Domingo, 17.06.12
Prosa inédita de Álvaro de Campos publicada na próxima segunda-feira

A prosa completa de Álvaro de Campos, alguma da qual até agora inédita, foi pela primeira vez reunida em livro e chega às livrarias na próxima segunda-feira, numa edição da Ática, disse à Lusa fonte do grupo Babel.

 

São mais de 40 textos inéditos de Álvaro de Campos, «talvez o mais popular heterónimo de Fernando Pessoa», como escreveu no prefácio da obra o coordenador da nova série de Obras de Fernando Pessoa, Jerónimo Pizarro, que assina com Antonio Cardiello a edição deste volume, com a colaboração de outro investigador pessoano, Jorge Uribe.

 

Para o investigador, a publicação, pela primeira vez, da prosa completa de Álvaro de Campos é «um acontecimento editorial tão relevante quanto a primeira publicação de 'O Livro do Desasocego', há exactamente 30 anos».

 

E porquê? Porque «Campos foi a personagem mais activa, interventiva e penetrante criada por Pessoa e a única que deixou uma prosa de uma dimensão idêntica à que se encontra no 'Livro do Desasocego' [conforme o título original, publicado em 1982]», explica o professor da cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Universidade dos Andes, em Bogotá, Colômbia.

 

«Afinal - prossegue -, a prosa tardia de Campos é contemporânea da prosa tardia do 'Livro' e ambas foram escritas pelo mesmo autor quando este havia já atingido um raro domínio da sua arte. Para mais, foi o próprio Pessoa quem afirmou que o seu semi-heterónimo Bernardo Soares se assemelhava em 'muitas coisas' ao seu heterónimo Álvaro de Campos».

 

O que esta obra demonstra é que Álvaro de Campos - apesar de mais conhecido como «o 'dandy' de estirpe maldita que escreveu alguns dos grandes poemas metafísicos das literatura portuguesa, retratando-se como um vencido, como um falhado, como um marginalizado, como 'um cão tolerado pela gerência'» - foi também um prosador, embora esse facto tenha sido «algo negligenciado, até pelo próprio Pessoa», observa Jerónimo Pizarro.

 

Segundo o investigador, «Campos, o prosador, é fundamentalmente um escritor contemporâneo de [Barão de] Teive e [Bernardo] Soares, que são as outras duas máscaras sob as quais Pessoa escreveu alguma da melhor prosa portuguesa do século XX».

 

Além da publicação dos inéditos do engenheiro naval nascido em Tavira, em 1890, este volume apresenta uma reorganização da sua prosa e uma nova leitura de textos anteriormente publicados, com destaque para uma nova proposta de edição das 'Notas para a recordação do meu mestre Caeiro', considerado «o projecto literário mais elaborado, extenso e de maior importância de toda a prosa de Campos».

 

Destaca-se também o texto 26 [Definições], em que Pessoa descreve, através de curtas definições, autores célebres, como Mallarmé, Rousseau, Goethe, Shakespeare, Milton, Montaigne, Homero, Nietzsche e Camões, a que se junta a reprodução de duas folhas manuscritas pelo autor.

 

Eis alguns exemplos: 'Rousseau: Ça m'est inégal', «Shakespeare: Tudo, exceto o todo', 'Milton: A cada anjo a sua queda' e «Homero: Então, Júpiter poz-se de pé'.

 

A obra inclui igualmente uma nova leitura e organização da entrevista concedida por Campos, «atendendo, primeiramente, a que este género serviu a caracterização de Pessoa e seus heterónimos enquanto autores, já que Pessoa, Caeiro e Campos deixaram entrevistas que eles próprios forjaram, com ou sem o concurso de outras pessoas reais ou sonhadas», indica Jerónimo Pizarro.

 

No mesmo dia em que chega às livrarias, segunda-feira, a obra será lançada às 18h30, no espaço Fabrico Infinito, no Príncipe Real, em Lisboa, com apresentação do escritor e professor universitário Onésimo Teotónio Almeida.

 

Noticia do Sol


publicado por olhar para o mundo às 09:46 | link do post | comentar

Sábado, 03.03.12

 

Em domínio público, as 10 obras do poeta Fernando Pessoa foram compiladas pelo Universia e disponibilizadas para consulta grátis.

Clique nos links abaixo.

» Revista Orpheu nº 01

» Revista Orpheu nº 02

» Ultimatum

» A Voz do Silêncio

» English Poems I

» English Poems II

» Mensagem

» À Memória do Presidente-Rei Sidónio Paes

» 35 Sonnets

» Antinous


Retirado de Ebook Portugal



publicado por olhar para o mundo às 13:06 | link do post | comentar

Terça-feira, 03.05.11
Paulo Cardoso revela faceto de astrólogo de Fernando Pessoa

A faceta de astrólogo do poeta Fernando Pessoa que chegou a auferir “alguns tostões com a astrologia” é revelada no livro de Paulo Cardoso com vários documentos do espólio pessoano.

 

Intitulado “Fernando Pessoa - Cartas Astrológicas”, o livro reúne “algumas dezenas das mais reveladoras cartas astrológicas erigidas por Pessoa”, escreve o astrólogo Paulo Cardoso. 


Jerónimo Pizarro, catedrático nas universidades de Lisboa e de Los Andes (Colômbia) que prefacia a obra, afirmou à Lusa que esta obra “abre novas pistas de investigação, e demonstra como a teoria dos heterónimos é influenciada pela astrologia”. 

O autor de “Mensagem” fez a sua carta astrológica e as dos seus heterónimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. “Todos os horóscopos dos heterónimos apresentam Mercúrio (o planeta da literatura) ” que é também o planeta regente do signo Gémeos a que pertencia Fernando Pessoa, escreve Paulo Cardoso. 

O astrólogo realça que os “signos ascendentes” dos horóscopos dos quatro poetas são Água (Pessoa), Fogo (Caeiro), Terra (Campos) e Ar (Reis), ou seja “a família heteronímica detinha a plenitude dos princípios fundamentais da filosofia ancestral”. 

Em 1915 Fernando Pessoa inventou um astrólogo, Raphael Baldaya e estabeleceu uma tabela de honorários que variavam entre os 500 e os 5000 réis. 

Pizarro disse à Lusa que Pessoa “ganhou alguns tostões com a astrologia” e há muitos cartões no espólio guardado na Biblioteca Nacional com indicações de nome, data e hora de nascimento que leva a supor que Pessoa traçava as respectivas cartas astrológicas. 

O poeta traçou mapas astrais de mais de 1500 personagens históricas ou contemporâneas. Robespierre, Guilherme II da Alemanha, D. Carlos de Portugal, D. Sebastião, Lord Byron, Sidónio Pais, Oliveira Salazar, Mussolini, Chopin, Leopoldo II dos belgas, Victor Hugo, Luís II da Baviera, Afonso XIII de Espanha, Vítor Emanuel III de Itália e William Shakespeare foram algumas das personalidades sobre as quais desenhou o respectivo mapa astrológico. 

De algumas personalidades fez mais de uma vez em alturas diferentes a respectiva carta astrológica, casos de Napoleão, da Rainha D. Amélia, do escritor Raul Leal, ou do escritor Óscar Wilde. Segundo Cardoso, Pessoa “comentou parecenças entre o caso astrológico de Wilde e o seu próprio caso”. 

Pizarro referiu à Lusa que Fernando Pessoa “chegou a calcular com grande proximidade o seu ano de morte” (1935), algo que mereceu diversas reflexões do poeta. 

Cardoso assinala que “a abordagem pessoana da astrologia foi sempre a mais prudente, crítica e metódica”. O astrólogo acrescenta que “a astrologia fez parte do quotidiano do escritor que lidava com ela de manhã, à tarde e pela noite dentro”. 

“Este foi um interesse que Pessoa manteve até à sua morte”, sublinhou Pizarro. 

Além da prática Fernando Pessoa também teorizou sobre a astrologia, salientou à Lusa Pizarro. Pessoa atribui por exemplo, a Baldaya as obras “Systema de Astrologia” e “Introd[ução] ao estudo do ocultismo”. 

Pizarro afirmou que “Fernando Pessoa -- Cartas astrológicas”, com a chancela da Bertrand Editora, “permite criar um clima necessário para os livros que ainda faltam de Pessoa sobre a astrologia, bem como e como as Ciências Ocultas, o Esoterismo e a Filosofia que são coisas muitos presentes no [movimento literário e artístico] do Modernismo”. 

A obra é apresentada esta terça-feira às 18h30 na Casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, por José Blanco. 

 

Via Público



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