Quarta-feira, 29.02.12
Susana Sousa Dias integrava a direcção desde 2011Susana Sousa Dias integrava a direcção desde 2011 (Miguel Manso)

A realizadora Susana Sousa Dias assume a partir desta terça-feira a direcção do festival DocLisboa, juntamente com Ana Jordão, Cinta Pelejà, e Cíntia Gil, substituindo Anna Glogowski. A investigadora brasileira abandonou o cargo por motivos pessoais, anunciou a Apordoc, Associação pelo Documentário.


Com a saída de Glogowski, que se manterá ligada ao festival de cinema português dedicado ao documentário como consultora de programação, o DocLisboa passará a ter uma direcção colectiva. Augusto M. Seabra mantém-se como programador associado.

Segundo o comunicado da Apordoc, Susana Sousa Dias, Ana Jordão, Cinta Pelejà e Cíntia Gil foram escolhidos para o cargo por já estarem envolvidos no DocLisboa, não tendo sido necessário procurar nomes de fora. Sobre a nova direcção, a Apordoc destaca o “mérito inequívoco sem se resguardar no conservadorismo que tantas vezes mina a capacidade de renovação de instituições e projectos”. 

“Quisemos trazer à luz novos valores, confiando na sua capacidade humana, intelectual e de trabalho para empurrar o DocLisboa para o futuro, em diálogo intenso com o presente e humilde aceitação da herança que recebem”, continua o comunicado. 

Anna Glogowski, que foi directora de documentários da estação de televisão francesa Canal + entre 1984 e 2002, trabalha no DocLisboa desde 2007 e assumiu o cargo de directora em Janeiro de 2011.

Com um percurso conhecido no festival, Susana Sousa Dias, que em 2010 recebeu o Grande Prémio do DocLisboa com o seu documentário “48”, já fazia parte da direcção de Anna Glogowski.

Por seu lado, Ana Leonor Jordão, que durante quatro anos foi directora de produção na Jumpcut – Produtora de Teatro e Cinema, transita da Apordoc, onde executava desde 2010 o cargo de directora de produção, para o DocLisboa. Também a espanhola Cinta Peleja integrava desde 2009 a equipa da Apordoc, tendo sido responsável pela coordenação da programação no festival. Em 2011 comissariou, com António Loja Neves, a retrospectiva «Movimentos de Libertação em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau (1961-1974)» no DocLisboa. Já a investigadora do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, Cíntia Gil, integrou o comité do festival.

Sobre a edição do DocLisboa, que celebra este ano dez anos, a nova direcção fez saber que as secções competitivas do festival (Competição Internacional Curtas e Longas, Investigações, Competição Nacional Curtas e Longas) vão continuar, assim como a secção Heartbeat e a secção Riscos. Também garantidas estão duas retrospectivas, sendo uma centrada na obra de um autor e outra temática, a ser comissariada por Federico Rossin (curador e crítico de cinema independente, co-director artístico do NodoDoc Fest de Trieste). 

Para breve ficam as novidades, que incluem o anúncio de duas novas secções, que “decorrem de mudanças naturais do próprio festival e do contexto específico do documentário contemporâneo”, lê-se na nota divulgada hoje. 

Para a nova direcção, a edição de 2012, que acontece entre 18 e 28 de Outubro, será pensada “como um lugar onde a coexistência (de filmes, pessoas, ideias, visões, pontos de vista) pode ser transformada em inscrição no real”. “Procuramos que o festival traga consigo uma energia crítica que se conjugue com o esforço daqueles que trabalham pelo cinema independente em Portugal e no mundo, que resistem e lutam pela existência de condições autónomas de exibição, discussão, formação de públicos e pensamento crítico”, acrescenta a direcção.

 

Via Público



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Sexta-feira, 21.10.11
"Crazy Horse" abre hoje o DocLisboa
"Crazy Horse" abre hoje o DocLisboa (DR)
O mote deste ano é "o mundo todo está em Lisboa" - mas talvez fosse mais apropriado falar de "os fins do mundo todos estão em Lisboa". Viagem por dez dias de programação.

"Um festival acordado para o mundo", disse-se na conferência de imprensa em que se apresentou, no princípio de Outubro, a edição 2011 do DocLisboa. Um mundo em crise, feito de mudança, colapso, metamorfose - "não são tempos fáceis e estamos de olhos abertos para eles".

Dito e feito: o que aí vem, ao longo de dez dias de festival que vão obrigar os interessados a desmultiplicarem-se por uma programação riquíssima e desafiadora, é um olhar lúcido, resoluto, não sobre "o mundo", mas sobre "os mundos" (tantos quantos podem caber dentro do planeta em que vivemos) e sobre os desafios à sua sobrevivência. O Doc abre hoje (Culturgest, 21h) com um olhar sobre um microcosmos - "Crazy Horse", de Frederick Wiseman, sobre os bastidores do célebre cabaré parisiense (em sala a 27 de Outubro) - e fecha a 29 (Culturgest, 21h), com um olhar sobre o tempo que passou na vida de um cineasta - "Photographic Memory", de Ross McElwee. 

Entre ambos, o Doc 2011 promete ser um festival de apocalipses - palavra que significa, no seu sentido mais restrito, "revelação". O que descobrimos, no Doc 2011, são mundos que acabam, que começam, que acabam para que outros comecem.

O melhor exemplo desse fim que é também um princípio é o filme mais abertamente desafiador de gavetas da competição internacional - e que, ainda por cima, é português: "É na Terra, Não é na Lua", de Gonçalo Tocha (Culturgest, dias 25, 21h, e 29, 14h45), "diário de bordo" de quatro anos de longas estadas na ilha açoriana do Corvo compactadas em três horas. Na encruzilhada do diário pessoal, do documentário de autor e do registo etnográfico, é um filme sobre a liberdade que se pode encontrar numa comunidade de 300 pessoas no meio do Atlântico; e também sobre um local em constante equilíbrio entre as tradições que se perdem e os recém-chegados atraídos pelos seus mistérios.

A ilha do Corvo de Gonçalo Tocha, entre passado que se dissolve e futuro difuso, tem muitos pontos de contacto com a aldeia belga de Doel ou a comunidade indígena argentina de Kolla Tinkamaku. Mas tem conseguido escapar ao destino da primeira, tal como mostrado no tocante filme do holandês Tom Fassaert, "An Angel in Doel": o camartelo em nome da expansão do porto de Antuérpia, a trasladação do cemitério, o lento desocupar de casas à qual só Emilienne Driesen, uma velhota casmurra, resiste (Culturgest, amanhã, 17h, e dia 24, 18h30). 

E não está ainda em riscos de desaparecimento como o modo de vida do grupo indígena da província argentina de Salta registado pelo alemão Thomas Heise no magistral ensaio "Solar System": rodado em quatro aldeias, o filme celebra um ritmo ancestral e orgânico de vida, ameaçado por uma "civilização" urbana cada vez mais próxima (Culturgest, dias 22, 16h, e 23, 21h45). 

Nem todos os fins de mundo são maus - como o provam a celebração da Primavera Árabe em Tahrir - "Liberation Square", do italiano Stefano Savona (São Jorge, dia 24, 22h), e "Plus Jamais Peur", do tunisino Mourad Ben Cheikh (Culturgest, dia 28, 21h30, e Londres, dia 30, 18h45). A nostalgia irá inevitavelmente colorir as memórias dos mundos antigos - como o olhar de Martin Scorsese sobre o "Beatle sossegado" George Harrison em "Living in the Material World" (São Jorge, dias 22 e 23 às 22h, em DVD em Novembro) ou o comunismo irredutível de Armando Cunha em "A Nossa Forma de Vida", de Pedro Filipe Marques (Culturgest, dias 22, 17h, e 25, 18h30), espantoso olhar para um Portugal íntimo e caseiro quase parado no tempo que é o ponto alto da competição nacional de longas. 

Mas alguns fins de mundo são dolorosos e espelham os momentos que vivemos actualmente. É o caso do desequilibrado "Wadan"s World", onde o alemão Dieter Schumann acompanha, ao longo de dois anos, um estaleiro da região de Hamburgo apanhado no turbilhão da crise económica (Culturgest, dias 22, 21h30, e 26, 16h). É o caso do perturbante e controverso "Vol Spécial", do suíço Fernand Melgar (Culturgest, dias 22, 19h30, e 27, 21h), que se concentra nos custos humanos das políticas europeias para com os imigrantes clandestinos, ou de "Les Éclats", de Sylvain George, "distilação" do olhar sobre a expulsão pelas autoridades francesas dos imigrantes romenos que o realizador tem acompanhado(Londres, dias 21, 18h45, e 23, 21h45). As perguntas que estes filmes levantam: como testemunhar aquilo que não pode ser registado? Como filmar aquilo que não pode ser filmado?É isso que "Barzakh" do lituano Mantas Kvedaravicius (Culturgest, dias 23, 16h00, e 24, 17h00), sobre os "desaparecidos" durante a guerrra civil na Tchetchénia, ou os outros todos que vão preencher as salas da Culturgest e dos cinemas Londres e São Jorge até dia 30, perguntam. Como podemos falar do mundo para que o mundo ouça?

 

Via Público



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Sexta-feira, 07.10.11
Filme de abertura: "Crazy Horse", de Frederick Wiseman
DocLisboa

Doc Lisboa 2011: Frederick Wiseman abre, Ross McElwee fecha, Gonçalo Tocha em competição, o Médio Oriente em destaque e muito mais em apenas dez dias de cinema "acordado para o mundo"

 

Se dúvidas havia, é este ano que elas ficam resolvidas: à nona edição, DocLisboa entra definitivamente no "núcleo central" dos festivais de documentários. "Já não estamos na periferia", como disse ontem, na apresentação oficial do Doc, Augusto M. Seabra, programador associado do certame que decorrerá de 20 a 30 de Outubro próximos em Lisboa.

 

Não bastam os quase 37 mil espectadores da edição 2010. A prová-lo, em 2011, estão 172 filmes, entre os quais um "filme-surpresa", cinco estreias mundiais e 17 primeiras obras, exibidos ao longo de dez dias na Culturgest, nos cinemas São Jorge e Londres e na Cinemateca Portuguesa, com extensões no último fim de semana ao Cinema City Campo Pequeno e ao Teatro do Bairro. A abertura é com o mais recente documentário de Frederick Wiseman, "Crazy Horse", sobre o cabaré parisiense, estreado em Cannes 2011; o encerramento com "Photographic Memory", de Ross McElwee, que esteve em Veneza 2011

 

Pela primeira vez em cinco anos, um filme português estará na competição internacional: "É na Terra, Não É na Lua", de Gonçalo Tocha, que concorre ao prémio máximo do festival ao lado de obras que já causaram sensação noutros festivais como "Tahrir - Liberation Square" de Stefano Savona ou "Vol spécial" de Fernand Melgar.

 

Facto tanto mais significativo quanto as selecções competitivas - tanto internacional como nacional - têm este ano menos filmes. É uma opção e não falta de "oferta", como explicou na conferência de imprensa a programadora Anna Glogowski, que assume este ano a direcção do certame. "Vimos cerca de 1400 filmes, fora os que descobrimos em festivais. Mas as nossas grandes orientações para este ano eram tentar concentrar salas, diminuir o número de filmes propostos e estabelecer um diálogo entre as várias secções."

 

Esse diálogo pode, por exemplo, ser entre as actuais convulsões do Médio Oriente e os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas. No primeiro caso, apresentar-se-ão obras sobre a "Primavera Árabe" de 2011 (casos de "Tahrir", rodado no Egipto durante a ocupação da Praça Tahrir, e do filme tunisino "Plus jamais peur" de Mourad ben Cheikh) e a "Revolução Verde" iraniana de 2009 ("Fragments d'une révolution", obra colectiva sobre as controversas eleições, e o muito aclamado filme sobre a prisão domiciliária de Jafar Panahi, "Isto Não É um Filme", que chegará às salas logo a seguir). No segundo, teremos uma retrospectiva de perto de duas dezenas de obras há muito invisíveis e nunca anteriormente reunidas sobre os movimentos de libertação de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, marcando o 50º aniversário do início da Guerra Colonial.

 

Essa política multidisciplinar prolonga-se para as duas retrospectivas históricas de 2011, dedicadas a um dos nomes centrais da evolução da forma-documentário, Jean Rouch (a decorrer durante o Doc e até Novembro na Cinemateca Portuguesa), e ao cineasta e artista visual Harun Farocki, "um velho sonho realizado" segundo Seabra, prolongada para a exposição "Três Duplas Projecções" que está já patente no Palácio Galveias.

 

Igualmente de nota é a secção musical Heartbeat, que se procurou "tão diversificada quanto possível", abrindo com uma das raras ocasiões de ver em grande écrã o documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison, "Living in the Material World". Miriam Makeba por Mika Kaurismäki (irmão de Aki), Michel Petrucciani por Michael Radford (autor de O Carteiro de Pablo Neruda) e os Ramones por Michael Gramaglia e Jim Fields são alguns dos outros nomes em foco na secção.

 

Haverá ainda um "filme-surpresa" de um dos grandes documentaristas da actividade - surpresa não por questão de marketing, segundo Augusto M. Seabra, "mas por constrangimentos relativos ao anúncio prévio" de filme.

 

E muitos mais nomes de peso pelas múltiplas secções do certame: por exemplo, os chineses Jia Zhang-ke e Wang Bing (com "I Wish I Knew" e "The Ditch", respectivamente, ambos em ante-estreia nacional). Ou os americanos James Benning ("Twenty Cigarettes") e Alex Gibney ("Client 9", sobre o escândalo de prostituição que "desgraçou" o governador de Nova Iorque Eliot Spitzer). Ou o alemão Cyril Tuschi, com o seu documentário de investigação sobre Mikhail Khodorkovsky. Ou Agnés Varda, de quem veremos em estreia mundial o primeiro episódio da série televisiva "Agnés de ci de là Varda", parcialmente rodado em Portugal e que Anna Glogowski define como "os passeios de Agnès".

 

É uma programação de luxo para apenas dez dias e só aflorámos a superfície. O melhor mesmo é consultar o programa em http://www.doclisboa.org/. Os bilhetes já se encontram à venda, na bilheteira central da Culturgest.  

 

Via Ipsilon



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