiano Craig Davidson, Marion Cotillard não tem pernas (um acidente profissional, era treinadora de orcas num espectáculo aquático) e Matthias Schoenaerts parte-se também, em combates clandestinos de boxe.

Forma-se um par, e julgamos que no final se forma uma hipótese de família. Mas o melodrama que os vai envolver sai-lhes do corpo (rust and bone), literalmente. De tal forma que o título do filme, se quiséssemos que nele ecoasse Sur mes Lèvres, poderia ser "Nos meus ossos". Chegados aqui, teremos de dizer que a voracidade de Emmanuelle Devos em Sur mes Lèvres continua inultrapassável, aquela agressividade passiva, e que Marion Cotillard é amaneirada. Para o bem e para o mal, Cotillard (Oscar por La Môme, em que foi Piaf) acaba por ser o "rosto" do ponto em que hoje se encontra Audillard, no pós-Um Profeta (Grande Prémio do Júri em Cannes 2009): consciente dos efeitos da sua "arte". Não precisou de muito para se mostrar em Sur mes Lèvres, aqui faz de mais. O que não seria de lamentar não se desse o caso de, com isso, o espectador ficar privado da experiência da intimidade deste par, tendo direito apenas à exterioridade, ao barulho que o realizador quer fazer com as personagens - o "kitsch metafórico" talvez seja isso. O abismo com que Audiard nos acena quando fala na importância de um filme delirante e trágico como The Unknown (1927), de Todd Browning - Lon Chaney amputava os braços para desencadear o desejo em Joan Crawford, que não suportava ser agarrada pelos homens mas que entretanto se curava da fobia, demasiado tarde, porém, para os ossos de Lon Chaney... - não está, definitivamente, aqui.

 

Também é um melodrama After the Battle, de Yousry Nasrallah (concurso). Transporta a generosa fisicalidade do cinema egípcio, algo com que Youssef Chahine, por exemplo, fazia música, e também as suas intenções pedagógicas: no sentido de um filme, histórias de indivíduos, ser um ecrã a latejar de política com a confluência dos vários pontos de vista de um debate sobre a sociedade - a forma, aliás, que Nasrallah utilizou também para construir o argumento. Apanhando um momento das vidas, no pós-Tahrir, de personagens de meios sociais diferentes - um dos cavaleiros utilizados pelo regime de Mubarak que carregaram sobre os manifestantes, o Egipto que se sente sacrificado pelo desejo de mudanca; uma jovem divorciada, revolucionária de classe média, o Egipto moderno e secular - interroga as imagens fixas, porque não reveladoras de toda a verdade, que nos chegaram pela televisão ou o Facebook. Como se acreditasse que só com a ficção a complexidade e o derrube de preconceitos podem ser um movimento concreto. Se quisermos, After the Battle está algures entre Rossellini e Fassbinder.



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Terça-feira, 08.05.12

A rodagem do filme de João Canijo (ao centro), em 2010

A rodagem do filme de João Canijo (ao centro), em 2010 (Nuno Ferreira Santos)

 

O filme de João Canijo, “Sangue do Meu Sangue”, continua a somar prémios nos festivais onde é apresentado. Depois de na semana passada ter sido distinguido na Áustria, ontem o filme português venceu o Prémio do Público no “D’A - Festival Internacional de Cinema D’Autor” de Barcelona, anunciou nesta segunda-feira a produtora Midas Filmes. O prémio conquistado por “Sangue do Meu Sangue” é o único que o festival atribui.

 

O drama protagonizado por Rita Blanco, Cleia de Almeida, Anabela Moreira e Rafael Morais foi apresentado na secção Direccions, competindo com “as melhores obras do ano no que respeita à autoria contemporânea e ao cinema independente, nomes capitais do cinema de hoje e que dificilmente chegam às salas comerciais, mas que estão na boca de todos os cinéfilos”, como definiu o festival. João Canijo destacou-se assim entre nomes como Werner Herzog, Johnnie To, Christophe Honoré, Nury Bilge Ceilan, Terence Davies ou Bertrand Bonello.

No catálogo do festival, “Sangue do Meu Sangue” foi apresentado como “o último filme de um dos melhores realizadores portugueses contemporâneos, o retrato de uma mãe coragem e sua família. Uma obra onde o trabalho dos actores tem um lugar chave, ao mesmo tempo que a câmara cúmplice de um autor em estado de graça”.

Desde que se estreou no ano passado no Festival de San Sebastian, onde conquistou o Prémio da Crítica Internacional e o Prémio Otra Mirada da TVE, o filme de Canijo tem sido amplamente premiado. Na semana passada o filme recebeu em Linz, na Áustria, o New Vision Award no Festival Crossing Europe e, antes disso, já tinha conquistado o Grande Prémio do Júri no Festival de Miami (EUA) e o Prémio Melhor Filme no Festival de Pau (França).

Mas não foi apenas no estrangeiro que “Sangue do Meu Sangue”, o filme português mais visto em 2011, foi premiado. Em Portugal, o filme foi consagrado no Festival do Faial e no Caminhos do Cinema Português, em Coimbra, para além dos Prémios SPA, estando ainda nomeado em cinco categorias para os Globos de Ouro, cujos vencedores são conhecidos no dia 20.

A Midas informa ainda que o filme vai continuar a sua digressão internacional. Em Junho, “Sangue do Meu Sangue” vai ser exibido no Festival de La Rochelle, em França, que vai homenagear João Canijo, exibindo ainda os filmes “Ganhar a Vida”, “Noite Escura” e “Mal Nascida”. Esta mini-retrospectiva será no final do ano exibida em diversas cidades de Espanha. Já “Sangue do Meu Sangue” será entretanto exibido na Filmoteca da Extremadura (Cáceres e Badajoz), ainda durante este mês.

Já editado em DVD e exibido na sua versão de três partes na RTP, o filme continua a circular um pouco por todo o país, em sessões organizadas por cineclubes e associações culturais.

Trailer do filme

 

Retirado do Público



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Segunda-feira, 07.05.12
O cinema em Portugal está parado
Miguel Gomes está preocupado com a situação de "bancarrota total do ICA"

 

Profissionais querem discutir com Passos Coelho sobrevivência do cinema em Portugal.

 

Nem de propósito. No dia em que actores, realizadores e produtores se reuniram em Lisboa para debater o cinema português, que dizem estar numa "situação dramática", sobretudo por causa da falta de financiamento e de "atrasos sucessivos" numa lei nova que até agrada ao sector, ficou a saber-se que Gonçalo Tocha ganhou mais um prémio internacional com "É na Terra não É na Lua". O filme sobre a ilha do Corvo foi considerado o melhor documentário no festival de São Francisco, depois de uma menção honrosa em Locarno e de outro primeiro prémio em Buenos Aires. 
Boas notícias num dia em que o cinema português discutia a sua sobrevivência e em que os produtores Pedro Borges (Midas) e Luís Urbano (O Som e a Fúria), que organizaram o encontro no Cinema São Jorge, acusaram o Governo de não saber o que quer do sector e anunciaram que vão pedir uma audiência a Pedro Passos Coelho. "A Secretaria de Estado da Cultura [SEC] tem andado numa deriva", disse Urbano. "Este secretário de Estado não manda nada e o que é preciso é falar com quem manda, que é o primeiro-ministro."
O reconhecimento internacional do cinema português tem sido muito forte nos últimos meses com prémios para Miguel Gomes ("Tabu") e João Salaviza ("Rafa") em Berlim e para João Canijo em San Sebastián, Miami e Linz, mas isso não significa que não esteja sem grandes perspectivas de futuro. 
"Quem olha de fora acha que o nosso cinema está com saúde, mas isso não é verdade - está a morrer", disse ao PÚBLICO Luís Urbano, pouco antes deste encontro que foi precedido de um "Ultimato ao Governo", assinado por 21 profissionais do cinema, entre eles Manoel de Oliveira, João Botelho, João Canijo, Manuel Mozos e Pedro Costa. "Chegámos ao limite. Não é possível contrair mais empréstimos pessoais ao banco nem continuar a pedir às equipas que trabalham connosco e aos fornecedores que esperem para receber", garante o produtor, que tem neste momento vários projectos a aguardar financiamento, um deles dependente apenas da homologação da SEC.
Francisco José Viegas é, aliás, um dos principais alvos de críticas. Pedro Borges, produtor de "Sangue do Meu Sangue", de Canijo, diz que está preocupado com o facto de o sector não conhecer a versão final da proposta da Lei do Cinema, que prevê, na sua opinião "justamente", que o financiamento seja partilhado entre o Estado e as televisões (resultante da taxa sobre os lucros da publicidade). "Sabemos que é da RTP, e não das privadas, que têm partido mais críticas", disse Borges. 
Antes do debate, Canijo defendera no São Jorge que "o cinema português está a caminho da indefinição total" e admitia que tem vivido de prémios: "Não faço ideia como vou continuar quando esse dinheiro acabar." 
Miguel Gomes está preocupado com a situação de "bancarrota total do ICA", mas garante que a questão de fundo é política: "O cinema em Portugal está parado porque o Governo não tem uma ideia, uma vontade forte. Há um esvaziamento de responsabilidades, o secretário de Estado não toma medidas e contradiz-se permanentemente." 
Num esclarecimento às redacções, o gabinete de Viegas disse que, terminado a 30 de Abril o prazo de consulta pública do novo diploma, o processo está agora na fase de incorporação dos contributos do sector. Rejeitando que tenha havido qualquer atraso, o breve comunicado acrescenta que a proposta deverá ser levada a "apreciação interministerial na próxima semana", prevendo-se que o processo legislativo esteja concluído até ao final de Junho. 
Luís Urbano diz estar farto de promessas e de receber os parabéns de políticos pelo sucesso de "Tabu". "O sacrifício que está a ser imposto ao cinema português é a morte e eu não quero morrer."
Retirado do Ipsilon


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Quinta-feira, 03.05.12

“É na terra não é na lua” premiado em São Francisco

 

 

O filme “É na terra não é na lua”, de Gonçalo Tocha, foi eleito o melhor documentário do 55º Festival Internacional de Cinema de São Francisco, nos Estados Unidos, anunciou a organização

 

O documentário, que retrata a vida da ilha açoriana do Corvo, recebeu o Golden Gate Award, que equivale a cerca de 15 mil euros, para melhor documentário em longa-metragem.

 

Gonçalo Tocha recebe este prémio semanas depois de ter sido distinguido na Argentina, onde o documentário conquistou o prémio de melhor filme na secção “Cinema do Futuro”, no Festival Internacional de Cinema Independente, em Buenos Aires.

 

O filme, com 180 minutos de duração, foi rodado entre 2007 e 2009 e estreou-se no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, onde recebeu uma menção especial do júri, tendo depois vencido o prémio para a melhor longa-metragem no DocLisboa.

 

O realizador, descendente de micaelenses, nunca tinha estado no Corvo até ao dia em que partiu de S. Miguel, onde tinha apresentado o seu primeiro filme, à descoberta da mais pequena ilha do arquipélago, apanhando várias boleias de barco.

 

A pequena equipa filmou tudo o que conseguiu na ilha e acabou por fazer uma espécie de “arquivo contemporâneo em movimento”, disse o realizador à Lusa.

 

Gonçalo Tocha admitiu que entrou no Porto da Casa, no Corvo, sem “a mínima ideia” do que ia fazer, mas com a “ambição louca de filmar tudo e conhecer todas as pessoas”.

 

Nascido em 1979, Gonçalo Tocha assinou em 2006 a primeira longa-metragem, “Balou”, premiado no ano seguinte no festival IndieLisboa.

Retirado do Público


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Segunda-feira, 30.04.12

Cinema: Ser gay em Paris

 

Vassili (Stéphane Rideau) é um prostituto trintão, com instinto assassino contra aqueles que, ao acaso, vê como culpados por algo que não se consegue bem perceber. 

Enquanto clientes e colegas lhe dizem que já está velho para este trabalho, o angelical Angelo (Dimitri Durdaine) inicia com ele uma relação amorosa e profissional, acabando por se juntar aos assassinatos do seu companheiro.

 

“O Nosso Paraíso” (Notre Paradis), realizado pelo francês Gaël Morel, é  um drama homo-erótico que tem como principal objectivo construir uma relato da noite sexual de Paris, com aspirações críticas mas sobretudo poéticas, na forma de cenas de sexo mais ou menos explícito.

 

Infelizmente, a história do filme é caótica, com muitas personagens e sub-enredos a surgirem sem critério ou sequer sentido. 


Como já foi dito acima, não se chega a perceber o que leva Vassili a odiar tanto os seus clientes – será a frustração da idade avançada ou o facto de os considerar responsaveis pela vida que teve? Mesmo o desenvolvimento do próprio Angelo ao longo da história torna-se verdadeiramente aleatório no meio de tanto impulso sexual.

 

Na verdade, dá a sensação de que o tema do filme é o "ser gay" e que a história trata apenas de algo acessório. 


Ao contrário de "Felizes Juntos (Kar Wai Wong), onde, por acaso, as personagens são homossexuais, e a solidão é o tema central do filme, em "O Nosso Paraíso" essa identidade é tratada como a razão para. 


Até a própria prostituição parece advir daí. Não se esforçando por fugir a esta sugestão implícita, o filme começa a ruir.

 

Todavia, “O Nosso Paraíso” é um filme corajoso, fortemente próximo da filmografia recente de Lars Von Trier, sem o pulso do dinamarquês, é certo, mas com o talento necessário para gerir cenas nada fáceis de encaminhar para um nível “aceitável” no cinema comercial.

 

Para aqueles que procuram explorar os lados mais experimentais do cinema, este filme tem todo o interesse. 


Segue, aliás, a linha de “A Hole in My Heart” de Lukas Moodysson, com o qual partilha, inclusive, a dificuldade de enquadrar o choque visual com um argumento bem orientado e de algum propósito.

 

Num futuro próximo, quiçá, estes e outros filmes poderão ser citados como influências de alguns realizadores melhor sucedidos - então - neste caminho. Até lá, regista-se o esforço.

 

Retirado de HardMúsica



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Domingo, 29.04.12

“Sangue do meu Sangue” vence prémio na ÁustriaAs filmagens em Lisboa, em 2010 (Foto: Nuno Ferreira Santos)


O filme “Sangue do meu Sangue”, de João Canijo, venceu na noite deste sábado o Prémio New Vision, no valor de cinco mil euros, no Festival Crossing Europe, em Linz, na Áustria, segundo a produtora Midas Filmes.

 

A longa-metragem do realizador português tem ganho vários prémios internacionais, entre os quais o Prémio da Crítica Internacional e o Prémio Outra Mirada no Festival de San Sebastian, em Espanha, e o Grande Prémio do Júri no Festival de Miami, nos Estados Unidos.

“Sangue do meu Sangue” – protagonizado por Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia de Almeida, Nuno Lopes e Rafael Morais – vai ser apresentado por Canijo, nesta segunda-feira, no Festival Internacional de Cinema D’Autor de Barcelona, sendo que, algumas horas mais tarde, o Panamá International Film Festival vai mostrar também a longa-metragem, contando com a presença do actor Rafael Morais.

O Festival de La Rochelle, em França, vai apresentar o filme – já visto por mais de 20 mil espectadores nos cinemas portugueses – no mês de Junho e fazer uma homenagem a João Canijo, informa ainda a Midas Filmes.

 

Retirado do Público



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Sexta-feira, 27.04.12
O outro lado da América e o corredor da morte no Indie LisboaEm Into the Abyss Werner Herzog revela o outro lado da America, the beautiful (Stephane de Sakutin/AFP)
Na abertura do IndieLisboa, nesta quinta-feira, Werner Herzog leva-nos ao lado escuro da América. Circunstâncias e consequências de um triplo assassínio: Into the Abyss não é para almas sensíveis.

Outubro de 2001, Conroe, 37 mil habitantes, a 64 quilómetros de Houston, no estado americano do Texas. Os adolescentes Michael Perry e Jason Burkett batem à porta da enfermeira Sandra Stotler, moradora num bairro residencial de condomínio fechado, para perguntar se os seus amigos Adam Stotler e Jeremy Richardson estavam em casa. Antes de a noite acabar, Sandra, Adam e Jeremy estarão mortos.

Perry e Burkett queriam convencer os amigos a irem todos dar uma volta no Chevrolet Camaro vermelho da enfermeira. Mas Adam e Jeremy não estavam em casa, e Perry e Burkett decidiram pôr em acção um plano B improvisado: roubar o carro. Enquanto Burkett batia à porta da frente, Perry entrou pela garagem e disparou à queima-roupa sobre Sandra. Embrulharam o corpo num lençol e foram desfazer-se dele a um lago próximo. Quando regressaram, viram-se fechados fora do condomínio. Ligaram para Adam e Jeremy alegando que um amigo estava em dificuldades. Mataram-nos em seguida para roubar o comando que dava entrada ao condomínio e roubaram o Camaro. Dois dias depois, foram presos após um tiroteio com a polícia local. Perry foi condenado à morte e Burkett a prisão perpétua.

Em 2010, o cineasta alemão Werner Herzog dispôs de meia hora para entrevistar cada um dos criminosos. Faltavam oito dias para Michael Perry ser executado. Herzog falou igualmente com a filha de Sandra Stotler, com o irmão de Jeremy Richardson, e com o pai e a mulher de Jason Burkett. Entrevistou padres, detectives, vizinhos, amigos, conhecidos. Através da sua investigação e do seu olhar sobre este crime, Werner Herzog revela uma América profunda de gente condenada a uma vida longe de ser a que sonhavam. O resultado pode ser visto hoje na abertura do IndieLisboa. Chama-se Into the Abyss: A Tale of Death, a Tale of Life. É um dos acontecimentos cinematográficos de 2012.

Werner Herzog não precisa de apresentações. Revelado na nova vaga do cinema alemão nos anos 1970, contemporâneo de Wim Wenders, Rainer Werner Fassbinder ou Volker Schlöndorff, Herzog tem prosseguido uma carreira singular que sempre fez questão em escapar a classificações simplistas, balizada por filmes emblemáticos como Aguirre, o Aventureiro (1972), Nosferatu – O Fantasma da Noite (1978) ou Fitzcarraldo (1982). Embora menos conhecida entre nós, a sua vertente de documentarista tem igual peso na sua carreira, funcionando como "desdobramento" temático e criativo das suas ficções fascinadas pelo lado escuro e obsessivo do ser humano. Grizzly Man (2005) e A Gruta dos Sonhos Perdidos (2010) chegaram às nossas salas, The Wild Blue Yonder (2005) e Encounters at the End of the World (2007) passaram em edições anteriores do IndieLisboa.

No corredor da morte

Into the Abyss nasceu de um projecto para o canal televisivo Discovery sobre a pena de morte nos EUA. A série daí resultante – On Death Row – teve estreia mundial no festival de Berlim deste ano antes da sua exibição no Investigation Discovery americano em Março. Mas a história de Jason Burkett e Michael Perry perturbou Herzog de tal modo que se autonomizou.

Ao jornal The New York Times, aquando da estreia do filme no festival de Telluride em Setembro último, o realizador disse "não estar no negócio da culpa nem no da inocência". Muito embora Herzog seja abertamente contra a pena de morte, Into the Abyss recusa tomar partido ou erguer bandeiras. É uma espécie de "CSI: Pena de Morte", traçando desapaixonadamente, de modo quase forense, circunstâncias e consequências do triplo assassínio de Conroe. Recorrendo a imagens de arquivo da investigação – que tornam o filme pouco aconselhável a almas sensíveis – entrecortadas com as entrevistas que ele próprio conduziu, Herzog transcende o mero documentário investigativo para explorar a dimensão humana de um crime que custou a vida a três pessoas por causa de um carro.

Do outro lado do sonhoInevitavelmente, é da sociedade americana que aqui se fala, e dos seus contrastes exacerbados entre ricos e pobres. Michael Perry e Jason Burkett vinham de uma cultura de pobreza e analfabetismo, rodeados pelo crime, pelo álcool, pelas drogas como saídas acessíveis para uma existência sem futuro, enquanto Sandra e Adam moravam numa casa confortável numa zona residencial afluente. O pai de Jason Burkett, Delbert, é entrevistado por Herzog enquanto cumpre a quarta pena de prisão, agora perpétua, no mesmo estabelecimento prisional do filho e, perante a câmara, faz uma declaração espantosa: a sua consciência de que "we never had a chance". A sua família estava condenada por vir do "lado errado" da cidade.

A câmara de Herzog não faz outra coisa que não seja devolver a todos eles – criminosos e vítimas – a sua dignidade, a sua humanidade. Mas haverá dignidade, humanidade em gente capaz de matar a sangue-frio por causa de um carro?, perguntarão. A questão, para o cineasta alemão, nem se põe. Todos os seres humanos são dignos de respeito, por mais horríveis que sejam os seus actos. "Não tenho de gostar de si," diz Herzog a Perry ao iniciar a sua entrevista. "Mas respeito-o, porque você é um ser humano."

Esse respeito esconde-se no modo como a câmara de Peter Zeitlinger (habitual director de fotografia de Herzog) olha para estas pessoas. Um olhar que se inscreve todo na duração, no tempo e no espaço que permite a cada entrevistado revelar a sua humanidade, sem nunca tombar na facilidade ou na exploração gratuita da dor e do sofrimento. Aqui não há sensacionalismo, apenas uma câmara à altura de homem, mostrando o que há para mostrar, revelando o outro lado da America, the beautiful. É aí que este "conto de morte e de vida" se ganha como um dos mais perturbantes documentos do ano. Não deixa ninguém indiferente.

 

Via Público



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Quinta-feira, 05.04.12
A histérica Sabina Spielrein (Keira Knightley), observada por Carl Jung (Michael Fassbender): psicanálise é tema de novo filme do diretor David Cronenberg
A histérica Sabina Spielrein (Keira Knightley), observada por Carl Jung (Michael Fassbender): psicanálise é tema de novo filme do diretor David Cronenberg

Em seu novo filme, David Cronenberg retrata as tensões que marcaram os primeiros tempos da psicanálise

Peter Gay, famoso biógrafo de Freud, descreve Jung como um homem que emanava uma sensação de poder, de ossatura larga, ariano de rosto teutônico rigidamente esculpido. Homem de personalidade vivaz e um temperamento inteligente e energético, uma pessoa atraente em todos os sentidos. Se foram esses os motivos que fizeram Freud escolhê-lo para ser seu "príncipe herdeiro" nunca saberemos, mas o fascinante filme "Um Método Perigoso", do diretor David Cronenberg, nos oferece um lampejo da relação turbulenta entre o jovem psiquiatra Jung, seu mestre Sigmund Freud e a jovem histérica Sabina Spielrein.

O filme retrata com bastante fidelidade um tempo crucial do movimento psicanalítico, especialmente marcado pelo início de uma forte resistência ao método. Jung pareceu à primeira vista a escolha mais sensata para levar a frente o trabalho de Freud: ele não era vienense, era jovem e, principalmente, não era judeu. A amizade entre os dois floresceu rapidamente marcada por um encontro inicial no qual conversaram por 13 horas quase que ininterruptas.

Discordâncias

Entretanto, desde o início, Jung manifestava desacordo com Freud acerca de sua teoria sobre a sexualidade humana. Para Freud, a sexualidade humana era o fator princeps na etiologia das neuroses. Este era o ponto central de sua teoria - a experiência da sexualidade, para os seres humanos, é sempre traumática.

Jung aceitava que a sexualidade era um fator importante no desenvolvimento das neuroses, mas não aceitava que fosse o único e nem o principal. Curiosamente, suas dúvidas quanto ao método psicanalítico eclodem quando Jung recebe como paciente Sabina Spielrein, cujos sofrimentos histéricos mostraram-se inequivocamente de origem traumática sexual.

Mesmo assim, o debate de Freud e Jung sobre a sexualidade, que anos depois seria um divisor de águas no movimento psicanalítico, sintomaticamente, nunca se dissolveu completamente. O mestre, seduzido pelo desejo de expandir a sua teoria, e o discípulo, deslumbrado por sua ambição, foram, ambos, despistados pela sexualidade.

A teoria freudiana sobre a sexualidade sempre foi uma pedra no sapato da psicanálise. O filme retrata a chegada de Freud e Jung a Nova York; à frente da Estátua da Liberdade, símbolo da ideologia norte-americana de liberdade e busca da felicidade. No navio, Jung está exultante e envaidecido com a oportunidade de trazer a psicanálise para os americanos.

Freud, com sua usual sobriedade austríaca, simplesmente diz: "Eles não sabem que lhes estamos trazendo a peste". Freud tinha firme convicção de que iria enfrentar a resistência da norma, da higiene e da ordem social típicas da sociedade americana, que mais tarde seriam exportadas para o mundo inteiro.

Incompreensão

Sobre a etiologia sexual das neuroses Freud não era um cientista solitário. Em sua época, alguns especialistas das doenças nervosas já reconheciam a importância da sexualidade, porém, Freud foi o único a conseguir fazer uma síntese dessas correntes traduzindo uma evidência biológica em teoria psicológica. Em nenhuma outra espécie o propósito da copulação está tão distante da reprodução como nos humanos; a relação que mantemos com o sexo marca uma ruptura peculiar com praticamente todas as demais espécies de animais. A teoria freudiana era bastante plausível, mas nem por isso a resistência era menor. Talvez, um dos motivos da incompreensão era achar que para Freud o sexual seria o mesmo que genital. No seu famoso "Três ensaios", ele demonstra que não se trata, de modo algum, de abordar o sexual pela prática ou comportamento sexual, mas em demonstrar que seu alcance é mais amplo e seu enraizamento inconsciente. Anos mais tarde, Lacan proferiria a enigmática frase: "a relação sexual não existe", isto é, o mito de que a relação sexual pode realizar a complementaridade entre os sexos ou dar acesso a um gozo pleno é, isso mesmo, um mito.

Palatável

O filme parece insinuar que talvez essa fosse a dificuldade principal de Jung: aceitar as ideias de Freud sobre a sexualidade. Jung presumidamente atacou o que ele achava ser uma "obsessão" freudiana pelo sexo, mas podemos levantar a hipótese, com a licença poética que o cinema nos dá, de que ele não estava também muito interessado em escavar a fundo o buraco negro da sexualidade, onde talvez encontrasse mais do que estava disposto a suportar.

Jung parecia querer defender a psicanálise de si mesma, além de torná-la palatável para um maior número de pessoas. Por outro lado, se os casos extraconjugais de Jung, seu casamento morno e sua covardia moral e burguesa foram tal e qual apresentadas no filme, ele tinha de fato todas as razões para deixar a sexualidade de lado e introduzir um conceito de inconsciente bastante confuso.

O inconsciente junguiano funciona como elo intermediário de uma espécie de significatividade da natureza humana; uma signatura rerum mais universal do que o trauma da sexualidade e que estava no princípio da busca de sentido para qualquer indivíduo. Se Freud pode ser acusado de ter sido enredado em sua própria sexualidade, em sua amizade com Jung, este, por sua vez, não deve ser tomado como inocente em sua resistência ao velho mestre.

A verdade é que o método psicanalítico se mostrou particularmente perigoso para os primeiros psicanalistas, provando que nem mesmo seus grandes teóricos conseguiram escapar dos efeitos do inconsciente. Freud não pôde analisar sua complacência para com Jung, tratando-o como filho favorito e, somente esporadicamente, indisciplinado. Muito menos conseguiu dissolver seu famoso rancor e dureza para com os que questionavam sua autoridade.

Jung, por sua vez, não superou os impasses de seu casamento e nem mesmo seu envolvimento com pelo menos duas pacientes, entre elas Sabina Spierein, que depois foi admitida como psicanalista tendo sua obra reconhecida pelo próprio Freud.

Paradoxo

O tema da sexualidade atravessa todo o filme de Cronenberg demarcando bem o paradoxo entre o desejo humano e sua racionalidade. A conduta moral e a autoridade do psicanalista ficam em suspenso, como uma denúncia de que nem mesmo ele está isento dos riscos de sua humanidade.

Freud, o grande destruidor de ilusões, recebe uma boa homenagem ao ser apresentado de forma simples e exposto em suas contradições e fragilidades. Enquanto Jung, apesar de sua tumultuada vida sexual, consegue se estabelecer como um dos principais teóricos da alma humana.

Apesar de o filme ser um tanto tendencioso ao retratar Jung com um caráter mais fraco que sua opulenta aparência, o dever de julgar a obra de ambos fica a critério do espectador. Parafraseando as próprias palavras de Jung ao defender Freud de seus opositores, não devemos simplesmente julgá-los, aos dois, pois assim agiríamos como aqueles famosos cientistas que se recusaram a olhar pelo telescópio de Galileu.

Nossos tempos são outros, mas exigem a velha audácia dos desbravadores de sempre. Assim como os confins do Universo, os confins da sexualidade humana adoram ocultar-se. Mas, já temos à disposição gigantes de quem podemos servirmo-nos, pousando altaneiros sobre os seus ombros.

 

Mais informações:

Um Método Perigoso (A Dangerous Method, EUA, 2011), de David Cronenberg. Com Viggo Mortensen, Keira Knightley e Michael Fassbender. Salas e horários no caderno Zoeira


Retirado de Caderno 3



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Terça-feira, 27.03.12

Com a exibição do filme “Requiem”, realizado e escrito por Alain Tanner, pelas 18:00 do dia 30 de Março, o Espaço Nimas presta homenagem a Antonio Tabucci, que faleceu em Lisboa, este fim de semana.

De salientar que o filme se baseia num romance homónimo do escritor italiano ora desaparecido, considerado um dos mais marcantes da literatura europeia.

 

“Requiem” segue Paul, interpretado por Francis Frappat, na sua vinda a Lisboa, onde este tem um encontro marcado com um convidado: o fantasma do escritor Fernando Pessoa. 


Entre o meio-dia e a meia-noite, a hora do encontro, Paul cruza-se com uma série de personagens, numa estranha mescla que reúne lisboetas do presente e fantasmas do passado.

Sem dúvida que Fernando Pessoa foi o autor português que mais influenciou e despertou Antonio Tabucchi para os nosso escritores dominando de forma maior o seu trabalho.


Tabucchi  foi um dos maiores tradutores e especialistas da obra de Pessoa a aliado a esse interesse literário está a sua paixão por Portugal, país que o escritor acabou por tornar como seu.

 

As obras de Tabucchi têm despertado o interesse de cineastas e para além de Alain Tanner também Fernando Lopes (“O Fio do Horizonte”), Roberto Faenza (“Afirma Pereira”) ou Alain Corneau (“Nocturno Indiano”) realizaram filmes a partir das palavras do escritor nascido em Pisa, na Itália.

 

“Requiem”, que conta no seu elenco com André Marcon, Cécile Tanner, Zita Duarte, Raúl Solnado, Canto e Castro, Lia Gama, Márcia Breia, Alexandre Zloto e Sérgio Godinho, entre outros, foi seleccionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes em 1998. 

 

Retirado de HardMúsica



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Sexta-feira, 23.03.12
Suspense e sexo  mistura irresistível

 

 

Receita para um filme dar certo: uma boa história, um bom roteiro, com os ingredientes certos, e a mistura de suspense e sexo. Parece tentador, não? Nós achamos que com esse enredo, um filme tem tudo para ser sucesso de bilheteria, inclusive na sua cama.

 

Fizemos uma lista para você curtir com seu gato, todos eles prendem a atenção e tem sexo e suspense no meio de uma ótima história. O primeiro deles é o sucesso "

 

Millennium - Os homens que não amavam as mulheres" de 2011. A película traz uma personagem que é ao mesmo tempo sexy e estranha, a racker Lisbeth Salander que protagoniza algumas cenas de sexo bem interessantes com seu amigo e jornalista Mikael Blomkvist, que é ninguém menos que o Daniel Craig.

 

Nossa outra sugestão é um clássico do suspense, e de quebra, tem o bonitão Nicolas Cage em sua melhor forma, inclusive a física. É "Oito milímetros". O longa trata da prática do"snuff", onde o sexo sempre termina em morte, de verdade. O justiceiro lindo e implacável está imperdível.

 

Mais um clássico que quase todo mundo já viu, mas que sempre vale a pena rever e incendiar qualquer sala de cinema em casa. "Instinto selvagem" de 1992, conta a trama de uma sensual escritora que é investigada por ser suspeita de estar envolvida numa série de crimes cometidos com um furador de gelo.

 

Nesse suspense muito tenso, uma das cenas de sexo mais quentes do cinema foi protagonizada entre Sharon Stone e Michael Douglas. Os atores literalmente sobem pelas paredes de tanto prazer, e na vida real Michael Douglas teve que se tratar por compulsão sexual.


Para fechar nossa seleção, um filme publicitário, bem diferente do que estamos acostumados a ver, foi produzido pela marca de lingeries Agent Provocateur e que causou certa polêmica, pois mostra mulheres lindas, de lingerie, cometendo uma espécie de crime. O curta metragem "Fluers Du mal", muito bem feito, por sinal, tem todos os ares de filme de terror, com suspense, boa fotografia e belas mulheres.

Veja abaixo os trailers dos filmes:

Oito milímetros

 

 

Millenium - Os homens que não amavam as mulheres

 

 

Instinto Selvagem

 

 

 

Via Vila Dois



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Segunda-feira, 05.03.12

"Hell" de Tim Felbahun, com produção de Roland Emerich

 

Fita alemã "Hell" sobre a sobrevivência num mundo devastado pelo aquecimento global ganha secção oficial do cinema fantástico.

 

"Hell" de Tim Felbahun, com produção do bem conhecido Roland Emerich ("Dia da Independência" e "Dia depois de Amanhã") venceu  o Grande Prémio da Secção Oficial de Cinema Fantástico do Fantasporto 2012. Um filme alemão que mostra os horrores da luta pela sobrevivência num mundo muito mais quente, onde a água e a comida escasseiam e do qual podemos não estar livres se alguns iluminados continuarem a dizer que o aquecimento global não passa duma campanha político-partidária. A protagonista, Hannah Herzsprung, foi considerada a melhor actriz desta secção.

 

Ainda na secção fantástica referências para "Juan de los Muertos", delirante ficção política cubana de Alexandro Burgés com zombies a invadir o país de Fidel (melhor argumento, melhor actor - Alexis Diaz de Villegas - e prémio do público). Idem para "Lobos de Arga", uma movimentada e irónica fita de lobisomens galegos, do espanhol Juan Martinez Moreno (menção do júri internacional e prémio da crítica).

 

A 22º Semana dos Realizadores destacou "Avé" de Konstantin Bojanov (Bulgária) como melhor filme e melhor argumento, indo o prémio de melhor realização para o argentino Sebastián Borenzstein  ("Chinese Take Away", o tal filme que começa com vacas a cair do céu e que será exibido este ano no circuito comercial). A melhor actriz foi Emma Levie em "Lena" (a história duma adolescente cuja vida muda dramaticamente no dia em que apaixona por um rapaz não muito recomendável), tendo este filme merecido, também uma menção especial do júri. Igualmente distinguido com um prémio especial "A Moral Conjugal" do português Artur Serra Araújo.

 

O prémio do melhor filme português foi para a curta-metragem documental "Nada Fazi" de Filipa Reis e João Miller Guerra, rodado num bairro da Amadora maioritariamente habitado por cabo-verdianos (o título, em crioulo, significa, tudo na mesma ou nada a fazer). O prémio do International Film Guide para a primeira obra sido atraibuído a "Eva" de Kike Mailló, Espanha.

 

A crise e a baixa do poder de compra não afastaram os espectadores do Rivoli, ainda que, Mário Dorminsky, um dos organizadores do Fantasporto tenha dito que, em três palavras, o desafio da edição 2013 é "arranjar dinheiro que chegue", o que pode passar pelo alargamento a mais locais e restrição do festival apenas à fase competitiva de uma semana (eliminando os quatro primeiros dias, ditos de pré-Fantas). Ainda assim, as experiências iniciadas nos últimos anos com a realização de conferências sobre temas ligados à investigação científica e ao futuro (e que este ano passaram por uma espectacular exposição de hologramas feitos na Faculdade de Ciências do Porto) deverão ser para manter.


Via Expresso



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Segunda-feira, 27.02.12

Óscares: O Artista ganha nas principais categorias

O francês Michel Hazanavicius a sair do palco com o Óscar para melhor realizador na mão ()


O Artista ganhou cinco Óscares, incluindo os de melhor filme, realizador e filme. Meryl Streep voltou a ganhar uma estatueta dourada, a terceira, quase 30 anos depois. Woody Allen, distinguido pelo argumento original de Meia-noite em Paris, também regressou à lista dos galardoados (e voltou a não comparecer na cerimónia).

 

Os dois filmes que mais estatuetas arrecadaram na 84.ª edição dos Óscares, neste domingo, em Los Angeles, foram O Artista e A Invenção de Hugo. A película de Martin Scorsese saiu da cerimónia com cinco estatuetas douradas, tantas quanto O Artista. Porém, o filme francês venceu nas principais categorias.

O Artista fez história, vencendo na principal categoria, de melhor filme. Foi a primeira vez que uma produção sem a bandeira norte-americana o conseguiu. O produtor Thomas Langmann foi receber a estatueta ao palco com Michel Hazanavicius, que agradeceu três vezes a Billy Wilder (realizador, 1906-2002). Hazanavicius já lá tinha estado, minutos antes, para receber o Óscar relativo ao prémio de melhor realizador.

Jean Dujardin, que interpretou a personagem do famoso “artista” que se transforma num inadaptado na mudança do cinema mudo para os talkies, foi distinguido com o Óscar para melhor actor. Quando o nome do francês foi anunciado como o vencedor, já O Artistacoleccionava três estatuetas: além da de melhor realizador, a de melhor guarda-roupa e a de melhor banda sonora original.

A Invenção de Hugo venceu sobretudo nas chamadas categorias técnicas. A primeira incursão de Martin Scorsese no 3D amealhou cinco Óscares: melhor fotografia, melhor direcção artística, melhores efeitos visuais, melhor montagem de som e melhor mistura de som. Apesar de, nas contas finais, aparecer empatado com O ArtistaA Invenção de Hugo, o filme mais nomeado deste ano (11 indicações), foi assim relegado para segundo plano nesta cerimónia como um digno vencido.

A dama de Hollywood

A consagração de Meryl Streep, com o terceiro Óscar da carreira, foi um dos pontos altos desta edição dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A interpretação conseguida em A Dama de Ferro, no qual deu corpo à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, valeu-lhe o Óscar para melhor actriz, já depois de um Globo de Ouro e de um Bafta. 

Meryl Streep, de 62 anos, foi aplaudida por uma plateia de pé. “Quando chamaram pelo meu nome, tive a sensação de estar a ouvir meia América dizer ‘oh, vá lá! Ela outra vez?’”, brincou, já com a estatueta na mão. Em pouco mais de três décadas, a actriz foi nomeada 17 vezes e já tinha ganho duas estatuetas, pelos desempenhos em A Escolha de Sofia (1983) e Kramer Contra Kramer (1980). A principal concorrente era Viola Davis (As Serviçais).

“Olho para aí [para a plateia] e vejo diante dos olhos os meus velhos amigos, os meus novos amigos”, disse, antes de agradecer a todos a “carreira inexplicável e maravilhosa” que tem tido, acrescentando que “tem sido uma grande honra” dedicar a sua vida ao cinema. Meryl Streep partilhou o prémio com Mark Coulier, que a acompanha desde A Escolha de Sofia e que nesta noite ganhou também um Óscar, pelo trabalho de caracterização em A Dama de Ferro. A actriz, que disse acreditar que esta era a última vez que era galardoada nos Óscares, prestou ainda uma sentida homenagem ao marido, o escultor Don Gummer.

Quem fez questão de não partilhar o seu prémio com os colegas foi Christopher Plummer, que saiu do antigo Kodak Theatre (o patrocínio foi cancelado) com o Óscar para melhor actor secundário, pelo desempenho em Assim É o Amor. “Partilharia este prémio com ele [Ewan McGregor, que com ele contracenou e cujo talento tinha acabado de elogiar], se tivesse alguma decência. Mas não tenho”, afirmou o canadiano, depois de agradecer à equipa que fez o filme de Mike Mills.

Christopher Plummer, de 82 anos – e 60 de carreira –, tornou-se assim no mais velho actor a ser galardoado com um Óscar. Tinha sido nomeado apenas uma vez, em 2010, por A Última Estação. Pelo papel desempenhado em Assim É o Amor tinha já sido distinguido com um Globo de Ouro e um Bafta.Woody Allen, que como é seu apanágio não esteve presente na cerimónia, também voltou a ser premiado pelo Academia norte-americana, com o Óscar para melhor argumento original por Meia-Noite em Paris. É a quarta estatueta da carreira do nova-iorquino, que estava também indicado este ano na categoria de melhor realizador.

Lista completa dos vencedores da 84.ª edição dos Óscares:

Melhor filme: O Artista, Thomas Langmann (produtor)
Melhor realizador: Michel Hazanavicius, O Artista
Melhor actor: Jean Dujardin, O Artista
Melhor actriz: Meryl Streep, A Dama de Ferro
Melhor actor secundário: Christopher Plummer, Assim É o Amor
Melhor actriz secundária: Octavia Spencer, As Serviçais
Melhor argumento original: Woody Allen, Meia-Noite em Paris
Melhor argumento adaptado: Alexander Payne, Os Descendentes
Melhor fotografia: Robert Richardson, A Invenção de Hugo
Melhor documentário: Undefeated, de Daniel Lindsay e T.J. Martin
Melhor curta-metragem documental: Saving Face, de Daniel Junge
Melhor animação: Rango, de Gore Verbinski
Melhor filme estrangeiro: Uma Separação, de Asghar Farhadi
Melhor montagem: Kirk Baxter e Angus Wall, Millennium 1 – Os Homens que Odeiam as Mulheres
Melhores efeitos visuais: Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning, A Invenção de Hugo
Melhor direcção artística: Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo, A Invenção de Hugo
Melhor caracterização: Mark Coulier e J. Roy Helland, A Dama de Ferro
Melhor guarda-roupa: Mark Bridges, O Artista
Melhor curta-metragem: The Shore, de Terry George e Oorlagh George
Melhor curta-metragem de animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce e Brandon Oldenburg
Melhor banda sonora original: Ludovic Bource, O Artista
Melhor canção original: Bret McKenzie, Os Marretas
Melhor montagem de som: Philip Stockton e Eugene Gearty, A Invenção de Hugo
Melhor mistura de som: Tom Fleischman e John Midgley, A Invenção de Hugo

 

Via Público



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Domingo, 26.02.12
A entrega dos prémios é já neste domingo
A entrega dos prémios é já neste domingo (Reuters)

São os "prémios mais importantes do mundo" do cinema - mas sê-lo-ão realmente? À beira da cerimónia 2012, um crítico, um observador e um exibidor olham para os Óscares de Hollywood e para o modo como, num momento de velocidade e tecnologia, parecem este ano celebrar o classicismo.

"Os Óscares significarão realmente qualquer coisa? Provavelmente não, a não ser para os próprios nomeados, porque são degraus para atingirem melhores contratos, ganharem mais dinheiro."

Em duas frases, Aaron Hillis, crítico da revista nova-iorquina "The Village Voice" e programador do cinema independente ReRun Gastropub Theater em Brooklyn, define assim a importância dos prémios atribuídos anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Sem que isso implique, forçosamente, negar o seu valor ou o seu interesse, como diz ao Ípsilon desde Nova Iorque. "Acho que dizer que os Óscares não têm valor, ou criticá-los por serem tão mediáticos, é jogar com dados viciados - as pessoas já andam há décadas a dizer que os filmes cada vez interessam menos aos Óscares, é o espectáculo que interessa, é sobre isso que Hollywood é construída. Eles são quase um mal necessário, têm de ser tratados do modo ligeirinho e casual como são na realidade, algo que não é para ser levado muito a sério." 

Que o mesmo é dizer, a poucos dias da cerimónia que terá lugar em Los Angeles na madrugada de domingo para segunda-feira, os Óscares de Hollywood continuam a ser o que sempre foram. A saber, um imã mediático que ultrapassa a mera questão cinematográfica para se tornar numa celebração do cinema enquanto indústria, mais do que enquanto arte. Mesmo que, este ano, a lista dos nomeados - seleccionados de entre uma série muitas vezes previsível de filmes apoiados pelos grandes estúdios - proponha um peculiar olhar para a história do próprio cinema, para o passado que ficou lá atrás. 

Vibração clássica
Os dois filmes com mais nomeações em 2012 são "A Invenção de Hugo", de Martin Scorsese (que invoca os primórdios dos efeitos especiais e as "féeries" de Georges Méliès), e "O Artista", de Michel Hazanavicius (um filme mudo ambientado na passagem do cinema mudo para o sonoro). E muitos dos restantes nomeados também invocam o cinema clássico - quer seja a recriação de Marilyn Monroe por Michelle Williams em "A Minha Semana com Marilyn", a evocação de géneros clássicos como o filme de família ("Cavalo de Guerra", de Steven Spielberg) e o drama desportivo ("Jogada de Risco", de Bennett Miller), até o piscar de olhos ao cinema autoral da década de 1970 ("A Árvore da Vida", de Terrence Malick, e "Os Descendentes", de Alexander Payne). Meio a brincar, António Quintas, antigo director de marketing da Columbia Tristar Warner, hoje comentador do programa da RTP "Cinemax" sobre questões de bilheteira, diz ao Ípsilon que este ano "os membros da Academia ficaram caidinhos pela homenagem onanista à sua história". 

Desde Nova Iorque, Aaron Hillis reconhece a existência dessa "vibração clássica" dos nomeados deste ano, embora aponte que não se deva ver mais do que uma simples coincidência. "Não acho que tenha sido consciente. As decisões da Academia não são unânimes, implicam muita política, não sei se são necessariamente indicativas de uma cultura maior. Mas há de facto algo de interessante a dizer. Creio que os movimentos artísticos surgem maioritariamente como reacção ao que existiu antes, e agora que vivemos num mundo louco, pós-moderno, de sobrecargas sensoriais, acho que é natural querer regressar a ideias mais clássicas de fazer cinema. Estamos tão imersos na tecnologia, neste "tudo ao mesmo tempo agora" que nos parece mais honesto, puro, humano devolver as histórias às pessoas." 

Mas isso passa para o espectador médio que paga bilhete? Não, diz peremptoriamente Nuno Sousa, director de operações em Portugal das salas UCI (Corte Inglés em Lisboa, Dolce Vita Tejo na Amadora, Arrábida Shopping em Gaia). "Isso não passa necessariamente para o público, que não escolhe ir ver um filme por ter sentido essa homenagem ao cinema. Ele escolhe os filmes por outros motivos." E, se a utilidade dos Óscares pode ser, como diz António Quintas, "projectar filmes que de outra forma não teriam hipóteses na bilheteira", este ano os principais nomeados não estão a beneficiar grandemente de todo o barulho. "A Invenção de Hugo" está com uma performance mundial digna mas modesta (93 milhões de dólares de receita para um enorme orçamento de 170 milhões), e "O Artista" está longe de ser o grande êxito que a sua posição de favorito sugeriria. A questão do sucesso, contudo, não é entendida como significativa pelos entrevistados do Ípsilon, antes como puramente circunstancial. Para Aaron Hillis, "são filmes que devido às nomeações, vão ter uma longevidade muito grande na televisão, no DVD ou no que o vier substituir." António Quintas diz que "o sucesso dos filmes nomeados foi sempre uma questão muito irregular. E "O Artista" tem um problema básico que é ser um filme mudo, que as pessoas pura e simplesmente não querem ir ver." Nuno Sousa, que tem elevadas expectativas para "A Invenção de Hugo", não se confessa desiludido com os resultados de "O Artista" "porque por muito que seja um nomeado, sempre o vimos objectivamente como difícil. Não é um filme que conquiste públicos muito diferentes, e mesmo com o Óscar dificilmente será um filme de 200 mil espectadores" - número que, por exemplo, foi já ultrapassado em todo o mercado português por "Os Descendentes"

Receita
Mas existirá uma "receita" para um filme dos Óscares? "Ninguém faz um filme a pensar 'olha, tenho aqui um Óscar'", diz Aaron Hillis. "A indústria americana já não está no negócio de contar histórias, mas de vender ideias e "franchises", explorar ideias que já foram feitas. Por isso, quando há algo que se consegue esgueirar pelo meio e tende a ser mais adulto e maduro, a falar da condição humana, nota-se logo à distância como algo que merece o Óscar. Pessoalmente, nunca dou grande mérito aos vencedores porque geralmente o melhor filme é sempre mau ou anónimo. É muito raro que um "Este País Não É para Velhos" [de Joel e Ethan Coen] vença o prémio máximo." 

O crítico cita o caso de um dos nomeados 2012, "As Serviçais", o drama de Tate Taylor sobre as relações entre senhoras brancas e criadas negras no Sul americano dos anos 1960 - "adivinhei que ia estar entre os nomeados, porque é um filme pouco interessante, quase racista, com excelentes interpretações, é verdade. Mas é suficientemente apresentável e diferente do que Hollywood costuma fazer para estar lá." 

Curiosamente, este filme que se tornou num fenómeno de bilheteira (e de sociedade) nos EUA passou despercebido no resto do mundo, entendido como de interesse exclusivo para o público americano. Em Portugal, teve uma carreira modesta e discreta - mas para Nuno Sousa foi um dos sucessos do ano nos complexos UCI. "Ainda o temos em exibição cinco meses depois da estreia, e temos ainda hoje salas praticamente cheias em algumas sessões". Uma situação que, por exemplo, contrasta com "Jogada de Risco", história ambientada no baseball americano, "que apesar de ter Brad Pitt no papel principal", nomeado entretanto para o prémio de Melhor Actor, "não conseguiu furar em termos de público". 

Sousa avança que, nas salas UCI, "os dois-três primeiros meses do ano, nitidamente impulsionados pelos Óscares, são uma das nossas épocas mais importantes. Notamos claramente uma movimentação de público nas duas-três semanas anteriores à cerimónia, pessoas que não querem chegar aos Óscares sem terem visto os nomeados. E os vencedores dos prémios de melhor filme, melhor actor e melhor actriz impulsionam fortemente a carreira comercial durante duas a três semanas a seguir à cerimónia, mesmo que já tenham estreado há muito tempo e que já tenham tido muitos espectadores". Remata: "A questão do prestígio associada a um filme é importante para o nosso público, e o Óscar ainda dá prestígio; a ideia generalizada é que se está nos prémios é porque é bom."O que, paradoxalmente, não "joga" com a ideia que os observadores, e a própria indústria, fazem dos Óscares. "Nunca ninguém acusou os Óscares de fazerem escolhas difíceis. Eles querem continuar a apresentar algo com que as pessoas se sintam confortáveis, e nunca há grandes desafios", como diz Aaron Hillis. "Nunca gostei muito de desportos, a questão de torcer por este ou aquele filme comigo não funciona, mas pergunto-me sempre porque é que me deixo arrastar para a corrida aos Óscares quando sei que, no fim de contas, eles não têm nenhuma relevância especial?" 

António Quintas diz que os Óscares "continuam a ser os prémios mais importantes do mundo, mas neste momento mais por uma questão histórica do que por mérito próprio. Estão a perder a relevância porque a dinâmica do cinema está a mudar, o mercado está diferente - a receita de bilheteira americana era regra geral 60 por cento do total e o resto era internacional, agora é o contrário. E provavelmente existe uma desadequação dos prémios àquilo que é a realidade da indústria, porque estão ainda demasiado virados para o próprio umbigo; este ano os Óscares parecem ter temáticas demasiado americanas. A Academia vai ter de mudar as regras do jogo a curto prazo, começar a olhar mais para o resto do mundo."

Apesar de tudo, no entanto, ainda há espaço para surpresas, como confessa Aaron Hillis. "Nos Óscares nunca há grandes desafios, e é por isso que é tão entusiasmante ver "A Árvore da Vida" entre os nomeados, porque é algo que continua a ser um trabalho de artista que não encaixa nos padrões da Academia. Há algo de encantador e estranho e entusiasmante em ver estes filmes "esquisitos" como "A Invenção de Hugo" ou "O Artista" nomeados. E se conseguirem levar as pessoas a ir vê-los, porque não? Porque não ter uma cerimónia que entusiasme as pessoas?"

 

Via Público



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Domingo, 29.01.12

Sapatos lusos ‘calçam’ os Óscares

No próximo dia 26 de Fevereiro, 12 ‘estrelas’ portuguesas vão desfilar na passadeira vermelha do Kodak Theatre, em Los Angeles. Trata-se de uma colecção exclusiva de sapatos da marca portuguesa Ferreira & Avelar.

Este foi o segundo ano consecutivo que a fábrica de São João da Madeira foi contactada por um conhecido alfaiate de Hollywood, Arthur da Silva, para criar vários modelos exclusivos de sapatos de verniz de diversas cores para actores, realizadores e produtores.

 

Mas, como «estas situações são confidenciais, não podemos adiantar os nomes das estrelas», disse ao SOL, Ruben Avelar, responsável da empresa.

 

Via Sol



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Terça-feira, 24.01.12

Jennifer Lawrence e Tom Sherak no momento em que anunciaram as nomeadas para melhor actrizJennifer Lawrence e Tom Sherak no momento em que anunciaram as nomeadas para melhor actriz (Robyn Beck/AFP)

 

"A Invenção de Hugo", de Martin Scorsese, e "O Artista", de Michel Hazanavicius, lideram as nomeações aos Óscares, com 11 e dez nomeações, respectivamente. Os nomeados foram anunciados esta terça-feira em Los Angeles por Tom Sherak, presidente Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, e pela actriz e membro da Academia Jennifer Lawrence.

Sem surpresas, “O Artista” é o favorito da corrida aos Óscares em 2012. O filme mudo francês de Michel Hazanavicius, que chega às salas portuguesas já na próxima semana, recebeu dez nomeações para os prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a serem entregues em Los Angeles no próximo dia 26 de Fevereiro. 

É o único filme que está presente em três das quatro categorias principais – melhor filme, melhor realizador e melhor actor (Jean Dujardin) – para lá de conseguir o “milagre” de ser uma produção estrangeira (mesmo que rodada em parte nos EUA com uma equipa parcialmente americana) que assume a liderança das nomeações 2012.

No entanto, pela contabilidade, é “A Invenção de Hugo”, de Martin Scorsese, com estreia prevista para 16 de Fevereiro, que recebeu o maior número de nomeações: onze ao total, entre as quais Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado. As restantes oito, contudo, foram-no apenas em categorias técnicas. 

Na corrida para melhor filme, para a qual concorrem este ano nove filmes – devido a novas regras, que alarga o número de candidatos até dez –, estão ainda “Moneyball – Jogada de Risco”, de Bennett Miller, e “Cavalo de Guerra”, de Steven Spielberg, ambos com seis nomeações; “Os Descendentes”, de Alexander Payne (cinco nomeações ao todo); “Meia-Noite em Paris”, de Woody Allen, e “As Serviçais”, de Tate Taylor (quatro nomeações); “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick (três nomeações), e “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, de Stephen Daldry (duas nomeações).

As nomeações para os prémios de melhor actor e melhor actriz confirmaram igualmente as expectativas. Meryl Streep parte à cabeça do pelotão da categoria feminina pelo seu retrato de Margaret Thatcher em “A Dama de Ferro”, concorrendo com Glenn Close (“Albert Nobbs”), Michelle Williams (“A Minha Semana com Marilyn”), Viola Davis (“As Serviçais”) e, na única surpresa da categoria, Rooney Mara (“Millennium 1 – Os Homens que Odeiam as Mulheres”).

George Clooney é por seu lado um dos favoritos por “Os Descendentes”, embora tenha aqui que se bater com Jean Dujardin em “O Artista”. A categoria completa-se com três candidatos-surpresa: Brad Pitt por “Moneyball – Jogada de Risco”, Gary Oldman por “A Toupeira” e Demian Bichir por “A Better Life”.

Há também surpresas nas categorias secundárias. “As Serviçais” recebe duas nomeações na categoria de actriz secundária – para Jessica Chastain e Octavia Spencer – e Melissa McCarthy é nomeada pela comédia “A Melhor Despedida de Solteira”. As duas outras nomeadas são-no por papéis tecnicamente principais: Bérénice Béjo, por “O Artista”, e Janet McTeer, em “Albert Nobbs”. Na categoria de actor secundário, alinham Kenneth Branagh (“A Minha Semana com Marilyn”), Jonah Hill (“Moneyball – Jogada de Risco”), Nick Nolte (“Warrior – Combate entre Irmãos”), Christopher Plummer (“Assim É o Amor”) e Max von Sydow (“Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”).

As outras categorias

O último trabalho de Martin Scorsese, o filme 3D de aventura e fantasia de Martin Scorsese, sobre um rapaz que vive sozinho numa estação de comboios de Paris e a de um enigmático proprietário de uma loja de brinquedos, foi ainda nomeado nas categorias de melhor direcção de arte, guarda-roupa, fotografia, melhor edição, banda sonora original, mistura de som, edição de som, efeitos especiais e argumento adaptado.

Nomeações quase todas elas partilhadas por "O Artista", que está também na corrida para as estatuetas de melhor direcção de arte, fotografia, guarda-roupa, edição, banda sonora original e argumento original.

“Moneyball – Jogada de Risco” e "Cavalo de Guerra", são os dois filmes mais nomeados, depois de "A Invenção de Hugo" e "O Artista", com seis nomeações cada. O filme protagonizado pot Brad Pitt está ainda nomeado para melhor argumento adaptado, edição e mistura de som. Já "Cavalo de Guerra" está nomeado nas categorias de melhor direcção de arte, fotografia, banda sonora original, mistura de som e edição de som.

Na corrida ao Óscar de melhor filme estrangeiro destaca-se "Uma Separação", de Asghar Farhadi, que já tinha vencido também o Globo de Ouro e Urso de Ouro na última edição do Festival de Berlim. O filme iraniano está nomeado ao lado do belga "Bullhead", de Michael R. Roskam, do canadiano "Monsieur Lazhar", de Phillipe Falardeau, do israelita "Footnote", de Asghar Farhadi, e do polaco "In Darkness", de Agnieszka Holland.

A produção da Paramount, “Rango”, "O Gato Das Botas", "Chico e Rita", "O Panda do Kung Fu 2" e "A Cat In Paris" são os nomeados na categoria de melhor filme de animação. 

Na corrida à estatueta de melhor documentário está o filme de Wim Wenders sobre a bailarina e coreógrafa Pina Bausch, "Pina", nomeado ao lado de "Hell and Back Again", "If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front", "Paradise Lost 3: Purgatory" e "Undefeated".

Para a edição deste ano, a Academia anunciou algumas alterações nas regras da selecção aos Óscares, cuja maior mudança afectava justamente o número de indicados a melhor filme, que deixou de ter um número certo de nomeados, podendo variar entre os cinco e os dez. Este ano, ao contrários dos dez nomeados do ano passado, foram anunciados nove filmes.

De acordo com o novo processo de nomeações estabelecido, os membros da Academia devem elaborar uma lista dos dez filmes do ano, tendo em conta que o primeiro é o favorito. Assim, a partir de agora, para um filme ser nomeado ao Óscar deverá ter um mínimo de cinco por cento dos votos em primeiro lugar nas listas. A Academia anunciou ainda alterações nas regras das categorias de melhor filme de animação, efeitos visuais e documentários. 

A lista completa pode ser consultada aqui.

O grande vencedor da edição dos Óscares do ano passado foi o filme histórico “O Discurso do Rei”. 

 

Via Público



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Segunda-feira, 16.01.12
Meryl Streep ganhou pela interpretação de Margaret Thatcher
Meryl Streep ganhou pela interpretação de Margaret Thatcher (Fotos: Lucy Nicholson/Reuters)
O filme “O Artista”, que faz os espectadores regressar ao tempo dos filmes mudos, e o drama familiar “Os Descendentes” foram os filmes mais distinguidos ontem à noite na cerimónia dos Globos de Ouro, apresentada pelo humorista britânico Ricky Gervais, que chegou ao palco com uma bebida na mão.

“O Artista”, de Michel Hazanavicius, a história romântica de um actor que encontra o amor numa altura em que a indústria cinematográfica fez a transição dos filmes mudos para os sonoros, estava nomeado em seis categorias, e conquistou três prémios, incluindo o de Melhor Filme de Comédia ou Musical e Melhor Actor num Filme de Comédia ou Musical (para o actor francês Jean Dujardin).

Rodado a preto e branco e como um filme mudo, recriando o cinema da era de ouro de Hollywood, o filme francês, que chega aos cinemas de Portugal em Fevereiro, arrecadou ainda o galardão de melhor banda sonora. 

O filme “Os Descendentes”, de Alexander Payne, e o seu protagonista, George Clooney, que representa um pai que tenta reatar a ligação com as duas filhas, depois de a mulher ficar em coma na sequência de um acidente de barco, venceram, respectivamente, as estatuetas de Melhor Filme Dramático e Melhor Actor Dramático. O filme estreia-se em Portugal no dia 19 de Janeiro.

Num feito, quase inédito, os Globos de Ouro, entregues pelos membros da imprensa estrangeira a residir nos Estados Unidos – e que servem de antevisão aos Óscares, agendados para 26 de Fevereiro, não centraram os prémios em apenas um filme, premiando, além de “O Artista” e “Os Descendentes”, outras nove películas, incluindo “As Serviçais”, “A Invenção de Hugo” e “Meia-Noite em Paris”. 

O galardão de melhor realizador, um dos mais cobiçados da noite, foi entregue a Martin Scorsese, pelo seu filme de aventura e fantasia, “A Invenção de Hugo”. A história de um rapaz que vive sozinho numa estação de comboios de Paris e a de um enigmático proprietário de uma loja de brinquedos marca a estreia deste realizador nos filmes 3D.

No campo feminino, Meryl Streep levou para casa o Globo de Ouro de Melhor Actriz num Filme Dramático pelo seu desempenho em “The Iron Lady” (A Dama de Ferro), no qual interpreta o papel da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Ao receber o galardão, a actriz norte-americana mostrou-se satisfeita e fez um agradecimento especial aos ingleses. 

Por seu lado, Michelle Williams conquistou o troféu de Melhor Actriz num Filme de Comédia ou Musical pelo seu desempenho em “A Minha Semana com Marilyn”, interpretando o papel de Marilyn Monroe. Na hora do agradecimento, a actriz não esqueceu a diva a quem deu vida no cinema, agradecendo aos Globos de Ouro terem posto nas suas mãos “o mesmo prémio que deram a Marilyn há mais de 50 anos”. 

Os galardões de melhores actores secundários foram entregues a Christopher Plummer, de 81 anos, que representa em “Assim é o Amor” um homem que assume a homossexualidade depois de a sua mulher morrer, e a Octavia Spencer, pelo seu papel no filme “As Serviçais”.

“As Aventuras de Tintin”, de Steven Spielberg, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação, e “Uma Separação”, filme iraniano de Asghar Farhadi, que tem estado em destaque entre a crítica norte-americana, arrecadou o prémio de melhor filme estrangeiro.

O último trabalho de Woody Allen, “Meia-noite em Paris”, filme que foi o mais visto do realizador nos Estados Unidos e na Europa, venceu o galardão de melhor argumento.

Madonna também subiu ao palco dos Globos de Ouro para receber o prémio de melhor canção original, com o tema “Masterpiece”, criada especialmente para o romance histórico “W.E.”, filme escrito e realizado pela própria. 

O actor Morgan Freeman foi agraciado com o prémio Cecil B. DeMille, pela sua carreira e contributo para o cinema.

Na área de televisão, os vencedores da noite foram as séries Homeland e Uma Família Muito Moderna.

Longe de grandes polémicas esteve o britânico Ricky Gervais, responsável pela apresentação da cerimónia. Depois de a sua actuação na edição 2010 ter gerado bastante controvérsia, tendo a organização dos prémios obrigado o comediante a pedir desculpas pelas suas piadas que não caíram bem em Hollywood, este domingo Gervais não abandonou o estilo provocador e controverso, mas mostrou ter tido um maior cuidado. Ainda assim, a estrela norte-americana Kim Kardashian, o actor Eddie Murphy, que no final do ano passado desistiu do papel de anfitrião dos Óscares, e o cantor pop Justin Bieber foram algumas das vítimas da sátira de Gervais. 

No seu monólogo de entrada, Ricky Gervais começou por comparar os Globos de Ouro aos Óscares, explicando que os Globos de Ouro estão para os Óscares como “Kim Kardashian está para Kate Middleton”, ou seja, o mesmo tipo de cerimónia, mas com menos nível e consideração. 

Madonna também não fugiu ao comediante, que ao chamá-la ao palco, fez referência à virgindade da cantora, lembrando a conhecida música “Like a Virgin”. Sem qualquer pudor Madonna respondeu: “Se eu sou como uma virgem, Ricky, porque não vens aqui e fazes alguma coisa”.

Ricky Gervais ironizou ainda e lembrou a actuação do ano passado, dizendo que para este ano a organização da cerimónia lhe deu instruções rígidas a seguir. “A HFPA (Hollywood Foreign Press Association) avisou-me que se eu insultasse alguém... eles me chamariam definitivamente para o ano”, brincou.

Os Globos de Ouro - que são entregues desde 1944 - são os prémios mais importantes da indústria do cinema depois dos Óscares, servindo como um importante barómetro para estes galardões. Os vencedores são eleitos por um grupo de cerca de cem jornalistas internacionais que trabalham em Hollywood.

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 21:28 | link do post | comentar

Domingo, 08.01.12
O medo come a Martha
A história de Charles Manson e o seu gang foi decisiva para a história de Martha e da seita a que adere mas Durkin recusa-se a fazer tese sobre as razões que levam alguém a aderir ?a um culto

E de novo um rapaz de classe média, com barba, ainda não chegado aos 30 anos, realiza a primeira longa, que é um rigoroso edifício do medo, cerebral e sensual simultaneamente. Depois de Antonio Campos e de “Afterschool”, Sean Durkin e “Martha Marcy May Marlene”

-Onde estamos?

-No Connecticut 

E estão a três horas de viagem das Catskills Mountains, estado de Nova Iorque, local de onde Martha fugiu, explica-lhe a irmã. As duas estão sentadas com vista para um lago, como num plano de um melodrama de Douglas Sirk ou de James M. Stahl, mas não era suposto ser esse tipo de filme... é suposto "Martha Marcy May Marlene" ser um filme de terror ou um "thriller" psicológico.

Na cabeça de Martha, um sonho não se distingue da memória do passado. Na cabeça de Martha, Catskills e Connecticut estão sobrepostos, como se ela nunca tivessa abandonado a seita de que tentou fugir - daquelas com guru diabólico, abuso sexual, assalto a casas, esfaqueamento, tudo isso... 

Martha está no Connecticut, a cabeça de Martha não está no Connecticut. E em que filme está a cabeça do espectador? 

O espectador está na cabeça de Martha e da sua identidade fracturada - ela que também responde pelos nomes de Marcy May e de Marlene. Como se tivesse ficado com a autonomia ocupada, o espectador sonha o pesadelo de Martha. Vê em "Martha Marcy May Marlene" filmes que na realidade não podem estar ali. Não sabe verdadeiramente que filme está a ver. E mesmo depois de várias visões, a dificuldade de identificação permanece: o bucólico inicial das cenas de uma quinta pode continuar a resistir à informação de que há ali "thriller psicológico" à solta; aquele lago à Sirk e Stahl - portanto, com fantasmas de Jane Wyman ou de Gene Tierney - não costuma servir de cenário a "horror film"...

"Absolutamente" - uma constipação deixa, ainda assim, Sean Durkin, o realizador, concordar. "Não quis fazer ‘um tipo' de filme. Quis usar elementos de vários géneros porque acredito que o posso fazer se isso for bom para a história que estou a contar - devemos usar todos os elementos possíveis para potenciar a nossa forma de realizar um filme, acredito nisso." 

E assim um filme projectado num grande ecrã pode ser a porta aberta para um cérebro gigante - é no filme que o guru Patrick (interpretado por John Hawkes) se faz teórico, explicando à sua "pupila" preferida, Martha (interpretada por Elizabeth Olsen), que o medo da morte tem o condão de abrir todos os poros às mais diversas sensações, aproximando-nos do nirvana. 

 

Via Ipsilon



publicado por olhar para o mundo às 10:56 | link do post | comentar

Quarta-feira, 28.12.11

Morreu Cheeta, a chimpanzé do Tarzan

 

Chimpanzé do Tarzan morreu aos 80 anos na Florida

O chimpanzé que, segundo o santuário de vida selvagem onde vivia na Florida, contracenou com Johnny Weissmuller e Maureen O’Sullivan no filme "Tarzan", de 1932 a 1934, morreu na semana passada, aos 80 anos.

“É com muita tristeza que comunicamos que perdemos um amigo querido e um membro da família, a 24 de Dezembro”, anuncia o santuário para primatas Suncoast, em Palm Harbor, Florida, em comunicado. Cheetah não resistiu a uma insuficiência renal, detectada este mês.

Segundo o santuário, o animal vivia nas suas instalações desde os anos 1960 e gostava de pintar com as mãos, de futebol e de ouvir música, contou a porta-voz da instituição, Debbie Cobb, ao jornalTampa Tribune. O mais famoso dos 15 chimpanzés do santuário gostava de ver as pessoas a rir, acrescentou Cobb.

Um chimpanzé chamado Cheeta, que vive na Califórnia, foi considerado durante muito tempo o animal que entrou nos filmes do Tarzan. Mas depois de uma investigação histórica, essa pretensão foi retirada, conta esta quarta-feira a BBC. Também é possível que vários animais tenham sido usados nos filmes.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 13:59 | link do post | comentar

Terça-feira, 20.12.11

"Mistérios de Lisboa" continua em destaque no panorama internacional

"Mistérios de Lisboa" continua em destaque no panorama internacional (DR)
O filme “Mistérios de Lisboa”, adaptação do romance de Camilo Castelo Branco feita pelo chileno Raul Ruiz, que morreu em Agosto, continua a destacar-se entre a imprensa e a crítica estrangeira. Depois de na semana passada ter sido premiado com o galardão de melhor filme estrangeiro para a crítica canadiana, o filme repetiu a mesma proeza e foi distinguido na mesma categoria, na edição deste ano dos Golden Satellite Awards, atribuídos pela International Press Academy.

O filme, que se estreou em Portugal no final do ano passado, estava ainda nomeado nas categorias de melhor direcção artística e melhor guarda-roupa, responsabilidade da directora de arte Isabel Branco.

Na corrida ao galardão de melhor filme estrangeiro, “Mistérios de Lisboa” concorria com filmes como “Faust”, de Aleksandr Sukorov (Leão de Ouro 2011), “O Miúdo da Bicicleta”, dos irmãos Dardenne (Grande Prémio do Júri em Cannes 2011) ou “Uma Separação”, de Asghar Farhadi (Urso de Ouro 2011).

A adaptação da obra oitocentista, com argumento de Carlos Saboga e produzida por Paulo Branco, retrata a história de Pedro da Silva (João Baptista), um órfão de um colégio interno que, através do padre Dinis (Adriano Luz), descobre a identidade da mãe, a condessa Ângela de Lima (Maria João Bastos).

O filme, que já se estreou em França, EUA, Inglaterra, Espanha, Taiwan, Suiçae Bélgica, já conquistou a Concha de Prata de Melhor Realizador no Festival de San Sebastián, o prestigiado Prémio Louis Delluc, o Prémio da Crítica no Festival de Cinema de São Paulo, e foi ainda nomeado para o Prémio Lux do Parlamento Europeu. No próximo ano chegará aos cinemas do Japão e do México.

O grande vencedor dos Golden Satellite Awards foi “The Descendants”, de Alexander Payne, protagonizado George Clooney, que representa um pai que tenta reatar a ligação com as duas filhas. O filme foi considerado o melhor do ano e venceu ainda na categoria de melhor argumento adaptado. 

Nicolas Winding Refn foi distinguido com o prémio de melhor realizador por “Drive - Risco Duplo”, filme no qual se destacou Ryan Gosling, escolhido como o melhor actor. Viola Davis foi considerada a melhor actriz pelo seu papel em “As Serviçais”. “As Aventuras de Tintin” venceu na categoria de melhor filme de animação e “Senna”, que conta a história do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, foi considerado o melhor documentário.

 

Via Público



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Sexta-feira, 16.12.11

“Olive”, a primeira longa-metragem filmada por telemóvel

Longa-metragem filmada com um Nokia N8 chega esta sexta-feira ao grande ecrã em Los Angeles. Ainda vai a tempo dos Óscares

Hooman Khalili é um norte-americano com raízes iranianas. Conhecido como uma figura da rádio de San Francisco, onde, entre outras coisas, avalia filmes, ficou ainda mais “cinéfilo” quando, em 2006, emprestou a voz ao filme de animação da Pixar, “Cars”. Em 2008, teve uma breve actuação em “Cloverfield”, mas é em 2011 que chega mais longe e senta-se na cadeira de realizador, em “Olive”. E, diga-se, a câmara de filmar saiu do seu bolso.

 

Não se trata de uma metáfora para explicar que foi Khalili que pagou a câmara usada no filme. Neste caso, significa que a câmara que filmou “Olive”, de tão pequena que é, cabe facilmente no bolso de qualquer pessoa. Em suma, a câmara do Nokia N8 (com uma objectiva Carl Zeiss) foi a única utilizada para capturar a longa-metragem de 90 minutos e torná-la, assim, na primeira produzida com um telemóvel.

 

A ideia já tinha surgido na cabeça de Hooman Khalili no início de 2010, mas só depois de estudada bem a questão e de reunidos os elementos ideais para o realizador – onde se inclui a participação, no filme, da célebre actriz Gena Rowlands – é que se avançou para a fase de produção, ou seja, Abril de 2011.

 

A rodagem da película (ou melhor, do ficheiro – no caso do Nokia N8, em formato H.264 ou MPEG-4) teve uma duração de cinco semanas, e a edição da mesma, nove dias. Todos estes prazos supersónicos permitiram a “Olive” estar pronto antes do fim de 2011, ou seja, ainda a tempo de figurar entre os candidatos às nomeações para os Óscares, a realizarem-se no início de 2012.

 

Olá Óscares…

No entanto, essa condição só será alcançada a partir de 16 de Dezembro, primeiro dia de uma semana inteira em que o filme será exibido pela primeira vez num cinema. Em específico, num cinema de Los Angeles (o Laemmle's Fallbrook 7), já que uma das condições da Academia para que as produções sejam candidatas às nomeações é de que todas elas sejam exibidas, num período mínimo de sete dias consecutivos, no condado de Los Angeles.

 

Trata-se de um grande feito para um filme realizado com menos de 380 mil euros e um “smartphone” que, por cá, livre de operadora móvel, custa cerca de 350 euros. Para tudo isto, Khalili teve o financiamento de Chris Kelly, ex-administrador de privacidade do Facebook. Contudo, ninguém pense que é assim tão fácil filmar uma longa-metragem.

 

...adeus foco e zoom automáticos

A equipa de “Olive” ainda teve de dar alguns ajustes na câmara de 12 megapixel do N8. “A câmara pensa que sabe o que é que tu queres focar, mas não sabe”, disse Hooman Khalili ao Los Angeles Times. Para resolver o problema, piratearam o telemóvel e tiraram-lhe as funcionalidades de foco e zoom automáticos.

 

O outro desafio foi conseguir acoplar a objectiva do N8 a uma lente de 35mm. Solução? Fita adesiva. Já para a sequência aérea filmada em “Olive”, a via utilizada foi acoplar o aparelho a um helicóptero de controlo-remoto. Bem, talvez tenha sido (ou não) por causa de todos estes riscos que a Nokia não aceitou financiar o filme…

 

Via P3



publicado por olhar para o mundo às 22:01 | link do post | comentar

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