Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Sporting, e agora venha o City

Mario Balotelli, 22 milhões de euros. Edin Dzeko, 32 milhões. Kun Agüero, 45 milhões. Só em avançados o Manchester City gastou 100 milhões de euros e este é apenas parte do investimento do clube. É com este poderio futebolístico alimentado por bolsos sem fundo que o Sporting se irá bater nos oitavos-de-final da Liga Europa, depois de nesta quinta-feira ter eliminado o Legia de Varsóvia com um triunfo por 1-0, depois de ter empatado 2-2, há uma semana, no encontro da primeira mão, na Polónia.


Se com Domingos Paciência, o Sporting era uma equipa em crescimento, com Ricardo Sá Pinto é uma equipa que acabou de nascer e que, pelo que apresentou nesta quinta-feira (e nos dois jogos anteriores), vai ter grandes dificuldades, daqui a duas semanas, perante os citizens, que destruíram o FC Porto com um resultado combinado de 6-1.

Sá Pinto, treinador novato e promovido numa emergência, dizia que o Sporting ia ganhar de certeza, num discurso contra a desmobilização dos adeptos, garantindo um bom final de época. Mas a verdade é que ainda pouco se viu. Talvez um pouco mais de consistência defensiva, talvez uns flashes de velocidade no ataque e duas ou três boas combinações, suficientes para o Legia, mas que podem não chegar para outros andamentos.

Sem Rinaudo e Onyewu, Sá Pinto apostou em Daniel Carriço para o meio-campo e em Rodríguez (o peruano durou 70 minutos, antes de se lesionar outra vez) para a defesa, mantendo o trio atacante do último jogo composto por Carrillo, Izmailov e Wolfswinkel.

Entrou ligeiramente melhor o Legia, talvez animado pela sua incansável claque. Mas os polacos eram de efectividade nula, desperdiçando a sua melhor oportunidade de todo o jogo logo aos 14’. Rodriguez e Polga desentenderam-se, deixaram passar a bola e o sérvio Ljubola cabeceou ao lado.

Algumas acelerações de Carrillo e alguns toques de classe de Izmailov foram pouco para que o Sporting se aproximasse com grande perigo da baliza de Kuciak. A verdade é que os polacos também duraram pouco e não mostraram grande capacidade para chegar ao golo que lhes daria vantagem. Têm, no entanto, razão de queixa do árbitro, que não viu Polga cortar a bola com o braço dentro da sua área, aos 39’.

Neste equilíbrio da mediocridade, o Sporting teve uma enorme contrariedade. Entre os 70’ e os 75’, Sá Pinto foi obrigado a fazer as três substituições por lesão (Rodríguez, Carrillo e Izmailov deram lugar a Xandão, Capel e Pereirinha), o que lhe retirava margem de manobra caso as coisas corressem mal no tempo que restava. Um golo para qualquer um dos lados podia bem decidir a eliminatória e, felizmente para o Sporting, que Matias Fernández teve um momento de inspiração, aos 82’. Livre cobrado pelo chileno no lado esquerdo do ataque, a bola bateu no chão e, sem que ninguém lhe tivesse tocado, entrou na baliza. Acabava o sofrimento e o objectivo seria cumprido. Mas voltou a ser uma vitória que não tranquilizou ninguém.

POSITIVO
Matias Fernández
Nem estava a fazer um grande jogo, mas dele sempre se espera algo especial. Marcou o golo que acabou com as dúvidas na eliminatória com um livre que enganou toda a gente.
Carrillo
Até sair lesionado, estava a ser o menos mau do ataque “leonino”, provocando desequilíbrios com a sua velocidade e técnica.

NEGATIVO
Qualidade do jogo
Sporting e Legia foram protagonistas de um péssimo jogo de futebol, quase sem oportunidades de golo. O Sporting acabou por ser o menos mau, mas está muito longe do Manchester City, o seu próximo adversário.
Lesões
O Sporting perdeu três jogadores em cinco minutos, dois deles crónicos lesionados (Rodríguez e Izmailov). Se o Legia tem marcado, Sá Pinto já não podia lançar ninguém para tentar dar a volta ao resultado.

Ficha de Jogo
Sporting, 1
Legia, 0

Jogo no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Assistência 20.144 espectadores

Sporting Rui Patrício, João Pereira, Polga, Alberto Rodríguez (Xandão, 71’), Insúa, Daniel Carriço, Matias Fernández, Schaars, Izmailov (Pereirinha, 77’), Carrillo (Capel, 69’) e Ricky van Wolfswinkel. Treinador Ricardo Sá Pinto
Legia Varsóvia Kuciak, Jedrzejczyk, Zewlakow, Komorowski, Wawrzyniak, Rzezniack (Wolski, 68’), Vrdoljak, Rybus, Gol (Hubnik, 87’), Zyro (Kucharczyk, 59’) e Ljuboja. Treinador Maciej Skorza

Árbitro Vladislav Bezborodov, da Rússia. Amarelos Schaars (10’), Wawrzyniak (34’), Carrillo (38’), Rybus (57’), Gol (58’), Ljuboja (59’), João Pereira (77’), Daniel Carriço (89’) e Capel (90+4’).
Golos 1-0, por Matias Fernández, aos 84’

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 23:05 | link do post

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