Segunda-feira, 10.12.12
Alejandro Sanz: 'A música é intocável'
Já vendeu mais de 25 milhões de álbuns e ganhou 15 Grammy latinos e tres Grammy internacionais. É um dos mais bem sucedidos músicos espanhóis de sempre. Alejandro Sanz acaba de lançar La Música no Se Toca, o seu 10º álbum de estúdio.

Como surgiu La Música no se Toca?


De uma forma um pouco sui generis, muito discretamente, quase em sigilo. Ao começar um disco tenho sempre medo de não conseguir escrever, é o medo do compositor. Entrava no estúdio em pontas dos pés, esperando não assustar a minha musa. Nasceu com a ideia – representada no título – de dizer que apesar de todas as coisas que estão a mudar em torno da música, e da velocidade dessas mesmas mudanças, não podemos renunciar a tentar fazer a melhor música possível. É uma homenagem à música.

 

Mas a música toca-se…


Sabe quando as mães dizem aos filhos pequenos: ‘Aí não se toca!’? É isso. Há coisas que são intocáveis. Não podemos abdicar de defender a música, de deixar que perca qualidade. É preciso cuidá-la e respeitá-la.

 

Preocupam-no as mudanças na música devidas à internet?


Não. Já é uma realidade. Não é o futuro, é o presente. Preocupam-me os meus discos, que não podem perder qualidade devido às mudanças na indústria.

 

Esteve três anos sem editar, o que lhe deu muito tempo para escrever. Teve que deixar de lado muitos temas?


Começo por escrever muitas canções, mas só termino as que vão entrar no disco. Ou seja: as próprias canções passam por um crivo próprio e desaparecem as que não avançam. Algumas não querem ser terminadas, transformam-se num novelo, é preciso dar-lhes muito amor.

 

Passaram-se 21 anos desde o lançamento de Viviendo de Prisa. ‘Yo Te Traigo’ é uma canção de amor para o celebrar?


Sim, é um canção de amor e de agradecimento: à música e às pessoas que estão comigo há 20 anos nesta viagem. Há muitos que estão comigo desde o primeiro momento, pessoas que compram os discos, vão aos concertos, sabem as canções e lhes dão vida. Chegaram a pedir-me um concerto para celebrar os 20 anos. Mas a melhor forma de o celebrar é fazendo uma canção.

Como foram estes 20 anos?


Passaram-se entre quatro pestanejares, três acordes, duas noites de amor e um suspiro.

 

Imaginava vir a vender milhões de discos, ganhar vários Grammy?


Nunca. Não comecei a fazer música com ambições materiais. Fazia música porque adorava, sentia-me bem. Era muito introvertido, não gostava de jogar futebol. O mundo onde me sentia mais seguro era o da música. Quando fazia uma canção e a tocava na guitarra sentia-me protegido.

 

O certo é que as suas canções chegaram a todo o mundo. Olhando para trás, para onde começou, isso fá-lo feliz?


Sim, mas isso de olhar para trás e sentirmo-nos bem é muito relativo. A perspectiva é dada pelo sítio onde se está. Agora estou bem, gosto do que está à minha volta, de onde está a minha carreira. Cometi erros como todos. Mas também fiz coisas certas. Seria até ingrato se hoje olhasse para trás com algum tipo de censura.

 

Mas o sucesso tem um preço. Em Madrid pode ir ao cinema, dar um passeio?


Não, não posso andar pela Gran Via e aproveitar para ir ao cinema ou ao McDonald’s. Há coisas a que se aprende a renunciar, já nem me conheço de outra forma. Mal me lembro de sair anónimo pela rua a passear. O que sou agora dá-me oportunidade de estar hoje em São Paulo, amanhã no Rio de Janeiro, depois em Lisboa e seguir para o México ou Nova Iorque. Os passeios são menos anónimos, mas são muito maiores.

 

Vive em Miami. Contempla voltar a viver em Espanha?


Nunca me fui embora permanentemente de Espanha. Passo muito tempo em Miami, tenho lá o meu estúdio, mas tenho residência em Espanha, nunca pedi residência americana. Continuo a ser espanhol, agora mais que nunca. Com o problema da crise nunca colocaria a hipótese de pagar impostos em qualquer outro sítio.

 

Virá a Portugal com La Música no Se Toca?


Irei. Com e sem. Quando estou na Andaluzia passo muitas vezes a fronteira em Huelva, vou com amigos pescar a Portugal. E espero voltar no ano que vem para um concerto

 

Este disco não tem colaborações internacionais. Porquê?


São coisas pontuais. No caso de Shakira, ela propôs-me fazer um dueto, foi a minha casa, deixou-me a canção e fiz o que quis. No caso de Alicia Keys também foi algo que surgiu. Estávamos num barco, em Nova Iorque, e começámos a falar de fazer uma canção juntos. São coisas que devem surgir. Não devem ser feitas como um intercâmbio comercial, até porque dessa forma não costumam funcionar.

 

Na edição portuguesa tem um dueto com Luísa Sobral. Como surgiu?


Vi um vídeo no YouTube de que gostei muito. Pedi à editora que me mandasse o disco. Gosto muito não só da sua voz mas da sua personalidade artística. Então pedi-lhe que fizesse uma parte da canção e ela, muito amavelmente, fê-la. Espero que um dia possamos estar em palco juntos.

 

Retirado do Sol



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Terça-feira, 26.06.12

Festival de Almada é Festival de Almada é "pólo de resistência"

Depois de algumas dúvidas o Festival de Almada 2012 foi mesmo levado a bom porto e esta sexta-feira, 22 de Junho, Rodrigo Francisco, director-adjunto do festival, apresentou uma programação “de qualidade” mas inevitavelmente marcada pelas difíceis circunstâncias económicas e financeiras que o teatro atravessa.

 

De 04 a 18 de Julho a 29ª edição daquele que é um dos festivais lusos com maior projecção internacional no campo das artes, vai trazer a 11 salas de Almada, Lisboa e a novidade Braga, propostas diversificadas. Teatro, dança, pantomina e novo circo, é esta conjugação em que pensou Joaquim Benite, director do evento, e cujo nome foi invariavelmente bajulado por todos os que marcaram presença nesta apresentação pública.

 

“Com trabalho de parceria pode-se fazer muito com pouco”, palavra de Rodrigo Francisco e que se comprovam ao olhar para o nome de Peter Stein, o mítico director da Schaubühne de Berlim que subirá ao palco do Teatro Municipal S. Luiz, uma estreia nacional, para o recital de poesia “Fantasia Fausto”, excertos do “Fausto” de Goethe acompanhados apenas pelo pianista Giovanni Vitaletti. No dia 05 de Julho estará disponível para conversar com público e jornalistas no mesmo espaço.

 

A cultura em Portugal atravessa tempos extremamente complicados, com cortes orçamentais sucessivos - como os 38% para todas as companhias de teatro, cortesia da Direcção Geral das Artes - e por isso Francisco definiu esta edição como “um pólo de resistência, que insiste em ser artisticamente relevante e tematicamente actual”.

 

Israel Galvan, um dos principais nomes do flamenco contemporâneo, abre o festival no dia 04 de Julho com “A Idade de Ouro”. Depois disso os destaques são muitos, além do já falado Peter Stein.

 

A Fundação Pontedera Teatro revisita o Livro do Desassossgeo de Fernando Pessoa em duas performances – “ábito” e “Lisboa”.

 

A religião e o conflito religioso serão estrinçados em "A Véspera do dia final" , do israelita Yael Ronen e que promete dar muito que falar.

O encenador suíço Christoph Marthaler esteve seis anos em negociações com a equipa do festival e chega finalmente com a peça "+ - 0=1- um acampamento subárctico", mais um dos seus trabalhos de questionamento da sociedade europeia.

 

Passando pelo novo circo, com paragem numa terra de ninguém, Aurélia Thierrée Chaplin (neta de Charlie Chaplin) estará na Culturgest para apresentar o seu "Murmúrios dos Muros".

 

Nas produções nacionais, destaque, em primeiro lugar, para o regresso de Ricardo Pais à encenação (dado destacado pelo próprio durante a apresentação de hoje) na recriação de "O Mercador de Veneza", protagonizado ppelos actores João Reis e Albano Jerónimo.

 

Já o Teatro Meridional traz "O Sr.Ibrahim e as flores do corão" e a Companhia Nacional de Bailado repõe “Sagração da Primavera” de Olga Roriz, acompanhada pela curta "La Valse" de Rui Horta e João Botelho.

 

A actriz Cecília Guimarães é a personalidade do mundo do teatro homenageada em 2012.

 

Retirado de HardMúsica



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KIMMO POHJONEN 

O super-acordeonista finlandês é uma figura maior neste Festim 2012. Kimmo Pohjonen, reconhecido por um exuberante virtuosismo, eleva o acordeão a níveis de interpretação nunca antes atingidos. Com recurso a samplers electrónicos da sua própria voz, ao som surround e aos impactantes efeitos visuais, a fusão da incrível performance musical de Kimmo com a envolvente técnica resulta num solo fascinante. No Festim, para ouvir, ver e sentir!


sexta 29 Junho, 22h00
Cine-Teatro de ESTARREJA

sábado 30 Junho, 22h00
Centro de Arte de OVAR

KIMMO POHJONEN (Finlândia)

vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=kqGHoIaVGKY

conteúdos, fotos e materiais para imprensa:
http://www.festim.pt/crbst_50.html

http://www.festim.pt/
Riccardo Tesi & Banditaliana (Itália)  |  Gaiteiros de Lisboa (Portugal)
Huun Huur Tu (Tuva)  |  Kimmo Pohjonen (Finlândia)  |  Blowzabella (Inglaterra)
Eliseo Parra (Espanha)  |  Taraf de Haïdouks (Roménia)

1 Junho a 26 Julho 2012  |  4ª edição
ÁGUEDA * ALBERGARIA-A-VELHA * ESTARREJA * OVAR * SEVER DO VOUGA


http://www.dorfeu.pt/
http://dorfeu.blogspot.com/
http://www.facebook.com/dOrfeuAC

d’Orfeu Associação Cultural
Instituição Cultural de Utilidade Pública  |  Estatuto de Superior Interesse Cultural



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Curta portuguesa entre as semifinalistas do festival de cinema do YouTube

North Atlantic é uma co-produção luso-britânica e já arrecadou nove prémios em festivais (DR)


North Atlantic, a estreia de Bernardo Nascimento na realização, está entre os 50 semifinalistas do Your Film Festival. É a única produção de origem portuguesa portuguesa em competição no festival de cinema que decorre online, no YouTube, e cujos vencedores serão exibidos no Festival de Veneza.

 

A curta-metragem portuguesa foi seleccionada entre cerca de 15 mil propostas, para o lote de 50 no qual o público é chamado a votar até 13 de Julho. Dessa votação popular sairá uma lista de dez finalistas. Nesse momento, entrarão em cena o cineasta Ridley Scott e o actor Michael Fassbender – que trabalharam recentemente juntos em Prometheus – para atribuir o “grande prémio”.

A entrada na lista de finalistas vale automaticamente a presença no Festival de Veneza, o mais antigo festival de cinema do mundo, que acontece no Lido, entre 29 de Agosto e 8 de Setembro. Mas o “grande prémio” vale meio milhão de dólares (400 mil euros) ao realizador vencedor para pôr em prática o seu projecto para uma longa-metragem.

North Atlantic conta, em cerca de 15 minutos, a história de um controlador aéreo numa ilha açoriana, que entra em contacto com um piloto perdido sobre o Atlântico. O filme é uma co-produção luso-britânica e o facto de ser semifinalista nesta primeira edição do Your Film Festival não é uma surpresa completa: exibido em mais de 40 festivais, foi já distinguido com nove prémios – em Portugal, Itália, EUA, Japão e Polónia – e uma menção honrosa.

 

Noticia do Público



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Segunda-feira, 25.06.12

Semana da Juventude em Cascais

 

Cascais dedica-se aos jovens na “Semana da Juventude 2012”, de 22 de Junho a 01 de Julho.

 

“ALTAmente Original” é o lema desta edição que promete trazer para a vila, com especial incidência na Baía de Cascais, várias actividades dentro do cinema, música, desporto, arte, profissões, voluntariado e muito mais, segundo informa o Município.

 

A pensar na faixa etária que compõe um quarto da população do Concelho, haverá um ciclo de cinema ao ar livre, com as sessões marcadas para as 22:00. “Magic Mike”, em antestreia nacional, é o grande destaque.

 

Haverá ainda uma tenda com  jogos de  entretenimento  digital,  simuladores, air bungee<>, parede de escalada, animação de rua, espetáculos, exposições, instalações, actividades ao ar livre, seminários, debates, concursos, competições, formações, workshops, edições, publicações e outros.

 

Na Praça 5 de Outubro estará em apresentação o projecto "Cascais ArtSpace 2012", que assume o espaço público como galeria expositiva de artwork de artistas nacionais e internacionais através de video projection emapping em edifícios.

 

A semana tem abertura marcada para as 21:30 de 22 de Junho, sendo que se seguirá o espectáculo de abertura “Titânico: o gigante de fogo”, marcado para as 22:00. A fechar a semana, há Noite das Estrelas, com a iniciativa “Cascais apaga as luzes para acender as estrelas”.

 

Retirado de HardMúsica



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“Rua Sésamo”, da televisão para o cinema

 

 

Segundo o Hollywood Reporter, a 20th Century Fox terá comprado os direitos do programa “Rua Sésamo”, a popular série infantil que durante anos e em vários paises, incluindo Portugal, fez as delícias de pequenos e menos pequenos, com o objectivo de a passar para o grande ecran.

 


Em 1985 e em 1999 muitos foram os filmes realizados com base nos seus personagens, mas sem as caraterísticas que os marcavam na série televisiva. 

Agora, poderá ser diferente, uma vez que o autor do argumento será um dos dos escritores da Rua Sésamo, Joey Mazzarino.

 

Retirado de HardMúsica



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Domingo, 24.06.12
Festival de curtas de Vila do Conde faz 20 anos
"Manhã de Santo António", de João Pedro Rodrigues

Festival tem a maior competição nacional de sempre e filmes encomendados pelo certame. Entre as obras a concurso estão os filmes de Gabriel Abrantes, Sandro Aguilar, João Pedro Rodrigues ou Basil da Cunha.

 

O Curtas Vila do Conde faz 20 anos no "ano de todos os perigos" para o cinema português, mas não deixa que o negrume do quadro lhe dê cabo da festa. O programa da 20.ª edição, a decorrer de 7 a 15 de Julho, foi anunciado ontem. Vai ser um aniversário "não em modo best of", nas palavras de um dos três directores-programadores, Dario Oliveira, mas "criando peças de arte, novos filmes, para mostrar que somos um festival sempre em reinvenção".
A festa faz-se com a maior presença nacional de sempre: 19 filmes a concurso, 45 produções portuguesas entre todas as secções, seleccionados de entre mais de 200 submissões. Entre os títulos competitivos estão os novos filmes de Gabriel Abrantes (Zwuzo), Sandro Aguilar (Sinais de Serenidades por Coisas sem Sentido), João Pedro Rodrigues (Manhã de Santo António) ou Basil da Cunha (Os Vivos também Choram). Dario Oliveira diz que "é um ano excepcional, em que tivemos de aumentar o número de sessões nacionais para não deixar de fora filmes de que gostamos e em que acreditamos. É o resultado de uma afirmação do cinema de curta-metragem português que estava em franca ascensão - mas é também o fim de uma colheita, porque estes são os últimos filmes a terem sido apoiados pelo actual sistema de produção". 
A festa faz-se também com quatro estreias mundiais comemorativas dos 20 anos do Curtas. São desafios lançados a cineastas internacionais que fazem parte do que Dario Oliveira chama a "família" do festival, propondo a cada um deles filmar em Vila do Conde ou ao seu redor, mas dentro das suas temáticas habituais e usando jovens técnicos locais. Os quatro cineastas que responderam "presente" são o americano Thom Andersen (Reconversão), o francês Yann Gonzalez (Land of My Dreams), o russo Sergei Loznitsa (O Milagre de Santo António) e o brasileiro Helvécio Marins Jr. (O Canto da Rocha). (A restante "família" será também "retratada" num livro com 20 entrevistas a 20 autores dos 20 anos do Curtas, a lançar durante o festival, e no documentário de José Vieira Mendes Geração Curtas?) 
Serão também estreados quatro filmes no âmbito do projecto Campus (programa de formação de estudantes de cinema organizado pelo Curtas), dirigidos por cineastas portugueses - Luís Alves de Matos (Um Rio Chamado Ave), João Canijo (Obrigação), Graça Castanheira (A Rua da Estrada) e Pedro Flores (Cinzas). 
O Curtas homenageia ainda Stanley Kubrick com uma exposição na galeria Solar, 2012 Odisseia Kubrick, reunindo obras de artistas plásticos e multimedia nacionais e internacionais inspiradas pelo realizador de Laranja Mecânica e 2001: Odisseia no Espaço. Inaugurada no próximo dia 28, a exposição ficará patente até 11 de Novembro, e prolonga-se pela projecção de alguns filmes do cineasta (entre os quais a sua terceira longa-metragem Um Roubo no Hipódromo), pela presença do seu cunhado Jan Harlan (com o documentário A Life in Pictures), e pela exibição do documentário de Rodney Ascher sobre The Shining, Room 237. 
Kubrick será também um dos traços de união de Vila do Conde com Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012: Um Roubo no Hipódromo será apresentado numa das sessões de antevisão agendadas para Guimarães entre 2 e 6 de Julho, que mostram ainda os filmes premiados ao longo dos 20 anos do Curtas. Por seu lado, alguns dos filmes comissariados por Guimarães irão ser exibidos em Vila do Conde - é o caso de Posfácio nas Confecções Canhão, de António Ferreira, O Dom das Lágrimas, de João Nicolau, e Vamos Tocar Todos Juntos para Ouvirmos Melhor de Tiago Pereira. 
A festa do Curtas, evidentemente, faz-se também com as secções de sempre. Numa forte competição internacional, apresentam-se filmes de Lisandro Alonso, Valérie Massadian, Ben Rivers, Jay Rosenblatt, Tsai Ming-Liang, Ken Jacobs ou Vincent Dietschy. Os filmes-concerto estão este ano entregues aos Black Bombaim e Evols. A secção retrospectiva In Focus debruça-se sobre o francês Olivier Assayas e sobre o cineasta americano Robert Todd. Ambos estarão presentes no festival, apresentando os seus filmes e encontrando-se com o público, a par de Ed Lachman, director de fotografia que trabalhou com Todd Haynes, Steven Soderbergh ou Larry Clark, e João Braz, montador de João Canijo, presentes para workshops. Da Curta à Longa, dedicada à exibição de longas-metragens de cineastas que já foram premiados ou visitantes do Curtas, mostra o mais recente filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul, Mekong Hotel, a par de obras de Nicolas Provost (The Invader, escolhido como filme de abertura), Laurent Achard e Adrian Sitaru. 
Tudo isto, e muito mais, de 7 a 15 de Julho no Teatro Municipal de Vila do Conde. O programa completo pode ser consultado aqui.
Noticia do Ipsilon


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Sábado, 23.06.12

Os Barokksolistene Oslo actuam no dia 2 de Julho

Os Barokksolistene Oslo actuam no dia 2 de Julho (DR)

 Viajar à volta do mundo sem sair do Largo de São Carlos – vai ser assim a edição deste ano (a 4ª) do Festival ao Largo, que começa a 29 de Junho e prolonga-se até 29 de Julho. O Teatro de São Carlos, em Lisboa, volta a abrir as portas e a instalar-se no largo em frente, com uma programação (quase) diária e gratuita, sempre a partir das 22h.

Mas foi preciso planear o festival em contexto de crise, ou seja, com menos custos. “É cada vez mais difícil viabilizá-lo”, reconheceu esta quinta-feira, numa conferência de imprensa, César Viana, director artístico do festival. “Este ano tivemos que alargar muito as parcerias, não só económicas como artísticas”. 

A fórmula encontrada, explicou João Villa-Lobos, administrador do Opart, a entidade que gere o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado (CNB), passa por “usar os recursos da casa” e complementá-los com parcerias. O orçamento do festival é de 250 mil euros. “Não houve um corte substancial”. À semelhança de outros anos, disse ainda o administrador, “60 a 70% dos custos do festival” têm a ver com o trabalho dos próprios organismos do Opart. 

“Este ano fizemos uma aposta muito forte na ópera, bailado e teatro”, sublinhou César Viana. “Não tem havido muita ópera no Largo – este ano haverá”. Assim, a programação arranca nos dias 29 e 30 com a ópera em versão concerto (não encenada, portanto) Peer Gynt, de Edvard Grieg, música de cena para o texto do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (haverá leitura por Irene Cruz), com direcção musical de Martin André para o coro do São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa. 

A 13 e 14 de Julho o cenário passa para Espanha, com outra ópera em versão de concerto, desta vez Goyescas, de Enrique Granadas (inspirada em seis pinturas de Goya), com direcção musical de João Paulo Santos. E por fim, a 27 e 28 de Julho, chega ao Largo Turandot de Ferruccio Busoni, também ópera em versão de concerto, com direcção musical de Moritz Gnann. 

Esta programação “remete para espaços geográficos, o Oriente [através das viagens de Peer Gynt], a Espanha, a Rússia, e foi esse o ponto de partida para a procura de parcerias”, explicou o director artístico. De Espanha vem Carmen (6 e 7 de Julho), ballet inspirado na obra de Prosper Mérimée pela Companhia Antonio Gadés. 

Do Oriente vêm, a 29 de Julho, a Orquestra Chinesa de Macau (que usa exclusivamente instrumentos tradicionais chineses), e, da Indonésia, Dança e Música de Sumatra (26 de Julho). E o Leste estará presente sob diferentes formas, desde o Programa Rakhmaninov-Chostakovitch, por um “trio de luxo” composto por Tatiana Samouil (violino), Pavel Gomziakov (violoncelo) e Plamena Mangova (piano). 

A programação do Festival ao Largo 2012 inclui ainda Dança no Largo com a CNB (Du Don de Soi, com coreografia de Paulo Ribeiro, obra inspirada no universo cinematográfico de Andrei Tarkovski, e La Valse, curta-metragem de João Botelho. E, entre outros espectáculos, uma concerto dos Barokksolistene Oslo (uma espécie de “música de cervejaria do século XVII) e uma parceria com o Festival de Almada: Lisboa, espectáculo poético de rua da Fondazione Pontedera Teatro, em torno de Fernando Pessoa – no largo onde o poeta nasceu. 

 

Noticia do Público



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Béla Tarr, o insustentável peso do ser
MARTON PERLAKIA

O Cavalo de Turim é cem por cento Tarr: preto e branco, em planos-sequência, pessimismo existencial de cortar à faca


Cavalo de Turim, o filme que o cineasta húngaro anuncia como o seu derradeiro, é o primeiro filme de Béla Tarr a ser estreado em Portugal. Nascido em 1955, foi revelado na viragem dos anos 80 para os anos 90, com um par de enormes filmes - Perdição e O Tango de Satanás (este, enorme também na duração: mais de sete horas...). A sua influência chegou a sítios insuspeitados, pergunte-se por exemplo a um americano como Gus van Sant, cujo cinema "mudou" depois de conhecer Tarr (e Gerry, confessada e expressamente, foi um filme feito sob o feitiço do cinema do húngaro). O Cavalo de Turim é cem por cento Tarr: preto e branco, estruturado em planos-sequência (figura de que Tarr é um dos últimos grandes estetas), em relação alusiva com elementos da cultura húngara e europeia, um pessimismo existencial de cortar à faca. 

Tarr recebeu-nos em Budapeste, nos escritórios da sua empresa de produção recentemente encerrada ("tenho duas semanas para esvaziar esta porcaria"), instalados num complexo arquitectónico ainda cheio de sabor da época comunista, onde funcionam os estúdios da televisão húngara. Doem-lhe três costelas recentemente partidas, e está mal disposto, em mood verdadeiramente terminal. Mas é um homem doce e põe-nos logo à vontade: "não ligues aos sinais, podes fumar onde quiseres".



Em Lisboa, antes de viajar para aqui, a última notícia relacionada consigo que li na Internet foi o anúncio do fecho da sua empresa de produção [T.T. Filmuhély]. As coisas estão assim tão mal?

Já não dá, não consigo mais. Não há dinheiro, não há hipóteses. Isto existia para produzir os meus filmes, mas também para projectos de outros cineastas. Chegou a altura de encarar a realidade: todos os meus sonhos se esfumaram. Não tenho como pagar às pessoas, não tenho como pagar coisa nenhuma. Acabou.

Mas entretanto pôs-se a montar uma escola de cinema na Croácia.

É verdade. É o meu trabalho principal, neste momento.

Porquê na Croácia e não aqui [na Hungria]?

Aqui ninguém me pediu para o fazer. Ninguém mostrou interesse.

Vai-se mudar para a Croácia?

Agora ando cá e lá. A dada altura vai ter que ser, sim.

Apesar da má conjuntura que descreveu, O Cavalo de Turim tem sido bem recebido, visto e falado. Vai estrear em Portugal e tudo, coisa que nunca tinha acontecido a um filme seu. Presumo que seja o seu filme com maior circulação comercial internacional...

Foi vendido para 42 países. China, Rússia, Estados Unidos... Tenho a lista algures. Mas não sigo o rasto dos meus filmes. Liberto-os, eles vão para onde forem.

O ponto de partida do filme é aquela anedota nietszcheana que se ouve no início. De onde é que ela vem? Ou por outra, como é que ela gera a inspiração para um filme?

Na verdade, a ideia germinava desde 1985. Nesse ano assisti a uma conferência de Laszlo Krasznahorkai [escritor, e argumentista de Tarr] em que ele contava a história. E no fim, alguém perguntava: "e o que aconteceu ao cavalo?". Entre nós, repetimos muitas vezes a pergunta ao longo dos anos: "o que aconteceu ao cavalo?" [risos].

O cavalo é o primeiro protagonista. Aquele plano-sequência de abertura é espantoso, coloca logo o filme sob o signo do esforço físico, do cansaço...

Verdade. Conhece aquele livro que fala da insustentável leveza do ser... O meu filme é o contrário, fala do insustentável peso do ser...

Mas também de um enclausuramento progressivo, as personagens têm cada vez menos espaço e luz, é uma espécie de fim do mundo, um apocalipse...

O apocalipse não. O apocalipse é um grande espectáculo de televisão: há explosões, fogo, muito barulho. No meu filme há escuridão e silêncio. É só uma história da vida no dia a dia, e de como vai havendo cada vez menos energia, cada vez menos esperança...

Foi uma rodagem difícil?

Um bocado. Precisávamos de uma meteorologia específica, não podia haver um raio de sol. Filmámos no Inverno, mas frequentemente tínhamos que ficar à espera do tempo.

décor é fabuloso. Rodou na Hungria?

Sim. Não posso dizer onde, mas foi na Hungria.

E já lá estava tudo, a casa, o estábulo, o poço, ou há algum artifício?

Não, construímos tudo. Mas construímos a sério, com tijolo, pedra e argamassa. Ficou tudo lá.

E a árvore?

A árvore já lá estava.

No genérico vemos os nomes habituais nos seus filmes: Krasnahorkai [argumentista], Fred Kelemen [director de fotografia], Mihaly Vig [compositor], Agnes Hranitzky [mulher de Tarr, creditada sempre como co-realizadora]. É importante trabalhar com um grupo estável, à evidência...

É que sou um tipo preguiçoso. Detesto falar, detesto ter que explicar coisas. Estas pessoas conhecem-me há muito tempo, compreendem-me sem que eu precise de falar e de me explicar muito.

Também é claro que continua fiel à película, numa altura em que o cinema se tornou uma questão de vídeo digital...

Claro que sim. A tecnologia digital não é filme. Está bem para quem a quiser usar. Mas não digam que são "filmes". Chamem-lhe outra coisa, digital pictures ou assim. Mas não são filmes.

Deve estar consciente de que há muita gente a associar o pessimismo do seu filme a uma visão, ou um discurso, sobre a Hungria contemporânea...

As pessoas são livres de ver nos filmes o que quiserem. Mas detesto metáforas, o cinema não é feito de metáforas. O filme é o que é, simplesmente.

Mas já agora, como a vê, à Hungria? Na Europa tem-se falado muito do governo Orban...

Muito mal. As pessoas estão a enlouquecer, os políticos são péssimos. O que eu vejo neste país de merda [this fucking country] é que as pessoas estão cada vez mais pobres e têm cada vez menos esperança nalguma coisa.

Nos anos 80 e 90 via-se nos seus filmes, Perdição, de 1987, ou mesmo O Tango de Satanás, de 1994, um reflexo desolado do estertor do regime comunista. Mas com a passagem à democracia, a sua visão não mudou.

Nem tinha razão para mudar. Não há grande diferença entre o comunismo e o capitalismo. Humilham-te com o mesmo poder, subjugam-te da mesma maneira. E no meu trabalho como cineasta continuo a ter que lidar com a censura. Dantes era uma censura política, agora é comercial. Ambas me dizem: "não podes fazer isto".

Há uma cena, a do monólogo do homem que vem à procura de palinka [aguardente húngara], que tanto parece aludir a Nietzsche ["não há bem nem mal", "não há deus nem deuses"] como, difusamente, a um estado político ["adquirir e degradar, degradar e adquirir"]. É fácil encontrar um sentido político para o monólogo...

É só conversa de bêbedo. Foi Laszlo [Krasznahorkai] que escreveu o monólogo, e é o tipo de filosofia que podemos ouvir se entrarmos num bar ou num café. Há sempre um tipo a dizer coisas destas para quem o quiser ouvir.

E o livro que a rapariga soletra, também é invenção ou existe mesmo?

Também foi escrito por Laszlo. É invenção total.

Como habitualmente, O Cavalo de Turim vive de longos planos-sequência. Exigem muito ensaio?

Com os actores, não. Digo-lhes o que têm que fazer e eles agem. Com a câmara sim, porque a câmara tem que ser precisa. É a contradição essencial no meu método de filmar: quero que os actores sejam muito livres, enquanto que a câmara tem que ser muito rigorosa.

Os actores vêm de outros filmes seus. Mas o cavalo [Ricsi], como fez o casting do cavalo?

Fomos a um mercado de animais e descobrimos este, que tinha ar de não querer trabalhar. Podia ser o cavalo da história de Nietzsche. Percebemos que era o nosso cavalo.

Tem dito que é o seu último filme. Há hipótese de mudar de ideias?

Não. Tenho a sensação de já ter dito tudo o que tinha a dizer. Se fizer mais filmes, começarei a repetir-me e a plagiar-me. A minha obra está feita, embalada [packed].

A situação do cinema na Hungria não tem nada a ver com a decisão, portanto.

Não. Mas o cinema húngaro está morrer. As estruturas foram desmanteladas, e o novo modelo quer decalcar o método hollywoodiano. Aquele tipo [aponta para uma foto de Andrew Vajna, o produtor americano de origem húngara trazido para a Hungria como supervisor da cinematografia nacional] é uma desgraça.

Tem um discurso tão pessimista, mas está a montar uma escola de cinema. Não é contraditório?

Não vejo porquê... E na minha escola não ensino, liberto. Não digo aos meus alunos que têm que fazer "assim" ou "assado". Digo o contrário: não têm que fazer nem "assim" nem "assado".

Que citação do Godard é que tem ali na parede, em húngaro?

"Van Gogh inventou o amarelo quando queria pintar e já não havia sol".

Prénom: Cármen...

Sim. Não há outro remédio se não passar a vida a inventar o amarelo.

 

Notícia do Público



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Quinta-feira, 21.06.12

Os Jacksons vão voltar a actuar todos juntos

Os Jacksons vão voltar a actuar todos juntos (DR)
tournée que pretende fazer regressar os Jackson´s ao mundo da música tem início esta quarta-feira no Rama Casino, em Ontário, no Canadá. Três anos depois do desaparecimento de Michael, os irmãos ainda não se habituaram à ideia de actuar sem ele.

Marlon Jackson revela, em declarações à Associated Press, que ainda acorda e pensa para si mesmo. “Eu não acredito que o meu irmão não está aqui”.

O regresso dos Jackson não tem sido fácil para os quatro membros que ainda restam do grupo. O desaparecimento da estrela da banda e ícone dá música pop, Michael Jackson ainda pesa sob os outros elementos das Jackson´s. Jermaine Jackson confessou à mesma agência noticiosa que é habitual ir-se "abaixo durante os ensaios". “Estou habituado a ter o Michael à direita, seguido do Marlon e por aí em frente. É algo a que nunca nos habituamos”.

De acordo com Jermaine Jackson, o regresso dos Jackson´s era algo que já vinha sendo falado entre os irmãos mas, depois da morte de Michael, os outros membros precisaram de tempo para se “curarem”. Esta nova vida foi meticulosamente preparada e os irmãos rearranjaram os sucessos da banda para poderem adaptar-se melhor ao som do grupo sem a voz do irmão mais famoso. A tournée também vai servir como uma forma de homenagem a Michael Jackson com a apresentação de um medley que terminará com a música “Gone Too Soon”.

tournéenão passará pela Europa e, fora o primeiro concerto, todos os outros terão lugar nos Estados Unidos da América. Entre os palcos escolhidos está uma passagem plena de simbolismo pelo Harlem’s Apollo Theatre, onde os Jackson 5 ganharam um prémio enquanto amadores.

 

Noticia do Público



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Quarta-feira, 20.06.12
Ridley Scott criou o Your Film Festival
Ridley Scott criou o Your Film Festival (Reuters)

Ridley Scott reincide. Depois de, em 2011, ter inovado com “Life in a Day”, este ano lançou “Your Film Festival” no YouTube.

 

Os dois eventos foram anunciados no Sundance Film Festival, em Janeiro, com um ano de intervalo. E ambos serviram de montra para amadores ou profissionais mostrarem os seus filmes. No segundo caso, foi aberta a votação no YouTube e o concurso entrou na recta final. 

Se em “Life in a Day”, as pessoas eram convidadas a filmar um pequeno documentário sobre o dia 24 de Julho de 2011, neste “Your Film Festival”, qualquer género ou formato foi aceite.

No primeiro concurso, o resultado foi uma longa-metragem criada por Kevin McDonald a partir da colagem das melhores curtas apresentadas. 

No segundo, o concurso pode abrir um mundo de possibilidades para os dez finalistas, escolhidos pelo público. Os seus filmes serão exibidos no Festival de Veneza em Agosto. Mais tarde, um único vencedor será eleito por um júri composto por profissionais do cinema e presidido por Ridley Scott. E a esse será dada a oportunidade de realizar um filme com um orçamento de 500 mil dólares produzido por Ridley Scott e com o actor alemão de “Shame” (“Fome”, 2011, de Steve McQueen) Michael Fassbender. 

Dez regiões representadas

Num pequeno ecrã num site de entretenimento, Ridley Scott fez o anúncio: a escolha dos 50 melhores concorrentes está concluída e a votação aberta. Essa shortlist está disponível no site do You Tube e todos os 50 filmes, representativos de dez regiões do mundo, podem ser vistos e submetidos ao voto dos utilizadores do YouTube. Ouvem-se várias línguas, por vezes com legendas. Em comum, os filmes têm a duração e essa é, em todos os casos, inferior a 15 minutos. 

Lançado pelo YouTube e patrocinado pela Emirates Airline, o festival apresenta-se com o lema: “Criado por ti, visto por todo o mundo”. O prazo de candidaturas terminou em 31 de Março. A votação começou a 14 de Junho e termina a 13 de Julho. 

 

Noticia do Público



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Terça-feira, 19.06.12
Caetano Veloso faz 70 anos no dia 7 de AgostoCaetano Veloso faz 70 anos no dia 7 de Agosto (Reuters)

Ao todo são 47 álbuns e centenas de músicas que Caetano Veloso disponibilizou para audição no seu novo site. Esta é a primeira vez que a discografia completa do músico brasileiro está disponível online, no entanto a audição apenas está a funcionar para já no Brasil.

 

Caetano Veloso completa 70 anos a 7 de Agosto mas esta semana já começou a celebrar o seu aniversário presenteando os fãs com um novo site, onde é possível ouvir em streaming gratuito a sua discografia completa. O brasileiro aderiu ainda às redes sociais (Facebook eTwitter) e anunciou a reedição do álbum “Transa”, gravado em Londres e lançado há 40 anos. Até Agosto são esperadas mais surpresas.

Além de ser possível ouvir gratuitamente todas as músicas completas, o utilizador pode ainda ler as letras das canções e ver as capas e os livros que acompanham os discos. No fim pode comprar o álbum completo ou as músicas individuais na loja da Apple, o iTunes. 

Paula Lavigne, ex-mulher e agente de Caetano Veloso, disse a O Globo que o músico tem colaborado activamente na construção deste novo site. “Por desconfiança minha, eu não cedia muito a obra do Caetano para comércio digital, mas, como a [editora] Universal tem o catálogo todo, foi simples fazer isto agora”, explicou a responsável, lembrando que por vezes as pessoas queixavam-se da dificuldade que tinham em encontrar alguma música mais antiga ou menos conhecida de Caetano.

“Ninguém poderá reclamar mais que não encontra uma gravação dele”, acrescentou Paula Lavigne, que espera no futuro conseguir incluir ainda os trabalhos que Caetano Veloso fez com outras editoras.

Além da música, o site tem ainda duas secções dedicadas ao cinema e aos livros, disponibilizando para consulta e para compra os livros e os filmes assinados por Caetano Veloso. 

Até Agosto, Caetano Veloso vai publicar ainda vários vídeos onde fala da sua infância, a sua família e a sua carreira. O primeiro vídeo foi publicado esta semana, assim como fotos inéditas do músico em criança com a sua família. Os vídeos e os álbuns de fotografias vão ser agrupados e publicados por décadas, sendo que o vídeo e as imagens desta semana correspondem à década de 1940.

Em Agosto, no aniversário do músico e compositor, vai chegar às lojas um álbum de homenagem a Caetano Veloso, que terá as suas músicas cantadas por artistas brasileiros contemporâneos, como Mariana Aydar, que interpretará “Araçá Azul” (1973) ou Marcelo Camelo, que cantará “De Manhã” (1965).

Primeiro vídeo divulgado por Caetano Veloso

Noticia do Público


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Segunda-feira, 18.06.12
Joana Vasconcelos representa Portugal na próxima Bienal de Veneza

A secretaria de Estado da Cultura anunciou hoje que a artista plástica Joana Vasconcelos vai representar Portugal na próxima Bienal de Veneza, em 2013.

 

Em comunicado, o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, afirmou que Joana Vasconcelos nunca foi a artista convidada do pavilhão português no certame, mas que «está na altura de corrigir essa falha».

 

«Tem colocado o nome de Portugal ao mais alto nível no mercado mundial da arte», justificou, acrescentando que as obras da artista, conhecida pelo seu trabalho de escultura, «levam ao exterior a marca identitária e tradicional de Portugal ao mesmo tempo que expressam uma modernidade assombrosa».

 

Joana Vasconcelos, nascida em Paris em 1971 e conhecida principalmente pelo seu trabalho de escultura, já teve obras expostas em Veneza, Paris, Londres, Brasil e Hungria, entre outros locais.

 

A Bienal de Veneza é uma das mais importantes exposições mundiais de arte e realiza-se bianualmente desde 1895.

 

Joana Vasconcelos vai inaugurar na terça-feira, no Palácio de Versalhes, uma exposição composta por 17 obras – umas conhecidas, outras inéditas – que concebeu e arrumou «em diálogo» com o castelo, e a dizer Portugal, que estará patente até 30 de Setembro.

 

Noticia do Sol



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Domingo, 17.06.12
Prosa inédita de Álvaro de Campos publicada na próxima segunda-feira

A prosa completa de Álvaro de Campos, alguma da qual até agora inédita, foi pela primeira vez reunida em livro e chega às livrarias na próxima segunda-feira, numa edição da Ática, disse à Lusa fonte do grupo Babel.

 

São mais de 40 textos inéditos de Álvaro de Campos, «talvez o mais popular heterónimo de Fernando Pessoa», como escreveu no prefácio da obra o coordenador da nova série de Obras de Fernando Pessoa, Jerónimo Pizarro, que assina com Antonio Cardiello a edição deste volume, com a colaboração de outro investigador pessoano, Jorge Uribe.

 

Para o investigador, a publicação, pela primeira vez, da prosa completa de Álvaro de Campos é «um acontecimento editorial tão relevante quanto a primeira publicação de 'O Livro do Desasocego', há exactamente 30 anos».

 

E porquê? Porque «Campos foi a personagem mais activa, interventiva e penetrante criada por Pessoa e a única que deixou uma prosa de uma dimensão idêntica à que se encontra no 'Livro do Desasocego' [conforme o título original, publicado em 1982]», explica o professor da cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Universidade dos Andes, em Bogotá, Colômbia.

 

«Afinal - prossegue -, a prosa tardia de Campos é contemporânea da prosa tardia do 'Livro' e ambas foram escritas pelo mesmo autor quando este havia já atingido um raro domínio da sua arte. Para mais, foi o próprio Pessoa quem afirmou que o seu semi-heterónimo Bernardo Soares se assemelhava em 'muitas coisas' ao seu heterónimo Álvaro de Campos».

 

O que esta obra demonstra é que Álvaro de Campos - apesar de mais conhecido como «o 'dandy' de estirpe maldita que escreveu alguns dos grandes poemas metafísicos das literatura portuguesa, retratando-se como um vencido, como um falhado, como um marginalizado, como 'um cão tolerado pela gerência'» - foi também um prosador, embora esse facto tenha sido «algo negligenciado, até pelo próprio Pessoa», observa Jerónimo Pizarro.

 

Segundo o investigador, «Campos, o prosador, é fundamentalmente um escritor contemporâneo de [Barão de] Teive e [Bernardo] Soares, que são as outras duas máscaras sob as quais Pessoa escreveu alguma da melhor prosa portuguesa do século XX».

 

Além da publicação dos inéditos do engenheiro naval nascido em Tavira, em 1890, este volume apresenta uma reorganização da sua prosa e uma nova leitura de textos anteriormente publicados, com destaque para uma nova proposta de edição das 'Notas para a recordação do meu mestre Caeiro', considerado «o projecto literário mais elaborado, extenso e de maior importância de toda a prosa de Campos».

 

Destaca-se também o texto 26 [Definições], em que Pessoa descreve, através de curtas definições, autores célebres, como Mallarmé, Rousseau, Goethe, Shakespeare, Milton, Montaigne, Homero, Nietzsche e Camões, a que se junta a reprodução de duas folhas manuscritas pelo autor.

 

Eis alguns exemplos: 'Rousseau: Ça m'est inégal', «Shakespeare: Tudo, exceto o todo', 'Milton: A cada anjo a sua queda' e «Homero: Então, Júpiter poz-se de pé'.

 

A obra inclui igualmente uma nova leitura e organização da entrevista concedida por Campos, «atendendo, primeiramente, a que este género serviu a caracterização de Pessoa e seus heterónimos enquanto autores, já que Pessoa, Caeiro e Campos deixaram entrevistas que eles próprios forjaram, com ou sem o concurso de outras pessoas reais ou sonhadas», indica Jerónimo Pizarro.

 

No mesmo dia em que chega às livrarias, segunda-feira, a obra será lançada às 18h30, no espaço Fabrico Infinito, no Príncipe Real, em Lisboa, com apresentação do escritor e professor universitário Onésimo Teotónio Almeida.

 

Noticia do Sol


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Sexta-feira, 15.06.12
Romeu e Julieta em cena na Quinta da Regaleira

O drama Romeu e Julieta, de William Shakespeare, estreia-se quinta-feira na Quinta da Regaleira, em Sintra, «tirando o maior partido do cenário natural e o idealizado pelo arquiteto Luigi Manini», disse o encenador.

 

Paulo Cintrão afirmou que «as grutas artificiais servirão cenas da peça», dando como exemplo «o balcão da varanda de Julieta, que é o patamar do campo de ténis, entre outros espaços em que se encena, como um dos muros de suporte».

 

O drama de Shakespeare foi traduzido e adaptado por Fernando Villas-Boas, que prescindiu, por exemplo, da personagem mãe de Romeu, e é um projecto da companhia bYfurcação teatro.

 

Por outro lado, adiantou o encenador, «procurando ir ao encontro da época de William Shakespeare, todas as personagens são desempenhadas por actores, com excepção de Julieta que é desdobrada pelas actrizes Nídia Roque e Rute Lizardo, uma mais velha que a outra, procurando evidenciar o amadurecimento da personagem, que mostra estar mais ciente da situação que o próprio Romeu».

 

Constituem ainda o elenco, André Duarte, André Pardal, Filipe Araújo, Marco Silvestre, Mário Trigo, Miguel Albino, Pedro Mendes e Sérgio Moura Afonso.

 

«Todas as personagens circularão em redor do par amoroso como fantasmas, que tentam interferir num sentimento amoroso condenado à partida. Os jovens amantes irão lutar contra estas forças/personagens, contra a divisão familiar, contra os ciúmes dos seus companheiros, contra o mundo», explicou o encenador.

 

«Os seus desencontros nada mais são do que o concretizar do destino/fado que os persegue desde o instante em que os seus olhares se cruzaram, no baile de máscaras», acrescentou.

 

A par do cenário que é a própria Quinta da Regaleira, mandada construir pelo milionário António Augusto Carvalho Monteiro, no início do século XX, «existem apenas três estruturas simples».

 

«Tablados, como se estivéssemos no teatro globe, serão o ponto central onde o espectáculo se vai desenrolando. O cenário será representado, aqui e ali, em planos tal como se fazia no tempo de Shakespeare», explicou.

 

O encenador afirmou que «o facto de haver materiais construídos, como uma parede, facilita a acústica, não exigindo demais aos atores, em termos de projecção de voz».

 

A peça tem música original de Nuno Cintrão e os figurinos são de Flávio Tomé, que «optou por uma linha contemporânea mas inspirada nas linhas greco-romanas, até pelo facto de a peça ter um coro grego», disse o encenador.

 

William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, em Inglaterra, em 1564, onde também faleceu em 1616. Poeta e dramaturgo, das suas obras restaram, até à actualidade, 38 peças, 154 sonetos, dois poemas narrativos e várias outras composições líricas.

 

Romeu e Julieta, pelo bYfurcação teatro, estará em cena até 28 de Outubro.

 

 

Retirado do Sol



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Quarta-feira, 13.06.12

O Festival Músicas do Mundo (FMM) de Sines vai ter um dia extra, 25 de Julho, com um espectáculo gratuito, no castelo, do Ensemble La Notte della Taranta, de música popular italiana, anunciou hoje a organização.

 

Na sua 14.ª edição, o FMM acrescenta um dia aos seis que já estavam marcados, realizando-se de 19 a 21 e de 25 a 28 de Julho, coincidindo com os dois últimos fins-de-semana desse mês. 

Na noite de 25 de Julho, o castelo de Sines recebe o espectáculo “La Notte della Taranta”, pelo Ensemble La Notte della Taranta. 

Segundo a organização do festival, trata-se de “um espectáculo especial que sintetiza o melhor de um dos mais importantes festivais italianos”. 

Desde 1998, é realizado, em Agosto, na região italiana de Salento, um festival de música com origem na tradicional e veloz dança da “pizzica”, que os camponeses utilizam como tratamento para picadas de tarântula (em italiano, “taranta”). 

Neste festival, têm participado como directores musicais nomes conhecidos da música italiana e internacional, como Piero Milesi, Ludovico Einaudi, Joe Zawinul e Stewart Copeland.

O espectáculo apresentado em Sines representa uma síntese dos melhores momentos dos 14 anos deste festival, interpretados por um conjunto de músicos com uma participação muito activa no evento. 

Este espectáculo, apoiado pela Fondazione La Notte della Taranta, é de entrada livre. 

O FMM conta já com mais de 30 concertos confirmados, com artistas como Hugh Masekela, Oumou Sangaré, Mari Boine, Marc Ribot, Fatoumata Diawara, Bombino e Gurrumul, entre outros. 

 

Noticia do Público



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Terça-feira, 12.06.12
Fundação Saramago abre quarta-feira com entrada gratuita até ao fim do mês
A sede da Fundação José Saramago, que abre ao público na quarta-feira, em Lisboa, com uma exposição sobre a vida e obra do Nobel da Literatura, vai ter entrada gratuita até ao final de Junho, anunciou hoje a presidente da entidade.

De acordo com Pilar del Río, a Fundação vai ter entrada livre até ao final do mês e, depois, os portugueses vão pagar um bilhete de três euros, enquanto os estrangeiros pagarão «entre cinco e seis euros», indicou a responsável durante uma visita organizada para jornalistas.

 

O Nobel da Literatura faleceu há dois anos, a 18 de Junho de 2010, e a Câmara Municipal de Lisboa cedeu a Casa dos Bicos à Fundação José Saramago, presidida pela mulher.

 

«Vamos viver dos direitos de autor e do nosso trabalho aqui dentro. Não temos qualquer outro apoio oficial e os tempos estão difíceis para conseguir mecenato. Por isso o público vai ter de pagar entrada», justificou.

 

A Fundação Saramago ficará aberta nos dias úteis das 10:00 às 18:00 horas, e aos sábados das 10h00 às 14h00 horas, e terá uma loja com livros de José Saramago em várias línguas, e artigos com a marca da entidade.

 

A inauguração oficial da Fundação Saramago está prevista para as 11:30 de quarta-feira, feriado municipal e dia de Santo António, padroeiro de Lisboa.

 

Abrirá ao público a partir das 14h00, com a exposição permanente ‘A Semente e os Frutos’, com livros que Saramago traduziu, manuscritos, notas pessoais, agendas, recortes de jornais, e os livros do autor, com uma selecção de exemplares em português e edições noutras línguas.

 

Poesia, crónicas, romances, fotografias que recordam as amizades de Saramago, a natividade cívica e política, a família - os avós da Azinhaga, a quem aludiu no discurso na Suécia, na altura da entrega do Nobel, em 1998 - cobrem as paredes do espaço expositivo.

 

Também está disponível equipamento de áudio com entrevistas, discursos, e vídeos documentais. No fim da exposição há um espaço onde foi reproduzido o primeiro escritório onde Saramago escreveu, contendo a secretária e outros objectos pessoais, como os óculos e a máquina de escrever.

 

Fernando Gomez Aguilera, comissário da mostra, é presidente da Fundação César Manrique, e foi também responsável pela exposição ‘José Saramago. A Consistência dos Sonhos’, que esteve patente em Lanzarote em 2007, depois em Lisboa, e fez uma digressão pela América do Sul.

 

O projecto de remodelação e design de interiores da Casa dos Bicos, edifício do século XVI, é da responsabilidade dos arquitectos João Santa-Rita e Manuel Vicente.

 

Em Junho do ano passado, as cinzas José Saramago foram depositadas junto a uma oliveira centenária que foi propositadamente plantada junto à Casa dos Bicos.

 

A oliveira foi transportada da Azinhaga do Ribatejo, aldeia natal de Saramago, e plantada junto ao edifício, porque o escritor se referia a esta árvore no livro.

 

Retirado do Sol



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Sábado, 09.06.12

 

Bonecas e fotografia em exposição em Serpa

 

Paula Estorninho que vive e trabalha em Serpa, apresenta na exposição patente até 30 de Junho na Biblioteca Municipal Abade Correia da Serra, um conjunto de bonecas fragéis e delicadas, como jóias simples, e muito femininas. 

Cada boneca, longe de ser perfeita, é única e irrepetível, pois são bonecas que pertecem a várias colecções, tendo corrido os quatro cantos do mundo.


 

Rui Cambraia, que vive e trabalha em Portalegre onde é professor, apresenta na suas fotografias imagens de um ponto de chegada que afinal é de partida. 


As bonecas de Paula Estorninho sairam do Patio Azul, mas elas não se movem, nem a mise en scène fotográfica é uma viagem. 


São fotografias, que ao contrário das outras, mostram o futuro e registam aquilo que há-de vir.

 

A dupla mostra está patente até 30 de Junho, das  10:0

 

Retirado de HardMúsica



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Sexta-feira, 08.06.12

A relva vai sofrer com tanta gente. As expectativas de afluência serão largamente superadasA relva vai sofrer com tanta gente. As expectativas de afluência serão largamente superadas (Foto: Paulo Pimenta)
Previa-se aguaceiros, mas ao final da tarde, o Optimus Primavera Sound fazia jus ao nome, começando com sol, no parque da cidade do Porto, um excelente anfiteatro natural, que agora é descoberto por gente de todo o mundo.

Feriado, hora de almoço, na Baixa do Porto. Pensar-se-ia, um deserto. Mas não. Principalmente nas imediações do terminal da Rodoviária a azáfama era enorme. Via-se magotes de raparigas e rapazes, entre os 25 e os 35 anos, alguns parecendo americanos, outros da Escandinávia, vestidos com roupa descontraída, parecendo algo perdidos, carregando as respectivas malas na direcção dos táxis. 

Um grupo acerca-se, pede informações, procura um hotel na Boavista, perguntam se é perto do Parque da Cidade. Vinte minutos a pé, arriscámos. Ficam contentes com a informação, mas de repente, começa a chover, ligeiramente. Um deles, de calções e camisola de alça, ri-se. “Esperemos que isto seja passageiro.” As previsões davam aguaceiros, mas o resto da tarde trouxe um sol primaveril e pelas 17h, quando o recinto do festival abriu, a ameaça parecia dissipar-se. 

Essa era a principal incógnita que pairava sobre a cabeça de todos. Estava tudo pronto: o recinto, as bandas, a cidade, mas sobre a meteorologia não existe controlo possível. Havia até esse dado que as expectativas iniciais vão ser em muito superadas – inicialmente, os organizadores apontavam para 12 mil pessoas diárias, agora já se percebeu que serão entre 20 a 25 mil, com muita gente vinda de fora do país (cerca de 10 mil estrangeiros por dia, pelo menos). 

Durante a tarde, as esplanadas nas imediações da praia de Matosinhos estavam cheias. Essencialmente estrangeiros, franceses, italianos e até um pequeno grupo da Nova Zelândia. Dizem-nos que o Primavera é apenas um dos três ou quatro festivais da Europa que, durante um mês, irão percorrer. Estão há sete horas no Porto e dizem aquilo que é suposto dizer: apreciam o sol, a proximidade do mar, os edifícios arcaicos, o verde do Parque da cidade, ali, ao lado. 

No parque da cidade, na zona que separa Porto e Matosinhos, ao final da tarde, impera ainda a tranquilidade. As pessoas vão chegando, sem pressas. Entra-se no recinto e a primeira surpresa é a proximidade entre palcos, o que afasta a hipótese de correria entre zonas, como acontece no festival irmão de Barcelona. É um recinto sóbrio, económico, funcional, sem grandes aparatos. 

Uma espécie de anfiteatro natural, com características de relevo semelhantes ao do festival Paredes de Coura, mas no coração da cidade do Porto. Um grupo de espanhóis, vindos de Santiago de Compostela, não tem dúvidas: “Este espaço é fantástico! É sem dúvida melhor do que em Barcelona!”

Apesar de ser de grandes dimensões, é delimitado. É evidente que aquela zona, nomeadamente a relva, sofrerá com a presença massiva de pessoas, mas trata-se apenas de uma parcela. No domingo, quando o festival abandonar o parque – para se realizar na Casa da Música e no Hard Club – e se tudo decorrer dentro da normalidade, tudo indica que o parque retomará a sua existência normal. 

No recinto, o primeiro caso de sucesso são os toalhetes, oferecidos pelo principal patrocinador, que quase toda a gente coloca no chão para, diligentemente, se sentar. Há quem não tenha almoçado e aproveite para improvisar um pequeno piquenique, mas essas são excepções. Ali, o principal alimento, é a música. E essa começou com imensa gente em palco, entre músicos, um coro e um maestro, através dos Stopestra, uma orquestra portuguesa, que coloca muita energia na função, através de uma música emotiva. 

Apenas dois dos quatro palcos vão entrar em acção nesta quinta-feira. É o primeiro dia. Uma espécie de aquecimento. Mas depois da Stopestra e dos espanhóis Bigott, o ambiente promete entrar em ebulição com os ingleses Suede, o francês Yann Tiersen ou os americanos The Rapture, Mercury Rev e The Drums. Na sexta-feira haverá Wilco, Rufus Wainwright, Flaming Lips, The Walkmen ou Beach House.

 

Noticia do Público



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Quinta-feira, 07.06.12

RAY BRADBURY, O ESCRITOR QUE IMAGINOU UM MUNDO SEM LIVROS

Ray Bradbury, o escritor que deu nova dimensão à ficção científica, morreu nesta terça-feira, aos 91 anos, anunciou a sua filha.

O norte-americano foi um ícone e uma inspiração para muitas gerações e será sempre recordado pela sua obra mais emblemática, Fahrenheit 451, um romance distópico escrito em 1953 que imagina um mundo sob um regime totalitário onde os livros são proibidos, bem como o pensamento crítico. O título tem origem na temperatura a que o papel arde. 

Fahrenheit 451 foi adaptado a filme nos anos 60 por François Truffaut e foi usado como símbolo da oposição à censura e ao livre pensamento. O próprio Bradbury disse muitos anos mais tarde que não era tanto isso, mas uma obra sobre a forma como os media, e nomedamente a televisão, destruíam a leitura e os livros.

Foi o autor de Fahrenheit 451. Inventava mundos mas dizia que não escrevia ficção científicaO talento criativo e fantasioso de Bradbury permitiu à ficção científica ganhar dignidade como estilo literário, mas o escritor também quis desconstruir essa ideia. «Não sou um escritor de ficção científica. Só escrevi um livro de ficção científica, o Farhrenheit 451. Todos os outros eram fantasia. As fantasias são coisas que não podem acontecer, a ficção científica é sobre coisas que podem acontecer», repetiu várias vezes ao longo da sua vida.

Bradbury, que nasceu a 22 de Agosto de 1920, começou a escrever no final dos anos 30 e tem dezenas de obras publicadas, entre as quais alguns clássicos, como as «Crónicas Marcianas», de 1950. Escreveu romances, crónicas e contos, trabalhou em vários media e tem várias das suas obras adaptadas também a televisão.

 

retirado de Push



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Quarta-feira, 06.06.12

O Teatro Garcia de Resende, em Évora, acolhe a V edição do Festival das Companhias

 

Depois de uma passagem por Faro, em 2005, Braga em 2008, Campo Benfeito, Castro Daire e Lamego em 2009 e Coimbra em 2010, chega agora a vez da cidade de Évora acolher o Festival das Companhias.

 

Com organização do CENDREV a programação inclui sete espectáculos, apresentados em onze sessões, e uma mesa-redonda.

 

A primeira noite está a cargo da Companhia de Teatro de Braga, que apresenta em Évora uma versão muito particular da história de Inês de Castro, escrita e dirigida pelo encenador ucraniano radicado na Alemanha Alexej Schipenko, um colaborador habitual da CTB.

 

De  Abel Neves, autor que já viu textos seus montados por quase todas as companhias desta plataforma, “Provavelmente uma pessoa” é apresentado pelo Teatro das Beiras na sala-estúdio do Teatro Garcia de Resende no dia 06 à noite e no dia 07 à tarde.

 

“O Abajur Lilás”, espectáculo feito em co-produção com A Escola da Noite que estreou em Évora no passado mês de Abril, subirá ao palco na terceira noite do Festival.

 

 

Na sexta-feira e no sábado, a ACTA – Companhia de Teatro do Algarve vai ocupar os três palcos do Festival.


“Laço de Sangue”, de Athol Fugard, estará em cena na sala principal do Teatro Garcia de Resende, pelas  21:30.


“Cavalo Manco Não Trota”, de Luis del Val, sobe ao palco pelas 18:30 na sala-estúdio e ainda será possível conhecer o singular projecto VATe – Serviço Educativo, que a companhia desenvolve há alguns anos. 

De salientar que no autocarro transformado em teatro os espectadores poderão assistir a quatro sessões do espectáculo “De Ulisses…Nunca Digas Tolices – A Guerra de Tróia”, de Alexandre Honrado. 


A encerrar o Festival, o Teatro do Montemuro apresenta, no sábado à noite, 09 de Junho, a peça “Louco na Serra”, de Peter Cann e Steve Jonhstone.

 

Como já vem sendo hábito o Festival conta com um debate que nesta edição terá como tema “O teatro em tempo de crise”.

 

Os cortes já aplicados, e que constam do financiamento público, à actividade artística, as indefinições que subsistem quanto ao futuro e o papel específico que a cultura e a arte em particular podem e devem desempenhar no combate à crise em que mergulharam o país serão certamente aspectos que forçosamente virão à discussão.

 

O debate está agendado para o último dia do Festival, sábado, 09 de Junho, entre as 16:00 e as 18:30.

Ao nível interno, o Festival inclui ainda, pela primeira vez, um momento de “plenário”, em que todos os elementos das companhias, equipas artísticas, técnicas e de produção, poderão aprofundar a troca de experiências que vêm dinamizando e discutir novas formas de colaboração entre os grupos.


Segue o programa que nos foi enviado:

05 de Junho, 21:30
“Jardim”, pela Companhia de Teatro de Braga
 
06 de Junho, 21:30
“Provavelmente uma Pessoa”, pelo Teatro das Beiras
 
07 de Junho, 18:30
“Provavelmente uma Pessoa”, pelo Teatro das Beiras
 
07 de Junho, 21:30
“O Abajur Lilás”, co-produção CENDREV / A Escola da Noite
 
08 de Junho, 10:30 e 15:00
“De Ulisses…Nunca Digas Tolices – A Guerra de Tróia”, VATe – Serviço Educativo da ACTA
 
08 de Junho, 18:30
“Cavalo Manco Não Trota”, pela ACTA – Companhia de Teatro do Algarve
 
08 de Junho, 21:30
“Laço de Sangue”, pela ACTA – Companhia de Teatro do Algarve
 
09 de Junho, 12:00 e 18:30
“De Ulisses…Nunca Digas Tolices – A Guerra de Tróia”, VATe – Serviço Educativo da ACTA
 
09 de Junho, 16:00
debate “O Teatro em tempo de crise”
 
09 de Junho, 21:30
“Louco na Serra”, pelo Teatro do Montemuro
 
Bom Festival!

 

Retirado de HardMúsica



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Terça-feira, 05.06.12

Estudo para o cenário de Paraíso, de Marlene Monteiro Freitas

Estudo para o cenário de Paraíso, de Marlene Monteiro Freitas (Foto: DR)


O Festival Materiais Diversos, dirigido pelo coreógrafo Tiago Guedes, junta nomes de Portugal e do Brasil para duas semanas de espectáculos em Setembro.

 

A quarta edição do Festival Materiais Diversos, comissariado pelo coreógrafo Tiago Guedes, já tem datas e programa. De 14 a 29 de Setembro Minde, Alcanena e Torres Novas voltam a ser invadidas por espectáculos, desta vez fortalecendo os laços entre Portugal e o Brasil, sob a égide do ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal.

A programação junta 14 espectáculos, 9 deles portugueses, entre os quais a nova peça da bailarina e coreógrafa Marlene Monteiro Freitas que com Paraíso abre, dia 14, o festival. A coreógrafa, que apresentou uma etapa de trabalho a 19 de Abril no Centro Coreográfico de Tours, em França, diz no programa que a nova peça trabalha a partir de uma ideia de jogo com o espelho. “É um jogo sobre o que é imaginário e o atravessar da fronteira. Mas qual fronteira?”, pergunta a coreógrafa.

A mais recente criação de Sofia Dias e Vítor Roriz, Fora de qualquer presente, estreada este sábado, 2 de Junho, no Alkantara Festival, marca a segunda presença da dupla de coreógrafos que, a partir de agora passam a ser artistas associados da Materiais Diversos. 

Um outro artista associado, Martim Pedroso, mostra Penthesilia, a partir do texto de Kleist, que entrará depois em digressão nacional. A peça, apresentada como “dança solitária para uma heroína apaixonada” e “é um hino à imaturidade dos amantes”, escreve-se no programa. A abordagem dramatúrgica, assinada pelo encenador, “subverte o mito clássico de que a rainha das Amazonas morreria pela espada de Aquiles durante a guerra de Tróia”. “Na peça do dramaturgo alemão, é Aquiles quem é brutalmente desmembrado pela rainha confusa por experimentar sentimentos novos e obcecada pela conquista que a sua tradição lhe exige. Em cena, soam as vozes de uma poderosa luta entre o belo e o terrível, a razão e a emoção, a sociedade e os afectos”.

Do outro lado do Atlântico chegam os trabalhos do colectivo Foguetes Maravilha (Ninguém falou que ia ser fácil) e dos coreógrafos Denise Stutz (1 Solo em 3 Tempos), Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira (Baseado em factos reais) e Christian Duarte. É este coreógrafo que apresentará Hot 100 – The Hot One Hundred Choreographers, viagem pelo discurso e universo de outros coreógrafos, num jogo criado a partir da obra de texto-painting The Hot One Hundred, do britânico Peter Davies. Explica o coreógrafo, a propósito do processo de selecção e posterior trabalho de movimento: “Talvez, a flexibilidade seja uma estratégia para lidar com a dificuldade de fazer escolhas. Talvez a flexibilidade esteja em mim, por conseguir encontrar mais de cem coreógrafos-espetáculos que considero hot ou, talvez, o meu conceito de hot seja bastante flexível. Em alguns casos, acho mais hot o coreógrafo do que a sua obra, pelo seu modo de existir, pelo conjunto do que faz ou fez, em outros casos a obra seria hot mesmo se fosse anónima.”

A programação completa-se com um espectáculo de Ana Rita Teodoro (Melte), nas ruas de Minde, um projecto de Michel Blois, Thiaré Maia, Nuno Gil e Flávia Gusmão (Dulce, realizado entre os dois países), um outro do colectivo Os Poetas do Movimento (Branca de Neve) e concertos de Miúda A2, Noiserv e Nice weather for ducks.

 

Noticia do Público



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Segunda-feira, 04.06.12
Festival de cinema dedicado ao surf de 14 a 17 de Junho
O primeiro festival português de cinema dedicado ao surf, hoje apresentado e destinado a dinamizar a actividade e produção cinematográfica daquela actividade desportiva, decorre de 14 a 17 de Junho no cinema São Jorge, em Lisboa.

O Surf at Lisbon Film Fest (S.A.L.) «tem como objectivo, dinamizar a actividade e produção cinematográfica da modalidade, promovendo intercâmbios a nível internacional nas áreas da cultura, turismo e desporto, além de suprir uma lacuna para os cerca de 70.000 adeptos deste desporto», refere o texto de apresentação do festival, integrado na programação das Festas de Lisboa.

 

A iniciativa será aproveitada para «sensibilizar os participantes para as questões ecológicas, de preservação do meio ambiente e para uma utilização responsável dos recursos naturais, firmando o surf como modalidade desportiva responsável e embaixador da preservação do nosso planeta».

 

Durante os quatro dias de S.A.L., serão apresentados 38 filmes, seleccionados de um total de 45 que se candidataram a esta primeira edição, provenientes, além de Portugal, de países como os Estados Unidos da América, o Reino Unido e o Brasil.

 

A Deeper Shade of Blue, de Jack McCoy, precedido da curta-metragem Blue Sway, do mesmo realizador, abre o festival, no dia 14, às 21h00.

 

A exibição dos filmes em competição termina no dia 16, às 21:00, com a estreia de 'Idiosyncrasies', com a presença do realizador Patrick Trefz.

 

O dia 17, o último do certame, está reservado para a exibição de filmes fora de competição, como Summer One, de Tito da Costa, «o primeiro filme de surf português».

 

A programação do festival é complementada com exposições, palestras e concertos.

 

O 'foyer' do São Jorge irá acolher um 'work in progress' do artista plástico Pedro Zamith. Nas vitrines existentes naquele espaço estarão expostas pranchas trabalhadas pelo artista plástico Gonçalo Mar e o designer Armando Gomes. Durante o festival, o São Jorge acolhe também uma exposição de fotografia de Ricardo Bravo, acompanhada de textos do cronista de viagens Gonçalo Cadilhe.

 

A música estará representada com espectáculos dos Capitães da Areia, no dia 14, dos Voodoo Marmalade, a 15, e dos Capitão Fausto, a 16, e actuações de DJ.

 

O S.A.L. foi desenvolvido pela Surf at Lisbon Associação Cultural (SALAC) em co-produção com o cinema São Jorge e em parceria com a empresa municipal EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa.

 

Noticia do Sol



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O Rock in Rio regressa em 2014

O Rock in Rio regressa em 2014

O festival Rock in Rio Lisboa tem hoje pela frente as últimas horas de concertos, mas o promotor Roberto Medina já fez um balanço positivo da quinta edição, prometendo um regresso em 2014 e nos próximos anos.

 

"Portugal é para sempre", disse o empresário brasileiro Roberto Medina hoje numa conferência de imprensa no Parque da Bela Vista, acompanhado do presidente da câmara de Lisboa, António Costa, e do governador de Bueno Aires, Mauricio Macri.´

 

Lisboa - que soma cinco edições do Rock in Rio, tantas quantas já realizadas no Brasil - voltará a acolher o evento em 2014, sensivelmente nas mesmas datas.

 

Antes disso, o festival acontecerá pela primeira vez em Buenos Aires, na Argentina, e novamente no Rio de Janeiro.

 

Roberto Medina agradeceu aos portugueses por terem "acolhido o projeto de uma maneira incrível" e disse que só sairá do país se o mandarem embora.

Projeto será alargado 


Para os próximos dez anos, o fundador do festival quer alargar o projeto a mais um país na Europa, à América Latina e aos Estados Unidos, referindo estar "em conversações" com Alemanha, Perú, México.

 

"O meu sonho é ter cidades assim plantadas" por vários continentes e ter "uma grande mobilização de um grande projeto social", porque a questão social deve ser encarada como "um negócio" e não mecenato, disse.

 

No entanto, Roberto Medina admitiu que África ainda é um continente distante: "É um desafio incrível, mas eu ainda não estou preparado para isso".

 

Da parte de Portugal, o autarca António Costa mostrou-se satisfeito pela manutenção do festival em Lisboa, porque projeta a imagem da cidade no mundo.

 

"No contexto em que estamos correu muitíssimo bem (...) houve muita gente receosa que não fosse possível (...). A força do evento é tal que é possível ultrapassar a crise e isso é inspirador", disse.

 

António Costa referiu ainda que manterá com a organização do festival um protocolo de contrapartidas pelo facto de estar a ser usado o Parque da Bela Vista.

 

"É um interesse mútuo para a cidade", referiu. O festival Rock in Rio Lisboa termina hoje com Bruce Springsteen como cabeça-de-cartaz.

 

Nos quatro dias anteriores do festival contabilizaram-se cerca de 265 mil espetadores.


Retirado do Expresso



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Sábado, 02.06.12

Lenny Kravitz no espectáculo que encerrou a noite do Palco MundoLenny Kravitz no espectáculo que encerrou a noite do Palco Mundo (Foto: Nuno Ferreira Santos)


O arranque do último fim-de-semana de Rock In Rio, em Lisboa, levou 74 mil pessoas ao Parque da Bela Vista para ver, essencialmente, os Maroon 5. Antes, os Expensive Soul foram mote para a festa dos adolescentes. Depois, Lenny Kravitz homenageou os seus heróis. Dois deles, Stevie Wonder e Bruce Springsteen, estarão neste sábado e no domingo no festival.

 

Lenny Kravitz percorreu o corredor que avança da frente do palco entre a multidão aglomerada. Cumprimentou, foi abraçado, cantou emocionado: “Let love rule”. Canção título do seu primeiro álbum, editado no longínquo ano de 1989, e última do concerto que encerrou na sexta-feira o primeiro dia do segundo fim-de-semana de Rock In Rio. Kravitz, que se construiu enquanto agregação no mesmo corpo de Beatles, Stones, Jimi Hendrix, Sly Stone ou Curtis Mayfield, era o cabeça de cartaz, mas apesar do concerto muito competente e felizmente dado à nostalgia – foi no seu passado mais remoto, indiscutivelmente o melhor da sua carreira, que seleccionou a maior parte do alinhamento –, os 74 mil que, segundo a organização, estiveram no Parque da Bela Vista guardaram a maior dose de entusiasmo para outra banda: os Maroon 5, de Adam Levine, estrelas pop criadas pela rádio que, em palco, rockam o que é possível rockar em quem não esconde o desejo de fazer palpitar corações com a ligeireza de melodias orelhudas.

Segundo um inquérito da organização do Rock In Rio, 50% dos presentes estavam ali para ver os autores de “This love” – e notou-se nos corpos que se abanaram, nas letras que se cantaram, nos gritos e apartes libidinosos dirigidos ao vocalista. O inquérito indicou também que 83% do público tinha entre 15 e 25 e, mais uma vez, não temos qualquer razão para duvidar. Ao início da tarde, de resto, respirava-se no Rock In Rio o frenesim típico da adolescência com rédea solta. Por quase todo o lado se ouviam vozes esganiçadas de felicidade e euforia, por todo o lado corriam raparigas com calções de ganga, desdenhados desde os anos 1980 mas que são pelo menos há dois Verões indumentária do lado certo do cool, e rapazes com os penteados geometricamente estudados, hoje tão habituais.

Aqueles e aquelas não estavam lá às 18h30, no Palco Sunset, para ver o entusiasmante jogo de memória soul, funk e hip hop dos Orelha Negra, acompanhados dos brasileiros Kassin e Hyldon. Estavam todos em frente ao palco Mundo, o principal, para juntarem as suas vozes às de Demo e Nu Max, os Expensive Soul. A banda de Leça da Palmeira mostrou-se uma oleada máquina de palco que aliou a capacidade de gerir multidões num festival de massas – os braços a ondular, os pedidos para que as vozes se erguessem ora à esquerda, ora à direita do palco – à precisão com que atacaram as suas canções feitas de rimas hip hop, ritmo soul e balanço reggae.

O público conhecia de cor canções como a inevitável “O amor é mágico”, o público entusiasmou-se com os apartes de “Isto é Portugal!” de Demo e um concerto pelo qual passou a comitiva olímpica portuguesa terminaria, num momento que não poderia causar senão perplexidade a quem acabasse de aterrar no Parque da Bela Vista, com umas dezenas de milhar a entoarem o hino português. Enquanto isso acontecia, mantinham-se as filas de dimensão generosa para aceder às muitas diversões e ofertas de patrocinadores. Boss AC, no Palco Sunset pouco tardaria a cantar o seu último grande êxito “É sexta-feira (bom emprego já)”.

À medida que o dia avançou, porém, a bonita visão de adolescentes a serem adolescentes foi-se desvanecendo. Primeiro com Ivete Sangalo, totalista dos Rock In Rio lisboetas que fez o que faz Ivete Sangalo – ou seja, suou muito, dançou outro tanto, cantou “Arerê” e pôs o povo a “levantar poeira”. Depois, com os Maroon 5, o Rock In Rio entrou na sua previsível normalidade. Os americanos, autores do concerto mais celebrado da noite, ocupam o palco como banda que quer rockar à séria e levar o funk às massas, mas nunca chegam a dar o passo decisivo (e parece-nos, não querem). Porque não arriscam verdadeiramente, porque as suas canções desembocam sempre no conforto do refrão previsível e da melodia testada em laboratório para se colar (e para não mais sair, goste-se ou não) aos ouvidos de todos. 

Num momento tentam uma balada soul obviamente inspirada em Stevie Wonder, no momento seguinte o funk com recheio sintético aponta directamente a Prince e, quando se sugere o contratempo do reggae em batida rock, Adam Levine não disfarça e canta alguns versos de “Roxanne”, dos Police (era “Won't go home without you”). Houve solos estrepitosos do guitarrista James Laventine e do próprio Adam Levine, porque os Maroon 5 cumprem as regras de etiqueta dos concertos rock; sentiu-se várias vezes o “disco” nas proximidades porque os Maroon 5 sabem do que o pessoal precisa para começar a dançar. No fim Adam Levine, estrela pop e cavalheiro, dedicou a última canção às “ladies”. Era “She will be loved”, a balada que começa em modo despojado – só voz, guitarra e a mulher ao nosso lado que exclama “eu vou-te pegar” – e que termina, com o público em apoteose e toda a banda a acompanhar, no tom épico que os Coldplay tornaram marca registada desde a última década. Eficientes, os Maroon 5 saciaram quem foi ao Rock In Rio para assistir ao seu primeiro concerto português. Mas não houve espaço para a surpresa, para o risco, para a fuga ao guião esperado. 

Tal não faz parte, nem do ADN da banda, nem do do Rock In Rio. Neste festival, surpresas descobrem-se, por exemplo, no pequeno palco Vodafone, dedicada quase um exclusivo a bandas recentes (e válidas e interessantes) no panorama português. Por lá passou o nervo d'Os Velhos, a agilidade pop dos doismileoito e, entre os Maroon 5 e Lenny Kravitz, os óptimos White Denim, de Austin, Texas. São uma locomotiva psicadélica incrivelmente fluída, capaz de passar de jams na galáxia Grateful Dead (mas mais infernizados que cósmicos) a boogie com cheiro a pradaria. São perfeitos no uso de cada canção como matéria moldável no momento, seguindo a inspiração. E os White Denim, como tiveram o prazer de confirmar os poucos que pararam para os ver, estavam inspiradíssimos. 

Pouco depois, quando os ouvidos ainda zumbiam do ataque sónico vindo do Texas, Lenny Kravitz surgia em palco. Enquanto viajava ao seu passado com o óptimo groove rock'n'roll de “Mama said”, com a soul aveludada de “It ain't over till it's over” ou com “Mr cab driver”, do álbum de estreia, “Let Love Rule”, sem esquecer a versão de “American woman”, original dos canadianos The Guess Who, muita gente começou a pensar em tratar da vida – ou seja, abandonar o recinto para escapar às filas para autocarros e táxis que se formariam no final. Não viram Lenny Kravitz, eterno cultor da iconografia pop na pose e em canção, celebrar a “Black & white America”, corporizada em si mesmo, através do álbum de fotografias exibido nos ecrãs. Não o viram os que saíram, mas viram os muitos que ficaram, tocar a Beatlesca “Fields of joy”, aproximar-se do gospel em “Stand by my woman” ou, já perto do final, a obrigatória “Fly away” e o sempre bem-vindo riff de “Are you gonna go my way”. 

Nada de superlativo, na sombra dos seus heróis, mas sincero. Em encore, chegaria então “Let love rule”. Encerrou a noite no Palco Mundo e tornou mais próximos os concertos dos grandes nomes da edição 2012 do Rock In Rio. Neste sábado, Stevie Wonder. No domingo, Bruce Springsteen. Certamente heróis para Lenny Kravitz.

 

Noticia do Público



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Sexta-feira, 01.06.12

Na última edição, o Serralves em Festa teve 102 mil visitantesNa última edição, o Serralves em Festa teve 102 mil visitantes (Ricardo Castelo/NFactos)

Há menos de uma semana, na comemoração dos 25 anos de Serralves, Cristina Lapa, na fundação desde o primeiro dia, descrevia os primeiros momentos da instituição na Avenida Marechal Gomes da Costa como "o abrir de uma caixinha de surpresas para o mundo". Desde 2004 que a caixinha organiza um acontecimento em que as surpresas se tornam extraordinariamente visíveis. Serralves em Festa. Quarenta horas em que a fundação abre as suas portas a todos enquanto, ao mesmo tempo, se abre às ruas da cidade.

 

Este ano estão agendados 240 espectáculos para um festival que, como afirmou em Maio ao PÚBLICO o director do Museu de Serralves, João Fernandes, pretende proporcionar "um primeiro contacto com áreas experimentais da cultura contemporânea". Haverá portanto música, "elemento agregador de todo o festival", como assumiu o director: da peça para 200 músicos Oh Brass On The Grass Alas, do compositor norte-americano Alvin Curran, à conexão luso-angolana de Batida e ao jazz do trio MALUS, formado por Hugo Antunes, Chris Corsano e Nate Wooley, passando pelos Crystal Ark de Gavin Russom, membro da banda de palco dos LCD Soundystem, que prometem uma rave de ritmos latinos para a madrugada de amanhã. O festival encerra domingo com os ingleses The Irrepressibles, formados por músicos vindos da pop e da erudita e cujos espectáculos vivem de uma cuidada dimensão coreográfica. Uma boa representação do ecletismo, sem distinção entre aquilo que é considerado alta e baixa cultura, que é basilar ao espírito do festival. Serralves abre as suas portas amanhã. A festa arranca hoje.

Logo pela manhã, o Porto acordará com Serralves: do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde veremos Super-Homens (é a peça Blue Tired Heroes, do suíço Massimo Furlan) ou um macaco de circo nada discreto, criação do inventor Fred Abels e da marionetista Mirjam Langemejier, os Electric Circus, ao Campo dos Mártires de Pátria, onde, criação de Mariana Bacelar, se jogará um Monopólio em tamanho real, convite a reflectir no urbanismo das nossas cidades. No Largo de Miragaia, às 19h, será apresentado O Baile, espectáculo de dança contemporânea com coreografia de Aldara Bizarro e música de Artur Fernandes, que transporta o imaginário do filme homónimo de Ettore Scola para a realidade popular portuguesa.

Na festa non stop que se seguirá amanhã e depois, todos estes espectáculos serão também apresentados no espaço de Serralves, e muitos outros continuarão a acontecer fora dos seus limites, espalhados pelo Porto. Música, claro, mas também cinema, dança, teatro ou artes circenses. Deambulando pelo parque, poderemos apreciar o Duo Para Um Bailarino e Uma Escavadora, da companhia francesa Beau Geste, ou queimar calorias com o rockuduro dos portuenses Throes + The Shine. Durante 40 horas, um espaço institucional será casa aberta a todos (festa é festa e as entradas são gratuitas).

Serralves em Festa tem "todas as condições para se transformar no grande festival de Verão da cidade", sublinhava o presidente da Fundação, Luís Braga da Cruz, na apresentação do programa. O sucesso tem sido evidente (cerca de 600 mil visitantes desde a primeira edição) e os constrangimentos financeiros este ano, com o orçamento reduzido em 10%, não serão razão para que o cenário se inverta. Os cortes, afirmou João Fernandes, incidiram sobre a logística e não afectaram a programação. Que pode ser consultada em www.serralvesemfesta.com

 

Noticia do Público



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Bob Dylan. Ninguém é um só

 

 

A Cité de la Musique apresenta Bob Dylan: a explosão rock 61-66, exposição sobre as primeiras fases de uma vida recheada de ficção. Eis Dylan também aqui: influência mais decisiva na canção portuguesa dos últimos anos


A divisão de A explosão rock 61-66, na Cité de la Musique, Paris, em fases específicas, aliadas a material biográfico, permite clarificar o peso de Bob Dylan como músico, na história dos EUA, e o de Dylan, actor, para quem o ouve. Começando por imagens das suas origens no Minnesota, vemos Robert Zimmerman (nome verdadeiro: n. 1941) com a sua família, em "pose Elvis", com uma banda, em 1958, e no seu álbum de finalistas, onde se lê a ambição: "juntar-me a Little Richard". A seu lado, guitarras e discos de estrelas do rock'n roll: Hank Williams, Buddy Holly ou Bo Diddley. O jovem seguirá esse sonho: muda o seu nome e "foge" para Nova Iorque em 1961, dando falsas pistas sobre a sua vida aos que o recebem. Tiago Guillul (Fados para o Apocalipse contra a Babilónia), de uma geração de músicos portugueses que integra Dylan como influência decisiva nas suas canções [ver texto nestas páginas], diz ao Ípsilon que Dylan foi "talvez o primeiro a mudar as circunstâncias da sua vida, e despreza as pessoas ansiosas em decifrá-la." Samuel Úria (Nem Lhe Tocava) diz-nos que "muita dessa ficção foi sugerida pelo próprio, forjou o seu trajecto e personalidade." E como os mitos populares do seu país, Úria compara-o "aos vendedores ambulantes de elixires milagrosos do velho Oeste." 

O poder da palavra

É o fascínio de Dylan pelos portadores de mitos do seu país que o aproxima da folk no final dos anos 50. O seu grande ídolo é Woody Guthrie (de quem vemos cartas, desenhos ou discos), que deambula pelo país para cantar as suas histórias às camadas populares. Dylan inventa, então, a sua primeira personagem nos bares de Greenwich Village e, mais tarde, no seu primeiro disco em 1962. O músico Cão da Morte (Ainda Sem Nome) nota aí tudo o que marcou a sua carreira: "A interpretação dele já existia toda, e sabendo que o disco não tem muitas músicas suas, é fantástico. Canta grandes letras mas nunca deixa de lhes dar uma interpretação incrível." E as fotografias de John Cohen mostram um actor vagabundo e chaplinesco desconfortável nas roupas. "Quando fazem dele um novo Guthrie, Dylan mostra um desconforto que levará sempre consigo", diz Guillul. "Tem o mérito de nunca se ter sentido bem em lado nenhum independentemente das honrarias que recebe."

folk encontra o seu auge na luta pelos direitos civis e Dylan usa a força do protesto para criar grandes narrativas, comprovadas, aqui, nas letras de Masters of War ou The Lonesome Death of Hattie Carroll. Jorge Cruz (Roque Popular) vê-o como "uma alma-gémea de Zeca Afonso, conta tudo através de uma história ou personagem. Foi um espírito livre da canção, podemos retirar dali o que quisermos em vez de ter o pensamento dirigido." Uma foto do festival de Newport de 1963 mostra Dylan com Joan Baez e Pete Seeger a cantar We Shall Overcome, mas é como se o seu olhar já se encontrasse noutro sítio. "As pessoas diziam que ele representava uma geração, mas trata-se dos efeitos secundários da viagem que fez", explica Cruz. Para Úria, "Dylan agradava aos intelectuais puristas de Greenwich Village e ao monasticismo hippie, mas isso escondia uma maior sede de estrelato."

Uma entrevista de Murray Lerner, que filmou as presenças de Dylan no festival folk, define Mr. Tambourine Mancomo uma passagem para o imaginário surrealista. Jorge Cruz complementa: "Dylan tinha uma bagagem maior que o habitual: a América rural dos jornais, onde procurava histórias; os westerns [Dylan entrou em Pat Garrett & Billy the Kid (1973) de Sam Peckinpah]; a música negra do blues que dá no rock'n roll e no conceito de espectáculo; ou a poesia francesa e a poesia americana beatnik influenciada pelo bebop."

A explosão eléctrica

Mas a ruptura vem com a actuação de Dylan com guitarras eléctricas, em Newport, em 1965, concerto projectado na exposição. Nasce o escândalo de um artista que dá ao público o contrário do que deseja, mas também o encontro das formas da música popular através do folk-rock, popularizado na interpretação das músicas de Dylan pelos Byrds. "É a fascinação com o folk que legitima o rock", explica Guillul. "Quando não há ainda um discurso de validação, o rock começa a nascer com pessoas como Dylan." Like a Rolling Stone é o cume da sua criatividade, explosiva canção de 6 minutos (duração invulgar para a época) aqui presente no single original. 

Mas no pico da sua carreira, Dylan iria contrariar as vogas do seu tempo (o psicadelismo) e refugiar-se nocountry. Manuel Fúria (ex-Os Golpes) defende que "apesar de não ter seguido a linha da sociedade civil, Dylan foi sempre fiel à sua incoerência, e é fundamental um artista não estar demasiado agarrado a si próprio. Interessava-lhe a música, que tem uma ordem diferente da do mundo."

As fotos de Daniel Kramer formam o único corredor de um percurso labiríntico: imagens de tournées, das gravações de Bringing It All Back Home ou de retratos de um olhar sempre escondido. Para Fúria, "um dos principais atributos do seu magnetismo é o seu silêncio, só descodificamos a personagem através da obra." Do mesmo modo, as imagens são testemunhos de um método de composição ímpar. Jorge Cruz explica que "tudo é feito nos primeiros takes com bandas que não conhecem as músicas, vem tudo da vivacidade do momento. Essa energia ficou na música mais recente, até no punk."

Depois de imagens das passagens de Dylan por França, a exposição encerra com a projecção de Don't Look Back (1965) de D.A. Pennebaker, retrato de bastidores dos concertos do músico, em Inglaterra, em 1965. Aí, vemos que Dylan já se encontra fora do palco que ele construiu. "Vendeu a alma ao diabo, como os grandesbluesmen", diz Cruz. "Para o nível a que quis estar sujeito, decide fazer um grande teatro e abdica da sua vida. A fase actual já é o reconhecimento disso, como se não tivesse direito ao arrependimento e se deixasse nas mãos de Deus, tal como um bandido."

 

Retirado do Ipsilon



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Quarta-feira, 30.05.12
Milton NascimentoMilton Nascimento (Enric Vives-Rubio)

Milton Nascimento, a cantora de jazz Dianne Reeves ou o grupo californiano de roots reggae Groundation são algumas das estrelas do programa Verão na Casa, que a Casa da Música inaugura a 22 de Junho com uma sessão de clubbing, na qual actuarão vários DJ da editora Cómeme.

 

Até ao final de Julho, os vários espaços do edifício projectado por Rem Koolhaas, incluindo a sua praça exterior, receberão mais de meia centena de concertos, a maioria deles de entrada gratuita. Sem o apoio do Turismo de Portugal, que em 2011 tinha contribuído com 175 mil euros para esta programação estival, a Casa da Música teve de recorrer a uma dezena de fundadores, que aceitaram reforçar a sua contribuição anual, e ainda a um patrocínio especial da marca Super Bock, da cervejeira Unicer.

Contribuições que permitiram manter a diversidade de géneros musicais que costuma marcar esta programação, ainda que a contenção de custos tenha obrigado a reduzir a presença de grandes nomes da música pop ou do jazz.

A antecipar as festas sanjoaninas, o programa abre no dia 22, com uma noite de clubbing, que decorrerá em vários espaços do edifício, e prossegue no dia seguinte com o tradicional concerto de S. João, interpretado pela Orquestra Sinfónica do Porto. 

Ainda em Junho, no dia 27, Vitorino apresenta o espectáculo Ergue-te ó Sol de Verão, uma homenagem a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, e o clubbing regressa na noite de 30, com actuações de vários DJ, entre os quais se destacam o músico Nicolas Jaar, um génio precoce da música electrónica, autor do projecto Darkside, e Matthew Herbert, a estrela de cartaz, cujo mais recente projecto, One Pig, conta, em sons, a história de um porco desde que nasce até chegar ao prato onde irá ser comido. 

Na programação de Julho, os primeiros momentos fortes vêm do Brasil, com Milton Nascimento (dia 2), que está a celebrar o 40.º aniversário de um dos álbuns míticos da música popular brasileira: Clube de Esquina, e o grupo de world reggae Ponto de Equilíbrio, que actuará no dia seguinte. 

No dia 11, a Casa da Música recebe o projecto internacional Playing for Chance, criado pelo produtor Mark Johnson, que se dedica a descobrir talentos entre os músicos de rua. 

A cantora norte-americana Dianne Reeves, vencedora de quatro Grammys e considerada uma das grandes herdeiras dessa linhagem de divas do jazz que remonta a Sarah Vaughn ou Ella Fitzgerald, actua no dia 11, na sala Suggia, integrada no The Mosaic Project, da compositora e baterista Terri Lyne Carrington. 

Como é habitual, também o fado estará presente neste programa de Verão: António Zanbujo, que recentemente lançou o seu quinto álbum - laconicamente intitulado Quinto , dará a ouvir no dia 21 o seu fado atravessado por correntes várias, do cantar alentejano à morna. E no dia 26 será a vez de o grupo Fado Violado, um trio formado pela vocalista Ana Pinhal, pelo guitarrista Francisco Almeida e pelo contrabaixista David Baltazar, mostrar o que acontece quando se mistura a melancolia do fado com a exuberância do flamenco. 

Dois dias antes, a 24, a Casa da Música recebe os californianos Groundation, uma banda de roots reggae fundada em 1998 e que inclui nove músicos. 

O Verão na Casa, que este ano se chama Verão na Casa é Super Bock, fecha no dia 28 com um concerto do grupo de pop-rock Lissabon, formado por Pedro Lourenço, Inês Vicente, Soraia Simão e Garcês.

 

Retirado do Público



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Domingo, 27.05.12
A grande maioria estava presente no festival por causa dos californianos Linkin ParkA grande maioria estava presente no festival por causa dos californianos Linkin Park (Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP)
Cerca de 83 mil pessoas passaram neste sábado pelo Rock in Rio, numa noite de nostalgia rock, onde os mais aguardados acabaram por ser os Linkin Park e Smashing Pumpkins.

A maior parte não vai ao Rock in Rio para ser surpreendido, em termos musicais, entenda-se. As marcas no terreno, essas sim, dão o máximo para serem criativas na forma como tentam seduzir as milhares de pessoas para os seus espaços, mas das bandas, a larga maioria, espera apenas que repliquem os êxitos de sempre e cumpram com o que anseiam, gerando um efeito de reconhecimento, principalmente quando falamos de grupos que tiveram sucesso em décadas passadas, como é o caso dos Linkin Park, Limp Bizkit, Offspring ou Smashing Pumpkins. 

Mas por vezes acontecem surpresas. Raramente, mas ocorrem. Foi no intervalo de meia hora entre o concerto dos Linkin Park e dos Smashing Pumpkins, quando muito público partiu em debandada depois de ver os primeiros, que aconteceu. Foi no espaço Vodafone, um lugar de passagem, que a coisa se deu. 

Em palco, quatro músicos na casa dos vinte anos, com ar de ianques (de Nova Iorque, diriam depois) que dão pela designação de Oberhofer. Não são a melhor banda do mundo, nem provavelmente a melhor lá do seu bairro, mas mesmo assim foram aquilo (nervo, irreverência, energia, espontaneidade) que quase não se viu ao longo de toda a noite. 

Em meia hora os Oberhofer mostraram que o rock está bem vivo, quando ligado organicamente ao pulsar da vida, no seu sentido mais urgente. Quando é apenas espectáculo pelo espectáculo, sucumbe. Ficam os tiques. As astúcias repetidas à exaustão. A quantidade – de som, de cenário, de canções que repetem a mesma receita – em vez da pulsão inevitável. Na segunda metade da década de 90, depois do efeito Nirvana, o rock cresceu para os lados, desligou-se da vida, tornou-se balofo. Sim, existem excepções. Mas são isso: excepções. 

O chamado nu-metal cresceu assim, mas foi tendo sempre muitos adeptos. Que o digam os Limp Bizkit, durante muitos anos porta-estandartes do género, há alguns anos algo esquecidos, mas que no Parque da Bela Vista mostraram que em Portugal ainda têm imensos partidários. O vocalista Fred Durst fez aquilo que se espera dele, puxou pela assistência e escalou duas torres de câmaras, enquanto o resto da função ficou a cargo, essencialmente, da guitarra ruidosa de Wes Borland, num início de noite de rock cuidadosamente encenado, algo inconsequente, mas ainda assim com muitos seguidores. 

Horas mais tarde, os Linkin Park repetiram a fórmula, mas ainda para mais seguidores. Das 83 mil pessoas presentes – números da organização – a grande maioria estava lá por causa dos californianos. E saíram satisfeitos, cantando em coro canções como In the endNumb,Given upCrawlingSomewhere i belong ou Breaking the habit, com o vocalista Chester Bennington a revelar-se o principal impulsionador de um grupo que apostou na exposição dos temas de maior sucesso do seu percurso. Do novo álbum Living Things, quase a ser editado, acabaram por tocar apenas dois temas. 

Mas ninguém se importou. A imponente assistência cantou, colocou os braços no ar sempre que solicitada do palco, puxou dos telemóveis e dos isqueiros nos momentos mais melosos e do corpo nas alturas mais enérgicas. Ou seja, a prescrição funcionou sem grande mácula. Mas também, valha a verdade, sem grande emoção. A não ser quando endereçaram uma curta homenagem aos Beastie Boys (Sabotage) ou quando Bennington desceu até ao público e empunhou um cachecol do F.C. Porto que lhe foi oferecido (sem saber, claro, o que estava a fazer) e acabou por ser, com gentileza é certo, assobiado. 

Antes já haviam tocado outros repetentes no Rock in Rio, os americanos The Offspring, praticantes de um punk-rock reciclado para grandes audiências, que é tudo aquilo que o punk nos idos anos 70 não queria ser: enfadonho e previsível. 

No palco secundário, não se pode dizer que tenham existido grandes rasgos de criatividade na apresentação conjunta dos portugueses Xutos & Pontapés e dos brasileiros Titãs, mas seja em que circunstância for existe sempre verdade e uma forma, ao mesmo tempo empenhada e descontraída de estar em palco, que acaba por conquistar. E foi isso que aconteceu com a ‘superbanda lusobrasileira’, com dez músicos em palco, a divertir-se e a contagiar quem assistia, tocando canções de uns e outros, trocando de papéis (o cantor dos Titãs a cantar À minha maneira, por exemplo) e colocando em acção canções catárticas como Não sou o único (Xutos) ou Porrada (Titãs). Do concerto dos Smashing Pumpkins não se sabia muito bem o que esperar. Em mais de que uma ocasião, Billy Corgan havia dito que mais este regresso do grupo ao activo não significava que iriam fazer render os hinos de sempre. Mas perante tamanha multidão, nem eles resistiram à tentação, optando por uma solução mista: concentrando-se no material do antigamente como ZeroTonight ou Today, misto de rock furioso e rock sonhador, em versões arriscadas de canções conhecidas (The end is the beginning is the end) e alguns temas que farão parte do novo álbum de originais,Oceânia

De todos os grupos que passaram pelo palco principal, os Smashing Pumpkins foram, apesar de tudo, os que mais arriscaram. Talvez por isso, em alguns momentos, a assistência tenha parecido algo dormente, mesmo quando foram tocadas, no final, versões como Space oddity (David Bowie) ou Black Diamond (Kiss). Não deve ser fácil um grupo como o de Billy Corgan automotivar-se, apresentando novas canções, e não desiludir quem espera ouvir as canções da sua adolescência. Mas, louve-se o gesto, os Smashing Pumpkins estão a tentar. 

Para lá da música, o Rock in Rio, também já não surpreende, com montanhas russas, rodas gigantes, ofertas de sofás insufláveis, enfim, uma Disneylândia no meio do rock, que atrai gente de todas as idades. Há no entanto uma excepção: a zona onde foi recriado o ambiente de Nova Orleães. E foi aí que aconteceu outra das surpresas musicais do festival. Às tantas, ao início da noite, nesse local, fez-se ouvir uma banda americana de clássicos do blues. Sim, era apenas uma banda competente de versões. Mas no meio do alarido, conseguiram criar um clima de algum intimismo. Um milagre na Bela Vista.

 

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Sábado, 26.05.12
Excepção feita aos clássicos que todos sabem de cor, os Metallica não sobressaltaram a multidão
Excepção feita aos clássicos que todos sabem de cor, os Metallica não sobressaltaram a multidão (Miguel Manso)

A banda de Seek and destroy interpretou na íntegra Black Album, o seu disco de maior sucesso, mas não deslumbrou. O primeiro dia de Rock in Rio foi dedicado ao metal e isso, tal como o resto – o conceito, as atracções e as distracções -, já não é novidade. Num dia sem surpresas, 42 mil pessoas passaram pelo Parque da Bela Vista

 

Ainda o sol deste quente final de Maio iluminava o Parque da Bela Vista quando Andreas Kisser, o guitarrista dos Sepultura, a banda que inaugurou o palco Mundo, o principal do Rock in Rio, declarou para todos ouvirem: “Estamos aqui celebrando o heavy-metal. Melhor dia do festival, com certeza”. E sim, foi com certeza o melhor dia do festival para os tantos com t-shirts dos Metallica, dos Kreator (que tocaram no palco Sunsert) ou dos Motorhead (que veríamos estampados nas costas de James Hetfield, vocalista dos cabeças de cartaz).

Neste ano em que o Rock in Rio arrancou com o dia dedicado ao metal, a organização contabilizou 42 mil espectadores. Apesar da descarga eléctrica violenta, conturbada, das bandas em palco, foi um arranque sereno. Os Metallica encerraram a noite interpretando na íntegra o seu álbum mais bem-sucedido comercialmente, homónimo mas conhecido comoBlack Album, mas excepção feita aos clássicos que todos sabem de cor, não sobressaltaram a multidão.

Os Sepultura depararam-se com público muito considerável e tiveram nos Tambours Du Bronx, grupo de percussão francês, colaboradores perfeitos no acentuar da carga tribal-urbano-apocalíptica da sua música (o início, com uma barreira de percussão que desembocou em Refuse/Resist, foi exemplar). Mas era ainda muito cedo (às 18h estavam cerca de 20 mil espectadores na Bela Vista) para grandes tumultos entre a multidão metaleira que, como sempre, acorreu para celebrar a sua música, a sua comunidade. Que o digam os Mastodon, a muito celebrada banda a caminho de clássica que se seguiu aos Sepultura.

No extremo oposto ao palco principal, o palco Sunset lotou para os Ramp e assistiu-se a uma pequena debandada quando os Teratron, a banda electro rock mutante dos Da Weasel João Nobre e Quaresma (que eram ali parceiros de palco dos clássicos do metal português), tomaram o protagonismo e tocaram, por exemplo, uma versão de Firestarter, dos Prodigy.

Os fãs de metal são tão admiráveis na sua devoção e conhecimento das bandas e dos heróis do género quanto, muitas vezes, conservadores perante música que fuja às bases clássicas do rock'n'roll. Como tal, os sintetizadores, os ritmos e o cantor/MC dos Teratron – banda a pedir o escuro da noite ou da pista de um clube -, mostraram-se incapazes de cativar toda a multidão que, depois de os Mão Morta inaugurarem aquele palco com a companhia dos Mundo Cão e do escritor Valter Hugo Mãe, que se juntou para seguir os Ramp. O facto é que, de costas para o sol no Sunset, muito havia a explorar.

Este é, afinal, o Rock in Rio, um festival que, mais que qualquer outro, se promove enquanto experiência familiar com entretenimento diversificado. Oito anos após a primeira edição, tal não é novidade: lá vimos o slide que atravessa a zona fronteira ao palco principal; a roda gigante e a montanha-russa; sessões de karaoke e o lufa-lufa das ofertas dos patrocinadores que surgem a cada passo. Ao final da noite, o público carregaria para casa os tão concorridos sofás insufláveis, caminhando com os óculos de sol oferecidos na mão e com cristas cor-de-rosa na cabeça. Nessa altura, já se tinha visto o fogo-de-artifício que iluminou os momentos finais do concerto dos Metallica, a banda que todos esperavam e que surgiu no festival em modo de celebração.

Neste momento, o quarteto de São Francisco é no metal uma instituição assemelhada aos Rolling Stones. Vê-los é recordar uma história e as canções que as construíram. Ontem, isso foi mais evidente que nunca – a começar pelo colete do vocalista e guitarrista James Hetfield, onde se destacava o nome dos Motorhead e o logótipo dos Misfits.

Precisos como sempre, com uma produção sintomática da sua dimensão actual – palco de dois “andares”, ecrãs gigantescos, corredores entrando plateia dentro -, foram bombásticos e demoníacos no início onde se ouviram Master of puppets ou For whom the bell tolls. Foram, depois disso, inevitavelmente previsíveis. Esta é, afinal, a Black Album 2012 Tour.Nos ecrãs surgiram imagens que nos transportaram a 1991, data da edição do Black Album. Ouviu-se então esse mesmo álbum, o que lhes abriu as portas ao reconhecimento das massas, tocado da última à primeira canção, ou seja, de The struggle within a Enter sandman. Claro que se viram os braços de milhares movendo-se sincopadamente e claro que se ergueram telemóveis (e, momento retro, isqueiros) na balada das baladas Nothing else matters; obviamente que a rapariga à nossa frente, apoiada numa muleta, a ergueria quando se anunciou o riff dos riffs que é Wherever I may roam e também foi natural, digamos, aqueles dois à direita dela, jovens metaleiros há vinte anos, metaleiros com sinais de calvície hoje, abraçarem-se e saltarem de contentes, cerveja saltando do copo em todas as direcções, quando se anunciou a ainda deliciosamente sinistra Unforgiven.

Ainda assim, constatámos que se actualmente, culpa das facilidades da net, ninguém tem pachorra para ouvir um álbum do princípio ao fim, o mesmo sucedia há duas décadas (assim se explica que as últimas canções do Black Album tenham sido recebidas como completas desconhecidas). Ficou também a sensação, apesar da cortesia da praxe - “Metallica loves you” e por aí fora -, que a banda estava tão decidida a “despachar” o concerto quanto o público desejoso de se “despachar” a fruí-lo. É certo que o encore, com Fight fire with fire e One, com pirotecnia e fumos, devolveu alguma chama ao concerto (perdoe-se a redundância). É certo que teremos sempre Seek and destroy, mas faltou a química, o êxtase, o desejo rock'n'roll.

Não era certamente isso que antecipava o homem dobrado sobre si próprio que, a meio da noite, berrava desesperado ao telemóvel. “Mas eu estou no mesmo sítio, porra!”, insistia uma e outra vez. Em palco estavam os Evanescence e nós partilhámos aquela dor. A banda de Amy Lee, valquíria de saia de folhos e muitos malabarismos vocais, provoca precisamente aquela sensação: “Mas eu estou no mesmo sítio, porra!”. Uma melodia ao piano a puxar ao barroco sentimental via Kate Bush, a detonação da distorção das guitarras para dar a entender, sem qualquer vestígio de subtileza, que aquilo é coisa da pesada e, por fim, um refrão que cumpre ponto por ponto as regras de playlist de rádio anónima. Canção após canção, os Evanescence insistiram nisto.

Felizmente que, depois deles, apareceria no pequeno palco da Vodafone FM o punk hardcore dos portugueses Devil In Me. Irados, felicíssimos, transbordantes de energia, fizeram o público levantar toda a poeira que o chão guardava – e ainda homenagearam Adam Yauch, dos Beastie Boys, com uma versão de Sabotage.

Felizmente, enquanto Amy Lee contorcia a voz pela enésima vez, algo acontecia num espaço chamado Rock Street, rua inspirada em Nova Orleães e montada como cenário de estúdio de cinema. É a zona comercial do Rock in Rio e inclui restauração, loja de vestuário ou cabeleireiro. Também tem um coreto e, nele, estavam uns Antwerp Gipsy-Ska Orchestra que, enfiados nos seus fatos de gajos com pinta, saltitavam ao ritmo do ska e de fanfarra cigana (o nome da banda é realmente descritivo), com teclado borbulhante e saxofone que bamboleava em bom ritmo. Perante eles, algumas dezenas dançavam de sorriso estampado no rosto. Perante nós, uma surpresa agradável num espaço, a Rock Street sem rock, que surge como a novidade deste Rock in Rio que, à quinta edição, para o bem e para o mal, já conhecemos demasiado bem.

O festival continua neste sábado com os Smashing Pumpkins como nome principal. O cartaz que inclui ainda, no palco principal, Linkin Park, Offspring e Limp Bizkit.

 

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