Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

Sexo, precisa-se!

A perda de desejo sexual afecta uma em cada dez mulheres portuguesas. O que fazer para a travar

 

Dores de cabeça e cansaço. Estas são as desculpas mais utilizadas pelas mulheres que não sentem vontade de ter relações sexuais.

Para muitas, a situação é passageira, mas para outras pode revelar a perda progressiva da libido, uma questão de saúde que preocupa a comunidade científica e que também pode ter sérios reflexos na relação conjugal do casal.

Nos Estados Unidos da América, este é o problema sexual mais comum do sexo feminino. Gerald Weeks, terapeuta sexual, garante que cerca de um terço das mulheres com uma vida sexual activa sofre ou irá sofrer de Desejo Sexual Hipoactivo (DSH) em alguma fase da vida.

Em Portugal, dez por cento das mulheres sofre de disfunções do desejo sexual, enquanto cinco por cento tem disfunções do orgasmo e dores no acto sexual, segundo as estatísticas apresentadas em Junho de 2009 no congresso da Associação Portuguesa de Urologia (APU). Os mistérios da sexualidade feminina podem estar na origem do problema, mas esta não é a única explicação.

As diferenças

Vera Ribeiro, psicóloga clínica e especialista em sexologia, considera que a perda de desejo sexual é um problema feminino porque as suas causas são, na maioria das vezes, de origem psíquica. «O funcionamento sexual das mulheres é muito mais emocional do que físico, ao contrário do que acontece com o homem. Se a parte psicológica não se encontrar a, pelo menos, 80 por cento, muito dificilmente ela estará disponível para fantasiar sexualmente ou para ter relações com o parceiro.»

Do lado masculino, mesmo que o stress tome conta do dia-a-dia, a especialista considera que a disponibilidade mental para o relacionamento é diferente. «O homem consegue sempre manter a possibilidade de fantasiar, o que é a base de todo o desejo sexual.»

Razões de sobra

Uma série de factores psíquicos podem influenciar o desejo sexual feminino, como a existência de problemas familiares, profissionais ou económicos, casos de depressão ou de abuso sexual. Estas situações, sublinha Vera Ribeiro, não necessitam de uma intervenção médica, mas antes de acompanhamento psicológico.

A perda de desejo sexual pode estar também associada a doenças como hipertensão, cancro, diabetes, problemas a nível da tiróide, problemas cardíacos, doenças do foro neurológico e doenças auto-imunes. Para além disso, «alguns medicamentos para a hipertensão, antidepressivos, contraceptivos orais combinados, bem como o abuso de álcool e drogas estão associados à diminuição do desejo sexual», sublinha.

Mulheres sob pressão

 

De acordo com estudos recentes, longe vão os tempos em que a perda da libido surgia apenas nas fases
pós-parto e pós-menopausa. Actualmente, cada vez mais mulheres entre os 18 e os 50 anos se queixam deste problema. Na opinião de Vera Ribeiro, a mudança de comportamentos poderá estar relacionada com esta perda do desejo, já que muitas mulheres iniciam a vida sexual quando ainda não conhecem o próprio corpo, «não sabem como poderão obter prazer com os seus parceiros, o que pode levar a uma diminuição gradual do desejo.»

Por outro lado, a instabilidade conjugal pode interferir. «Numa fase inicial, a mulher deixa de ter relações por se encontrar irritada com o parceiro, o que é natural, mas esta situação pode ter um efeito de bola de neve», exemplifica.

 

No médico

Perante uma ausência de desejo prolongada, o primeiro passo consiste em relatar a situação ao médico de família que, em função do diagnóstico, encaminhará o caso para a especialidade mais indicada.

Se a origem for psicológica, um terapeuta de casal ou um especialista em sexologia poderá fazer o acompanhamento necessário.

Se for física, a mulher será seguida por um ginecologista e o homem por um especialista em Andrologia.

Em consulta, a pessoa pode ser observada e, apesar de muitas mulheres com queixas de DSH não apresentarem alterações no exame físico, no homem, este poderá indicar diminuição da massa e do tónus muscular, aumento nos depósitos de tecido adiposo, entre outros.

No caso feminino, pode ainda ser feito o exame ginecológico que permite detectar, por exemplo, infecções vaginais. No homem, dependendo da sintomatologia, serão feitas ultra-sonografias, raiosX ou análises. Ambos deverão realizar testes complementares de sangue para avaliar os níveis de testosterona.

 

Como recuperar o desejo

- Se o stress é um dos responsáveis pela falta de desejo sexual, faça tudo para o combater, incluindo exercício físico, yoga, massagens ou outras técnicas de relaxamento.
- Melhore a auto-estima, cuidando da sua aparência e sem esquecer a sensualidade.
- Torne o seu quarto mais romântico e acolhedor. Desligue o telemóvel e a televisão para que nada atrapalhe a intimidade.
- Conheça melhor o seu próprio corpo e as zonas erógenas. Não pense só no parceiro. Descubra o que mais a estimula e lhe dá prazer.
- Experimente novas posições. Ajuda a combater a rotina e a descobrir outras formas de obter prazer.
- Faça um fim-de-semana a dois, esqueça o resto do mundo e reencontre o seu parceiro.

 

Será passageiro ou patologia?

O diagnóstico, segundo Vera Ribeiro, não é fácil, nem existe uma duração normal para a ausência de desejo sexual. Para saber como agir, questione-se:
- Com que frequência sinto que não quero ter relações sexuais?
- Tenho vindo a sentir muita preguiça no momento em que estou com o meu parceiro?
- Qual a qualidade do meu relacionamento?

Se já não se recorda da última vez em que realmente se sentiu disponível e com vontade de ter relações sexuais (ou caso esta já tenha ocorrido há vários meses), se colecciona desculpas, a preguiça tem vencido os momentos que se proporcionam e não está satisfeita com a sua relação, deverá pedir ajuda médica. Para a especialista, problemas ocasionais com o desejo sexual (que não sejam persistentes, recorrentes ou acompanhados por acentuado sofrimento) não são considerados disfunções sexuais.

 

 

Via Sapo Mulher



publicado por olhar para o mundo às 21:03 | link do post

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