Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012


Hulk

1. Confesso que não assisti ao jogo FC Porto-Manchester City com a devida atenção. Não posso, por isso, garantir que tenha havido manifestações racistas vindas das bancadas e dirigidas a jogadores da equipa inglesa. Mas de uma coisa estou certo: nunca tinha ouvido os adeptos dos dragões gritar “Hulk, Hulk, Hulk”. A bem dizer, e atendendo à forma simiesca como isto soa, custa-me a crer que alguém usasse tal mensagem à laia de apoio.


É muito dura esta questão do racismo. Por um lado, o politicamente correcto tão em voga nos dias de hoje tanto exacerba manifestações individuais (como se viu no caso Evra/Suarez) como é capaz de as virar contra a vítima (será que Javi Garcia insultou mesmo Alan? – nunca saberemos, porque a denúncia foi recebida com ameaça de sanções… ao alegado ofendido).

Eu gosto de traçar uma linha entre o que é evidente aos olhos do público e o que devia ficar apenas entre dois adversários em campo. Acho que os segundos casos, sem aproveitamentos oportunistas ou ressabiamentos diversos, não deviam vir cá para fora. Muita gente discorda. E fazem bem. Este é um tema que não se deve calar. E da discussão há-de sair alguma luz.

Mas quando a coisa entra no domínio público (e, com a denúncia feita por Evra, foi isso o que aconteceu em relação a Suarez), então a justiça desportiva deve ser implacável. Agora são dois jogadores do City a queixarem-se de cânticos racistas no Dragão. Um deles, Yaya Touré, chegou mesmo a alvitrar que “talvez em alguns países não esperem ver jogadores negros”, o que diz muito sobre o seu conhecimento da sociedade portuguesa, em geral, e do futebol luso, em particular…

Adiante. Não farei de juiz num caso em que não disponho de todos os elementos. Mas também não deixo que me chamem parvo. E foi isso que alguém do FC Porto quis fazer – a mim e a todos os que seguem o futebol com alguma atenção – com a estratégia básica de tentar tornar natural o cântico “Hulk, Hulk, Hulk”, entoado até aos limites da azia em Setúbal. 

2. Pertenço ao grupo dos que não gostam mesmo nada de Sá Pinto. O seu perfil psicológico, o seu temperamento explosivo, a naturalidade com que passa à agressão física dizem-me que está aqui tudo o que não quero ver num líder. Que a actual direcção do Sporting o tenha colocado a tutelar os escalões de formação (depois de ter saído do clube exactamente devido a um episódio de violência), é daquelas coisas que não têm explicação.

Agora foi promovido a treinador da equipa principal. Não sei o que vale Sá Pinto com técnico. Mas o facto de não gostar dele não me impede de reparar nos sinais de delírio colectivo que se vive nas bancadas de Alvalade. Ouvir os adeptos a assobiarem a equipa assim que esta fazia dois passes para trás no jogo com o Paços de Ferreira dá um claro sinal de como será difícil a vida para quem quer que envergue aquela braçadeira de treinador.

Para já, Sá Pinto conseguiu um bom resultado fora na Liga Europa e venceu o seu primeiro jogo de campeonato em Alvalade. A equipa, que alguns adeptos insistem em ver como um conjunto de artistas pagos a peso de ouro e que os desilude a torto e a direito, terá de superar muita coisa para dar a volta por cima, a começar pela sua própria falange de apoio. Como se diz que as claques organizadas têm muito poder dentro do Sporting, e essas gostam muito do actual técnico, parece-me evidente que há claras brechas na família de Alvalade.

Para já, Sá Pinto está a sair-se bem. Tenho dúvidas que ele mereça. Mas o Sporting tem de ser maior do que isso.

3. O Benfica perdeu em Guimarães. Foi a primeira derrota na Liga e proporciona, para já, nova emoção na prova, com a reaproximação do FC Porto. Para os encarnados, foi daquelas noites em que nada, nem mesmo as coisas mais óbvias, saem bem. Passes falhados, desaproveitamento total das bolas paradas, hesitações tácticas.

Jorge Jesus não abordou bem a partida. Para não ter de escolher entre Cardozo e Rodrigo, acabou por deixar ambos órfãos lá frente, muito longe de um Aimar demasiado preso à posição, sem a protecção de Witsel (no banco) e Javi García (de fora). Mais tarde, com o belga em campo, o argentino soltou-se e viu-se algum Benfica. Se a fórmula tem resultado, porquê inventar?

Resta dizer que os jogadores do V. Guimarães foram exemplares na entrega ao jogo. Foram sempre os mais rápidos sobre a bola e conseguiram pressionar no campo todo ao longo de quase toda a partida. Mereceram ganhar.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 08:56 | link do post | comentar

mais sobre mim
posts recentes

Morreu Eusébio

Unesco consagra Dieta Med...

Morreu Nelson Mandela: A ...

Alejandro Sanz: 'A música...

Dulce Félix vice-campeã e...

Teatro, Festival de Almad...

Festim recebe Kimmo Pohjo...

Curta portuguesa entre as...

ARRISCA DEZ ANOS DE PRISÃ...

Maioria das mulheres alem...

arquivos

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Dezembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

tags

todas as tags

comentários recentes
Ums artigos eróticos são sempre uma boa opção para...
Acho muito bem que escrevam sobre aquilo! Porque e...
Eu sou assim sou casada as 17 anos e nao sei o que...
Visitem o www.roupeiro.ptClassificados gratuitos d...
então é por isso que a Merkel nos anda a fo...; nã...
Soy Mourinhista, Federico Jiménez Losantos, dixit
Parabéns pelo post! Em minha opinião, um dos probl...
........... Isto é porque ainda não fizeram comigo...
Após a classificação de Portugal para as meias-fin...
Bom post!Eu Acho exactamente o mesmo, mas também a...
Posts mais comentados
links
blogs SAPO
subscrever feeds