Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Relações de pingue-pongue

 

Existem pessoas que possuem uma tal incapacidade para resolver a sua vida afectiva, que mantêm várias relações “penduradas” durante semanas, meses ou anos


As coisas processam-se mais ou menos assim: nenhuma relação é formalmente terminada, em vez disso “dá-se um tempo”, ou surge uma zanga que provoca o afastamento.

 

Os dias vão passando e, face ao silêncio, um decide enviar um “pingue”, para ver se o outro responde com um “pongue” e a relação restabelece-se ! Não é uma comunicação normal, sem subterfúgios, não é directamente referido que há o desejo de rever o outro porque, na realidade, não é bem disso que se trata.

 

O que motiva a reaproximação não é propriamente o afecto, mas algo mais subtil do tipo “vamos lá ver qual é o impacto que ainda tenho em ti”. Aproxima-se bastante mais da tentativa de testar qual o poder que ainda pode exercer sobre o(a) ex-amante, se ele(a) ainda pensa nele(a), se está disponível para que tudo volte ao mesmo.

 

As estratégias são do mais variado que há. Ligar a propósito de saber uma informação que poderia obter através de 500 outras vias, enviar um email do tipo “corrente da amizade”, telefonar para saber se o outro está bem, perguntar pelo ex. a um amigo comum (sabendo à partida que aquela pessoa vai a correr contar que foi questionado a esse propósito), tudo vale para restabelecer uma relação que nada tem de saudável na sua essência, uma vez que não há terreno sólido para que se fortaleça. Apenas existe o prolongamento de situações que já deveriam estar mortas e bem mortas … e um “bom morto” não se transforma em fantasma , nem teima em assombrar a vida de alguém !

 

As relações de pingue-pongue, fazem com que permaneçam ligados, ainda que superficialmente, sem haver coragem para discutir o que correu mal na relação, nem tampouco capacidade para superar problemas que inevitavelmente vão surgindo. À mínima contrariedade surge o afastamento. Tudo fica em suspenso. Se, por um lado, não são colocados pontos finais, por outro não é permitido que haja um aprofundamento da relação. Há, por assim dizer, uma constante fuga ao estabelecimento de laços estáveis e, ao mesmo tempo, uma enorme incapacidade para marcar fronteiras entre o que é e não é gratificante. Por isso mesmo, a luta é no sentido de não haver um desvanecimento de algo que, afinal de contas, não passa de uma relação superficial.

 

Se estas relações fossem mediadas pelo afecto, existiria o desejo de mudança. Mas parece que de algum modo, para estas pessoas as reticências pontuam e marcam o compasso das suas vidas. Preferem manter a sensação de possuírem inúmeras relações “em morte cerebral, recusando-se a desligar a máquina que as mantém artificialmente vivas”. Assim sendo, permanece o sentimento de poder face ao outro e, ainda que por uns tempos, iludem a solidão.

 

O que se esquecem é que perdem tempo, energia e sonhos que poderiam ser canalizados para outras relações e para a construção de projectos emocionalmente saudáveis e gratificantes.

 

Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques 
Psicóloga Clínica

 

Via Sapo Mulher



publicado por olhar para o mundo às 21:15 | link do post

Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

mais sobre mim
posts recentes

Morreu Eusébio

Unesco consagra Dieta Med...

Morreu Nelson Mandela: A ...

Alejandro Sanz: 'A música...

Dulce Félix vice-campeã e...

Teatro, Festival de Almad...

Festim recebe Kimmo Pohjo...

Curta portuguesa entre as...

ARRISCA DEZ ANOS DE PRISÃ...

Maioria das mulheres alem...

arquivos

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Dezembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

tags

todas as tags

comentários recentes
Ums artigos eróticos são sempre uma boa opção para...
Acho muito bem que escrevam sobre aquilo! Porque e...
Eu sou assim sou casada as 17 anos e nao sei o que...
Visitem o www.roupeiro.ptClassificados gratuitos d...
então é por isso que a Merkel nos anda a fo...; nã...
Soy Mourinhista, Federico Jiménez Losantos, dixit
Parabéns pelo post! Em minha opinião, um dos probl...
........... Isto é porque ainda não fizeram comigo...
Após a classificação de Portugal para as meias-fin...
Bom post!Eu Acho exactamente o mesmo, mas também a...
Posts mais comentados
links
blogs SAPO
subscrever feeds