Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

 

Lie to me

Parece que sim. Pelo menos é o que Paul Ekman diz. Quem é Ekman? O maior especialista nesta área, psicólogo americano que estuda as expressões faciais e linguagem não verbal há mais de 50 anos. É nas suas descobertas que se baseia a série da Fox "Lie to Me", com Tim Roth na pele de Dr. Cal Lightman, um Paul Ekman mais novo e com sotaque britânico. 

O argumento da série gira em torno do Lightman Group, cujos serviços são contratados pelas forças policiais e sociedades de advogados que querem apanhar mentirosos. Lightman e a sua equipa, especialista na leitura das expressões faciais e linguagem não verbal, nunca se enganam e, através de uma quase invisível contracção facial ou de um piscar de olho involuntário que filmam e observam em repeat, descobrem quem mente e quem diz a verdade.

Apesar de ser consultor da série, o especialista americano avisa no seu site oficial: "A forma como o Lightman Group descobre as mentiras é baseada nas minhas investigações. No entanto, e uma vez que se trata de uma série de ficção e não de um documentário, Lightman não se preocupa tanto em interpretar comportamentos, como eu. Na série, as mentiras são descobertas de forma mais certeira e rápida do que na vida real." Mas antes que pense que é tudo uma grande mentira, Ekman garante: "A maioria das coisas que vê na série é baseada em estudos científicos." 

Apanhar um mentiroso

 

Se pertence ao grupo de espectadores que se tornou muito mais apto a detectar mentiras graças a "Lie to Me", é melhor repensar esse dom recentemente adquirido. 

Timothy Levine, professor no Departamento de Comunicação da Universidade de Michigan State, EUA, e doutorado em psicologia, é o autor do estudo "The Impact of ''Lie to Me'' on Viewer''s Actual Ability to Detect Deception" ("O Impacto de ''Lie to Me'' na Capacidade dos Espectadores em Detectarem a Mentira") publicado da revista "Communication Research" a 17 de Junho de 2010. 

Como resumidamente Levine explicou ao i, o estudo consistia em dividir uma série de pessoas em três grupos distintos: um que assistiu à série "Lie to Me"; outro que assistia a outra série dramática de crime; e finalmente um que não viu televisão de todo. Aos três grupos foram mostradas uma série de comunicações e expressões. No final foi-lhes pedido que respondessem a um teste estilo verdadeiro/falso cuja metade das respostas era verdadeira e a outra metade falsa. 

O resultado não foi brilhante: os espectadores que assistiram a "Lie to Me" não obtiveram melhores resultados que os outros, pelo contrário: "A tendência foi errarem mais na altura de identificarem a verdade. A série fez com que mais gente se tornasse desconfiada, no sentido de pensar que todos mentiam, mas não as tornou melhores a distinguir a verdade da mentira", explica Tim Levine. 

Às voltas com a ciência

Existem duas facções nesta área, cada uma com a sua opinião. "Existem muitos investigadores com a sua própria visão e cada um deles acha que o outro está errado", conta Levine. 

Os seguidores de Ekman acreditam que as expressões faciais, linguagem não verbal - gestos com as mãos, tom de voz, contacto visual, aclarar a garganta, expressão corporal, todo o comportamento que não seja verbal - e micro expressões são o caminho para descobrir a mentira. 

Outros discordam principalmente no que diz respeito às tais micro expressões. São expressões faciais de surpresa, felicidade, tristeza e aí por diante, minúsculas e muito rápidas, quase imperceptíveis. "Só em câmara lenta e com muito treino é que se poderá descobri-las, mas sem grande certeza. É uma questão controversa e há até especialistas que defendem que as micro expressões nem sequer existem" , aponta Timothy Levine. 

Para este especialista em relações interpessoais e persuasão, "os comportamentos não verbais não são de grande utilidade na detecção da mentira". Segundo Tim Levine, o mais correcto será "ouvir as pessoas e confirmar factos quando possível". E vai mais longe: "Não me parece que haja especialistas na detecção de mentira que o consigam fazer baseados na observação passiva e comportamentos não verbais. O que eu acredito é que há especialistas que conseguem detectar mentiras baseados em perguntas certeiras e uma boa investigação."

Antes que desligue a televisão e diga adeus a Cal Lightman, tenha em conta que Paul Ekman foi considerado pela revista Time uma das pessoas mais influentes de 2009, para não falar dos inúmeros estudos e artigos publicados em jornais e revistas científicas. E sejamos honestos: trata-se de uma série de televisão cujo objectivo é entreter. Missão que parece mais do que cumprida, já que a terceira temporada está a caminho: estreia amanhã, às 22h20, na Fox.

 

 

 

 

 

Via Ionline



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