Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

 

Mulheres que querem desejar

No grupo que comanda para mulheres com problemas sexuais, a psicóloga Lori Brotto pede que cada uma das participantes pegue uma uva passa de um tubo de plástico. As mulheres, que geralmente participam em um grupo de seis, têm que examinar a fruta, analisando a sua forma, contornos e detalhes. Lori Brotto começou a sua carreira estudando a libido de ratos, e agora é uma das maiores especialistas do que é conhecido como transtorno de desejo sexual hipoativo em mulheres – a completa falta de desejo sexual.

 

 

 

A especialista está estudando os critérios que devem ser utilizados para um novo livro da Associação Psiquiátrica Americana (EUA), que deve ser publicado em 2012 ou 2013. Estes livros são geralmente vistos como uma espécie de “bíblia” de doenças psiquiátricas. Estudos sugerem que cerca de 30% das mulheres jovens e de meia-idade sofram com longos períodos de baixo desejo sexual, ou até mesmo nenhum desejo.

Mais do que qualquer outro problema sexual, como dificuldades para chegar ao orgasmo ou dor durante o sexo, a falta de desejo é uma praga para as mulheres. Estes problemas freqüentemente se sobrepõem, mas a baixa libido é o que mais impede as mulheres de terem uma vida sexual saudável, e é uma das causas mais comuns para que elas procurem tratamento.

 

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Brotto explica que a desordem não é física. Ela regularmente faz exames para analisar o fluxo de sangue na vagina das mulheres enquanto elas assistem a um vídeo pornográfico, e os resultados são normais. A psicóloga afirma que o problema está na mente, principalmente no relacionamento da mente com o corpo, e exemplifica com alguns casos com os quais já trabalhou: Uma mulher na casa dos 40 anos afirmava que já havia feito sexo com o marido mais de sete vezes em um dia, mas não sentia mais nenhum desejo por ele. Ela dizia que passava dois ou três meses sem sexo, e que não se importava de não ter nenhuma atividade sexual.

 

“Escuto isso de muitas mulheres”, afirma a psicóloga, que tenta compreender o que desliga a libido feminina. Outra mulher, de meia idade, dizia que nunca tinha tido uma época de desejo na sua vida, e que seu casamento era marcado pela indiferença sexual. Esta paciente também dizia que se sentiria bem sem fazer sexo – mas mesmo assim procurou ajuda. De acordo com Brotto, muitas mulheres que afirmam este tipo de coisa querem se sentir levadas à vontade sexual.

 

Porém, ela esclarece que, enquanto realiza pesquisas e analisa outros estudos de sexólogos sobre o assunto, ela mantém em mente que nem todas as mulheres estão em busca de uma mudança. Algumas nem se sentem desanimadas com o fato. Brotto afirma que no campo das pesquisas sexuais os estudos são muito escassos, e as estatísticas não podem ser citadas com muita certeza. Mesmo assim, com os dados disponíveis, ela julga que entre 7 e 15% das mulheres jovens e de meia idade – entre 20 a 60 anos – se sentem mal pela falta de desejo sexual.

Muito pouco se sabe sobre outras questões básicas ligadas ao problema, como há quanto tempo as mulheres sofrem com a falta de desejo, se têm isso desde o início da vida sexual ou se ele se iniciou na idade adulta. Brotto estima que as centenas de casos que ela já estudou são divididos igualmente nos dois casos, mas lamenta que não há estudos que apóiem uma resposta definitiva.

 

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A psicóloga também afirma que as experiências de suas pacientes são variadas, e que há uma dificuldade muito grande em definir normas para diagnosticar o problema. Atualmente, o transtorno de desejo sexual hipoativo tem o mesmo critério de diagnóstico para homens e mulheres, sendo considerado uma “deficiência persistente ou recorrente de fantasias sexuais e desejo de atividades sexuais”. Brotto aponta que esta definição não leva em conta que a sexualidade feminina é mais complexa, e que os critérios são muito simples, e talvez muito “masculinos”.

Nas sessões que realiza com suas pacientes, a psicóloga distribui tarefas simples para melhorar a auto-estima: observar o próprio corpo e descrever a sua imagem física sem julgamentos, e repetir “Meu corpo está vivo e é sexual”, acreditando nisso ou não. O exercício com as uvas passas é feito como uma forma de perceber as reações do corpo, a saliva, a mastigação, a trajetória da língua, um modo encontrado por Brotto para treinar as pacientes para aceitarem as sensações físicas.

 

A psicóloga tenta ensinar às pacientes para que elas tenham maior atenção às reações do próprio corpo antes ou durante o sexo. De acordo com ela, embora o fluxo de sangue das mulheres mostre que elas sentem o desejo sexual, as preocupações com problemas diários e até mesmo com o próprio medo da falta de libido pode acabar com o excitamento sexual.

 

Brotto argumenta que, nos critérios para o diagnóstico do transtorno, deve ser colocado um ponto sobre a falta de excitação durante o sexo. Assim, a psicóloga tenta adicionar aos critérios uma ideia da sua colega Rosemary Basson, que acredita que o desejo é liberado a partir de estímulos, e não necessariamente precisa existir previamente. Além disso, Brotto argumenta que a falta de desejo pode existir pela falta de habilidade do parceiro, ou até mesmo devido a uma falta de conexão emocional. É a mulher que tem o transtorno, o parceiro ou o casal? Assim, a ideia de Basson cai no campo em que a participação do parceiro é inevitável.

 

Brotto diz que sabe que esta duplicidade do problema não pode ser resolvida, mas diz que o que se pode fazer é reconhecer que ele pode existir, e continuar no caminho que parece correto para resolver o transtorno. Outro problema encontrado pela especialista nas definições do transtorno é o fato que o desejo sexual costuma cair com o tempo de relacionamento, principalmente em mulheres.

 

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Assim, o critério de “falta/redução do desejo sexual ou prazer durante a atividade sexual” pode ser aplicado a praticamente todas as pessoas. Brotto afirma que a sexta edição revisada do livro que ela lançará – na quinta edição – poderá ser publicado apenas em vinte anos, tempo suficiente para que a ciência compreenda melhor o desejo feminino

 

Via Hsience.



publicado por olhar para o mundo às 23:03 | link do post

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