Domingo, 17.06.12
Como conto à família que sou Gay
A especialista alerta que pais preconceituosos tendem a intimidar o filho e deixá-lo desconfortável a revelar a homossexualidade

Curiosidade e desejo por alguém do mesmo sexo não é nenhuma doença, mas pode ser um sinal de homossexualidade. O problema é que para muitos pais essa é uma condição difícil de ser aceita e revelar a opção sexual pode ser um verdadeiro tormento para os filhos. 

 

A psicóloga comportamental Gabriela Palma Veneziano Monéa explica que, geralmente, é na pré-adolescência, por volta dos 12 anos, que o interesse pelo sexo começa. Mas, desde muito cedo, por volta dos três anos, já ocorre uma identificação maior por um ou outro gênero.

"Muitos pré-adolescentes participam de brincadeiras e experiências sexuais, incluindo o exibicionismo mútuo. Nessa fase, podem confundir identificação com atração sexual. É uma fase do desenvolvimento sexual e irá ajudar a amadurecer e definir a identidade sexual." Gabriela afirma que, em geral, quando as pessoas chegam à puberdade o interesse pelo próximo mostra-se mais definido. A especialista ainda alerta que os pais preconceituosos tendem a intimidar o filho e deixá-lo desconfortável para abrir-se com eles.

A psicóloga dá dicas de como descobrir a homossexualidade dos filhos. "Os sinais mais claros estão ligados à identificação de gênero. Com os meninos nota-se ligação maior com as meninas, são mais delicados, sensíveis, vestem-se de forma mais cuidadosa e com as meninas ocorre a identificação oposta, com os meninos, vestindo-se de forma mais masculina, mostrando interesses em assuntos ligados a esse universo."

No entanto, Gabriela reforça que esses sinais não querem dizer, de forma alguma, que um menino que goste de brincar de boneca ou que uma menina que gosta de futebol são gays. "Existe um conjunto de fatores que sinalizam essa preferência e esses citados anteriormente são apenas alguns deles", explica.

Quando devo contar para os meus pais que sou gay?

Gabriela explica que no momento em que o filho for contar sobre a opção sexual deve estar sozinho com o pais." Esse é um momento íntimo da família e onde muita informação está sendo trazida. Colocar outra pessoa nessa relação nesse momento pode ser apenas mais um fator tumultuante."

A psicóloga afirma que a revelação deve ocorrer quando os filhos estiverem certos de sua orientação sexual. E, segundo ela, isso só será possível depois de passar pela fase de experimentação e descobertas. " Muitos adolescentes confundem identificação com desejo. Passada essa fase e certo do caminho que pretende seguir, é hora de contar aos pais".

A especialista conta que, com a revelação, muitos pais sentem como se estivessem perdendo um filho, pois sempre projetaram seus sonhos e expectativas nele. "O filho pode fazer com que eles entendam que tudo pode acontecer de uma forma boa também, mas com algumas modificações no que era esperado por eles. Deixando claro que não há culpados e que não é uma escolha dele amar ou sentir atração por alguém do mesmo sexo. Ele apenas é assim."

Ainda segundo a especialista, os demais membros da família podem saber ou não, depende da pessoa. "É uma decisão exclusiva dela, que irá se expor. Caso ela decida contar, deve ocorrer quando tudo estiver bem definido e quando a relação com os pais estiver tranquila em relação a esse assunto."

O que os pais devem fazer?


A especialista conta que muitos pais culpam-se e saem em busca de respostas de onde erraram para que isso acontecesse, mas o ideal é que eles acolham e apoiem o filho. "Os pais devem entender que ser 'diferente' da maioria das pessoas não é uma tarefa fácil e, portanto, se o filho tiver pais que o faça sentir confortável e seguro, tudo será mais tranquilo para ele."

Gabriela diz que os pais que estabelecem um diálogo desde cedo com seus filhos, apoiam em suas atitudes e os conduzem para o caminho do bem, formam pessoas mais confiantes e capazes de lidar com a diversidade e o preconceito que existem no mundo."

"No fundo eu já sabia"

A pedagoga M.X., 48 anos, diz que seu filho contou que era gay quando tinha 16 anos. “ Acho que no fundo toda mãe sabe que seu filho ou filha tem algo que o diferencia (em atitudes) de outros da mesma idade. Confesso que quando ele me contou não foi nenhuma surpresa, apenas uma confirmação.”

M.X. confessa que no início pensou que não saberia como agir, mas segundo a pedagoga, depois as coisas começaram a acontecer da forma mais natural possível, pois seu filho é muito discreto. “Sempre disse para o meu filho que o importante era é ele respeitar seu namorado. Temos que procurar viver da melhor forma possível com quem escolhemos, sendo honestos nessa relação e isso não depende de opção sexual. Eu e meu filho temos uma relação muito aberta e somos amigos, eu e meu marido o respeitamos como indivíduo maravilhoso que ele é”.

Já o bancário H.X., 22 anos, conta que no fundo as pessoas sempre sabem do que gostam. “ Não creio que alguém opte por ser gay, bi ou heterossexual. É claro que quando a gente é mais novo não entende o que é sexualidade, mas quando não somos ‘heteros’ sabemos que há alguma coisa de diferente", diz H.X.

O jovem revela que por volta dos 11 anos começou a se questionar. “Me questionava: o que está acontecendo comigo? Por que eu não vejo nas meninas o que meus amigos veem? De repente tudo ficou claro. Não lutei contra, na verdade eu acho que fui bastante cabeça aberta comigo mesmo e aceitei logo de cara, mas nesse momento eu sabia que não seria fácil contar isso pra alguém.”


H.X. lembra que assumiu para os amigos quando tinha 17 anos. “Nunca havia sentido um alívio tão grande, fui a grande sensação da escola por meses. Todas as meninas queriam se aproximar de mim e os garotos viviam fazendo perguntas curiosas.” No entanto, o jovem revela que ao contar para o pai, ele começou  chorar  como se eu tivesse morrido, o início da parte mais difícil da minha vida. “Minha mãe não teve problema em aceitar, a única preocupação dela era que fosse feliz. Já meu pai entrou em uma montanha russa emocional”, revela.

O bancário contou que por seis meses e ele brigaram muito e passaram a conversar pouco. "Ainda saíamos juntos, mas existia uma tensão, e isso me matava por dentro pouco a pouco, sempre fui muito próximo do meu pai e viver daquele jeito não era nada parecido com o que nós vivemos nos últimos 17 anos, até que um certo dia começamos a discutir e eu perguntei: Pai, eu não sou um bom filho? Em lágrimas ele finalmente entendeu que eu não havia mudado, eu sempre fui a mesma pessoa e que o fato de eu ser gay não mudava absolutamente nada e foi assim, como um passe de mágica, nós nunca mais brigamos."

"Meus pais não sabem que sou lésbica"

A secretária K.G., 24 anos, revela que desde os 17 sabe que gosta de mulheres, porém esconde dos pais e da família. “Tenho medo de contar porque meus pais não aceitariam”. A jovem afirma que precisa estar bem financeiramente e, segundo ela, somente quando sair de casa irá se assumir.

 

Via Blogs



publicado por olhar para o mundo às 23:36 | link do post | comentar

Domingo, 10.06.12
Ana Clotilde e Ana Nunes
Ana Nunes da Silva fotografa. Ana Clotilde Correia conta a história de casais homossexuais com filhos. O projecto com famílias arco-íris vai ter uma exposição e quem sabe um livro

Precisam-se: famílias arco-íris. Ana, a jornalista, e Ana, a fotógrafa, já registaram a história de três casais homossexuais interessados em envolver-se num projecto que pretende dar visibilidade à parentalidade LGBT.

 

Há uma família com gémeos falsos (um rapaz e uma rapariga), um casal com um menino de um ano e tal e a barriga de um casal de lésbicas. “Sabíamos que existiam, mas não conhecíamos nenhuma. Sabíamos de ouvir falar”, confessou ao P3 Ana Clotilde Correia. “Esta era a grande questão que tinha ficado por resolver depois da aprovação do casamento homossexual. Então isto não vai avançar tudo como em todos os países?”, pergunta-se Ana Nunes da Silva, que um dia tropeçou no site de Stefan Jora, fotógrafo norte-americano que coleciona retratos de famílias LGBT que vivem nos Estados Unidos.

 

“É um projecto documental e ao mesmo tempo activista e ao mesmo tempo muito bonito. E se fizéssemos em Portugal?” À pergunta de Ana Clotilde, Ana Nunes exclamou “brutal!”

 

Estava lançada uma parceria que rapidamente passou a ser uma “prioridade na agenda” da ILGA, que também afixou o anúncio no seu site (agora a par do2.º Encontro Europeu de Famílias Arco-Íris, que decorre de 28 de Abril a 1 de Maio, na Catalunha). “Eles recrutaram-nos. Disseram ‘nós queremo-vos do nosso lado’. Estavam tão interessados neste tipo de trabalho que parecia um acto de fé”, recorda a jornalista Ana Clotilde Correia, que já tinha estabelecido contacto com Stefen Jora (respondeu algo como “força aí!”) e que já havia encontrado projectos semelhantes no hall da conferência Famílias no Plural, que aconteceu em Outubro, no ISCTE. “Nós não queríamos ser originais, queríamos fazer”.

 

“As fotografias falam por si”

O trabalho — ainda sem nome — “entra na intimidade”. E “isso é muito complicado” no que ao recrutamento diz respeito. “Muitas das famílias não estão interessadas em participar de uma forma explícita”, explica Ana Nunes, que concilia a paixão pela fotografia com o emprego na área de Gestão.

 

“As fotografias falam por si”, sugere Ana Clotilde, 31 anos. “Nestes casos a visibilidade é muito importante. As pessoas partem do princípio de que este tipo de famílias não existem. E nem sequer o estão a fazer de uma forma preconceituosa. É mais uma questão de desconhecimento. Em contacto com a realidade, a esmagadora maioria muda por completo de opinião”. Estes retratos de família são “mais fotojornalismo”, é uma perspectiva “crua”, segundo Ana Nunes (23 anos), que tenta passar despercebida — mas que sabe que isso “é quase impossível; não queremos esconder que estamos lá”. “Não valem tanto pela pose. São tirados enquanto as pessoas fazem a vida normal”.

 

Ana, a jornalista, e Ana, a fotografa, achavam que “as famílias iam ter problemas em aparecer principalmente num país em que toda a gente se conhece”. “Não queríamos que nada dessa intimidade fosse roubado”, diz Ana Clotilde, que deixa aos casais a palavra final sobre a publicação das fotografias, que num futuro próximo circularão numa exposição (e talvez num livro). “Queremos que sintam que são parte do projecto. Estamos a tentar convencer algumas famílias. Não pode ser um esforço, não resulta. Este é um projecto em construção. Não temos pressa”.

 

Já foram fotografadas três famílias de mulheres (há um casal de homens com um português, mas está em Bruxelas), entre as quais duas mulheres que casaram em Portugal, fizeram a inseminação em Espanha e agora vivem em Paris. “Elas costumam dizer ‘na Europa podemos fazer tudo, mas não no mesmo sítio’”, cita Ana Clotilde, consciente de que “a realidade portuguesa é singular”. “O normal é primeiro surgir a parentalidade homossexual e só depois o casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

 

O projecto já se cruzou com duas discussões na Assembleia da República — numa o Parlamento reiterou a proibição e punição do acesso à inseminação artificial para mulheres solteiras e casais de lésbicas; na outra foi negado o alargamento alargamento da possibilidade de adoção a casais do mesmo sexo —, mas as duas Anas não esquecem os “votos dissonantes” e as “abstenções”. “Estamos a fazer um caminho”.

 

Retirado de P3



publicado por olhar para o mundo às 21:40 | link do post | comentar

Sexta-feira, 27.04.12
Bebés, o que fazer quando eles não querem dormir

NOITES BRANCAS COM O BEBÉ

O nosso filho de seis meses tem problemas de sono e nós já tentámos de tudo: diferentes horários para dormir, não fazer sestas para que ele fique mais cansado, mudar as canções de embalar, dar-lhe de mamar justamente antes de dormir, até já comprámos cortinas opacas para deixar o quarto dele totalmente às escuras. Ainda assim, continua a acordar a meio da noite e leva imenso tempo para voltar a adormecer. Eu e a minha mulher estamos sempre exaustos. O que podemos fazer?

 

Uma das coisas mais importantes a fazer é estabelecer uma rotina a nível da hora em que ele tem de ir para a cama – e mantê-la. Os bebés adoram – e querem – rotinas. Mudar constantemente irá apenas confundi-los fazendo com que lhes seja mais difícil perceber quando é, ou não, altura de dormir.

 

Na verdade, as rotinas não são apenas para os bebés. Se você é como a maior parte dos adultos, provavelmente tem a sua própria rotina nocturna; uma série de actividades que o ajudam a ficar pronto para ir dormir: ler alguns capítulos de um livro, ver um DVD ou talvez ter relações sexuais. Com os bebés acontece praticamente o mesmo: as rotinas “pré-dormir” fazem com que o bebé se sinta cansado pois associa-as ao próprio acto de dormir.

 

Criar uma rotina não tem nada de complicado. Pode ser tão simples como um aconchego, uma história, um minuto ou dois a fazer uma massagem, um biberão rápido ou música calma. A quantidade e a ordem das actividades não são importantes, certifique-se apenas de que está a ser coerente todos os dias. Aqui ficam algumas ideias que poderão ajudar:

 

- Brinque muito com o bebé enquanto está acordado. Exercitá-lo durante o dia vai ajudá-lo a dormir à noite; 

 

- Não brinque com os horários. Pode parecer lógico que saltar as sestas durante o dia vai ajudar o bebé a dormir mais durante a noite, mas, na verdade, o que acontece é o oposto. O seu bebé faz sestas porque precisa delas. Quando não descansa o que precisa durante o dia, toda a dopamina e adrenalina extra que circulam no corpo vão fazer com que se torne ainda mais difícil adormecer à noite;

 

- Faça a distinção entre dia e noite. Durante o dia, provavelmente pega no seu bebé ao colo, canta, bate palmas, faz jogos e todo o tipo de actividades para se envolver  com ele. Quando se entra no “modo noite” deverá falar menos, fazer muito menos actividades físicas e, geralmente, escurecer os ambientes;

 

- Não exagere. Baixar a luminosidade e tornar a casa um pouco mais silenciosa é o desejável, mas é necessário que o bebé consiga adormecer com as luzes acesas e algum barulho de fundo. Tentar que haja silêncio absoluto e total escuridão poderá ter o efeito oposto;

- Deite-o quando ele estiver ensonado, nunca enquanto ele estiver completamente desperto;

 

- Seja paciente. Os bebés conseguem ser muito barulhentos durante a noite. Tal como nós, eles acordam muitas vezes durante o sono e olham à sua volta para confirmar que o mundo continua a girar na sua órbita. Por isso, antes de se levantar a correr sempre que o bebé começa a choramingar, respire fundo e espere um minuto, é possível que ele volte a adormecer sozinho;

 

- Faça turnos. É um acto de cavalheirismo da sua parte partilhar a tarefa de se levantar a meio da noite com a sua mulher, mas não. Deixe que seja ela a fazer os primeiros turnos da noite, enquanto você dorme, depois comece o seu turno de madrugada enquanto ela descansa;

- Ponha os brinquedos de parte. Alguns bebés acordam a meio da noite, vêem todos os seus brinquedos, e decidem que querem brincar – e, claro, é mais divertido brincar consigo do que sozinho.

 

Retirado do Público



publicado por olhar para o mundo às 17:32 | link do post | comentar

Segunda-feira, 23.04.12

Não dizemos aos pais o mal que nos estão a fazer e quanto estamos a sofrer, assegura Ana

Não dizemos aos pais o mal que nos estão a fazer e quanto estamos a sofrer, assegura Ana (Foto: António Carrapato)

 

Com o divórcio de pais habituados a cuidar dos filhos, a tendência para o litígio pode acentuar-se. Associações alertam para fenómeno da "alienação parental", que alguns dizem não existir.

 

Sob a vigilância de uma funcionária, numa sala de um dos edifícios da Segurança Social em Lisboa, Luís, de 48 anos, manobra um carro telecomandado. Fá-lo seguir até ao compartimento contíguo, onde o seu filho está com a avó materna, e regressar, depois, à sala onde se encontra. Ele, Luís, não pode cruzar-se com a família da ex-companheira. Por isso pediu o carro a um sobrinho e o manobra, agora, entre uma e outra sala, a engolir as lágrimas e a humilhação. Tenta atrair Pedro, de quatro anos, que finalmente chega à ombreira da porta e, por uns segundos, levanta os olhos do carro para o pai. Nesse momento, a avó faz barulho com os sacos e o miúdo desaparece. Luís ouve: "Não vás embora, avó!". A visita terminou.

A descrição é feita com base no relato de Luís. É a sua versão de um drama cuja veracidade sustenta em documentos e estudos e relatórios e notificações do tribunal e contas de advogados – "um monte de papéis inúteis" sobre os quais chora. A relação de normalidade com o filho terminou dias antes de o bebé completar os dois anos de idade. Hoje, Pedro tem cinco anos e não voltou a estar com o pai sem a vigilância de terceiros. Luís tornou-se no retrato daquilo a que alguns chamam vítima de "alienação parental" – o termo utilizado para designar o comportamento, em casos de divórcio litigioso, do progenitor que tem a guarda física do filho e que, perante a criança, procede a uma permanente desqualificação do outro progenitor, ao mesmo tempo que procura obstar ao contacto entre ambos, com a intenção de provocar o corte dos vínculos afectivos que os unem.

Nas vésperas do dia Internacional de Consciencialização da Alienação Parental, que se assinala dia 25, o problema mobiliza várias organizações. Entre elas os dirigentes das associações Para a Igualdade Parental (APIP) e da Pais Para Sempre (APPS), que citam dados oficiais para lembrar que, só em 2010, houve 27.556 divórcios em Portugal e deram entrada nos tribunais 16.836 processos de regulação do exercício das responsabilidades parentais e 11.283 processos por incumprimento do regime acordado (de contactos ou de pagamento de pensões de alimentos). "Com o divórcio dos homens da geração pós-25 de Abril, que foram educados num ambiente de partilha, com as mulheres, das tarefas domésticas e dos cuidados dos filhos, a tendência é para que cada vez mais pais reclamem a sua guarda, o que pode potenciar os conflitos", afirma Ricardo Simões, da APIP.

 

Retirado do Público



publicado por olhar para o mundo às 08:35 | link do post | comentar

Segunda-feira, 13.02.12

Contraceptivos e sexo seguro, como falar com a sua filha


Como falar com sua filha teen sobre a importância do sexo com responsabilidade.

 

Não é novidade para ninguém, mas não custa bater na mesma tecla: sexo com proteção é a única maneira de afastar as incômodas e perigosas doenças sexualmente transmissíveis. Além, é claro, de evitar um filho fora de hora - algo que muda completamente o rumo da vida de qualquer pessoa. Está certo que conversar com uma filha adolescente nem sempre é tarefa fácil. Mas, por falta de um diálogo transparente, muitas meninas acabam se expondo a situações que seriam mais facilmente enfrentados com o apoio da família. "É comum, por exemplo, que elas optem por contraceptivos injetáveis para esconder da mãe", conta o ginecologista Luiz Fernando Leite, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. E, na verdade, há outros fatores que devem ser priorizados na escolha de um método anticoncepcional, especialmente no que diz respeito à saúde. 


Não existe fórmula mágica. Cada família possui uma maneira única de lidar com todo tipo de questão, e com sexo não será diferente. "O importante é que os pais se conscientizem de que uma hora o relógio sexual vai tocar", orienta a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. No Brasil, esse relógio desperta entre os 13 e os 17 anos, em média. Segundo Carmita, estar atento ao comportamento da garota ajuda. "Tem que ficar ligado em sinais como a frequência maior de meninos na casa ou a preocupação dela em parecer atraente", exemplifica. Aí, seria o caso de perguntar se ela deseja ir ao ginecologista. Mas, atenção, mães: é essencial permitir que a jovem tenha um tempo sozinha com o médico, para esclarecer dúvidas sem a interferência externa - mesmo que da própria figura materna. 

Evidentemente, isso não significa que os pais não devam falar com o especialista. Muito pelo contrário. Aproveite, também, para tirar suas dúvidas e avaliar, junto com sua filha, as decisões que serão tomadas.

 

Via Abril



publicado por olhar para o mundo às 21:37 | link do post | comentar

Terça-feira, 18.10.11

O meu filho adora a sua chucha, mas ele tem quase três anos e a minha mulher diz que está na altura de a pôr de parte. No entanto, Quando lha tiro, ele não dorme e chora desesperado. Afinal, o que há de mal com ainda usar a chucha.

A rotina diária de uma criança pequena pode ser mais stressante do que aquilo que pensamos. Há constantemente novas actividades, deslocações e tarefas, novos amigos, a transição para a pré-escola e no meio disto tudo alguém chega e tenta tirar a única coisa com que ele sempre pôde contar: a chupeta. Parece-me que a chucha do seu filho se tornou num “objecto de transição”- algo que não sendo uma pessoa, ele usa para se acalmar e aliviar o stress. Se assim é, pode ser sensato deixá-lo continuar a usar a chucha até que desenvolva outros mecanismos a que possa recorrer em momentos de dificuldade.

Para além de atenuar o stress a uma criança e dar-lhe a sensação de conforto e segurança, existem outros benefícios associados ao uso de chucha. Um dos maiores é o facto de reduzir o risco do Síndrome de Morte Infantil Súbita. A ligação é tão grande que a Academia Americana de Pediatria (AAP), na realidade, tem incentivado o uso da chucha.

De acordo com AAP, muitas crianças perdem por si o hábito de usar chucha entre os dois e os quatro anos de idade. Para além do mais, alguns pais (e cientistas) acreditam que tirar a chucha muito cedo poderá forçar a criança a encontrar uma outra forma de se reconfortar como chupar o dedo ou a manga da camisa, puxar o seu próprio cabelo ou ainda andar com uma mantinha.

Dito isto, há muitas pessoas que acreditam que se deve retirar a chucha depois do primeiro aniversário do bebé. O tema gera muita discórdia, mas, em boa justiça, aqui estão alguns dos seus argumentos:

- Com uma chucha na boca, o seu filho poderá falar menos e ter problemas na pronunciação de palavras. Levando a questão a um nível extremo, o uso de chucha pode danificar a língua e os músculos do lábio, o que por sua vez conduz a um atraso no desenvolvimento da fala da criança e pode ainda causar outros problemas;

- Para os bebés mais pequenos, a dependência de uma chucha para adormecer significa que se esta lhes cair da boca durante o sono, se acordarem necessitarão da sua ajuda para a recuperar; 

- Os recém-nascidos poderão ter problemas em aprender a mamar correctamente se tiverem utilizado uma chucha antes de a amamentação estar bem estabelecida;

- Apesar de ninguém saber dizer exactamente o porquê alguns estudos ligam o uso de chucha a um maior risco de infecções nas orelhas;

- O uso prolongado de chucha poderá ainda fazer com que os dentes fiquem tortos. Isto não é um problema no caso de dentes de bebés – depois de alguns meses sem chucha, eles voltam ao normal - mas pode ser um problema com a dentição adulta, que surge normalmente entre os quatro e os seis anos. Várias organizações relacionadas com a dentição infantil desaconselham a chucha depois dos quatro anos.

A melhor forma de resolver esta questão é falar com o pediatra e o dentista do seu filho (se ele não tem um, deveria ter). Se decidir desistir da chucha, aqui ficam algumas estratégias a tentar:

- Retire-lhe a chucha (diga ao seu filho que ele está a dá-la a bebés que precisam de chuchas, ou tente ele que a deixe debaixo da almofada para a “fada da chucha”);

- Troque-as por um brinquedo;

- Tire-lha do nada (por exemplo, depois do terceiro aniversário do seu filho, quando ele é oficialmente um “menino crescido”);

- Facilite o abandono gradual da chucha, oferecendo uma compensação por completar um determinado número de dias em sem usá-la ou por a abandonar definitivamente;

- Aposte na pressão de grupo. Rodeie o seu filho com outras crianças que já não usem chucha e pode ser que ele decida que não quer ser o único “bebé” que ainda utiliza uma chucha.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 08:03 | link do post | comentar

Sexta-feira, 07.10.11

 

Estudo: Pais do mesmo sexo associados a crianças felizes

 

Os pais homossexuais que educam crianças não provocam, por essa condição, infelicidade nos seus filhos. Um estudo realizado na Universidade da Virgínia (EUA) indica que as crianças são felizes de igual modo e nos casos em que têm pais do mesmo sexo parece existir maior harmonia.

 


A parentalidade homossexual foi alvo de uma pesquisa nos Estados Unidos, que tentou avaliar a felicidade das crianças, consoante a composição do seu agregado familiar: casal heterossexual, dois pais e duas mães.

A grande conclusão deste estudo, segundo a investigadora Charlotte Patterson, é que, independentemente daquele agregado, “todas as crianças estão igualmente bem”, o que indica que não há qualquer relação entre a sua felicidade e a sexualidade dos pais.

Aquela docente da Universidade da Virgínia refere, em declarações à agência Lusa, que “esta é a principal conclusão que deve ser retirada deste estudo”, que analisou 104 famílias, com casais formados por homem e mulher, dois homens ou duas mulheres.

Há aparentes vantagens na educação da criança por parte de um casal homossexual: “Os casais formados por pessoas do mesmo sexo parecem partilhar a educação dos filhos de forma mais igualitária, em comparação com os heterossexuais”.

O facto de se eliminar o conceito de que a mãe está mais próxima do filho do que o pai, mais envolvido nas tarefas profissionais, fica normalmente colocado de lado nestas famílias, porque não existe essa separação. “Ambos provavelmente trabalham e envolvem-se de forma equilibrada”, sustenta Charlotte Patterson.

Nos casais heterossexuais existe uma repartição de tarefas na educação dos filhos, conclui este estudo, que surge em vésperas da primeira conferência internacional sobre parentalidade lésbica, gay, bissexual ou transgénero, que decorre em Lisboa, com a presença de Patterson.

Esta professora – vista como uma referência mundial na psicologia da orientação sexual – indica que a homossexualidade “não parece ter qualquer interferência” na felicidade e qualidade da educação dos menores.

“As crianças com pais são felizes parecem estar bem. Os casais infelizes nas suas relações transportam para as crianças esse sentimento. O facto de os pais se darem bem e o grau de satisfação com o relacionamento são, isso sim, questões com efeitos nas crianças”, sublinha a investigadora.

Segundo Charlotte Patterson, a pesquisa carece de ser aprofundada, em virtude da idade das crianças analisadas. O estudo envolveu filhos com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos, cujos comportamentos e dinâmica de família ficaram gravados em vídeo.

Portugal vai discutir esta questão, num quadro de ausência de legislação para a adoção por parte de casais homossexuais. A ILGA é a entidade organizadora desta conferência que decorre na capital.

 

Via PT Jornal



publicado por olhar para o mundo às 19:15 | link do post | comentar

Quinta-feira, 22.09.11
O filho exigia refeições feitas
O filho exigia refeições feitas (João Gaspar/arquivo)
O dia em que os filhos saem de casa é quase sempre difícil para os pais, mas para os progenitores de um italiano de 41 anos esse seria um dos dias mais felizes das suas vidas. Um casal de Veneza quer expulsar o filho de casa e recorreu ao apoio de advogados. A mãe queixa-se de stress com as exigências diárias do filho.

Roupa lavada e refeições caseiras. Estes são alguns dos privilégios que o filho do casal veneziano acha que devem continuar a ser respeitados enquanto morador na casa dos pais. Mas estas exigências estão a levar ao desespero da mãe que devido ao stress já foi hospitalizada. 

“Não podemos aguentar mais”, afirmou o pai, citado pelos media italianos. “A minha mulher sofre com o stress e teve que ser hospitalizada. Ele [o filho] tem um bom emprego mas ainda vive em casa. Exige que a sua roupa seja lavada e passada a ferro e que as suas refeições estejam feitas. Ele não tem qualquer intenção de sair”, continuou o queixoso.

O casal recorreu à ajuda do departamento jurídico da associação de consumidores Adico. Citado pela BBC, Andrea Camp, advogado da Adico, avançou que já foi enviada uma carta ao filho do casal a alertá-lo que terá que abandonar a habitação no prazo de seis dias ou irá enfrentar uma acção judicial. Caso se recuse sair, o advogado irá recorrer a um tribunal de Veneza para que o indivíduo seja sancionado.

Este é o segundo caso do género reportado à Adico num mês. Segundo a associação, o filho de um outro casal acabou por sair da casa dos pais, que assim que este saiu trocaram as fechaduras da porta de entrada.

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 19:55 | link do post | comentar

Sexta-feira, 26.08.11

Quem é a mãe que não se sente culpada por ir trabalhar? Poucas, digo eu... No entanto, não há razões para isso. É altura de deixar cair essa culpa dos ombros. Um novo estudo da Universidade de Colúmbia, nos EUA, garante que as mães que trabalham fora de casa não prejudicam o desenvolvimento dos filhos, longe disso.

Segundo a investigação, o trabalho das mães nos primeiros anos de vida não afeta o desenvolvimento emocional ou intelectual das crianças.
Em média, o tempo de dedicação às crianças pelas mães que estão em casa são apenas mais 11 minutos diários. Só isso. Ora o segredo para quem trabalha é compensar a ausência pela qualidade do tempo com os filhos. 

Há que garantir um acompanhamento pleno com a ama, na creche ou com os avós e quando se chega a casa há que multiplicar o tempo "perdido". É fundamental a mãe envolver-se nas rotinas da alimentação, banho e brincadeiras. Quando as crianças já são mais crescidas é preciso também monitorar as trabalhos de casa, as leituras, os filmes ou as músicas infantis. É um percurso de aprendizagem e brincadeira a dois - onde ambos só têm a ganhar. 

Mulher realizada, mãe feliz


De acordo com o estudo há até mesmo vantagens em trabalhar fora de casa. As crianças encontram uma mãe realizada profissionalmente, logo mais feliz e por vezes até menos stressada.

No entanto, tão ou mais importante é o pai dividir as tarefas com a mãe e envolver-se nas rotinas diárias da criança. Por exemplo, quando as mães amamentam é importante o pai assumir tarefas como mudar a fralda ou dar banho ao bebé - para reforçar a ligação entre pai e filho. E mais tarde, são os jogos de futebol, a praia, ou o ballet. Além disso, não há supermulheres, óbvio...as funções devem ser partilhadas!

Mas infelizmente ainda há machismo na sociedade e na cultura empresarial portuguesa - e por vezes, quando "jóias raras" fazem questão de gozar a licença de paternidade ainda têm que ouvir bocas do género: "Vais tirar licença, porquê? Já sabes amamentar?". No mínimo é um comentário despropositado,  machista e infeliz - sobretudo quando se tratam de colegas mulheres a dizê-lo. (Isso mesmo, leu bem - este caso aconteceu há bem pouco tempo com um amigo meu.)

Mudar mentalidades e empresas


Por outro lado, há outro problema longe de ter a "morte anunciada" - as empresas não querem mulheres com filhos, como revelou outro estudo recente, que indicava que só 28% das empresas nacionais queriam contratar "mães".

Já era altura de mudar as mentalidades, mas como não acredito na evolução natural, talvez seja necessário estabelecer quotas para promover a contratação de mulheres. Será que ainda ninguém percebeu que a melhor política de natalidade é a criação de emprego e a não discriminação das mulheres?

 

Via Expresso



publicado por olhar para o mundo às 08:49 | link do post | comentar

Segunda-feira, 18.07.11

Como fazer durar a fruta portuguesa de Verão até ao próximo Inverno

 

No Verão a fruta portuguesa é deliciosa e a um preço mais convidativo. Aproveite para a fazer durar até ao Inverno

Quando eu era pequena a minha família tinha um grande pessegueiro no jardim e uma das coisas que mais gostava de fazer com a minha mãe era compota de pêssego. Recordo-me como era divertido e... delicioso.

 

Talvez hoje em dia já não seja tão fácil ter uma árvore de fruta praticamente dentro de casa, mas com a época de crise que atravessamos é necessário colocar a imaginação a trabalhar e encontrar novas formas de poupar.

 

No Verão a fruta portuguesa é de facto deliciosa e a um preço mais convidativo. Maçãs, pêras, pêssegos, ameixas, melão, figos... a oferta é extensa e variada para todos os gostos. Se tiver filhos, ainda lhes vai proporcionar uma fantástica tarde em família a fazer algo que poderão usufruir em futuros pequenos-almoços ou lanches de inverno.

 

Pode encontrar inúmeras receitas na Internet apurando a forma como faz a sua compota favorita, no entanto, deixo-lhe aqui algumas dicas úteis e uma receita base que funciona muito bem para quase todas as frutas.

 

Tão simples que todos podem participar!

 

- Utilize frascos de vidro e tampas que vedem bem e devidamente esterilizados (coloque-os dentro de um tacho de água a ferver por 5/10 minutos. Cuidado para não se queimar!)

- Escolha a fruta do seu agrado bem madura mas ainda firme

- Lave e descasque a fruta e corte-a em pequenos pedaços

- Num tacho grande que possa ir ao lume coloque 350 gramas de açúçar por cada 600 gramas de fruta e envolva bem. Deixe ferver em lume brando durante cerca de 30 minutos (depende da quantidade que estiver a fazer) até evaporar todo o sumo e a consistência ser do seu agrado. Não se esqueça de mexer para não pegar no fundo.

- Coloque o doce nos frascos enquanto o mesmo ainda estiver quente, para solidificar já dentro do frasco.

- Feche bem e conserve-os num local fresco e seco.

- Se os seus filhos gostarem de trabalhos manuais poderão ainda decorar as tampas ou fazer etiquetas personalizadas!

E já agora não se esqueça do título deste texto e de como é importante consumir fruta... nacional!



Via A Vida de Saltos Altos




publicado por olhar para o mundo às 08:09 | link do post | comentar

Quarta-feira, 25.05.11
Reprodução, perda de virgindade
Até mesmo as mães que se consideram modernas, parecem se intimidar diante da realidade de que sua filha não é mais virgem
Parece coisa ultrapassada, mas não é: a perda da virgindade dasfilhas ainda gera grande conflito familiar. Por mais que seja algo natural, muitos pais preferem não enfrentar a realidade de que a menina de ontem é hoje uma mulher. Até mesmo as mães que se consideram modernas porque falam e orientam sobre sexo, parecem se intimidar diante da realidade de que sua filha não é mais virgem. 

A perda da virgindade, embora natural, não pode ser banalizada, afinal é algo muito importante na vida de qualquer pessoa, embora para as mulheres ainda exista um tabu difícil de ser superado. É, portanto, no sexo feminino que as dificuldades se ampliam a ponto de tentarem esconder dos pais o início de sua vida sexual. Muitas filhas se sentem constrangidas, envolvendo-se em sentimentos de culpa ou medo de ferir os pais, preferindo o silêncio. Nessa situação a perda é de ambos: dos pais porque deixam de participar de um momento decisivo e fundamental para suas filhas e dessas por perder o vínculo da cumplicidade que poderia fortalecer o respeito e a amizade com os pais. Essa é uma situação que pode gerar conflitos intensos com consequências marcantes na vida sexual da mulher. É preciso encarar o fato de que não é porque o tema está sempre em evidência, muitas vezes de forma tão desapropriada e vulgar, que a "primeira vez" não seja fundamental para o desenvolvimento sexual da pessoa. Sexo é coisa muito séria, pois envolve não só o corpo, mas principalmente a mente. Tanto é assim que pessoas não realizadas sexualmente tendem a ser inseguras em todos os aspectos da vida. 

É evidente que em lares onde haja maior diálogo entre pais e filhos a tendência é que esses últimos acatem melhor as orientações. Mas, infelizmente, é ainda muito difícil para a maioria dos pais conversarem abertamente sobre sexualidade com seus filhos, principalmente com as filhas. Também a de se considerar as dificuldades de muitas filhas que, embora tenham a compreensão dos pais, preferem os manter distantes dessa situação. É primordial que pais e filhos busquem distinguir e conhecer as dificuldades que impedem essa maior aproximação, a fim de que as vençam, estabelecendo maior intimidade e aproximação emocional. Todos os esforços nesse sentido são essenciais, pois, não se pode simplesmente fechar os olhos para a realidade que se impõe em fatos. 

O cultivo do diálogo familiar de forma harmônica, importante em todas as etapas da vida, se evidencia no momento em os filhos buscam seus próprios caminhos, conduzindo-os a assumir responsabilidades. Dispor-se a ouvir sem julgamento surte mais efeito do que qualquer discurso moralista e, com certeza predispõem os filhos à segurança de suas potencialidades. O efeito disso é engrandecedor na vida adulta. 

É então que o respeito à individualidade de cada um, baseado na camaradagem e companheirismo corresponde à medida exata para o entendimento e a pacificação do lar. 
Via Bonde


publicado por olhar para o mundo às 21:04 | link do post | comentar

Terça-feira, 10.05.11
António Gonçalves sente-se "supersaudável" e vai doar o rim à mulher
António Gonçalves sente-se "supersaudável" e vai doar o rim à mulher (Foto: Pedro Cunha)
Veio a psicóloga e perguntou a António Gonçalves se estava consciente dos riscos que ia correr. Se sabia que podia ficar na mesa de operações. Depois veio o médico, que juntou um cenário mais concreto: e se um dia for atropelado e perder o único rim com que vai ficar? E depois ainda vieram mais três médicas que o tentaram apanhar "em contradição", para se certificarem que queria doar o rim "de livre vontade". Anda há cerca de um ano a dizer que sim, que quer abdicar do seu rim para a mulher, que "ela não aguenta mais os tratamentos de hemodiálise".

Em 40 por cento dos transplantes de rins em que há dador vivo (a maioria continua a fazer-se com órgãos de cadáveres) não existe relação de consanguinidade com o receptor, a proporção mais alta desde que a prática deixou de ser ilegal. No ano passado, a quase totalidade das dádivas foram entre maridos e mulheres, mas também houve uma dádiva entre cunhados.

Companheira de António há oito anos, Tânia Machado diz que "é mais difícil aceitar do que doar". Por isso, desde o início disse ao companheiro, que é pasteleiro e tem 37 anos, que não o quer, que "o rim podia vir a fazer-lhe falta". "Ele nunca tinha feito análises e, por causa de mim, já foi todo picado. Nunca me perguntou se eu queria o rim. Ele é assim, mula", brinca a operadora de call center de 27 anos. Estão à espera de ser chamados para o transplante.

Até 2007, este tipo de dádivas eram proibidas em Portugal - apenas eram permitidas quando existia relação de parentesco até ao terceiro grau. A ideia era evitar o tráfico de órgãos, mas constatava-se que a interdição era, em muitos casos, um entrave ao transplante. Desde que a lei mudou, o número de transplantes de dadores vivos - a maioria são de rins mas também é possível doar partes do fígado - tem aumentado. A excepção foi o ano passado, em que houve um ligeiro decréscimo, mas enquanto em 2008 os dadores não consanguíneos representavam 29 por cento do total, no ano passado atingiram uma proporção recorde: dos 51 transplantes, 21 são deste tipo (41 por cento).

Constata-se que a lei abriu a porta sobretudo à dádiva entre maridos ou mulheres: dos 21 transplantes entre pares não consanguíneos realizados no ano passado, 20 envolveram pessoas com relações de conjugalidade; em 2009, dos 65 transplantes, 19 foram entre cônjuges (nove de marido para mulher, o mesmo número de esposa para marido e um em união de facto); e em 2008, o primeiro ano em que a lei foi aplicada, apenas sete dos 54 transplantes eram não consanguíneos, todos entre cônjuges (cerca de 13 por cento).

Ana não quis o rim do filho

Ana Cristina Pereira, professora de 43 anos, teve que esperar pela entrada em vigor da lei mas foi a primeira a ser transplantada com um rim do marido, ao abrigo da nova lei. Foi há dois anos e hoje tem uma vida normal. Poder ser o marido a dar-lhe o rim significou que pôde dizer que não à oferta do filho, que mal fez 18 anos insistia que queria dar o rim à mãe. "O meu filho não se calava." Ela, porém, nunca quis - só pensava que ele agora era jovem, mas que, "com 40 anos, mesmo uma pessoa normal começa a perder a função renal e com a esperança de vida a aumentar". 

Em 2009, nas doações em que existem relações de sangue, sete filhos doaram os rins aos pais e 12 pais fizeram o mesmo aos filhos. Mas a maioria dos transplantes foram entre irmãos (26 do total de 65 transplantes) e houve mesmo um avô que doou a um neto. No ano anterior tinham sido cinco filhos a doar aos pais, 19 transplantes de pais para filhos, o mesmo número entre irmãos.

"A diálise não é vida"

Desde que Tânia descobriu, aos 25 anos, que sofre de insuficiência renal crónica, só sobrevive fazendo hemodiálise três vezes por semana, quatro horas por dia. "A diálise não é vida para ninguém", diz António, acrescentando que ele é "supersaudável". Dos dez mil portugueses que têm que fazer hemodiálise, cerca de 20 por cento estão em lista de espera para transplante - eram 2111 em 2009. Nos doentes que iniciaram tratamento por hemodiálise no ano passado, as principais causas da insuficiência renal eram a diabetes e a hipertensão arterial.

Para António, doar um rim a Tânia significa que ela não tem que ficar em lista de espera de transplante de um dador morto, embora esta fosse a melhor solução para os dois - sempre se guardava o rim de António Gonçalves para mais tarde, diz ela. O presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Macário, explica que os rins transplantados não duram para sempre, mas quando o dador é vivo sobrevivem mais tempo, um período de sobrevida que pode andar pelos 15 anos. Muitos transplantados têm que voltar à diálise, ou então são candidatos a novo transplante.Dos 573 transplantes renais realizados em 2010, 51 correspondem a órgãos obtidos de dadores vivos, o que representou uma subida de 8,9 por cento face ao ano anterior. Fernando Nolasco, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, explica que quando os doentes não recorrem a dador vivo é porque não têm familiares que se voluntariam, por falta de informação ou por incompatibilidade. Mas diz que "o caminho é aumentar os dadores vivos". "Nos países nórdicos, os dadores vivos chegam a ser metade, é mais aceite, está mais divulgado." "[Quanto a quem doa], temos que ter a certeza que não vamos fazer mal ao dador." Mas, embora seja raro, a pessoa que fica só com um rim pode ter um dia de fazer diálise ao fim de 20, 30 ou 40 anos. "A percentagem é mínima, cerca de 0,1 por cento."

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 17:17 | link do post | comentar

Quarta-feira, 09.02.11

Só mais uma familia

Tão igual e tão diferente de tantas outras, a nossa família é composta por um pai português, um pai francês, um filho americano, uma rafeira loira e uma rafeira morena e desde a semana passada mais dois pequenos peles vermelhas aquáticos…

Desde que declaramos o nosso amor, sempre quisemos que a nossa família crescesse. Como muitas outras famílias arco-íris, o mais fácil, e o que a magnânima lei portuguesa nos autorizava, era termos cães. Mas como muitas outras famílias arco-íris ou unicolor, ainda sentíamos a falta de termos mais um ou uns seres humanos para educar e dar o nosso amor.

A primeira ideia foi a adopção, mas infelizmente está proibido em Portugal para um casal do mesmo sexo. Graças à bendita internet, conseguimos explorar outras vias noutros países. O nosso pressuposto sempre foi que tudo estivesse legal e que os dois tivéssemos direitos iguais sobre a nossa criança. E foi! Graças a lei americana, o nosso filho tem legalmente dois pais. E apesar de um deles ser Português, Portugal não lhe deu a nacionalidade portuguesa, história que se repetiu no consulado francês.

Temos portanto uma família internacional e quem fica a perder são Portugal e França. E não vamos deixar que leis retrógradas nos impeçam de sermos felizes. O nosso filho vai à creche, gostam muito dele e de nós. Vivemos num bairro antigo de Lisboa, toda a gente conhece a nossa realidade, todas as pessoas mais idosas do bairro adoram brincar com o nosso filho e nem reparam que os pais dele são do mesmo sexo: “Ele é tão grande! É normal com dois pais tão altos!!!”.

Tão diferente e tão igual a tantas outras, a nossa família só pede um reconhecimento legal em Portugal, pois o reconhecimento popular, já está!

 

Via Famílias Arco Iris



publicado por olhar para o mundo às 14:09 | link do post | comentar

mais sobre mim
posts recentes

Como conto à família que ...

Retrato de uma família LG...

Bebés, o que fazer quando...

Que é feito dos filhos qu...

Contraceptivos e sexo seg...

Crianças: usar ou não usa...

Estudo: Pais do mesmo sex...

Casal italiano recorre à ...

Mães trabalhadoras, relax...

Como fazer durar a fruta ...

arquivos

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Dezembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

tags

todas as tags



comentários recentes
Ums artigos eróticos são sempre uma boa opção para...
Acho muito bem que escrevam sobre aquilo! Porque e...
Eu sou assim sou casada as 17 anos e nao sei o que...
Visitem o www.roupeiro.ptClassificados gratuitos d...
então é por isso que a Merkel nos anda a fo...; nã...
Soy Mourinhista, Federico Jiménez Losantos, dixit
Parabéns pelo post! Em minha opinião, um dos probl...
........... Isto é porque ainda não fizeram comigo...
Após a classificação de Portugal para as meias-fin...
Bom post!Eu Acho exactamente o mesmo, mas também a...
links


blogs SAPO
subscrever feeds