Sexta-feira, 22.06.12

Já há ebooks portugueses à venda nas lojas Apple, Barnes & Noble e Amazon. Mas os dois grandes grupos editoriais do país, Leya e Porto Editora, têm estratégias diferentes quanto ao digital. E que futuro face ao Brasil, o gigante que também fala a nossa língua?

 

Os apreciadores de bibliotecas digitais e de ebooks já podem ler em português. Também cá, as novidades editoriais deixaram de ser produzidas apenas para o papel: os livros começam agora a chegar ao mesmo tempo às livrarias e às lojas online, onde os consumidores podem adquiri-los em versão digital, mais barata. O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro (Dom Quixote), é um bom exemplo: o romance está à venda, na sua versão impressa, nas livrarias portuguesas, e está também disponível, mais barato, em formato digital através da livraria Leyaonline (a antiga Mediabooks), das aplicações da Leya (para iPad, iPhone, iPod Touch e Android), da livraria onlinenorte-americana Barnes & Noble e ainda da loja da Apple, a iBooks. Em breve, este e outros livros da Leya vão estar à venda na Google ebooks e na Amazon para compradores da Europa.

Há um ano, esta diversidade não acontecia. Mas agora o grupo Leya está a converter parte do seu catálogo para o formato digital e a integrar as novidades. "Temos visto esta aposta sempre do ponto de vista da visibilidade que podemos dar aos nossos autores, nomeadamente além fronteiras, mas o que é certo é que o número de downloads já começa a ser significativo", afirma o director de marketing de edições gerais deste grupo editorial, Pedro Sobral. "2011 terminou com um número de downloads bastante acima do previsto quer na Leyaonline, quer no site que se dirige essencialmente a quem tem sistemas Android. Na iBooks, da Apple, temos livros à venda desde Novembro. Começaram agora a aparecer nos tops. No ano passado estivemos mais concentrados a resolver as questões operacionais (carregamento de ebooks, metabases, etc) e só em Janeiro começamos a trabalhar na visibilidade dos livros".

Há cerca de um mês, os ebooks de José Saramago em português estiveram em destaque. Quem visitava a iBooks via um anúncio com a frase "Saramago ebooks in portuguese" e a imagem das novas capas. "Isso fez com que os livros vendessem muito. Também fizemos uma campanha com os livros policiais do sueco Stieg Larsson", conta Pedro Sobral.

Apesar deste balanço positivo, a Leya não divulga números concretos de vendas e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros também não os tem. Mas quando consultámos o top dos livros mais vendidos na iBooks portuguesa, aparecia em primeiro lugar o romance que recebeu o Prémio Leya 2011, cujo ebook pode ali ser descarregado por 9,99€ (13,30€ é o preço do editor para a versão impressa). No segundo lugar, um romance mais antigo, Onze Minutos, do brasileiro Paulo Coelho, numa edição brasileira da Sant Jordi Associados (4,99€). A seguir vinha The Lion King, livro em língua inglesa editado pela Disney (1,49€). Também no top da loja Leyaonline oebook mais vendido é o romance de João Ricardo Pedro. Só que lá, em formato ePub, o livro está mais barato (8,99€), e é seguido do mais recente romance de Mia Couto, A Confissão da Leoa (11,99€) e de Os Da Minha Rua, de Ondjaki (5,99€).

No final do ano passado, a Leya fez também um acordo com a cadeia de livrarias norte-americana Barnes & Noble, que comercializa oereader Nook e permite, através de aplicações, que os seus livros sejam lidos em computadores PC e Mac, no iPhone, no iPad e no sistema Android. Por isso, O Teu Rosto Será o Último está à venda nesta loja online, em versão Nook Book, por 13,18 dólares. Como o processo de integração de informação de dados na livraria norte-americana foi mais complexo, só há pouco é que o catálogo da Leya - incluindo as suas edições portuguesas e as brasileiras - ficou disponível. "Tem sido uma surpresa muito agradável. É uma venda muito focada nos EUA, onde o Nook tem uma taxa de penetração alta. Fora dos EUA a venda não é muito relevante. Mas a nossa presença na Barnes & Noble está relacionada [com a possibilidade] de distribuir livros electrónicos para as comunidades portuguesas e para quem nos EUA queira ler livros em português", explica Pedro Sobral.

Já há bastante tempo que a Leya tem um programa de parceria com a Google Books (quando se faz uma pesquisa podem consultar-se excertos de alguns PDF de livros publicados pelo grupo português e brasileiro). Neste momento, está em processo de integração de dados para que a Google ebooks possa vender e distribuir os livros electrónicos Leya através das suas lojas. O passo seguinte será chegar a acordo com a Amazon - e não deve tardar.

A Leya está entre as editoras já contactadas pela Amazon Espanha, que quer ter livros portugueses à venda. Ao que se sabe, não haverá uma loja Amazon portuguesa, tal como vai haver uma loja Amazon brasileira. "Temos vindo a falar com a Amazon muito tranquilamente, quer a Leya Portugal, quer a Leya Brasil", revela Pedro Sobral. "Para nós a questão essencial é que os nossos parceiros e distribuidores tenham as mesmas condições. Isso é sine qua non", acrescenta. Apesar disso, em breve a Leya terá os seus ebooks na versão Kindle à venda na Amazon, acessíveis a compradores europeus.

Um mercado fechado

Quem já tem os seus dicionários à venda na Amazon é o grupo Porto Editora. Para os dispositivos Kindle, estão disponíveis desde Maio os dicionários bilingues de Português-Inglês, Inglês-Português e Português-Francês e Francês-Português. Custam 12,64 dólares cada.

Na App Store, da Apple, o grupo tem desde o ano passado disponível a Diciopédia mobile e o Dicionário da Língua Portuguesa (que são gratuitos) e ainda dicionários bilingues pagos. Entretanto desenvolveu uma aplicação específica para dispositivos com sistema Android e para o Windows Phone 7.

Embora, tal como a Leya, a Porto Editora não divulgue números de vendas, desde Janeiro de 2011 até agora registou 1,3 milhões dedownloads de conteúdos mobile. Embora os registos provenham de cerca de 80 países, mais de 70% dessas descargas foram feitas no Brasil, com destaque para a aplicação do Dicionário de Língua Portuguesa.

O projecto Os Miúdos, uma série de histórias infantis com personagens do site Sítio dos Miúdos, está também à venda na App Store (2,99€ cada aplicação). Estas histórias animadas podem ser lidas no iPad e ouvidas em inglês, espanhol, português de Portugal e português do Brasil.

Até aqui os editores compravam o papel e imprimiam os livros onde lhes apetecia. A seguir, tentavam vendê-los onde quer que fosse: livrarias, hipermercados, correios, bombas de gasolina. Nesta era do digital, os editores passaram a estar dependentes das empresas que têm a tecnologia e são também distribuidoras. São obrigados a fazer os seus livros electrónicos num determinado formato e a vendê-los unicamente na loja de determinada empresa: formato exclusivo Kindle para a Amazon, sistema operativo iOS exclusivo para Apple na App Store, formato exclusivo para Nook na Barnes & Noble, etc. Em alguns países (Espanha, França, Brasil), os editores têm tentado juntar-se para melhor protegerem os seus interesses e evitar que seja a venda de hardware a impor as regras no mercado do livro.

"Este é um mercado específico, por isso é que há uma lei do preço fixo do livro em muitos países e não há um preço fixo da gasolina ou das batatas. O livro, todos sabemos, é um bem cultural insubstituível, pelo que ao longo das últimas décadas tem tido um tratamento específico, tanto a nível legislativo como a nível de políticas", defende Vasco Teixeira, administrador e director editorial do Grupo Porto Editora.

"Obviamente, isto não agrada a estes novos agentes do sector. Para eles este é um mercado como qualquer outro. Nenhum vem da área do livro e querem é tratar as coisas caso a caso, porque não lhes interessa que os editores tenham uma frente unida. Mas se este mercado for tratado como qualquer outro vai destruir-se culturalmente muita coisa", acredita o administrador, para quem em Portugal ainda se está no início dos inícios: "Nem sequer começámos a volta de aquecimento."

É por isso que, antes de avançar mais, a Porto Editora está a tentar encontrar soluções tecnológicas mais amigáveis para os utilizadores. O grupo considera que não faz sentido que um editor tenha de fazer um livro técnico ou ilustrado para a Apple, outro para a Amazon e ainda outro para a Barnes & Noble. "A estratégia destes players é fazer o seu mundo fechado para controlar os clientes e contrariar o negócio. A estratégia do editor, na minha opinião, não pode ser fazer o jogo deste mundo fechado. Eu quero um livro que funcione bem em todos os tamanhos de aparelhos e em todos os aparelhos. Com isso estou a aproximar-me daquilo que deve ser a vontade do público".

No ambiente digital, não é fácil para um consumidor, quando faz um download, distinguir se se trata de um livro de dez páginas ou de mil. No mundo físico é fácil, porque na livraria se percebe logo porque é que um livrinho de piadas, a preto e branco, está marcado a dois euros e um livro encadernado e com óptimas fotografias da Phaidon é vendido por 150.

"A Amazon tem uma estratégia de preços própria que é a de tentar vender livros o mais baixo possível. É óbvio que isso vai degradar o valor do sector e o valor dos livros. Se o público aderir a essa compra de livros ao desbarato, os livros verdadeiramente mais difíceis de fazer, mais extensos, cujas traduções custam mais dinheiro, que o autor demorou mais tempo a escrever, ou não têm rendimento nenhum ou [se forem vendidos mais caros] vão ter poucas vendas", lamenta Vasco Teixeira.

O problema do IVA

Se formos espreitar na Wook, a livraria online do grupo Porto Editora, o top dos livros mais vendidos é toda uma outra história. Em primeiro lugar está A Mentira Sagrada, de Luís Miguel Rocha, edição Porto Editora (14,50€). Em segundo lugar aparece E-learning e E-conteúdos, de Jorge Reis Lima e Zélia Capitão, pelas Edições Centro Atlântico, 13,99€); em terceiro, Por Trás do Silêncio, de Heather Gudenkauf, também Porto Editora (13,50€).

Embora a Wook já esteja a vender os ebooks da Porto Editora, ainda não se encontra lá todo o catálogo deste grupo editorial. "Estamos a trabalhar com alguma cautela. Achamos que é demasiado cedo e que há poucos consumidores com aparelhos para consumir estes livros", afirma o administrador. Lembra ainda que há problemas legais "graves", como a questão do IVA, que "estão a atrofiar o mercado digital português": "Temos a certeza que, mais cedo ou mais tarde, isto se vai resolver, mas o mercado só se desenvolverá quando isso acontecer."

Já no ano passado, durante o Congresso do Livro na Praia da Vitoria, Açores, o administrador-delegado da Leya, Isaías Gomes Teixeira, alertara para a necessidade de haver mudanças na lei e para a urgência de se tomarem decisões por causa da concorrência num mundo globalizado. Em Portugal, o IVA aplicado aos livros electrónicos corresponde à taxa máxima de 23%, enquanto o IVA aplicado ao livro impresso é muito inferior, de 6%. Para aumentar a confusão, se um editor português vender actualmente um ebook integrado num suporte físico (um CD-ROM, uma pen, etc), já lhe é aplicado o IVA à taxa reduzida. É por isso que na União Europeia se discute agora o que pode ser considerado um livro electrónico.

"A questão do IVA é muito relevante. Por hipótese: se eu vender um ebook da Porto Editora a um site francês ou luxemburguês, ou mesmo à Apple, eles podem comercializá-lo a um leitor português cobrando 3% de IVA. Se eu vender o mesmo livro directamente através do meusite ou de um retalhista português, tenho de cobrar 23% de IVA. Neste momento há concorrência desleal e desequilíbrio entre os vários países", critica Vasco Teixeira.

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) tem apoiado os esforços da Federação Europeia de Editores (FED) no sentido de obter a alteração das leis europeias nesta matéria, aproveitando a abertura manifestada pela Comissão Europeia e a deliberação do Parlamento Europeu a favor da aplicação do mesmo IVA a todos os tipos de livros. Tem também defendido esta mesma posição junto das autoridades portuguesas e o Ípsilon sabe que a Secretaria de Estado da Cultura está a trabalhar numa solução para o problema.

"Não podemos dizer que haja desequilíbrio entre Portugal e os restantes países europeus integrados na União Europeia, porque, à excepção da França e do Luxemburgo, que legislaram em contradição com as normas comunitárias, todos os restantes países cumprem a aplicação da taxa normal de IVA no download ou no acesso online a livros electrónicos", explica Henrique Mota, editor e presidente do Conselho Técnico para a Internacionalização da APEL.

O processo negocial está a decorrer e há a expectativa de que vai ser possível encontrar um entendimento entre todos os editores europeus até 2015. "A questão mais controvertida neste momento é a definição de livro, de modo a que esta alteração fiscal não venha a ser usada indevidamente. A FEP tem em mãos este processo de consensualização do conceito de livro entre os vários stakeholders (de todos os países), físicos ou electrónicos, e deve alcançar um consenso antes do final do ano", continua Henrique Mota, admitindo que na próxima Assembleia Geral da Federação Europeia de Editores, a decorrer no Estoril de 28 a 29 deste mês, possa haver alguma evolução importante. É provável, quanto ao IVA, que a União Europeia venha a impor um princípio de territorialidade: um livro digital vendido no Brasil deverá reflectir o IVA à taxa aplicável no país para onde esse livro for enviado. O que significa que, mesmo que um leitor português compre um livro num país em que o IVA seja inferior ao que lhe é cobrado em Portugal, no final a disparidade fiscal não lhe renderá qualquer poupança.

Para o Brasil, e em força

Mas há outra questão que não é linear no ambiente digital. "O direito de autor sempre esteve ligado ao território: à execução física dos livros, à tradução e adaptação à realidade do país, mas também ao próprio circuito comercial e à distribuição locais. Com o digital perdem-se estas fronteiras, mas os direitos de autor e os contratos ainda são territoriais. Não se pode transformar o mercado numa selva. Não posso comprar um livro, traduzi-lo para português e eventualmente para espanhol e pô-lo à venda para todo o mundo. É uma questão complexa", afirma Vasco Teixeira. No congresso dos Açores, Isaías Gomes Teixeira já admitia que no futuro teria de decidir se a livrariaonline do seu grupo, a Leyaonline continuaria a ser portuguesa ou passaria a ser uma empresa brasileira, já que a Leya opera nos dois países.

O Brasil é um gigante que também fala português. O mercado digital brasileiro é infinitamente mais apetecível do que o nosso. Mas por lá, por causa da burocracia, tudo está atrasado. A Amazon queria ter começado a operar no Brasil em Abril, mas não conseguiu; agora fala-se em Setembro. A empresa norte-americana poderá abrir a sua loja online em português do Brasil antes de chegar a época das vendas de Natal. Já contratou um executivo brasileiro, Mauro Widman, que era responsável pelos livros digitais na Livraria Cultura e está agora negociar com os editores brasileiros. Ao que se sabe as negociações com a Amazon não têm sido fáceis por causa dos termos dos contratos impostos pela empresa norte-americana.

Também a Google contratou no Brasil uma pessoa para negociar com as editoras: Newton Neto. Mas a empresa norte-americana adiou a abertura da loja Google Play no Brasil. O que estará a atrasar o processo é implantação do sistema de pagamento.

Por causa disso, a primeira loja de ebooks da Google num país que não é de língua inglesa acabou por abrir em Itália, país europeu que já tem desde Dezembro uma loja Kindle (da Amazon) e uma iBookstore (da Apple) desde Outubro.

Em Abril do ano passado, a Kobo, outra das empresas importantes no sector dos ebooks, disse que também ia apostar em Itália e lançar uma loja naquele país. Há semanas a Kobo anunciou oficialmente que está a montar uma operação no Brasil.

Ricardo Costa, editor da PublishNews brasileira, acredita que a Amazon e a Kobo vão iniciar as suas operações no Brasil ainda este ano. "Na verdade a Kobo tem uma vantagem sobre a Amazon: a parte financeira, administrativa e burocrática está bem resolvida porque a empresa japonesa que comprou a Kobo, a Rakuten, já tem operação de e-commerce no Brasil - é aliás a maior plataforma de vendasonline e fornece para várias empresas no Brasil. A Kobo precisa contratar um executivo e começar a conseguir conteúdo. E acho que pode conseguir isso mais rápido do que os ‘gigantes' Amazon e Google, porque me parece uma empresa bem mais flexível", explica ao ípsilon o jornalista e especialista em mercado digital por email.

Num mercado cada vez mais globalizado e em época de acordo ortográfico já aconteceu editores portugueses quererem comprar os direitos digitais de determinado livro estrangeiro e ser-lhes dito que já não o podiam fazer pois os direitos para língua portuguesa já tinham sido vendidos para o Brasil.

Numa entrevista que deu recentemente ao Estado de S. Paulo, o editor brasileiro Sérgio Machado, do grupo Record, defendia que a salvação para esta guerra pode passar pela aposta nos autores nacionais: "Nesse ambiente do ebook, o que vai fazer a diferença, na hora que a gente estiver na última batalha mortal com a Amazon, é o catálogo nacional. Claro que é confortável e prático comprar num leilão um autor feito no exterior. Mas você tem que realmente construir e trabalhar com o autor nacional. Dá resultado."

 

Noticia do Ipsilon



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Quinta-feira, 12.04.12

Steve Jobs a apresentar a parceria com as editoras, em Janeiro de 2010

Steve Jobs a apresentar a parceria com as editoras, em Janeiro de 2010 (Kimberly White/Reuters)

A Apple e as editoras Macmillan e Penguin vão a tribunal, acusadas de terem combinado subir os preços de livros electrónicos, como forma de contrariar os preços mais reduzidos da Amazon.

 

As empresas, disse o procurador responsável pelo caso numa comunicação à imprensa americana, “trabalharam juntas para eliminar a concorrência entre as lojas que vendem livros electrónicos, acabando por aumentar os preços aos consumidores”. No processo, que chegou agora à justiça, a acusação afirma ainda que “a Apple claramente compreendeu que a sua participação neste esquema resultaria em preços mais elevados para os consumidores”. 

De acordo com a descrição da acusação, as negociações para combinar preços envolveram conversas apenas entre os CEO das várias empresas, em salas privadas de restaurantes luxuosos de Manhattan. 

Três outras editoras (a Hachette Book Group, a Simon & Schuster e a HarperCollins) terão participado no arranjo, mas não vão ser processadas porque chegaram a um acordo com a acusação, que terá ainda de ser aprovado.

Os termos do acordo obrigam as três editoras a romper os actuais contractos com a Apple e a não celebrar contratos com uma cláusula que impeça vendedores de fazer preços mais baixos do que os combinados com um outro vendedor – uma cláusula que até agora usavam e que tinha os preços da Apple como referência. Para além disto, ficam ainda proibidas, durante dois anos, de impor qualquer restrição aos descontos que os vendedores queiram fazer. 

Segundo a acusação, as cinco editoras – que, juntamente com a editora Random House, constituem o grupo dos seis gigantes editoriais dos EUA – decidiram usar com a Apple um sistema em que o preço de cada livro era determinado pela editora, ficando a Apple com uma comissão de 30% sobre o valor da venda. 

No modelo anterior, que era usado nos negócios com a Amazon, esta pagava às editoras (que actuavam como grossistas) e vendia os livros ao preço que quisesse. Para as editoras o problema foi a Amazon ter disponibilizado livros electrónicos a dez dólares, um preço muito mais reduzido do que as edições impressas e abaixo do que as editoras queriam.

Os acordos entre as editoras e a Apple acabaram por forçar a Amazon a optar pelo mesmo modelo e a ter de subir os preços dos livros electrónicos. Embora o processo seja resultado de uma investigação da autoridade da concorrência americana, o modelo de agência levou a um aumento de preços para clientes de todo o mundo, incluindo de Portugal.

 

Retirado do Público



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Sábado, 03.03.12

 

Em domínio público, as 10 obras do poeta Fernando Pessoa foram compiladas pelo Universia e disponibilizadas para consulta grátis.

Clique nos links abaixo.

» Revista Orpheu nº 01

» Revista Orpheu nº 02

» Ultimatum

» A Voz do Silêncio

» English Poems I

» English Poems II

» Mensagem

» À Memória do Presidente-Rei Sidónio Paes

» 35 Sonnets

» Antinous


Retirado de Ebook Portugal



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Domingo, 01.05.11
O multimédia está muito presente na feira
O multimédia está muito presente na feira (Ricardo Silva)

 

O digital está a ganhar terreno no mundo dos livros. No Parque Eduardo VII, tanto no pavilhão do grupo Babel como na Praça LeYa vai ser possível consultar e folhear livros electrónicos.

 

Mal se chega à Feira do Livro de Lisboa, que hoje abre às 12h30 no Parque Eduardo VII, dá-se logo conta que ali aterrou um objecto não identificado. É o pavilhão do grupo Babel, concebido pela arquitecta Soledade Paiva de Sousa, que poderia ser um paralelepípedo negro gigante que sofreu uma fractura e é rasgado horizontalmente, de um lado ao outro, por uma faixa de luz. 

É dentro deste pavilhão - completamente diferente de todos os outros que o rodeiam, com 56 metros de comprimento, por três metros e meio de largura - que os leitores vão ter acesso a livros digitais. Logo no espaço infantil, há uma zona multimédia, um quiosque com jogos didácticos. Mais à frente, os leitores são surpreendidos com uma estrutura que parece um livro gigante, aberto, mas não é de papel. No dia em que visitámos a feira ainda não estava tudo montado, mas nessa estrutura será projectado um livro electrónico que pode ser folheado. É uma maneira diferente de se ler a Mensagem, de Fernando Pessoa, da Babel, aquela que reproduz a primeira edição da obra que está na Biblioteca Nacional. 

Depois de se passar pelas zonas exclusivas dedicadas a autores - Jorge de Sena, Agustina Bessa-Luís, Fernando Pessoa e Padre António Vieira - no pavilhão; pelos ecrãs com trailers de livros; chega-se ao "e-quadrado". É um quiosque multimédia, com dois ecrãs, que o grupo editorial de Paulo Teixeira Pinto está a desenvolver para colocar em 20 lojas de norte a sul do país. Num dos seus ecrãs tácteis é possível ler ebooks. No futuro, ainda não acontecerá nesta feira, estes livros poderão ser adquiridos a partir deste "e-quadrado", mesmo nas livrarias. 

Na parte de cima do Parque Eduardo VII, do lado oposto ao pavilhão do grupo Babel, também haverá um espaço onde os visitantes da feira podem conhecer e ler ebooks. Uma parte de um dos pavilhões da Praça LeYa, mais concretamente o pavilhão do "Fantástico", foi transformada para aí se criar o espaço dinamizado pela LeYa Mediabooks, a livraria online deste grupo editorial. Estará equipado com dois PC portáteis, nos quais os visitantes da feira poderão, por um lado, conhecer e ler ebooks disponíveis no catálogo da Mediabooks e, por outro, consultar o catálogo de livros; o espaço estará também equipado com tablets, nos quais os visitantes poderão experimentar a leitura de livros digitais. Por sua vez, o grupo Porto Editora não terá ebooks na feira, mas está a preparar, para o mês de Maio, um evento dedicado ao ebook em conjunto com a Wook, a livraria online do grupo.

Mais tecnológicas

As coisas parecem estar a mudar. Pela primeira vez na história da Feira do Livro de Lisboa o livro digital vai conviver lado a lado com o livro impresso. Nada que não se passe já em outras feiras por esse mundo fora, embora a maior parte delas tenha características diferentes da Feira do Livro de Lisboa, pois, além de serem abertas ao público (durante alguns dias), estão vocacionadas para profissionais, para o negócio de compra e venda de direitos. "É inevitável que as feiras do livro passem a ser cada vez mais tecnológicas. É uma parte importante do mercado editorial que está a sofrer uma mudança e isso tem que se reflectir também no espaço onde o livro está presente, neste caso na Feira do Livro de Lisboa, o espaço principal de contacto do mundo da edição portuguesa com o seu público final", explica Nuno Seabra Lopes, consultor editorial da Booktailors.

Tal como já acontece nas feiras internacionais, em Portugal a importância do digital vai ter que começar a ser evidente. "Apesar de a nossa feira ter características diferentes, acredito que dentro de um ano, dois, poderá haver vendedores de ereaders e que também nos seja possibilitada a compra de ebooks", acrescenta Seabra Lopes. 

Este ano, nos primeiros quatro meses, os dados relativos à venda de livros nos EUA e no Reino Unido, anunciados pela Nielsen Bookscan, mostram que as vendas de ebooks estão a conduzir a uma quebra na venda de livros impressos. A editora Penguin anunciou que dez por cento do seu volume de negócios do ano passado já se deveu ao livro electrónico. "Sendo eles um grupo editorial tão forte e sem nenhum interesse directo em nenhuma tecnologia, não vendem Kindle ou Nook ou outro ereader. Sendo uma editora isenta, acho que é muito expressivo o negócio dos ebooks entrar nos dois dígitos. Começa a ser uma área com uma importância muito forte", diz Eduardo Boavida, editor da Bertrand. E isso notou-se na Feira do Livro de Londres, onde esteve José Prata, editor da Lua de Papel. Nas livrarias londrinas há também sinais de crise. A edição em capa dura está em extinção em Inglaterra, as novidades estão a ser publicadas em capa mole contra o que era tradicional no mercado anglo-saxónico. "Há uma caminhada para tornar o livro mais barato. Vê-se uma certa decadência no acabamento do livro por causa dos custos. A tentativa é tornar o livro impresso mais barato para competir com os ebooks e com os livros físicos que estão à venda na Internet com grandes descontos", explica José Prata. 

De feira em feira internacional costuma andar o jornalista Ricardo Costa, da PublishNews, um portal brasileiro que divulga uma newsletter diária sobre o mercado editorial. "A tendência é que as feiras estejam cada vez mais a voltar-se para o digital. No Brasil os editores perceberam que não vai demorar, já está aí. Os livros em formato digital estão a ocupar um espaço cada vez maior e acredito que daqui a uns anos as feiras do livro comecem a diminuir o seu espaço físico", explica ao telefone de São Paulo.

 

Via Público



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