Quinta-feira, 28 de Julho de 2011
Ser portador de HIV dificulta acesso ao emprego
A infecção por VIH/SIDA dificulta a procura de emprego ou potencia a situação de desemprego, levando a que muita vezes as pessoas infectadas ocultem a doença perante a entidade laboral, revela um relatório.

O documento, divulgado na terça-feira, resulta de um protocolo entre a Coordenação Nacional para a infecção VIH/SIDA e o departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

 

Na análise do impacto da infecção VIH/SIDA nas condições laborais, o relatório aponta que «existe um conjunto de aspectos que levam, de forma gradual, os indivíduos a desistir de procurar um novo emprego».

 

«A saber: a necessidade de terem que faltar para efeitos de consultas, tratamentos, levantamento de receitas e/ou medicamentos; os atrasos daqui decorrentes; a realização de um exame médico de admissão ao novo emprego; a possibilidade dos futuros empregadores pedirem referências de empregos anteriores o que conduz os portadores a recearem que o seu diagnóstico seja divulgado e que não sejam admitidos», lê-se no documento.

 

Das 1.634 pessoas inquiridas, num estudo que decorreu entre finais de 2009 e meados de 2011, a maioria (51,3 por cento) encontrava-se a trabalhar, sendo que a situação de desemprego afectava 437 pessoas (26,8 por cento).

 

«De facto, na nossa população, 51,3 por cento não conseguiu encontrar emprego, e, entre aqueles que conseguiram, para 17,3 por cento, tal só sucedeu após 24 meses”, revelam os investigadores.

 

Acrescentam que «a juntar à fraca escolarização e qualificação profissional, a infecção veio acentuar a dificuldade de acesso a um novo emprego, tornando estes inquiridos em desempregados de longa duração, condição em si mesma indutora de pobreza e exclusão social».

 

O estudo sublinha que «a infecção emerge como uma dificuldade acrescida no acesso ao emprego» e que isso é principalmente constatado nas pessoas cuja fonte de rendimento se insere nos perfis «reformado», «subsídio de desemprego» e «acção social pública e privada».

 

«Os indivíduos agrupados nestes perfis referem que as principais dificuldades na procura de emprego estão ligadas à escassez do mercado de trabalho, às dificuldades em conciliar as condições de trabalho com as novas exigências em termos de apoio médico, mas também ao facto de não encontrarem emprego adequado à sua condição de saúde», revela o estudo.

 

Os investigadores apontam também que «a ocultação da infecção em meio laboral é uma evidência neste estudo», onde apenas 15,2 por cento informou a entidade patronal.

 

«São as mulheres e os indivíduos mais escolarizados (ensino graduado e pós-graduado) que menos revelam o diagnóstico em contexto profissional», sendo que «o receio de discriminação e de despedimento estão na origem deste comportamento», indica o estudo.

 

Acrescenta que «o medo de despedimento é real: 22,7 por cento dos inquiridos acabaram por ser despedidos ou despediram-se por pressão da entidade patronal. Para 50 por cento, tal aconteceu ao fim da primeira semana».

 

De acordo com os investigadores, a não divulgação da doença é uma «estratégia de protecção destas pessoas em contexto profissional», sendo que a experiência de despedimento ocorreu principalmente entre as mulheres (30 por cento) e os menos escolarizados (44,4 por cento).

 

Via Sol



publicado por olhar para o mundo às 17:28 | link do post

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