Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
"Uivo", o poema <i>beat</i> de Allen Ginsberg, abre hoje o festival
"Uivo", o poema beat de Allen Ginsberg, abre hoje o festival (DR)
Numa edição de aniversário, o Festival de Cinema Gay e Lésbico que se prolonga até dia 24, mostra uma programação abrangente.

O julgamento público de um editor por ter publicado um poema considerado ousado para a sua época ("Uivo"); a história de um dos restaurantes mais emblemáticos de Nova Iorque ("Florent: Queen of the Meat Market"); um olhar para a história das abordagens feministas na academia e na arte americanas ("Women Art Revolution: A Secret History"); um documentário sobre um dos mais lendários artistas norte-americanos ("William S. Burroughs: A Man Within") são alguns dos pontos altos da 15.ª edição do Queer Lisboa - Festival de Cinema Gay e Lésbico, que decorre até ao próximo dia 24 no Cinema São Jorge, em Lisboa.

E se nada disto parece ao leitor especificamente ligado às sexualidades alternativas, isso é perfeitamente normal. João Ferreira, director do festival, diz ao P2 que o Queer Lisboa "nunca foi construído especificamente para uma comunidade ou para um espectador único, mas sim para todo o tipo de público". E esta edição de aniversário é certamente a mais abrangente da história do festival - tem a ver, segundo Ferreira, precisamente com a celebração dos 15 anos de existência, sob o tema da transgressão, "que nos ajudou a fazer uma programação diferente."

"Uivo", de Rob Epstein e Jeffrey Friedman, sobre a criação, recepção e julgamento público do lendário poema beat de Allen Ginsberg, "Howl", é o filme de abertura, hoje à noite, de uma programação que fala de arte e sociedade sem se limitar à mera questão da identidade sexual, e que se estenderá ao teatro e às artes multimédia. Exibir-se-ão alguns dos filmes mais falados dos últimos 12 meses, caso de dois filmes latinos que transpuseram as barreiras dos festivais queer, "Ausente" do argentino Marco Berger e "Contracorriente" do peruano Javier Fuentes-León. Mas também documentários sobre as relações entre as comunidades GLBT (gay, lésbico, bissexual e transgender) e a sociedade contemporânea; como "We Were Here", de David Weissmann, sobre o modo como São Francisco enfrentou a sida nos anos 1980, ou "Becoming Chaz", de Randy Barbato e Fenton Bailey, sobre a mudança de sexo de Chastity Bono, filha de Cher e Sonny Bono. 

Ao longo dos dez dias do festival, a peça de teatro "Silenciados", da companhia espanhola Sudhum, e a instalação multimédia "Mansfield" 1962 partilharão o São Jorge com as habituais secções de curtas, longas, telediscos e filmes hardcore (as célebres Noites Hard). O Queer Lisboa recebe ainda 20 filmes em selecção competitiva - dez longas-metragens de ficção, avaliadas por um júri composto pelos actores Beatriz Batarda e Albano Jerónimo e pelo jornalista Sam Ashby, e dez filmes na secção de documentários, cujo júri é composto pelo realizador Miguel Gonçalves Mendes e pelos programadores Claudia Mauti e Franck Finance-Madureira. 

João Ferreira explica que a permanente vontade do Queer se "abrir" para lá dos filmes de temática especificamente GLBT, que muitas vezes acabam por não sair do circuito dos festivais temáticos, enfrenta constantemente peculiares contradições. Por um lado, "a oferta neste momento é muito grande - cada ano temos mais escolhas e o próprio cinema queer se está a transformar em direcção a uma maior abertura. Isso tem obviamente a ver com factores sociais, com as sucessivas conquistas da comunidade em termos de direitos. Mas, por outro lado, essa abertura continua a ser muito difícil devido à contracção do circuito comercial e porque o mercado do DVD está a fechar e os festivais queer acabam por ser o único modo de os realizadores mostrarem o seu trabalho".

Apesar destas contradições, Ferreira, que trabalha no festival desde o quarto ano, tem notado um crescimento continuado ao nível da afluência de público. "O público mudou. Hoje temos muitos estudantes universitários e uma variedade muito maior de público, bem como uma atitude e uma forma de estar muito diferentes." A mudança para o Cinema São Jorge, que em 2006 se consolidou como "centro nevrálgico" do festival, contribuiu: "Notou-se logo a diferença quando fizemos as primeiras sessões no São Jorge no décimo festival e enchemos os 800 lugares da sala grande. Foi a prova de que havia público para o festival que não estava a ir ao Quarteto, onde estávamos até então".Num cenário de crise continuada, o director do Queer está optimista. Porque o Queer 2011 garantiu já apoio estatal do Instituto do Cinema e do Audiovisual até 2014 - "isso descansa-nos muito e vai-nos permitir finalmente abrir em Outubro o nosso próprio espaço, um projecto de há muitos anos".

 

Via Público



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