Sexta-feira, 23.03.12

Flores podem ser alimento

Não, não é engano. Está a ler o dicionário dos alimentos e esta semana em comemoração da chegada (oficial) da Primavera vamos falar de flores. Há cada vez mais pratos e chefs que utilizam flores comestíveis - mais do que ornamentação, pertencem ao domínio dos sabores.

 

Em rigor, a incorporação de flores na nossa alimentação não é uma ideia propriamente nova, uma vez que brócolos e couve-flor já nos acompanham há algum tempo e que muitas infusões foram feitas, ao longo dos anos, com flores como a camomila, a rosa ou a alfazema. No que concerne às flores, o primeiro passo é mesmo saber se são comestíveis.

 

O simples facto de ser apresentada num prato não é sinónimo de comestibilidade. E duas espécies idênticas podem ter sofrido tratamentos distintos que tanto as podem tornar comestíveis ou única e exclusivamente aptas para efeitos de ornamentação. A solução passa por adquiri-las em locais adequados para o efeito, que já não são assim tão escassos.

 

Passada a barreira da comestibilidade, todo um mundo de vantagens floresce aos nossos olhos - e já agora no nariz, pois as flores, não entrando na categoria das ervas aromáticas, são efectivamente alimentos que se cheiram, mais do que alimentos que se comem. Sendo este interesse na sua vertente gastronómica relativamente recente, é expectável que poucos dados existam relativos ao seu valor nutricional. Ainda assim, como seria de esperar, as flores são genericamente pouco calóricas uma vez que são compostas por mais de 90% de água.

 

Os macronutrientes que se destacam (ainda que em pequena quantidade) são naturalmente os hidratos de carbono, fruto dos açúcares existentes no néctar e pólen.  Estes, juntamente com as pétalas, são fonte de diversas vitaminas (A e C em grande destaque) e fitoquímicos que variam consoante a flor. Assim, não existem grandes dúvidas em afirmar que as flores são provavelmente as mais sublimes fontes de antioxidantes presentes na nossa alimentação, não sendo de esperar que, quer pela quantidade quer pela frequência de consumo, possuam um grande impacto na nossa saúde.

 

Vencida a reticência inicial em provar flores, a sua versatilidade só tem os limites da nossa imaginação. Saladas, risotto, piza, crepes, geleias, cubos de gelo, chás ou vinagres ganham assim um ingrediente novo que dá aroma, beleza e também saúde.

 

Retirado do Público

 

 



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Terça-feira, 14.02.12

Durante um ano, José deixou uma flor todos os dias na última carruagem do metro em Santa Apolónia
Durante um ano, José deixou uma flor todos os dias na última carruagem do metro em Santa Apolónia (Rita Chantre)
A flor que todos os dias viaja clandestinamente no metro de Lisboa vai dar o salto. O Sinal de Alarme cumpre nesta terça-feira um ano e José convocou todos os seguidores a levar com ele, à mesma hora, flores para Santa Apolónia. Uma espécie deflash mob para fechar um ciclo. Depois, vai dedicar-se ao “terrorismo cultural”. Mas o projecto não morre: internacionaliza-se.

A abertura à própria comunidade é a primeira fase de transformação do Sinal de Alarme, que José mantém sem falhas há um ano: planta diariamente uma flor e um aforismo na última carruagem do metro em Santa Apolónia, sem destinatário definido, para espalhar o amor pela capital. Nunca falhou, passando por cima de férias, festas, viagens, funerais.

Esta ideia e este compromisso inabalável apaixonaram milhares de pessoas, que acompanham o Sinal da Alarme através do Facebook. São esses seguidores (e outros) que José exorta a plantarem flores nos sinais de alarme dos transportes públicos que utilizarem de amanhã de manhã, às 8h29, a fotografar e a enviarem-lhe as provas do “crime”. Vai passar o dia ao computador, a publicar as imagens que for recebendo. “Tirei folga no trabalho. Este dia é sagrado”, diz ao PÚBLICO. (Pelo aniversário do projecto. “O dia dos namorados é um acaso.”) 

Cada flor deve ser acompanhada por um aforismo que complete a fórmula “A paixão é… O amor é…” e levar bem visível: “É favor roubar a flor e espalhar o amor”. Deve ainda seguir uma carta de amor, que peça resposta (e instruir para que esta segunda carta comece com a frase escrita por fora: “A paixão é… O amor é…”). As cartas têm de ser anónimas e escritas à mão. As respostas serão endereçadas para um apartado especificamente criado para o efeito. José espera criar um “reportório de cartas anónimas”, embora não saiba o que fará com ele.

Ao início da noite vai ele próprio fazer o “crime” 365. Mas não quer ir sozinho desta vez e por isso convocou toda a comunidade a juntar-se a ele em Santa Apolónia, às 20h29 (“porque é um minuto antes das 20h30; só por isso”) e a entrar (“se coubermos”) na última carruagem do metro. Cada um munido de flor e carta, claro. Depois, José segue para o Sou – Movimento e Arte, espaço cultural nos Anjos, em Lisboa – onde durante 12 horas estarão a passar todas as fotografias do Sinal de Alarme –, para anunciar o manifesto do projecto e deixar cair o anonimato. “É o melhor para terminar a coisa e não alimentar mitos como o José.”

Exportar cartas de amor

A segunda fase da transformação começa aí. O Sinal de Alarme deixa de ser diário e passa a mensal. A autoria dos aforismos muda de mãos, das de José para as da comunidade: todos os meses serão votadas, no Facebook, frases enviadas pelos seguidores do Sinal de Alarme; a vencedora acompanhará a flor desse mês. As flores passam a ser plantadas a 14 de cada mês, Santa Apolónia deixa de ser local obrigatório e José deixa de ser o único a fazê-lo. A ideia é que todos deixem flores nos transportes públicos que utilizam no mesmo dia e com a mesma frase.

Em qualquer parte do planeta. José pretende criar “uma corrente a nível mundial” para espalhar o amor. E não é tão megalómano quanto parece. Há gente disposta a promover essa internacionalização: nos últimos meses, José recebeu pedidos para replicar o projecto em Paris, Londres, Salamanca, Pequim e São Paulo. Com este novo modelo, mensal, passa a ser possível. Mas José impõe uma regra: que as frases que acompanham as flores sejam escritas em português, mesmo que seja plantada na China. “É obrigatório que a frase seja escrita em português e sem acordo ortográfico, com os cc e com os pp. As instruções são na língua de cada país.”

“Podem ir ao Google descobrir o significado das frases. Nós também somos obrigados a traduzir as troikas da Alemanha e da França. De resto, causa mais curiosidade a quem vai no metro ver um bilhete numa outra língua”, afirma. “Foi uma coisa que nasceu aqui, em Santa Apolónia, Lisboa, e tem potencial para se transformar numa coisa mundial porque é muito simples. E o português é uma marca da sua identidade.”

“É uma das línguas mais faladas do mundo. É um expoente da nossa cultura e tem potencial para ser mais exportada do que os pastéis de Belém. Não se estraga com o calor, não tem muitas calorias e os aforismos de amor fazem muito melhor ao coração do que açúcar e canela”, continua.“As respostas podem vir em qualquer língua, desde que comecem com aquela frase. Pode haver quem queira escrever em português mesmo com erros. Cartas de amor com erros são das coisas mais belas que pode haver, porque revela a fragilidade das pessoas.”

O meu amor é um falcão

A fragilidade de José é esta: apesar de o Sinal de Alarme deixar de ser diário, de Santa Apolónia deixar de ser uma obrigatoriedade física quotidiana, de o compromisso com o projecto ser aparentemente muito menor – o que cabe nos conselhos e preocupações de família e amigos –, José não consegue deixar de intervir incessantemente no espaço público. Por esta altura, já descobriu uma evolução deste projecto para ocupar os seus dias. Chama-lhe “terrorismo cultural”.

“Neste sítio [Santa Apolónia] vou ter de parar, mas talvez continue a deixar uma flor todos os dias em sítios diferentes – por exemplo, num balcão do Montepio, à porta do Banco de Portugal, num carro da GNR. Terá algo de terrorismo cultural: num determinado dia posso pensar que é preciso um sinal de alarme num lugar específico, uma resposta à realidade”, adianta ao PÚBLICO. “A arma será sempre o amor.”

“A maior lição que retiro do Sinal de Alarme é que uma acção feita de forma regular, diária, tem um resultado explosivo que ultrapassa as nossas expectativas”, conta. “E a ligação à realidade é importante. Uma das fotografias mais bonitas [do Sinal de Alarme] foi a [do dia] da greve do metro.” Outro dos “crimes” que José recorda para o balanço é o que foi cometido a 19 de Maio, depois de o FC Porto vencer a Liga Europa. Escreveu assim: “O meu amor é um falcão que não distingue o céu do mar”.

Essa ligação com a realidade vai poder ser vista na exposição preparada para o Sou, onde serão projectadas as fotografias de todos os crimes ao longo de 12 horas (uma hora para cada mês), “com as pessoas completamente alheadas a ir para o trabalho, a namorar, o músico a pedir esmola… Lisboa num ano”. O bilhete para entrar é uma flor que, além da entrada, vale um papelinho com a frase de um dos crimes. Mais? “Não sei se haverá bolachas. Depende dos cúmplices.”

A cumplicidade dos amigos permitiu-lhe que as flores nunca tivessem falhado no metro. Isto porque houve três que não foram plantadas por José. “Foi uma peça de teatro para crianças que, por estar em itinerância, me impossibilitou de cá estar fisicamente”, conta. Duas dessas flores foram as de sexta-feira e sábado passados. José deixou as flores com um amigo e as cartas no Sou. Quando o amigo as foi buscar, não se sabia onde estavam. Ligaram-lhe. Voltaram a procurar. Quando ligaram de volta para dizer que tinham encontrado, já José estava num táxi, em Ílhavo, a caminho da estação de comboios de Aveiro, para voltar a Lisboa e regressar para fazer a peça. “Ia sair-me caro, mas tinha de ser a minha letra, com aquelas frases.”

 

Via Público



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Sábado, 02.07.11
descrição

 

A cidade dos Templários guarda muitos segredos e um clima de mistério pelos seus recantos. Mas, de quatro em quatro anos, revela-se numa explosão de cores e odores: a Festa dos Tabuleiros vem aí e toma as ruas da cidade com centenas de tabuleiros e milhões de flores. Voltámos a Tomar num percurso iniciático de redescoberta e acompanhámos a preparação da grande festa, que se realiza de 2 a 11 de Julho.

Fotogaleria: Tomar monumental e florida


Os segredos dos templários que Tomar desvenda
 


por António Marujo
Uma santa atirada ao rio. Uma janela património mundial que fala de uma epopeia. Uma adega que poderia ter sido um lugar de iniciação. A mais antiga sinagoga de Sefarad. Uma mata dos sete montes. Mistérios templários escondidos nas pedras. Um magnífico tríptico fechado à chave. Ir do Paraíso ao inferno num único café. Uma albufeira mágica e um barco no cais. Com a Festa dos Tabuleiros no horizonte, fomos em busca dos segredos de Tomar e da sua região.

 

Tomar, onde as flores nascem nas mãos 
por António Marujo


A Festa dos Tabuleiros é preparada quase em segredo por centenas de pessoas que, durante meses, recortam milhares e milhares de flores e ornamentos em papel - para as ruas do centro histórico de Tomar e para os 700 tabuleiros que este ano desfilarão. A festa toma Tomar de 2 a 11 de Julho. Fomos espreitar os preparativos.

 

Festa dos Tabuleiros em Tomar começa no sábado e quer ser Património Imaterial


De quatro em quatro anos, a cidade de Tomar enfeita-se a rigor para a Festa dos Tabuleiros, que tem origem no culto ao Espírito Santo e é uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas do país. 2011 é ano de Tabuleiros, de 2 a 11 de Julho. E é uma edição especial: a autarquia de Tomar pretende candidatar a festa a Património Imaterial da Humanidade.

 

Via Público



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