Sexta-feira, 22.06.12

Já há ebooks portugueses à venda nas lojas Apple, Barnes & Noble e Amazon. Mas os dois grandes grupos editoriais do país, Leya e Porto Editora, têm estratégias diferentes quanto ao digital. E que futuro face ao Brasil, o gigante que também fala a nossa língua?

 

Os apreciadores de bibliotecas digitais e de ebooks já podem ler em português. Também cá, as novidades editoriais deixaram de ser produzidas apenas para o papel: os livros começam agora a chegar ao mesmo tempo às livrarias e às lojas online, onde os consumidores podem adquiri-los em versão digital, mais barata. O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro (Dom Quixote), é um bom exemplo: o romance está à venda, na sua versão impressa, nas livrarias portuguesas, e está também disponível, mais barato, em formato digital através da livraria Leyaonline (a antiga Mediabooks), das aplicações da Leya (para iPad, iPhone, iPod Touch e Android), da livraria onlinenorte-americana Barnes & Noble e ainda da loja da Apple, a iBooks. Em breve, este e outros livros da Leya vão estar à venda na Google ebooks e na Amazon para compradores da Europa.

Há um ano, esta diversidade não acontecia. Mas agora o grupo Leya está a converter parte do seu catálogo para o formato digital e a integrar as novidades. "Temos visto esta aposta sempre do ponto de vista da visibilidade que podemos dar aos nossos autores, nomeadamente além fronteiras, mas o que é certo é que o número de downloads já começa a ser significativo", afirma o director de marketing de edições gerais deste grupo editorial, Pedro Sobral. "2011 terminou com um número de downloads bastante acima do previsto quer na Leyaonline, quer no site que se dirige essencialmente a quem tem sistemas Android. Na iBooks, da Apple, temos livros à venda desde Novembro. Começaram agora a aparecer nos tops. No ano passado estivemos mais concentrados a resolver as questões operacionais (carregamento de ebooks, metabases, etc) e só em Janeiro começamos a trabalhar na visibilidade dos livros".

Há cerca de um mês, os ebooks de José Saramago em português estiveram em destaque. Quem visitava a iBooks via um anúncio com a frase "Saramago ebooks in portuguese" e a imagem das novas capas. "Isso fez com que os livros vendessem muito. Também fizemos uma campanha com os livros policiais do sueco Stieg Larsson", conta Pedro Sobral.

Apesar deste balanço positivo, a Leya não divulga números concretos de vendas e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros também não os tem. Mas quando consultámos o top dos livros mais vendidos na iBooks portuguesa, aparecia em primeiro lugar o romance que recebeu o Prémio Leya 2011, cujo ebook pode ali ser descarregado por 9,99€ (13,30€ é o preço do editor para a versão impressa). No segundo lugar, um romance mais antigo, Onze Minutos, do brasileiro Paulo Coelho, numa edição brasileira da Sant Jordi Associados (4,99€). A seguir vinha The Lion King, livro em língua inglesa editado pela Disney (1,49€). Também no top da loja Leyaonline oebook mais vendido é o romance de João Ricardo Pedro. Só que lá, em formato ePub, o livro está mais barato (8,99€), e é seguido do mais recente romance de Mia Couto, A Confissão da Leoa (11,99€) e de Os Da Minha Rua, de Ondjaki (5,99€).

No final do ano passado, a Leya fez também um acordo com a cadeia de livrarias norte-americana Barnes & Noble, que comercializa oereader Nook e permite, através de aplicações, que os seus livros sejam lidos em computadores PC e Mac, no iPhone, no iPad e no sistema Android. Por isso, O Teu Rosto Será o Último está à venda nesta loja online, em versão Nook Book, por 13,18 dólares. Como o processo de integração de informação de dados na livraria norte-americana foi mais complexo, só há pouco é que o catálogo da Leya - incluindo as suas edições portuguesas e as brasileiras - ficou disponível. "Tem sido uma surpresa muito agradável. É uma venda muito focada nos EUA, onde o Nook tem uma taxa de penetração alta. Fora dos EUA a venda não é muito relevante. Mas a nossa presença na Barnes & Noble está relacionada [com a possibilidade] de distribuir livros electrónicos para as comunidades portuguesas e para quem nos EUA queira ler livros em português", explica Pedro Sobral.

Já há bastante tempo que a Leya tem um programa de parceria com a Google Books (quando se faz uma pesquisa podem consultar-se excertos de alguns PDF de livros publicados pelo grupo português e brasileiro). Neste momento, está em processo de integração de dados para que a Google ebooks possa vender e distribuir os livros electrónicos Leya através das suas lojas. O passo seguinte será chegar a acordo com a Amazon - e não deve tardar.

A Leya está entre as editoras já contactadas pela Amazon Espanha, que quer ter livros portugueses à venda. Ao que se sabe, não haverá uma loja Amazon portuguesa, tal como vai haver uma loja Amazon brasileira. "Temos vindo a falar com a Amazon muito tranquilamente, quer a Leya Portugal, quer a Leya Brasil", revela Pedro Sobral. "Para nós a questão essencial é que os nossos parceiros e distribuidores tenham as mesmas condições. Isso é sine qua non", acrescenta. Apesar disso, em breve a Leya terá os seus ebooks na versão Kindle à venda na Amazon, acessíveis a compradores europeus.

Um mercado fechado

Quem já tem os seus dicionários à venda na Amazon é o grupo Porto Editora. Para os dispositivos Kindle, estão disponíveis desde Maio os dicionários bilingues de Português-Inglês, Inglês-Português e Português-Francês e Francês-Português. Custam 12,64 dólares cada.

Na App Store, da Apple, o grupo tem desde o ano passado disponível a Diciopédia mobile e o Dicionário da Língua Portuguesa (que são gratuitos) e ainda dicionários bilingues pagos. Entretanto desenvolveu uma aplicação específica para dispositivos com sistema Android e para o Windows Phone 7.

Embora, tal como a Leya, a Porto Editora não divulgue números de vendas, desde Janeiro de 2011 até agora registou 1,3 milhões dedownloads de conteúdos mobile. Embora os registos provenham de cerca de 80 países, mais de 70% dessas descargas foram feitas no Brasil, com destaque para a aplicação do Dicionário de Língua Portuguesa.

O projecto Os Miúdos, uma série de histórias infantis com personagens do site Sítio dos Miúdos, está também à venda na App Store (2,99€ cada aplicação). Estas histórias animadas podem ser lidas no iPad e ouvidas em inglês, espanhol, português de Portugal e português do Brasil.

Até aqui os editores compravam o papel e imprimiam os livros onde lhes apetecia. A seguir, tentavam vendê-los onde quer que fosse: livrarias, hipermercados, correios, bombas de gasolina. Nesta era do digital, os editores passaram a estar dependentes das empresas que têm a tecnologia e são também distribuidoras. São obrigados a fazer os seus livros electrónicos num determinado formato e a vendê-los unicamente na loja de determinada empresa: formato exclusivo Kindle para a Amazon, sistema operativo iOS exclusivo para Apple na App Store, formato exclusivo para Nook na Barnes & Noble, etc. Em alguns países (Espanha, França, Brasil), os editores têm tentado juntar-se para melhor protegerem os seus interesses e evitar que seja a venda de hardware a impor as regras no mercado do livro.

"Este é um mercado específico, por isso é que há uma lei do preço fixo do livro em muitos países e não há um preço fixo da gasolina ou das batatas. O livro, todos sabemos, é um bem cultural insubstituível, pelo que ao longo das últimas décadas tem tido um tratamento específico, tanto a nível legislativo como a nível de políticas", defende Vasco Teixeira, administrador e director editorial do Grupo Porto Editora.

"Obviamente, isto não agrada a estes novos agentes do sector. Para eles este é um mercado como qualquer outro. Nenhum vem da área do livro e querem é tratar as coisas caso a caso, porque não lhes interessa que os editores tenham uma frente unida. Mas se este mercado for tratado como qualquer outro vai destruir-se culturalmente muita coisa", acredita o administrador, para quem em Portugal ainda se está no início dos inícios: "Nem sequer começámos a volta de aquecimento."

É por isso que, antes de avançar mais, a Porto Editora está a tentar encontrar soluções tecnológicas mais amigáveis para os utilizadores. O grupo considera que não faz sentido que um editor tenha de fazer um livro técnico ou ilustrado para a Apple, outro para a Amazon e ainda outro para a Barnes & Noble. "A estratégia destes players é fazer o seu mundo fechado para controlar os clientes e contrariar o negócio. A estratégia do editor, na minha opinião, não pode ser fazer o jogo deste mundo fechado. Eu quero um livro que funcione bem em todos os tamanhos de aparelhos e em todos os aparelhos. Com isso estou a aproximar-me daquilo que deve ser a vontade do público".

No ambiente digital, não é fácil para um consumidor, quando faz um download, distinguir se se trata de um livro de dez páginas ou de mil. No mundo físico é fácil, porque na livraria se percebe logo porque é que um livrinho de piadas, a preto e branco, está marcado a dois euros e um livro encadernado e com óptimas fotografias da Phaidon é vendido por 150.

"A Amazon tem uma estratégia de preços própria que é a de tentar vender livros o mais baixo possível. É óbvio que isso vai degradar o valor do sector e o valor dos livros. Se o público aderir a essa compra de livros ao desbarato, os livros verdadeiramente mais difíceis de fazer, mais extensos, cujas traduções custam mais dinheiro, que o autor demorou mais tempo a escrever, ou não têm rendimento nenhum ou [se forem vendidos mais caros] vão ter poucas vendas", lamenta Vasco Teixeira.

O problema do IVA

Se formos espreitar na Wook, a livraria online do grupo Porto Editora, o top dos livros mais vendidos é toda uma outra história. Em primeiro lugar está A Mentira Sagrada, de Luís Miguel Rocha, edição Porto Editora (14,50€). Em segundo lugar aparece E-learning e E-conteúdos, de Jorge Reis Lima e Zélia Capitão, pelas Edições Centro Atlântico, 13,99€); em terceiro, Por Trás do Silêncio, de Heather Gudenkauf, também Porto Editora (13,50€).

Embora a Wook já esteja a vender os ebooks da Porto Editora, ainda não se encontra lá todo o catálogo deste grupo editorial. "Estamos a trabalhar com alguma cautela. Achamos que é demasiado cedo e que há poucos consumidores com aparelhos para consumir estes livros", afirma o administrador. Lembra ainda que há problemas legais "graves", como a questão do IVA, que "estão a atrofiar o mercado digital português": "Temos a certeza que, mais cedo ou mais tarde, isto se vai resolver, mas o mercado só se desenvolverá quando isso acontecer."

Já no ano passado, durante o Congresso do Livro na Praia da Vitoria, Açores, o administrador-delegado da Leya, Isaías Gomes Teixeira, alertara para a necessidade de haver mudanças na lei e para a urgência de se tomarem decisões por causa da concorrência num mundo globalizado. Em Portugal, o IVA aplicado aos livros electrónicos corresponde à taxa máxima de 23%, enquanto o IVA aplicado ao livro impresso é muito inferior, de 6%. Para aumentar a confusão, se um editor português vender actualmente um ebook integrado num suporte físico (um CD-ROM, uma pen, etc), já lhe é aplicado o IVA à taxa reduzida. É por isso que na União Europeia se discute agora o que pode ser considerado um livro electrónico.

"A questão do IVA é muito relevante. Por hipótese: se eu vender um ebook da Porto Editora a um site francês ou luxemburguês, ou mesmo à Apple, eles podem comercializá-lo a um leitor português cobrando 3% de IVA. Se eu vender o mesmo livro directamente através do meusite ou de um retalhista português, tenho de cobrar 23% de IVA. Neste momento há concorrência desleal e desequilíbrio entre os vários países", critica Vasco Teixeira.

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) tem apoiado os esforços da Federação Europeia de Editores (FED) no sentido de obter a alteração das leis europeias nesta matéria, aproveitando a abertura manifestada pela Comissão Europeia e a deliberação do Parlamento Europeu a favor da aplicação do mesmo IVA a todos os tipos de livros. Tem também defendido esta mesma posição junto das autoridades portuguesas e o Ípsilon sabe que a Secretaria de Estado da Cultura está a trabalhar numa solução para o problema.

"Não podemos dizer que haja desequilíbrio entre Portugal e os restantes países europeus integrados na União Europeia, porque, à excepção da França e do Luxemburgo, que legislaram em contradição com as normas comunitárias, todos os restantes países cumprem a aplicação da taxa normal de IVA no download ou no acesso online a livros electrónicos", explica Henrique Mota, editor e presidente do Conselho Técnico para a Internacionalização da APEL.

O processo negocial está a decorrer e há a expectativa de que vai ser possível encontrar um entendimento entre todos os editores europeus até 2015. "A questão mais controvertida neste momento é a definição de livro, de modo a que esta alteração fiscal não venha a ser usada indevidamente. A FEP tem em mãos este processo de consensualização do conceito de livro entre os vários stakeholders (de todos os países), físicos ou electrónicos, e deve alcançar um consenso antes do final do ano", continua Henrique Mota, admitindo que na próxima Assembleia Geral da Federação Europeia de Editores, a decorrer no Estoril de 28 a 29 deste mês, possa haver alguma evolução importante. É provável, quanto ao IVA, que a União Europeia venha a impor um princípio de territorialidade: um livro digital vendido no Brasil deverá reflectir o IVA à taxa aplicável no país para onde esse livro for enviado. O que significa que, mesmo que um leitor português compre um livro num país em que o IVA seja inferior ao que lhe é cobrado em Portugal, no final a disparidade fiscal não lhe renderá qualquer poupança.

Para o Brasil, e em força

Mas há outra questão que não é linear no ambiente digital. "O direito de autor sempre esteve ligado ao território: à execução física dos livros, à tradução e adaptação à realidade do país, mas também ao próprio circuito comercial e à distribuição locais. Com o digital perdem-se estas fronteiras, mas os direitos de autor e os contratos ainda são territoriais. Não se pode transformar o mercado numa selva. Não posso comprar um livro, traduzi-lo para português e eventualmente para espanhol e pô-lo à venda para todo o mundo. É uma questão complexa", afirma Vasco Teixeira. No congresso dos Açores, Isaías Gomes Teixeira já admitia que no futuro teria de decidir se a livrariaonline do seu grupo, a Leyaonline continuaria a ser portuguesa ou passaria a ser uma empresa brasileira, já que a Leya opera nos dois países.

O Brasil é um gigante que também fala português. O mercado digital brasileiro é infinitamente mais apetecível do que o nosso. Mas por lá, por causa da burocracia, tudo está atrasado. A Amazon queria ter começado a operar no Brasil em Abril, mas não conseguiu; agora fala-se em Setembro. A empresa norte-americana poderá abrir a sua loja online em português do Brasil antes de chegar a época das vendas de Natal. Já contratou um executivo brasileiro, Mauro Widman, que era responsável pelos livros digitais na Livraria Cultura e está agora negociar com os editores brasileiros. Ao que se sabe as negociações com a Amazon não têm sido fáceis por causa dos termos dos contratos impostos pela empresa norte-americana.

Também a Google contratou no Brasil uma pessoa para negociar com as editoras: Newton Neto. Mas a empresa norte-americana adiou a abertura da loja Google Play no Brasil. O que estará a atrasar o processo é implantação do sistema de pagamento.

Por causa disso, a primeira loja de ebooks da Google num país que não é de língua inglesa acabou por abrir em Itália, país europeu que já tem desde Dezembro uma loja Kindle (da Amazon) e uma iBookstore (da Apple) desde Outubro.

Em Abril do ano passado, a Kobo, outra das empresas importantes no sector dos ebooks, disse que também ia apostar em Itália e lançar uma loja naquele país. Há semanas a Kobo anunciou oficialmente que está a montar uma operação no Brasil.

Ricardo Costa, editor da PublishNews brasileira, acredita que a Amazon e a Kobo vão iniciar as suas operações no Brasil ainda este ano. "Na verdade a Kobo tem uma vantagem sobre a Amazon: a parte financeira, administrativa e burocrática está bem resolvida porque a empresa japonesa que comprou a Kobo, a Rakuten, já tem operação de e-commerce no Brasil - é aliás a maior plataforma de vendasonline e fornece para várias empresas no Brasil. A Kobo precisa contratar um executivo e começar a conseguir conteúdo. E acho que pode conseguir isso mais rápido do que os ‘gigantes' Amazon e Google, porque me parece uma empresa bem mais flexível", explica ao ípsilon o jornalista e especialista em mercado digital por email.

Num mercado cada vez mais globalizado e em época de acordo ortográfico já aconteceu editores portugueses quererem comprar os direitos digitais de determinado livro estrangeiro e ser-lhes dito que já não o podiam fazer pois os direitos para língua portuguesa já tinham sido vendidos para o Brasil.

Numa entrevista que deu recentemente ao Estado de S. Paulo, o editor brasileiro Sérgio Machado, do grupo Record, defendia que a salvação para esta guerra pode passar pela aposta nos autores nacionais: "Nesse ambiente do ebook, o que vai fazer a diferença, na hora que a gente estiver na última batalha mortal com a Amazon, é o catálogo nacional. Claro que é confortável e prático comprar num leilão um autor feito no exterior. Mas você tem que realmente construir e trabalhar com o autor nacional. Dá resultado."

 

Noticia do Ipsilon



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Segunda-feira, 26.03.12

Antonio Tabucchi tinha 68 anosAntonio Tabucchi tinha 68 anos (Carlos Lopes)
O escritor italiano Antonio Tabucchi morreu de cancro, em Lisboa, aos 68 anos. Tabucchi tinha uma longa ligação com Portugal e era considerado um dos nomes maiores da literatura europeia.

Autor de livros como “Afirma Pereira” (1994), obra premiada e que foi adaptada ao cinema com Marcello Mastroianni no papel principal, e "Notturno Indiano" (1984), era também professor de Língua e Literatura Portuguesas na Universidade de Siena. 

Um último livro de Tabucchi, "O Tempo Envelhece Depressa", será editado no próximo mês pela Dom Quixote.

Nascido em Pisa, em 1943, cresceu numa pequena povoação próxima daquela cidade. Filho de um comerciante de cavalos, estudou línguas e filosofia, antes de decidir viajar pela Europa. Em Paris, na Sorbonne, descobriu, traduzida para francês, uma colectânea de poemas de Fernando Pessoa (que incluía a "Tabacaria"), por cuja obra se apaixonou, decidindo estudar português para melhor compreender o poeta. 

Tabuchi conhecia Portugal desde os 22 anos e considerava-o o seu "país de adopção". É autor de ensaios sobre o trabalho de Pessoa e, com a companheira, Maria José de Lencastre, traduziu e dirigiu a edição italiana dos textos do autor. 

“Veio a Portugal no princípio dos anos 60, conheceu vários portugueses, entre os quais Alexandre O’Neill, de quem ficou muito amigo. A partir daí nunca mais perdeu de vista Portugal. Casou-se com uma portuguesa”, recordou Maria da Piedade Ferreira, a primeira editora de Antonio Tabucchi, então na Quetzal, e que recentemente voltou a trabalhar com o escritor na Dom Quixote.

O livro “Afirma Pereira", um romance político sobre um jornalista português em finais da década de 1930 que vivia alheado da ditadura salazarista, valeu-lhe dois prémios italianos – Via Reggio e Campiello – e o prémio internacional Jean Monet.

Em 1991, escreveu, directamente em português, o romance "Requiem. Uma alucinação", que se passa em Lisboa e no qual um autor italiano se encontra com o espírito de um poeta português já morto.

Segundo Maria da Piedade Ferreira, a cultura portuguesa está muito reflectida na primeira fase da obra do autor, principalmente o Portugal anterior ao 25 de Abril. “Toda a obra dele está ligada a Portugal.”

“Tabucchi foi um embaixador da cultura portuguesa na Itália e na França”, acrescentou, dando como exemplo o caso da editora Christian Bourgois, que publicou os seus livros em França e que começou a editar a obra de Fernando Pessoa no final da década de 1980.

Entre outras obras, Antonio Tabucchi escreveu uma comédia teatral sobre Pessoa. Recebeu o Prémio Médicis, por “Notturno Indiano”. “Pequenos equívocos sem importância”, “Une baule pieno di gente”, “Os últimos três dias de Fernando Pessoa”, “A cabeça perdida de Damasceno Monteiro” e “Está a fazer-se cada vez mais tarde” são outros títulos do autor.

Segundo Maria da Piedade Ferreira, o último livro de Tabucchi, ainda por publicar, é um conjunto de nove histórias que estão relacionadas “com a passagem do tempo, com a memória”. Nos próximos três anos, a Dom Quixote vai lançar onze livros de Tabucchi, entre novidades e reedições, avançou a editora.

O autor escrevia regularmente na imprensa e era um acérrimo defensor da liberdade de expressão. Em 2009, foi processado pelo presidente do Senado italiano, Renato Schifani, na sequência de um artigo publicado no jornal "L'Unità", no qual o escritor se colocara ao lado de um jornalista que, no mesmo jornal, notara que os perfis sobre Schifani não mencionavam as ligações do político a pessoas condenadas por laços à máfia. O processo acabou por não ser concluído.

No ano passado, o escritor cancelou a sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil, como protesto pela decisão da justiça italiana de não extraditar o italiano Cesare Battisti, um ex-activista de extrema-esquerda condenado em Itália a prisão perpétua, e que foge da justiça italiana há 30 anos. Em 2010, Tabuchi tinha também cancelado a particpação, na sequência de uma decisão do então Presidente brasileiro, Lula da Silva, que usara poderes presidenciais para evitar a extradição de Battisti.

Tabuchi estava internado no Hospital da Cruz Vermelha. O funeral irá decorrer na próxima quinta-feira, em Lisboa.

Notícia actualizada às 16h12. Notícia corrigida às 17h21.

O nome da editora é Maria da Piedade Ferreira e não Maria Piedade Pereira, como estava escrito. Data da publicação do livro "Afirma Pereira" alterada de 1993 para 1994.

Os livros de Antonio Tabucchi
1975 - "Piazza d'Italia"

1981 - "Il Gioco del Rovescio"

1983 - "Donna di Porto Pim e Altre Storie"

1984 - "Notturno Indiano"

1985 - "Piccoli Equivoci Senza Importanza"

1986 - "O fio do Horizonte"

1987 - "Os Voláteis do Beato Angélico"

1988 - "Chamam ao Telefone o Sr.Pirandello"

1988 - "O Tempo Aperta"

1991 - "L'angelo Nero"

1992 - "Sonhos de Sonhos"

1992 - "Requiem. Uma alucinação"

1994 - "Afirma Pereira"

1994 - "Os três últimos dias de Fernando Pessoa"

1997 - "A Cabeça Perdida de Damasceno Monteiro"

1997 - "Marconi, se bem me lembro"

1997 - "A Gastrite de Platão"

2000 - "Os Ciganos e o Renascimento"

2003 - "Está a Fazer-se cada Vez mais Tarde"

2003 - "Tristano Morre"

2012 - "O Tempo Envelhece Depressa" 

 

Via Público



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Sábado, 17.03.12

Internet: Setor livreiro português enfrenta os desafios do digital

São cada vez mais os escritores que apostam na Internet como meio de divulgação dos seus livros.

Enquanto editores e livreiros lamentam os danos económicos da pirataria, há um mercado a redesenhar-se. Para o diretor do Projeto Gutenberg em Portugal e para a escritora Patrícia Reis, o digital é já "uma inevitabilidade".

 

A cópia ilegal de livros técnicos e literários causa 60 milhões de euros de prejuízo por ano ao setor livreiro português. O dado é de um estudo encomendado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa (ISCTE) sobre o impacto económico da pirataria no setor. "Tínhamos uma previsão inicial de cerca de 40 milhões de euros de danos económicos, mas esse valor já foi atualizado e é um dos primeiros dados deste estudo", disse, à Agência Lusa, Miguel Freitas da Costa, secretário-geral da APEL.

Pirataria: uma inevitabilidade?

 

A discussão sobre a pirataria e os seus prejuízos tem origens remotas. Ricardo F. Diogo, diretor de Produção para a Língua Portuguesa do Projeto Gutenberg, olha para o conceito em sentido lato. "A pirataria sempre existiu. Já desde as Descobertas, pelo menos, que existem piratas", pelo que, relembra, o conceito não começou com a Internet.

 

Aliás, a Internet pode ser a alternativa do mercado livreiro para fazer face à crise. "Os piratas informáticos só atuam ilegalmente se os editores não encontrarem estratégias alternativas apelativas, atraentes e inovadoras para promover ainda mais as obras dos seus autores", defende. O advogado acredita que a Web, se for bem aproveitada, traz aos autores um sem número de possibilidades.

 

Uma das escritoras que utiliza a Internet para promover e distribuir as suas obras é Patrícia Reis. A antiga jornalista, em dezembro de 2011, apostou na web para lançar "A Nossa Separação", livro que disponibilizou em ebook de forma gratuita.

 

Mesmo assim, a escritora é contra a pirataria, potenciada pela crise, mas entende a sua existência. "Sou completamente contra a pirataria, mas também sou completamente contra os livros custarem 30 euros", confessa. "O livro existe porque o autor o escreve. É o produto principal e, depois, há uma cadeia de intermediários, que vão do editor aos distribuidores e ao próprio livreiro, que vão encaixando sucessivas fatias do bolo que é o livro. O autor é sempre o último a ganhar, quando ganha", explica. Apesar de tudo, diz, há sempre alternativas, ainda que nem sempre constituam o caminho mais fácil.

 

Mercado livreiro redesenha-se

 

A Web vem redefinir as necessidades daqueles que querem vingar no mundo dos livros, diz Ricardo. Para o diretor do Projeto Gutenberg em Portugal, é agora muito mais fácil vender obras, pois quem escreve já não precisa de intermediários.

 

Assiste-se, também, a um redesenhar do mercado livreiro. Tal como a televisão ocupou o lugar do aparelho de rádio na sala de jantar, Ricardo acredita que a Internet e os "tablets" vêm retirar muitos livros das prateleiras. "O digital é uma inevitabilidade. É o futuro. Sobre isso eu não tenho qualquer dúvida", concorda Patrícia Reis.

 

Apesar disso, a escritora não acredita no fim do livro impresso. "Haverá sempre o 'maluco' do livro, o 'maluco' do disco...aqueles que querem mesmo ter um livro em suporte de papel", acredita. Já a profissão, essa também não muda com a "supremacia" do digital. "Seja em papel, seja em digital, com dois empregos, com três ou sem emprego nenhum, nós vamos sempre contar histórias", finaliza.

 

Via JPN



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Quarta-feira, 04.01.12
Livro sobre Salazar plagiado
A jornalista Felícia Cabrita vai avançar para os tribunais com uma acusação de plágio contra a autora francesa Diane Ducret. «O capítulo sobre Salazar do livro Mulheres de Ditadores é um mero resumo do meu, Os Amores de Salazar», afirma a jornalista do SOL, que se sente roubada na investigação exaustiva que fez à vida íntima do ditador.

«O meu trabalho é fruto de várias conversas com fontes em Portugal e no estrangeiro, horas na Torre do Tombo e muitos documentos originais, incluindo a agenda de Salazar e os diários de Felismina Oliveira», diz Felícia Cabrita, explicando que no livro da escritora e jornalista francesa «até as citações de outros livros são iguais às que estão em Os Amores de Salazar. É um plágio do princípio ao fim».

 

Razões suficientes para a advogada da jornalista, Fátima Esteves, estar «a analisar a forma de agir judicialmente» contra Diane Ducret. A jurista não descarta, aliás, a hipótese de estender as acções às edições francesa, espanhola e italiana do livro Mulheres de Ditadores e de pedir a apreensão de todos os exemplares.

 

A obra, que tem tido grande repercussão em França – onde já vai na quarta edição –, tem sido destacada por jornais como o L’Express e o Le Figaro. E, no site da agente de Diane Ducret, pode ver-se que a jornalista – formada pela Sorbonne e publicamente elogiada pelo filósofo Bernard-Henri Lévy – está a preparar um segundo volume para ser editado em 2012.

 

As semelhanças entre a escrita de Felícia Cabrita e a obra de Diane Ducret não passaram, porém, despercebidas a António Araújo – professor de Direito da Universidade de Lisboa – que, no blogue Malomil, publica de forma exaustiva todas as passagens em que ambos os livros se confundem.

 

No seu site, o constitucionalista não hesita sequer em afirmar que o capítulo sobre Oliveira Salazar é «do princípio ao fim, um mero resumo de Os Amores de Salazar», contendo «diversos trechos, paráfrases ou plágios do livro de Felícia Cabrita».

 

Francesa diz que Felícia foi ‘fonte de informação’


Contactada pelo SOL, Diane Ducret sublinha que o livro de Felícia Cabrita se encontra nas suas referências bibliográficas e em notas de rodapé. «Não escondo de maneira nenhuma que encontrei uma fonte de informação no livro muito bem conseguido de Felícia Cabrita» – explica a autora francesa, acrescentando que a obra da jornalista portuguesa «apresenta inúmeros documentos retirados dos arquivos pessoais de mulheres próximas de Salazar, uma dimensão que até aí tinha sido ignorada pelos historiadores».

 

É nessa linha de raciocínio que Ducret assume: «É difícil inventar outras fontes, que eu partilho, por isso, com ela» (Felícia Cabrita). A francesa demarca-se, contudo, de qualquer acusação de plágio, sustentando que o trabalho de Felícia «não apresenta uma contextualização histórica destas relações» e que é aí que as obras de ambas se distanciam: «Foi nesse ponto que centrei o meu trabalho».

 

As explicações não chegam para convencer Felícia Cabrita, que frisa o facto de as frases do seu livro usadas por Diane Ducret não se referirem apenas às passagens relacionadas com os diários de Felismina Oliveira. «Há uma cópia também quando se fala das outras mulheres de Salazar», comenta.

 

Contactada pelo SOL, a Casa das Letras – responsável pela edição portuguesa do livro de Ducret –, através do gabinete de comunicação do Grupo Leya, disse apenas que está «a analisar esta situação». Segundo a mesma fonte, a editora já informou a autora «através da sua agente», estando «a aguardar os seus comentários».

 

Não foi possível obter um comentário da editora de Os Amores de Salazar, A Esfera dos Livros.

 

Comparações


Felícia Cabrita (F.C.) – «Laura (…) não tivera filhos, e também os anos pareciam namorá-la, vincando-lhe a beleza» _(pag. 87)

Diane Ducret (D.D.) – «Maria Laura não teve filhos e os anos parecem fazer triunfar a beleza dos seus traços» (pag. 163)

F.C. – «Um dia (…), por provocação ou por desconhecimento do carácter da colega, diz a Felismina que no Porto se tinham feito várias prisões e que ele escapara por um triz. Mas não demorava muito para o ensaísta estar atrás das grades» (pag. 113)

D. D. – «Um dia, por provocação ou desconhecimento do carácter da sua colega, diz a Felismina que foram feitas várias prisões no Porto, que ele escapou por pouco, mas que não tardará a encontrar-se atrás das grades» (pag. 158).

F.C. – «Enfrentando o défice com mão de ferro, vai equilibrando o orçamento. Congelamento de salários, cortes na função pública, classes médias empobrecidas, proletários na miséria» (pag. 87)

D.D. – «Fazendo face ao défice com mão de ferro, vai gerir as finanças do país como gere os seus amores: congelamento dos salários, cortes na função pública, empobrecimento das classes médias e dos proletários são aceites» (pag. 163)

F.C. – «o agora poderoso ‘Troca-tintas’ adorava o seu cheiro a perfume caro» (pag. 87)

D.D. – «o agora muito poderoso ‘sedutor’ adora o seu perfume de luxo» (pag. 163)

F.C. – «Ele sai da sala e volta munido de martelo, um alicate, um prego e uma chave de parafusos» (pag. 88)

D.D. – «Ele saiu em seguida do salão e voltou munido de um martelo, de uma pinça, de um prego e de uma chave de fendas» (pag. 163)

F.C. – «Um dia soltou os cabelos, o sol atravessou a densa cabeleira que parecia um braseiro» (pag. 33)

D.D. – «(…) solta com um gesto de desafio a sua cabeleira, deixando o sol atravessá-la e animá-la como um braseiro» (pag. 145)

F.C. – «Timidez? Cálculo?» (pag. 42)

D.D. – «Será timidez? Cálculo?» (pag. 149)

F.C. – «nos grandes hotéis, como o Palace Avenida, é contratada para (…) abrir os bailes e chamar os clientes à pista» (pag. 104)

D. D. – «Nos grandes hotéis, como no Avenida Palace, foi contratada para abrir os bailes e levar os clientes para a pista» (pag. 167)

F.C. – «E ganhou a vida dançando nos Palaces e transatlânticos» (pag. 104)

D.D. – «ganha assim a vida, apresentando-se em palácios e transatlânticos» (pag. 167)

F. C. – «que se tornara milionário e levava uma vida de estalo» (pag. 89)

D.D. – «tornou-se milionário e leva uma vida de lorde» (pag. 164)

Comparações retiradas do blogue Malomil

 

Via Sol



publicado por olhar para o mundo às 08:36 | link do post | comentar

Quinta-feira, 06.10.11

Tomas Tranströmer
Tomas Tranströmer (Andrei Romanenko/Wikimedia Commons)

O poeta sueco Tomas Tranströmer é o Prémio Nobel da Literatura de 2011, acaba de ser anunciado em Estocolmo pela Academia Sueca.

 

Tomas Tranströmer escreve sobre a morte, a história, a memória e é conhecido pelas suas metáforas. É um poeta que tem uma produção pequena, "não é prolixo", disse no final do anúncio o secretário da Academia, o historiador Peter Englund, embora esteja traduzido em várias línguas. Em Portugal, Tranströmer tem poemas publicados em duas antologias, uma delas chama-se "Vinte e um poetas suecos" (Vega ,1987).

Tomas Tranströmer, 80 anos, psicólogo de formação, sofreu um AVC em 1990. Por isso perdeu as faculdades motoras e não consegue falar. Peter Englund disse à televisão sueca que falou com o laureado e ele se mostrou surpreendido pelo prémio. "Ele estava a escutar música", acrescentou o secretário da Academia. O Prémio Nobel da Literatura 2011 vive numa ilha e depois de ter ficado doente publicou três obras. 

Desde 1973 que Tomas Tranströmer, que é o poeta sueco mais traduzido no mundo e recebeu o Prémio Literário do Conselho Nórdico em 1990, era candidato ao Nobel. Há 40 anos que um autor sueco não recebia este prémio. 

O poeta e tradutor Vasco Graça Moura disse hoje à agência Lusa que a poesia do autor sueco “tem uma grande força lírica e preocupação social” e considerou-o "um Prémio Nobel muito merecido”. “Ele é muito importante e é o maior poeta sueco vivo”, afirmou. Sobre a obra de Tranströmer, o escritor português sublinhou “a grande força de utilização das imagens, com uma faceta um pouco surrealista”. Vasco Graça Moura traduziu vários poemas de Tranströmer entre eles um sobre Lisboa, “Alfama”, que se encontra na obra “21 poetas suecos”. 

Por sua vez o escritor e crítico literário do PÚBLICO, José Riço Direitinho, considera que "há talvez duas ou três décadas que Tomas Tranströmer merecia esta distinção". É um poeta com "uma lírica e um imaginário originalíssimos, que em alguns pormenores, o aproxima dos surrealistas. A sua obra, iniciada em meados dos anos 50, parece ter raízes na poesia Modernista e Expressionista / Surrealista.", explica. 

Nas suas várias antologias, "é bem visível como ao longo de décadas ele tem vindo a apurar a linguagem poética com uma genialidade com que poucos são dotados". Em Tranströmer, os poemas "parecem suportados por uma estranha justaposição de forças primevas e contrárias; movimento e mudança, liberdade e controlo do discurso, natureza e influência humana, tudo isto faz parte das suas paisagens poéticas, que se localizam por vezes mais perto do pesadelo do que do sonho".

Mas, talvez, lembra José Riço Direitinho, seja a luta entre a terra e o mar um dos seus temas preferidos, particularmente nos poemas que se referem ao Báltico ou às suas ilhas – e são muitos –, à lembrança dos lugares dos Verões da infância, numa tentativa nostálgica de reconstrução da memória. 

"Nos poemas de Tranströmer, as imagens poéticas abrem por vezes portas para estados psicológicos e para interpretações metafísicas, havendo uma espécie de 'ideia religiosa' que aflora em alguns versos. O Nobel não lhe assenta nada mal", conclui o crítico.

No ano passado a distinção foi atribuída ao escritor peruano Mario Vargas Llosa. O prémio tem um valor pecuniário de dez milhões de coroas suecas (cerca de 1 milhão de euros). 

Este é o quarto prémio atribuído pela Academia Sueca este ano depois do Nobel da Medicina (Ralph Steinman, Bruce Beutler e Jules Hoffmann), da Física (Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess,) e da Química (Daniel Shechtman). Amanhã será atribuído o Prémio Nobel da Paz.

 

Via Público



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Quinta-feira, 08.09.11

O banco do livro escolar
O Banco do Livro escolar pretende promover a troca gratuita de livros escolares entre alunos do ensino básico e secundário.

Gratuitidade como Princípio de honra
Todo e qualquer produto ou serviço prestado por ou para o Banco do Livro escolar é gratuito.

Como funciona o Banco do Livro escolar?
O Banco do Livro escolar recebe ofertas os livros escolares usados.
O Banco do Livro escolar disponibiliza gratuitamente os mesmos livros a quem precisa deles.
As fotografias dos livros escolares disponíveis são visíveis na página do Banco do Livro escolar no facebook.
Em cada álbum é possível saber em que cidade se encontra fisicamente o livro escolar pretendido.

O Banco do Livro escolar promove o transporte dos livros entre os vários pontos de entrega e recolha do País.
O transporte dos livros é feito por voluntários e não tem qualquer custo mas pode demorar alguns dias.
Se já ofereceu os livros escolares a outra pessoa já cumpriu o princípio de funcionamento do Banco do Livro pelo que pode levantar novos livros escolares sem entregar outros livros.

Onde entregar / levantar os Livros escolares?
Porto (sede)
Centro de Estudos - Henrique Cunha
Av Dr Antunes Guimarães, 63 - 3º dto
4100 079 Porto
tel fixo 309 956 690
tel movel 912 447 177

Lisboa - Almirante Reis
Bem-me-quer
Av. Almirante Reis N.152- 1000-052 Lisboa 
Tel 218476678
horário- 12-19h de segunda a sábado 
Responsável - Paula Cascais

Lisboa - Parque das Nações
WECLINIC
Rua das Galés, Lote 4.43.01 O
Parque das Nações Norte 1990-612 LISBOA
Junto ao Campus de Justiça
Horário para contacto e entrega/recolha
2ª A 6ª DAS 10:30 ÀS 14:00
Telef. 218 966 187

Odivelas
Abre em breve

Coimbra
Abre em breve

Quer criar um banco do Livro escolar na sua cidade?
O Banco do Livro escolar pretende alargar a rede de pontos de recolha e entrega de livros escolares por todo o País.
Se deseja criar um Banco do Livro escolar na sua cidade por favor contacte:
Henrique Cunha
Av Dr Antunes Guimarães, 63 – 3º dto
4100 079 Porto
tel fixo 309 956 690
tel movel 912 447 177

Como ajudar o Banco do Livro escolar não tendo nem precisando de livros?
Para que esta ideia se transforme num sucesso e beneficie mais gente precisa de ser bem divulgada!
A melhor colaboração que pode dar é totalmente gratuita e passa apenas por partilhar esta informação com os seus amigos.

Via Cocó na Fralda


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Terça-feira, 03.05.11
Paulo Cardoso revela faceto de astrólogo de Fernando Pessoa

A faceta de astrólogo do poeta Fernando Pessoa que chegou a auferir “alguns tostões com a astrologia” é revelada no livro de Paulo Cardoso com vários documentos do espólio pessoano.

 

Intitulado “Fernando Pessoa - Cartas Astrológicas”, o livro reúne “algumas dezenas das mais reveladoras cartas astrológicas erigidas por Pessoa”, escreve o astrólogo Paulo Cardoso. 


Jerónimo Pizarro, catedrático nas universidades de Lisboa e de Los Andes (Colômbia) que prefacia a obra, afirmou à Lusa que esta obra “abre novas pistas de investigação, e demonstra como a teoria dos heterónimos é influenciada pela astrologia”. 

O autor de “Mensagem” fez a sua carta astrológica e as dos seus heterónimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. “Todos os horóscopos dos heterónimos apresentam Mercúrio (o planeta da literatura) ” que é também o planeta regente do signo Gémeos a que pertencia Fernando Pessoa, escreve Paulo Cardoso. 

O astrólogo realça que os “signos ascendentes” dos horóscopos dos quatro poetas são Água (Pessoa), Fogo (Caeiro), Terra (Campos) e Ar (Reis), ou seja “a família heteronímica detinha a plenitude dos princípios fundamentais da filosofia ancestral”. 

Em 1915 Fernando Pessoa inventou um astrólogo, Raphael Baldaya e estabeleceu uma tabela de honorários que variavam entre os 500 e os 5000 réis. 

Pizarro disse à Lusa que Pessoa “ganhou alguns tostões com a astrologia” e há muitos cartões no espólio guardado na Biblioteca Nacional com indicações de nome, data e hora de nascimento que leva a supor que Pessoa traçava as respectivas cartas astrológicas. 

O poeta traçou mapas astrais de mais de 1500 personagens históricas ou contemporâneas. Robespierre, Guilherme II da Alemanha, D. Carlos de Portugal, D. Sebastião, Lord Byron, Sidónio Pais, Oliveira Salazar, Mussolini, Chopin, Leopoldo II dos belgas, Victor Hugo, Luís II da Baviera, Afonso XIII de Espanha, Vítor Emanuel III de Itália e William Shakespeare foram algumas das personalidades sobre as quais desenhou o respectivo mapa astrológico. 

De algumas personalidades fez mais de uma vez em alturas diferentes a respectiva carta astrológica, casos de Napoleão, da Rainha D. Amélia, do escritor Raul Leal, ou do escritor Óscar Wilde. Segundo Cardoso, Pessoa “comentou parecenças entre o caso astrológico de Wilde e o seu próprio caso”. 

Pizarro referiu à Lusa que Fernando Pessoa “chegou a calcular com grande proximidade o seu ano de morte” (1935), algo que mereceu diversas reflexões do poeta. 

Cardoso assinala que “a abordagem pessoana da astrologia foi sempre a mais prudente, crítica e metódica”. O astrólogo acrescenta que “a astrologia fez parte do quotidiano do escritor que lidava com ela de manhã, à tarde e pela noite dentro”. 

“Este foi um interesse que Pessoa manteve até à sua morte”, sublinhou Pizarro. 

Além da prática Fernando Pessoa também teorizou sobre a astrologia, salientou à Lusa Pizarro. Pessoa atribui por exemplo, a Baldaya as obras “Systema de Astrologia” e “Introd[ução] ao estudo do ocultismo”. 

Pizarro afirmou que “Fernando Pessoa -- Cartas astrológicas”, com a chancela da Bertrand Editora, “permite criar um clima necessário para os livros que ainda faltam de Pessoa sobre a astrologia, bem como e como as Ciências Ocultas, o Esoterismo e a Filosofia que são coisas muitos presentes no [movimento literário e artístico] do Modernismo”. 

A obra é apresentada esta terça-feira às 18h30 na Casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, por José Blanco. 

 

Via Público



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Domingo, 01.05.11
O multimédia está muito presente na feira
O multimédia está muito presente na feira (Ricardo Silva)

 

O digital está a ganhar terreno no mundo dos livros. No Parque Eduardo VII, tanto no pavilhão do grupo Babel como na Praça LeYa vai ser possível consultar e folhear livros electrónicos.

 

Mal se chega à Feira do Livro de Lisboa, que hoje abre às 12h30 no Parque Eduardo VII, dá-se logo conta que ali aterrou um objecto não identificado. É o pavilhão do grupo Babel, concebido pela arquitecta Soledade Paiva de Sousa, que poderia ser um paralelepípedo negro gigante que sofreu uma fractura e é rasgado horizontalmente, de um lado ao outro, por uma faixa de luz. 

É dentro deste pavilhão - completamente diferente de todos os outros que o rodeiam, com 56 metros de comprimento, por três metros e meio de largura - que os leitores vão ter acesso a livros digitais. Logo no espaço infantil, há uma zona multimédia, um quiosque com jogos didácticos. Mais à frente, os leitores são surpreendidos com uma estrutura que parece um livro gigante, aberto, mas não é de papel. No dia em que visitámos a feira ainda não estava tudo montado, mas nessa estrutura será projectado um livro electrónico que pode ser folheado. É uma maneira diferente de se ler a Mensagem, de Fernando Pessoa, da Babel, aquela que reproduz a primeira edição da obra que está na Biblioteca Nacional. 

Depois de se passar pelas zonas exclusivas dedicadas a autores - Jorge de Sena, Agustina Bessa-Luís, Fernando Pessoa e Padre António Vieira - no pavilhão; pelos ecrãs com trailers de livros; chega-se ao "e-quadrado". É um quiosque multimédia, com dois ecrãs, que o grupo editorial de Paulo Teixeira Pinto está a desenvolver para colocar em 20 lojas de norte a sul do país. Num dos seus ecrãs tácteis é possível ler ebooks. No futuro, ainda não acontecerá nesta feira, estes livros poderão ser adquiridos a partir deste "e-quadrado", mesmo nas livrarias. 

Na parte de cima do Parque Eduardo VII, do lado oposto ao pavilhão do grupo Babel, também haverá um espaço onde os visitantes da feira podem conhecer e ler ebooks. Uma parte de um dos pavilhões da Praça LeYa, mais concretamente o pavilhão do "Fantástico", foi transformada para aí se criar o espaço dinamizado pela LeYa Mediabooks, a livraria online deste grupo editorial. Estará equipado com dois PC portáteis, nos quais os visitantes da feira poderão, por um lado, conhecer e ler ebooks disponíveis no catálogo da Mediabooks e, por outro, consultar o catálogo de livros; o espaço estará também equipado com tablets, nos quais os visitantes poderão experimentar a leitura de livros digitais. Por sua vez, o grupo Porto Editora não terá ebooks na feira, mas está a preparar, para o mês de Maio, um evento dedicado ao ebook em conjunto com a Wook, a livraria online do grupo.

Mais tecnológicas

As coisas parecem estar a mudar. Pela primeira vez na história da Feira do Livro de Lisboa o livro digital vai conviver lado a lado com o livro impresso. Nada que não se passe já em outras feiras por esse mundo fora, embora a maior parte delas tenha características diferentes da Feira do Livro de Lisboa, pois, além de serem abertas ao público (durante alguns dias), estão vocacionadas para profissionais, para o negócio de compra e venda de direitos. "É inevitável que as feiras do livro passem a ser cada vez mais tecnológicas. É uma parte importante do mercado editorial que está a sofrer uma mudança e isso tem que se reflectir também no espaço onde o livro está presente, neste caso na Feira do Livro de Lisboa, o espaço principal de contacto do mundo da edição portuguesa com o seu público final", explica Nuno Seabra Lopes, consultor editorial da Booktailors.

Tal como já acontece nas feiras internacionais, em Portugal a importância do digital vai ter que começar a ser evidente. "Apesar de a nossa feira ter características diferentes, acredito que dentro de um ano, dois, poderá haver vendedores de ereaders e que também nos seja possibilitada a compra de ebooks", acrescenta Seabra Lopes. 

Este ano, nos primeiros quatro meses, os dados relativos à venda de livros nos EUA e no Reino Unido, anunciados pela Nielsen Bookscan, mostram que as vendas de ebooks estão a conduzir a uma quebra na venda de livros impressos. A editora Penguin anunciou que dez por cento do seu volume de negócios do ano passado já se deveu ao livro electrónico. "Sendo eles um grupo editorial tão forte e sem nenhum interesse directo em nenhuma tecnologia, não vendem Kindle ou Nook ou outro ereader. Sendo uma editora isenta, acho que é muito expressivo o negócio dos ebooks entrar nos dois dígitos. Começa a ser uma área com uma importância muito forte", diz Eduardo Boavida, editor da Bertrand. E isso notou-se na Feira do Livro de Londres, onde esteve José Prata, editor da Lua de Papel. Nas livrarias londrinas há também sinais de crise. A edição em capa dura está em extinção em Inglaterra, as novidades estão a ser publicadas em capa mole contra o que era tradicional no mercado anglo-saxónico. "Há uma caminhada para tornar o livro mais barato. Vê-se uma certa decadência no acabamento do livro por causa dos custos. A tentativa é tornar o livro impresso mais barato para competir com os ebooks e com os livros físicos que estão à venda na Internet com grandes descontos", explica José Prata. 

De feira em feira internacional costuma andar o jornalista Ricardo Costa, da PublishNews, um portal brasileiro que divulga uma newsletter diária sobre o mercado editorial. "A tendência é que as feiras estejam cada vez mais a voltar-se para o digital. No Brasil os editores perceberam que não vai demorar, já está aí. Os livros em formato digital estão a ocupar um espaço cada vez maior e acredito que daqui a uns anos as feiras do livro comecem a diminuir o seu espaço físico", explica ao telefone de São Paulo.

 

Via Público



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Sábado, 16.04.11
Novo livro de Umberto Eco aborda as falsificações da história que custaram vidas humanas
 
Cemitério de Praga, o novo romance de Umberto Eco, passa-se no século XIX, e entre outras questões, aborda a expansão de Os Protocolos dos Sábios de Sião, uma falsificação em que Hitler se apoiou para construir os campos de extermínio dos judeus.

A obra, traduzida por Jorge Vaz de Carvalho, integra na narrativa apenas personagens reais com a excepção do protagonista, Simonini, e mesmo este com um antepassado histórico real.

Os cenários narrativos são Turim, Palermo e Paris, usando o autor iconografia oitocentista do seu espólio.

Ao longo de 557 páginas desfilam jesuítas, satanistas, Ippolito Nievo, um seguidor do unificador italiano Garibaldi, o próprio Garibaldi, Alfred Dreyfus, e ainda maçons, carbonários, entre outras personagens de um século agitado.

O autor esboça a trama do romance em torno das falsificações da história, como Os Protocolos dos Sábios de Sião, forjados pela polícia secreta do Czar Nicolau II em 1897, que descrevem uma suposta conspiração judia para dominar o mundo, e que Hitler utilizou na sua política de exterminação dos judeus.

Esta e outras falsidades, como a documentação forjada para acusar o oficial de artilharia Alfred Dreyfus, seguidor da religião judia, de alta traição à França, em 1894, custaram a vida a milhões de pessoas.

Numa entrevista à revista Ler, Eco afirmou: «O 'Cemitério de Praga' faz-nos entender que os serviços secretos do século XIX eram exactamente a mesma coisa que os do nosso tempo».

Defende o autor que «o recurso à História serve para demonstrar que a história não progrediu».

O filósofo italiano Umberto Eco, 72 anos, estreou-se na narrativa com o romance O Nome da Rosa que lhe valeu o Prémio Strega, em 1981. Desde então publicou outros quatro títulos, entre eles O Pêndulo de Foucault. Na área ensaísta editou vários títulos e organizou a História da Beleza e a História do Feio.

 

Via SOL



publicado por olhar para o mundo às 10:26 | link do post | comentar

Domingo, 13.03.11
 
 
A boa literatura é a melhor forma de criar cidadãos críticos que não podem ser manipulados facilmente, afirmou o Prémio Nobel da Literatura 2010, o peruano Mario Vargas Llosa, perante um milhar de estudante de Monterrey, capital do Estado mexicano de Nuevo León.

«Uma sociedade livre, democrática, aspira a ter cidadãos comprometidos com a vida pública», disse Vargas Llosa aos alunos universitários de várias escolas da região.

O escritor acrescentou não haver mais nada mais que «atice os desejos de satisfação que a realidade não pode satisfazer, que a literatura».

Para Vargas Llosa, que está no México para diversas conferências, os leitores de boa literatura são a melhor garantia para que uma sociedade evolua e seja critica.

O escritor também recebe hoje o Prémio Internacional Alfonso Reyes que inclui também um valor pecuniário de 50.000 dólares e que as autoridades mexicanas atribuem a personalidades com uma vasta trajectória no campo das humanidades.

Por ocasião da entrega do prémio, o Instituto Nacional de Belas Artes e a Universidade Autónoma de Nuevo León editam o texto 'Um homem das letras' escrito por Vargas Llosa sobre Alfonso Reyes e que foi publicado pela primeira vez no diário espanhol El País a 20 de Fevereiro de 2005.

 

Via Sol



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Quinta-feira, 03.03.11

Feiras do livro de Lisboa e Porto

 

A Feira do Livro vai realizar-se este ano entre 28 de Abril e 15 de Maio em Lisboa e entre 26 de Maio e 12 de Junho no Porto, segundo consta no site da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). 

No site da APEL na Internet informa-se ainda que a 81.ª edição da Feira do Livro de Lisboa «decorrerá, tal como nos anos anteriores, no Parque Eduardo VII». Não há referência à localização do evento no Porto, porque, segundo indicou fonte da APEL à Lusa, falta confirmar com a câmara municipal local, mas tudo indica que deverá voltar a realizar-se na Avenida dos Aliados.

Na sua newsletter, a associação refere que o processo de inscrições na Feira do Livro de Lisboa está concluído e que o evento vai contar«com aproximadamente 120 participantes» e «mais de 350 chancelas editoriais», dispostos por uma área «equivalente a cerca de 260 pavilhões do modelo normalizado».

A APEL indica ainda, no site, que a próxima edição da Feira do Livro enquadra-se «num processo de continuidade», dando, «uma vez mais, lugar de relevo ao livro, seus autores e outros intervenientes».

A associação que representa editores e livreiros diz ainda que «continua a ter como propósito fundamental organizar um evento que pressupõe a promoção e difusão do livro em língua portuguesa, fomentar os hábitos de leitura dos portugueses e melhorar o seu nível de literacia».

Já a Semana dos Livreiros ainda não tem data definida, mas, segundo adiantou à Lusa o secretário-geral da APEL, Miguel Freitas da Costa, esta «espécie de prelúdio» da Feira do Livro inicia-se«normalmente» a 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, durando uma semana.



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Domingo, 13.02.11

 

Anna Gerber e Britt Iversen criaram a Visual Editons para publicar livros com aquilo a que chamam escrita

 

Só uma gráfica no mundo aceitou produzi-lo, mas "Tree of Codes" esgotou em seis semanas. A Visual Editions nasceu para testar e ultrapassar os limites da edição

 

 

Para algumas mulheres, o início da maternidade é o fim da carreira. Para outras, pode ser mais uma oportunidade. Radicadas em Londres, a dinamarquesa Britt Iversen e a francesa Anna Gerber conheceram-se no infantário dos filhos. Tornaram-se grandes amigas. Há dois anos, num jantar, começaram a falar em como "seria incrível ter uma empresa que só fizesse livros com escrita visual", lembra Britt, ao telefone do escritório da Visual Editions.

De início, quase ninguém percebia o que queriam dizer com isso. "Ah, livros para crianças?", perguntavam. "Depois pensavam que estávamos completamente loucas", ri-se Iversen, que trabalhou os últimos 15 anos em publicidade. A resposta é simples: a escrita visual integra elementos visuais na narrativa. "No momento em que se tornam decorativos, deixam de ser necessários - e deixa de ser ''escrita visual'' para ser só ''visual''", explica.

Começaram por reeditar um clássico. Ao longo dos séculos, "A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, Cavalheiro" teve mais de 120 versões no Reino Unido (em Portugal está publicado pelas Edições Antígona). Nenhuma honrava a obra de Laurence Sterne, o génio que em 1759 lançou os primeiros volumes de uma série tão louca como moderna. "Queríamos mostrar que existe uma tradição muito forte deste tipo de livros", diz Britt Iversen. Mas o segundo título que deram à estampa é que causou verdadeira sensação. Os primeiros 10 mil exemplares esgotaram em seis semanas - apesar do formato de bolso e do preço: 25ú (30€). 

O manuscrito esculpido O autor americano Jonathan Safran Foer foi uma escolha evidente para assinar o primeiro original da Visual Editions. Há anos que incorporava elementos visuais em edições tradicionais como a de "Extremamente Alto, Incrivelmente Perto" (Quetzal). Anna e Brit disseram-lhe que publicariam aquilo que ele quisesse. Só havia um senão: não podiam pagar-lhe. Ele nem hesitou. Há anos que alimentava a ideia de esculpir um livro de outro. 

Foer escolheu "The Street of Crocodiles" de Bruno Schulz, um dos seus escritores favoritos. Imprimiu uma série de cópias e começou a recortar. O objectivo, explica num vídeo disponível no site da Visual Editions, era encontrar uma história dentro da história. "A experiência de ler o livro muda à medida que se avança", acrescenta. "Espero que contribua para a discussão do que é possível fazer com a literatura e com o papel."

Só uma gráfica na Bélgica aceitou o desafio de o produzir. O processo é tão complicado que são necessários três meses para imprimir cada leva de exemplares. "Mas essa também é a beleza do livro", avança Anna, professora de design gráfico, que se juntou mais tarde à conversa, "É um livro aparentemente impossível de produzir, que vem com a sua própria história. A segunda edição já está disponível.

Regresso ao futuro Só daqui a 12 meses é que as duas empreendedoras vão perceber se o plano de negócios que levaram mais de um ano a conceber resulta. Têm mais dois livros a caminho. "Composition #1" deverá sair em Maio. É a reedição de um título dos anos 60, o primeiro livro de sempre feito de páginas soltas dentro de uma caixa. "O leitor tem grande controlo sobre a forma como lê", diz Britt. Para "A Collection of Short Uncanny Stories" ainda não há data de publicação, mas há conceito: um original feito a partir de histórias infantis que deram para o torto. O objectivo é publicar quatro títulos por ano, cada um da forma que melhor se adeque à história. Até pode ser no iPad.

 

Via Ionline



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Sexta-feira, 11.02.11

Obras gratuitas de domínio Público

 

 

Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:

 

· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;

· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;

· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia;

· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA

 

· e muito mais....


Esse lugar existe!


O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br


Só de literatura portuguesa são 732 obras!


Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.


Divulgue para o máximo de pessoas.

 

Recebido por mail



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