Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
No dia da greve geral, manifestantes em frente ao Parlamento usam uma máscara associada ao grupo de hackers AnonymousNo dia da greve geral, manifestantes em frente ao Parlamento usam uma máscara associada ao grupo de hackers Anonymous (Miguel Manso)
Este foi um ano agitado no mundo da tecnologia: várias marcas trouxeram novos aparelhos para o mercado dos tablets, os telemóveis deram passos largos para um mundo de smartphones e a cibersegurança foi tema quente. E foi também um ano de alguns grandes falhanços. Dos problemas de segurança do Estado português, até produtos dados como mortos logo após serem postos à venda, passando por empresas que se deixaram afundar – eis o lado negativo de 2011.

Cibersegurança do Estado


Na sequência da greve geral, a 24 de Novembro, vários sites (de partidos políticos a estruturas do Estado) sofreram uma série de ataques informáticos. Em quase todos, os ataques deixavam apenas os sites inacessíveis por um período curto de tempo. Mas houve um caso em que os atacantes conseguiram retirar de computadores do Estado um ficheiro com dados pessoais de 107 polícias.

Os ataques (feitos por grupos que até marcavam aulas online para aspirantes a hackers) foram muito pouco sofisticados – mas chegaram para mostrar que as infra-estruturas informáticas portuguesas são muito vulneráveis e que ataques mais sérios podem comprometer a segurança do Estado.

Hackers divulgam dados pessoais de 107 polícias de Lisboa e ameaçam toda a PSP
Hackers: atrás do ecrã para "elevar a voz do povo"

O tablet da HP
Tal como muitas outras empresas, a gigante HP entrou em 2011 na guerra dos tablets. Mas, contrariamente ao que muitos fizeram, não adoptou o sistema operativo Android (o principal rival do sistema do iPad) e preferiu avançar com uma plataforma própria, chamada WebOS.

Se os tablet com Android continuaram este ano a ter dificuldades em combater a Apple, o HP Touchpad (praticamente sem aplicações e com um sistema de que a maioria dos consumidores nunca ouvira falar) mal teve tempo de tentar. Começou a ser vendido a 1 de Julho e foi descontinuado a 18 de Agosto, depois de vendas fracas e com a HP a escoar o stock a preço de saldo. A empresa anunciou mesmo ter desistido do segmento e, este mês, transformou o Web OS num sistema de código aberto, colocando-o à disposição de qualquer pessoa.

HP quer separar divisão de PC e abandona tablets

Tablet Motorola Xoom
O aparelho, uma parceria entre a Motorola e o Google, foi o primeiro tablet equipado com a versão 3.0 do sistema operativo Android, a primeira versão concebida especificamente para tablets. A Motorola gerou expectativa e lançou um anúncio inspirado no famoso “1984”, da Apple. As vendas, porém, foram uma desilusão, num ano em que os tablets com Android ganharam terreno, mas continuaram longe do iPad.

Motorola ataca Apple com anúncio inspirado em George Orwell
Guardian: From Xoom to bust: how Motorola's tablet failed to conquer Honeycomb

Research In Motion
Em tempos um ícone dos smartphones, a canadiana Research In Motion (RIM), que fabrica os telemóveis BlackBerry, teve um ano catastrófico: perdeu quota de mercado nos EUA (o mais importante para a empresa), está longe dos líderes no mercado europeu, as acções caíram a pique, os dois CEO têm sido fortemente criticados, uma série de executivos decidiram sair e a estreia no mercado dos tablet (com um aparelho chamado PlayBook) teve fracos resultados.

Conhecida pelos telemóveis com teclado físico (embora também comercialize modelos apenas com ecrã sensível ao toque), a RIM parece ter dificuldades em acompanhar o mercado, que está voltado para o iPhone e para os múltiplos Android.

Para além disto, os servidores da empresa – responsáveis pelo sistema de mensagens que é um dos trunfos da marca – tiveram em Outubro uma falha que afectou, durante dias, milhares de utilizadores em todo o mundo. E (aqui sem responsabilidade da RIM) o uso destes telemóveis acabou associado à organização dos motins em Londres. 

Fabricante dos BlackBerry já foi uma estrela, mas hoje luta pela sobrevivência

YDreams
A tecnológica portuguesa é frequentemente dada como um exemplo de inovação e um caso de sucesso que ultrapassa as fronteiras portuguesas. Mas este ano acabou nas notícias por más razões: em Setembro, soube-se que a empresa tinha salários e subsídios de férias em atraso.Também este ano, a YDreams lançou uma spin-off – a YNvisible – na bolsa de Frankfurt. No segundo dia no mercado, as acções chegaram aos 3,10 euros. Desde então, têm vindo sempre a cair e esta semana fecharam nos 24 cêntimos.

Funcionários da YDreams queixam-se de salários e subsídios de férias em atraso
Ynvisible entra em bolsa com o objectivo de criar interactividade de baixo custo

Sony
Este foi o ano em que atacar sites e sistemas informáticos foi moda. E a Sony foi talvez a maior vítima. Em Abril, ataques à PlayStation Network (um sistema de jogos online) e ainda a plataformas de venda de conteúdos online expuseram informação pessoal de mais de 100 milhões de clientes da Sony, o que, em muitos casos, incluía dados de cartões bancários. 

A falha levou a que autoridades de alguns países (entre os quais EUA e Reino Unido) pedissem explicações à Sony e foi um enorme golpe na imagem da multinacional nipónica. Não ajudou que a Sony tenha esperado uma semana entre o momento em que detectou o ataque e o dia em que avisou as autoridades e os utilizadores de que os dados podiam ter sido roubados.

Sony reabre o serviço de jogos que foi atacado por “hackers” 

Eleições presidenciais
Nas eleições presidenciais de 23 de Janeiro, os sistemas disponibilizados pelo Estado para que os cidadãos pudessem receber o seu número de eleitor (necessário para votar) deixaram de funcionar devido ao elevado número de acessos.

Nem o Portal do Eleitor, nem o serviço de SMS, nem a informação telefónica conseguiam dar resposta. O problema afectou eleitores já com Cartão do Cidadão, cujo número de eleitor tinha mudado e resultou em longas filas de espera nas juntas de freguesia e em eleitores que não conseguiram votar. 

Mais de 42 mil pessoas tiveram problemas para votar no dia 23

TIM w.e.
Teve mais a ver com a instabilidade dos mercados do que com o desempenho da empresa, mas a tecnológica TIM w.e., que vende conteúdos e serviços para telemóveis e que seria a primeira empresa portuguesa a entrar no Nasdaq, o índice tecnológico dos EUA, viu os planos gorados e decidiu adiar a oferta pública de venda. A empresa contava encaixar entre 93,8 milhões de euros e 125,8 milhões de euros. 

TIMWE faz estreia de empresa portuguesa no Nasdaq 

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 17:09 | link do post

Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

mais sobre mim
posts recentes

Morreu Eusébio

Unesco consagra Dieta Med...

Morreu Nelson Mandela: A ...

Alejandro Sanz: 'A música...

Dulce Félix vice-campeã e...

Teatro, Festival de Almad...

Festim recebe Kimmo Pohjo...

Curta portuguesa entre as...

ARRISCA DEZ ANOS DE PRISÃ...

Maioria das mulheres alem...

arquivos

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Dezembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

tags

todas as tags

comentários recentes
Ums artigos eróticos são sempre uma boa opção para...
Acho muito bem que escrevam sobre aquilo! Porque e...
Eu sou assim sou casada as 17 anos e nao sei o que...
Visitem o www.roupeiro.ptClassificados gratuitos d...
então é por isso que a Merkel nos anda a fo...; nã...
Soy Mourinhista, Federico Jiménez Losantos, dixit
Parabéns pelo post! Em minha opinião, um dos probl...
........... Isto é porque ainda não fizeram comigo...
Após a classificação de Portugal para as meias-fin...
Bom post!Eu Acho exactamente o mesmo, mas também a...
Posts mais comentados
links
blogs SAPO
subscrever feeds