Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

Visão artística do buraco negro no centro da galáxia NGC 3842; em baixo à direita a projecção do sistema solar, mostrando a diferença de tamanho em relação ao buraco negroVisão artística do buraco negro no centro da galáxia NGC 3842; em baixo à direita a projecção do sistema solar, mostrando a diferença de tamanho em relação ao buraco negro (Imagem: Pete Marenfeld)
No coração de muitas galáxias, ou mesmo de todas, encontra-se um buraco negro monstruoso, desconfiam os cientistas. A nossa galáxia, a Via Láctea, também tem o seu devorador de matéria e luz. Agora uma equipa internacional de astrónomos descobriu dois buracos negros, no centro de duas galáxias, que são os maiores alguma vez detectados: cada um tem cerca de dez mil milhões de vezes a massa do Sol e ocupam um espaço equivalente a cerca de cinco vezes a distância do Sol a Plutão.

Estes buracos negros supermaciços não resultaram da morte de uma estrela. Isso é o que acontece quando uma estrela com pelo menos três vezes a massa do Sol chega ao fim da vida e a sua matéria entra em colapso sobre si própria, tornando-se tão densa que o resultado é um buraco negro estelar. No caso dos buracos negros supermaciços, o processo de formação é outro e esta descoberta, divulgada na revista britânica “Nature”, dá pistas sobre estes sugadores de matéria.

O Universo primitivo devia estar repleto de buracos negros supermaciços, uma suposição que se relaciona com outros objectos astronómicos, então muito comuns, chamados quasares. O que é que os quasares têm a ver com os buracos negros? 


Pensa-se que os quasares – objectos astronómicos muito energéticos e brilhantes – têm, no centro, buracos negros supermaçicos, que aspiram toda a matéria em redor e é a aceleração das estrelas e gases a ser aspirados que emite a radiação observada. O seu nome é a abreviatura de objectos quase-estelares.

Assim sendo, os dois buracos negros agora descobertos pela equipa coordenada por Chung-Pei Ma, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, serão os restos de quasares. Quando a matéria em redor se esgota, os quasares esmorecem e deixam para trás estes buracos negros gigantescos, que também ficam adormecidos. Esta descoberta, sublinha um comunicado da Universidade do Michigan, que participou na investigação, confirma a compreensão pelos cientistas do ciclo de vida dos quasares.

“Os quasares mais luminosos parecem exigir um buraco negro com dez mil milhões de massas solares para fornecer a quantidade de energia necessária para ser emitida. Durante bastante tempo, não estávamos a encontrar qualquer buraco negro deste tamanho. Agora descobre-se que eles andam por aí e a teoria encaixa nas observações”, explica Douglas Richstone, da Universidade do Michigan. 

“[Os quasares] não podiam simplesmente ter-se ido embora”, diz Nicholas McConnell, da Universidade da Califórnia em Berkeley, citado noutro comunicado do Observatório Gemini, no Havai, onde estes dois buracos negros começaram por ser detectados. “Nesta fase, ainda é muito cedo para dizer se são uma descoberta rara ou apenas a ponta do icebergue. Nos próximos anos, pretendemos examinar mais de uma dúzia das maiores galáxias à procura de buracos negros de massa similar. Se se descobrirem mais, confirma-se que o Universo foi em tempos terreno de qualidade para que crescessem buracos negros gigantes.”

Estando adormecidos, localizar os dois buracos negros foi um desafio. “Os buracos negros no centro destas galáxias já não são alimentados pelo gás em acreção [em redor], tornaram-se dormentes e ficaram escondidos. Apenas os vemos por causa da atracção gravítica que exercem nas estrelas à volta”, explica por sua vez Chung-Pei Ma.

Situados a mais de 300 milhões de anos-luz da Terra, estes buracos negros escondem-se no interior de duas galáxias elípticas. Um deles está na galáxia NGC 3842, na direcção da constelação do Leão, enquanto o outro se encontra na galáxia NGC 4889, na direcção da Cabeleira de Berenice. Até agora, tinham sido descobertos 63 buracos negros supermaciços. O maior, encontrado em Janeiro deste ano – por Karl Gebhardt, da Universidade do Texas em Austin e que integra a equipa de Chung-Pei Ma –, atinge 6300 milhões de vezes a massa do Sol e fica na galáxia M87. Quanto à nossa galáxia, tem um buraco negro um pouco mais modesto, com quatro milhões de massas solares.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 10:36 | link do post

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