Quarta-feira, 13.06.12

FEMEN, PROTESTAM NUAS E FALAM AO MAISFUTEBOL: «NÃO PARAREMOS»

São o lado sórdido do Campeonato da Europa 2012. Opõem-se radicalmente à realização da prova na Ucrânia e usam as armas que podem nos protestos públicos: exibem corpos despidos, tatuados apenas com gritos inconformistas. 

As FEMEN são, oficialmente, uma ONG. Um grupo de mulheres contestatárias, dispostas a criar um novo estilo de vida numa sociedade que dizem estar «doente». 

Para perceber melhor as suas intenções, o Maisfutebol entrevistou a líder e fundadora Anna Hutsol. 

Reportagem na Ucrânia com a líder e fundadora de um radical movimento ONG. «Com o Europeu isto ainda ficou pior»Anna só fala ucraniano e a barreira linguística apenas foi ultrapassada com a ajuda de uma tradutora. A primeira questão era lógica: porquê o recurso à nudez nestes protestos organizados na Ucrânia e na Polónia? 

«Apenas uma ação radical pode ajudar a mudar a situação na Ucrânia. Temos de ser nós a agitar as coisas. Se formos para as ruas aos berros ninguém nos liga nenhuma. Não vamos parar», responde Anna Hutsol, antes de rejeitar por completo a acusação que ouve constantemente.

«Busca de protagonismo? Os nossos corpos são um meio para atingir um fim. Estamos fartas da corrupção na sociedade ucraniana. O Euro2012 é a face mais visível dessa rede de favores e compadrios. O dinheiro gerado não ajudará o país, apenas uma imensa minoria». 

«Com o futebol isto ainda é pior»

Anna Hutsol tem 29 anos. Dedica-se por completo ao projeto FEMEN. Outra das suas demandas é acabar com o que chama de «circo no turismo sexual». 

«Com o futebol é ainda pior. Os adeptos vêm, vandalizam a Ucrânia e tratam mal as nossas mulheres. 30 por cento das prostitutas europeias são ucranianas. Fogem para essa vida por não terem alternativas», reclama a líder da organização. 

«É esta sociedade infernal que obriga as pessoas a fazerem o que não querem. Não aceito isso». 

As imagens correm os noticiários, são familiares. As FEMEN estiveram de seios ao vento no jogo de inauguração em Varsóvia, foram a Kiev ao Ucrânia-Suécia e planeiam novos protestos para breve. 

«Continuarem a lutar da nossa forma. Fui assistente social alguns anos e percebi o que as mulheres deste país passam. Há uma cultura patriarcal nojenta. Quem se quiser unir a nós só tem de ir ao nosso site ou enviar-me um mail». 

«Os homens podem ajudar, mas não sem roupa»

Afinal, quem são as mulheres integrantes das FEMEN? «Somos um grupo heterogéneo. Há pessoas licenciadas, médicas por exemplo, e outras mais simples. Temos a cabeça no lugar. Somos bonitas, não somos prostitutas».

Enquanto houver Euro2012, portanto, é muito provável, que se volte a ver imagens de jovens ucranianas cheias de vida e convicções sociais. As ruas são delas e até o troféu do Euro esteve perto de ser vandalizado. 

Esta entrevista não foi feita presencialmente. Apesar do simpático convite de Anna para nos deslocarmos a Kiev, os 600 kms de distância e a falta de tempo disponível impossibilitaram a viagem.

 

Retirado do Push



publicado por olhar para o mundo às 08:37 | link do post | comentar

Quinta-feira, 01.03.12

Dezenas de milhares de estudantes universitários e agentes políciais espanhóis entraram em "guerra" nas ruas da segunda principal cidade de Espanha.

 

Pelo menos duas pessoas foram já detidas, na sequência dos confrontos entre a polícia e os estudantes, junto à praça da universidade no centro de Barcelona. Muitos alunos estão refugiados na reitoria da universidade que continua cercada pelos "Mossos d'Esquadra".

 

Quando a manifestação de estudantes em protesto contra os cortes no ensino chegava ao fim, foram incendiados alguns caixotes de lixo e arremessadas pedras contra os "Mossos d'Esquadra", nome da polícia local.

 

Para se abrigarem dos confrontos, que decorriam nas ruas adjacentes, centenas de manifestantes procuraram refúgio no edifício da reitoria que pelas 15 horas (menos uma em Portugal), já se encontrava cercado pela polícia que chegou a disparar balas de borracha.

 

A manifestação com partida e chegada à praça da universidade, e na qual também marcaram presença professores e funcionários, parou por completo o centro de Barcelona. A encabeçar o desfile, em que participaram 25 mi pessoas, segundo a polícia, e 70 mil, segundo o "El Mundo", estavam uma enorme faixa onde se podia ler: "Não pagaremos as vossas aldrabices - Salvemos a universidade pública".





Via Expresso



publicado por olhar para o mundo às 08:19 | link do post | comentar

Sábado, 03.09.11
Quatro professores 'à rasca' convocam protesto
Um grupo de professores desempregados lançou na Internet o apelo a um protesto na rua contra o número de docentes que ficou sem colocação, afirmando estar a lutar quer pela sua vida quer pela qualidade do ensino.

«É um protesto espontâneo, não há aqui partidos, não há aqui sindicatos. Apelamos a toda a gente que queira vir, que tragam aquilo que quiserem, cartazes, amigos», disse um dos quatro organizadores, Miguel Reis.

 

Apesar de ser sindicalizado e membro do Bloco de Esquerda, Miguel Reis reitera que o protesto não tem por trás nenhum partido ou organização mas também não lhes é hostil.

 

«Sou sindicalizado, mas a verdade é que nas últimas concentrações de professores contratados e desempregados convocadas pelos sindicatos junto ao Ministério da Educação esteve sempre muito pouca gente, 40, 50 pessoas», notou.

 

Por isso, decidiram-se por «uma coisa mais informal, mais espontânea», convocando o protesto para dia 10 de Setembro, no Rossio, em Lisboa, através da rede social Facebook.

 

Mas Miguel Reis garante que também apoiam a manifestação já apontada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) para 16 de Setembro.

 

Há um mês que a convocatória do Protesto dos professores desempregados foi publicada porque os quatro organizadores «já previam» os resultados do concurso de colocação de professores. Para já, cerca de 600 pessoas se comprometeram a participar no protesto.

 

Recordando o protesto da Geração à Rasca, também convocado por quatro pessoas na rede social, que juntou centenas de milhares de pessoas em Lisboa e em outras cidades, esperam que as pessoas «se identifiquem mais» com esta forma de acção.

 

Professor de Filosofia, Miguel Reis afirmou que nos dois anos de profissão que tem andou sempre de escola em escola. Este ano, não conseguiu colocação.

 

Como ele, cerca de 37 mil professores não conseguiram colocação no concurso para professores contratados.

 

«Nunca ficaram tantos professores de fora. É uma irresponsabilidade, porque estamos a desperdiçar profissionais qualificados que são necessários e fazem falta às escolas para combater o insucesso. É a nossa vida e a qualidade do ensino que estão em causa», salientou.

 

Belandina Vaz, outra organizadora, é professora de História desde 1999 e este ano também não conseguiu colocação.

 

«Estive sempre com contrato a termo certo, nunca sabendo em Setembro se fiquei colocada ou em que local do país. Já estive no Algarve, no Alentejo, no distrito de Setúbal e também perto de casa, mas com horários incompletíssimos», referiu.

 

Este ano, como ficou desempregada, resta-lhe «esperar pelos resultados da Bolsa de Recrutamento», em que há lugares disponibilizados semanalmente conforme as necessidades das escolas.

 

Assim não é maneira de trabalhar, indica Belandina, salientando que «traz instabilidade ao corpo docente e aos alunos, que também são prejudicados porque são capazes de estar um mês sem professor».

 

As dezenas de milhares de professores desempregados têm que arranjar outros empregos: «Todos os anos vamos ao centro de emprego inscrever-nos, porque pelo menos agora temos direito ao subsídio de desemprego», referiu Belandina.

 

Agora, afirma que é preciso que «as pessoas voltem à rua, protestem, façam ouvir a sua voz», argumentando que «em 2008 e 2009 houve grandes manifestações e acabou por não acontecer nada...a classe anda um bocado desacreditada».

 

Via Sol



publicado por olhar para o mundo às 08:52 | link do post | comentar

Quarta-feira, 24.08.11

Em março conseguiram levar à rua mais de 200 mil pessoas, em Lisboa. Agora a luta contra a precariedade promete voltar com o protesto "15 de outubro a Democracia sai à Rua".

A 12 de março conseguiram juntar mais de 200 mil pessoas nas ruas de Lisboa, num protesto contra a precariedade laboral. Agora, o movimento da "Geração à Rasca" promete voltar à rua dentro de dois meses, numa manifestação que mais uma vez já tem página criada no Facebook, sob o nome "15 de Outubro a Democracia sai à Rua ".

 

O protesto coincide com um outro que terá lugar em Espanha, marcado pela plataforma "Democracia Real Já", responsável pela manifestação que aconteceu em Madrid no passado mês de maio. "O dia 15 de Outubro foi escolhido por ser uma manifestação internacional de solidariedade com Espanha, sendo que há questões transversais aos dois países", avançou ao "Público" Paula Gil, uma das fundadoras do protesto "Geração à Rasca", que deu entretanto origem ao Movimento 12 de Março (M12M).
A manifestação de 15 de outubro está marcada para as 15h, no Marquês de Pombal, seguindo até à Assembleia da República, em São Bento. Para a meia-noite está marcada uma vigília.Desta vez o protesto conta com mais mãos, numa organização conjunta entre vários movimentos como os Precários Inflexíveis ou a Acampada Lisboa , que deu origem ao acampamento que teve lugar durante vários dias no Rossio. "Num momento como este é preciso haver união para fazermos compreender que a inevitabilidade não é inevitável e que nas medidas que se tomam as pessoas não podem ser pensadas enquanto números", concluiu Paula Gil.

Até ao momento já se inscreveram mais de 700 pessoas, que aguardam pelo manifesto deste protesto que deverá ser publicado em breve pelos organizadores.


Via Expresso



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Sexta-feira, 27.05.11
A estátua de D. Pedro IV encheu-se de cartazes de protesto
A estátua de D. Pedro IV encheu-se de cartazes de protesto (Foto: Rafael Marchante)

O dia está cinzento e a chuva em nada convida a grandes ajuntamentos ao ar livre. As pessoas passam apressadas no Rossio. Escondem-se debaixo de ombreiras. Tapam o cabelo com um saco improvisado. Compram um chapéu-de-chuva barato, de última hora. Tentam não enfiar as sandálias abertas em grandes poças. Mas, mesmo assim, não resistem a uma paragem junto à estátua de D. Pedro IV. Os que vêm equipados com uma máquina, sobretudo os turistas, tentam uma fotografia. E mais outra. É impossível não reparar nas tendas, mesas, sofás e centenas de cartazes ali colocados. Há quem critique. Os mais curiosos aproveitam para falar com os 30 ou 40 jovens que estão aqui a passar o dia e a explicar a quem quiser o que os motiva e o que os faz resistir, até ao mau tempo.

Pedro Murteira, 26 anos, é um deles. O protesto começou na passada quinta-feira e Pedro tem estado sempre aqui, tirando uma ida ou outra a casa para tomar um banho. Esclarece desde o início que fala em nome individual. Aliás, como todos que aqui estão. “Não estamos aqui por ideologias ou para convencer alguém. Para falar em nome dos outros já temos os partidos. Viemos para uma praça no centro de Lisboa precisamente para que as pessoas tragam a sua voz e para que percebam que a rua é nossa e que não serve só para irmos a caminho do trabalho”, justifica.

A assembleia popular das 19h00

Durante o dia as conversas são mais informais e limpa-se o local com vinagre, cujo odor penetra o mais fundo que pode nas vias respiratórias de quem ali está. Há tempo para uma aula de yoga ao ar livre e para uma bancada com comida para todos os que quiserem repor energias. Partilha-se sopa, arroz, fruta, leite... o que houver. Umas coisas são trazidas pelos que aqui estão concentrados. “Mas também há pessoas solidárias que nos têm oferecido coisas”, conta. O momento alto do dia acontece às 19h00 quando se juntam umas 300 pessoas. É a esta hora que se cria uma reminiscência da polis grega e é então feita uma assembleia pública onde todos são convidados a intervir, a dar ideias, a denunciar problemas actuais. Ou simplesmente a contarem a sua história, em jeito de catarse colectiva.

 

Via Público



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Sexta-feira, 11.03.11
Geração à Rasca
 
O protesto 'Geração à Rasca' tem mais de 55 mil inscritos no Facebook que afirmam ir participar nas manifestações convocadas para sábado, em 11 cidades, com avisos formais entregues ás autoridades em nove delas.

Segundo o blog geracaoenrascada.wordpress.com, da lista das cidades onde o protesto irá decorrer no sábado fazem parte Braga, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Funchal (Madeira), Guimarães, Leiria, Lisboa, Ponta Delgada (Açores), Porto e Viseu, onze no total.

A Agência Lusa apurou que em nove destas cidades o protesto foi comunicado oficialmente aos governos civis e à vice-presidência do Governo Regional dos Açores, no caso de Ponta Delgada, não levantando as autoridades qualquer objecção.

As entidades seguiram depois os trâmites habituais nestas situações, informando as forças de segurança da existência destes protestos.

De fora desta oficialização ficaram Guimarães e Funchal, cuja câmara municipal e direcção regional da administração pública e local, respectivamente, garantiram à Agência Lusa não ter recebido qualquer informação oficial sobre a realização do protesto.

Segundo os dados recolhidos, haverá concentração com desfile nas ruas das cidades de Lisboa, Porto, Ponta Delgada e Faro.

Na capital, a concentração está agendada para as 15h, na Avenida da Liberdade, seguindo depois pela Praça D. Pedro IV, Rua do Carmo e Rua Garrett, terminando na Praça Luis de Camões.

No Porto, também às 15h, os manifestantes partem da Batalha, seguindo o desfile pela Rua de Santa Catarina, Rua Fernandes Tomás, Rua Sá da Bandeira, estando o seu término previsto para a Praça D. João I.

No caso de Braga (Avenida Central), Castelo Branco (Alameda da Liberdade), Coimbra (Praça da República), Leiria (Fonte Luminosa) e Viseu (Rossio, em frente à câmara) estão apenas previstas concentrações, não tendo sido indicada a intenção de fazer qualquer desfile.

O número de participantes que manifestam a intenção de estar presentes nos protestos através da página do Facebook ultrapassou os 55 mil durante a noite de quinta-feira. Registam-se também perto de 80 mil que afirma não ir e mais de 44 mil que dizem «talvez».

Tem surgido, em diferentes murais de páginas do Facebook, um vídeo acompanhado do texto «faça chuva ou faça sol, sábado queremos Portugal na rua», onde são apresentados os motivos de queixa dos participantes, com testemunhos explicativos daquilo que leva alguns jovens a participar no protesto.

Quinta-feira, fonte da PSP disse à Agência Lusa que a polícia está a monitorizar todos os movimentos das redes sociais e dos grupos de extrema-direita e esquerda, para acompanhar «a par e passo» o protesto marcado para sábado, estando a preparar-se para acompanhar a manifestação com o mesmo grau de rigor e prontidão que disponibilizou aquando da cimeira da Nato, que decorreu em Lisboa, no final de Novembro passado.

 

Via Sol



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Terça-feira, 01.03.11

Eu lembro-me quando era puto e ouvia a TV chamar-me Geração Rasca…

Não sei se ficava ofendido ou orgulhoso, pelo menos a nossa geração tinha um nome, mesmo que fosse Rasca. Era o nosso estigma…

Hoje recebi um email interessante (algo raro), e, lembrei-me disso… acho que estou orgulhoso, porque fui e sou um Geração Rasca.

A SIC montou uma gigantesca campanha de promoção para a sua nova série/novela/monte de merda, que dá pelo nome de Rebelde Way.
Depois de anos a apanhar bonés, percebeu que a melhor maneira de combater a morangada da TVI era…imitar. É lógico. Era inevitável.
Depois de 20 minutos a ver a nova série (o que me provocou uma crise de cólicas da qual só um dia depois começo a recuperar) sinto-me preparado para uma análise.
Bora lá. A fórmula é a mesma nos dois canais. Aqui fica a receita:

1 – Pitas boas. Muitas, quanto mais descascadas melhor (as séries de verão são, naturalmente, as melhores, porque eles vão todos juntos para a praia).

2 – Gajos “estilosos”. A coisa divide-se em dois: há aqueles que têm quase 30 anos mas fazem de adolescentes, e depois há os que são mesmo adolescentes. Estes últimos são aqueles que se levam a sério enquanto “actores”.
O requisito essencial para qualquer gajo que entre nestas séries é ter um penteado ridículo.

3 – O Rebelde Way tem gajas do norte. Fazem de gajas daqui, mas aquele sotaque é fodido de perder. Fica ridículo, mas as gajas são boas.

4 – Nos Morangos, a palavra “pessoal” é dita 53 vezes por minuto, normalmente inserida nas frases “Eh pá, pessoal!”, no início de cada conversa, ou então “Bora lá, pessoal”, antes do início de qualquer actividade.

Agora vamos à bosta que a SIC acabou de parir, com pompa, circunstância, varejeiras e mau cheiro. Chama-se Rebelde Way. Cool, man! O slogan dos Morangos era “Geração Rebelde”, mas a inspiração deve ter vindo de outro lado, de certeza. O que me irrita na poia da SIC é que os gajos são todos betinhos (até os mânfios são todos giros e cool e com uma caracterização ridícula, como se fossem a um baile de máscaras vestidos de agarrados ou arrumadores de carros). Mas depois são bué rebeldes. São bué mauzões, man! A brincar com os seus iPhone, com as suas roupinhas fashion, grandes vidas, mas muita mauzões.
Se há algo que esta geração de morangada não pode ser, não tem direito a ser, é ser rebelde. Rebelde porquê, contra quê? Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a actual, à qual esses putos pertencem. Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta. Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para foder com a turma inteira como agora. Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à merda e exigir uma melhor mesada porque é altura dos saldos. Rebelde porquê? Em nome de quê?

É claro que isto são pormenores com os quais as novelas não se deparam, nem têm de o fazer. O objectivo é simples: para uma geração tão privilegiada como aquela que é retratada, há que criar uma rebeldia fictícia, porque não é cool ser dondoca aos 16 anos. Mas é o que todos eles são.

Há uns tempos vi, no Largo do Carmo, um bando de uns 15 putos e pitas, vestidos à “dread” com roupinha acabada de comprar na “Pepe Jeans”.
Um dos putos que ia à frente, não devia ter mais de 16 anos, vem a falar à idiota como se fosse dono da rua, saca duma lata de tinta e escrevinha qualquer coisa de merda na parede. Todos se riram, todos adoraram, e ele foi, durante cinco minutos, o maior do bairro. Não fiz nada, mas devia ter-lhe partido a boca toda.
Todas as últimas gerações antes desta (incluindo a minha, a Geração Rasca, que se transformou na Geração Crise – bem nos foderam com esta merda) tiveram de furar, de lutar, de fazer algo. Havia uma alienação mais ou menos real, que depois se podia traduzir nalguma forma de rebeldia. Não era o 25 de Abril como os nossos pais. A nossa revolução é a dos recibos verdes e da consolidação orçamental. Mas esta morangada sente-se, devido à merda que a televisão lhes serve e aos paizinhos idiotas que (não) a educaram, que é dona do mundo. Quando já és dono do mundo, vais revoltar-te contra quem? E por que raio haverias de o fazer?!
E assim vamos nós. Com novelas de putos “rebeldes”, feitas por “actores” cujo momento de glória é entrar numa boys band ou aparecer de cú ao léu na capa da FHM, ensinando a todos os outros putos que temos que ter cuidado com as drogas (mas todos os agarrados são limpinhos, assépticos, com os mesmos penteados ridículos), que a gravidez adolescente é má (mas todas as pitas querem foder à grande, porque são donas da sua própria vida e os pais não sabem nada, etc) e que, sobretudo, este mundo lhes deve alguma coisa.
Os tomates.A mim e aos meus, o mundo deve alguma coisa. Aos que foram atrás da merda do canudo para trabalhar num call center, aos que se matam a trabalhar e são forçados a ser adultos antes do tempo. Não a esta cambada de mentecaptos.
E depois estas séries vão retratando “problemas sociais da juventude”, afagando a consciência de quem “escreve” aquela merda, enquanto ao mesmo tempo incentivam esta visão egocêntrica, egoísta e vácua desta geração acabadinha de sair do forno.
Talvez eu esteja a ficar velho e a soar como o meu pai. Lamento se não é cool. Mas esta merda enoja-me.»
Ser rebelde pó caralhete.

Retirado de aqui



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