Domingo, 20 de Novembro de 2011
Pasteis de nata

Já con­tei aqui algu­mas coi­sas a pro­pó­sito da cam­pa­nha Prove Por­tu­gal que o Turismo está a fazer, com o apoio da Aca­de­mia Por­tu­guesa de Gas­tro­no­mia, pre­si­dida por José Bento dos San­tos. A ideia (explico tudo num texto que sai no pró­ximo Fugas, no sábado) é pro­mo­ver no estran­geiro cinco “ícones” da gas­tro­no­mia naci­o­nal: o peixe, a cata­plana, o pas­tel de nata, o vinho do Porto, e os che­fes por­tu­gue­ses. Numa entre­vista que fiz a Bento dos San­tos ele explica as razões por detrás de cada uma des­tas esco­lhas e defende que uma cam­pa­nha só é efi­caz se nos con­cen­trar­mos em pou­cas ideias — a dis­per­são é ini­miga da eficácia.

 

O pas­tel de nata, por exem­plo, é uma esco­lha que Bento dos San­tos sabe que é polé­mica por­que deixa de fora toda a doça­ria con­ven­tual por­tu­guesa. Mas argu­menta que esta é um pouco pesada (mui­tos ovos, muito acú­çar) e que o pas­tel de nata é já reco­nhe­cido em todo o mundo como algo pro­fun­da­mente por­tu­guês. Dias depois, a pro­pó­sito de outro assunto, tive uma con­versa com Ana Soeiro (res­pon­sá­vel da Qua­li­fica, de quem já falei aqui), e a pers­pec­tiva dela é dia­men­tral­mente oposta. O pas­tel de nata é uma coisa que pode ser feita (e já é) em mui­tos sítios do mundo, pode facil­mente ser imi­tada e, como não é um pro­duto cer­ti­fi­cado, pode ser adul­te­rado, feito com um recheio dife­rente, acres­cen­tado com cho­co­late ou qual­quer outra coisa do género. Ou seja, não é pre­ciso vir a Por­tu­gal para comer um ver­da­deiro pas­tel de nata.

 

O que devía­mos pro­mo­ver, defende Ana Soeiro, são os pro­du­tos que estão pro­fun­da­mente liga­dos a Por­tu­gal, às regiões, aos sabe­res locais, e que, de pre­fe­rên­cia, sejam fei­tos com pro­du­tos naci­o­nais. Assim, a pro­mo­ção de um pro­duto arrasta outros. E con­si­dera que a dis­per­são não é um pro­blema. Por isso, sim, doça­ria con­ven­tual, o mais pos­sí­vel — e, garante, os estran­gei­ros não fogem dos ovos e do açú­car a sete pés, desde que não lhes sejam ser­vi­dos em doses gigantescas.

 

E pronto, ficam aqui duas pers­pec­ti­vas opos­tas de como se deve pro­mo­ver a gas­tro­no­mia por­tu­guesa (o pas­tel de nata é só um exem­plo, a Ana Soeiro dis­corda de várias outras coi­sas, mas tal­vez isso fique para outro post).

 

Via Mais Olhos que barriga



publicado por olhar para o mundo às 10:47 | link do post | comentar

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