Sexta-feira, 30 de Março de 2012
Sporting venceu Metallistic

Ao contrário de Sá Pinto, o treinador do Metalist raramente se levantou do banco. Myron Markevych é um ucraniano fechado, pouco exultante. Tão pouco que mal festejou quando Cleiton marcou o golo nos descontos, batendo Patrício de grande penalidade. Apesar de tudo, saiu derrotado de Alvalade, por 2-1. Mas sentiu que a decisão da eliminatória ficou adiada, quando parecia tudo decidido com os golos de Izmailov e Insúa.


O técnico que deixou o cargo de seleccionador da Ucrânia em 2010, queria concentrar-se no Metalist, clube que lidera desde 2005. Fez da sua equipa uma máquina de jogar à italiana, pejada de brasileiros e argentinos (um deles Torsiglieri, central emprestado pelos “leões”). Aproveitando essa mistura, jogou apenas com um ucraniano (na baliza) e começou por tramar o Sporting.

A teia que Markevych desenhou no meio-campo, com Cleiton, Torres e Blanco manietou o coração sportinguista, sem ideias para servir o ataque — os laterais Pereira e Insúa não conseguiam subir e os extremos Capel e Izmailov não apareciam. Sem pressa e a trocar a bola com paciência a chamar os jogadores leoninos, nem parecia que o Metalist estava a fazer história. A equipa ucraniana está a estrear-se nos quartos-de-final da Europa, mas parece madura.

Tem um melhor registo fora de caso do que no seu estádio e não mostrou respeito pela folha de serviço sportinguista de seis vitórias em seis jogos na Liga Europa. Com Taison, um extremo rápido e tecnicista encostado ao flanco e desequilibrador quando flectia para dentro, a baliza de Rui Patrício foi muito assediada no primeiro tempo, embora sem muito perigo. Aí, foi importante a atenção de João Pereira e Xandão, com dois cortes in extremis a impedir que um jogador do Metalist surgisse isolado.

As linhas baixas que Sá Pinto usou contra o CIty foram ontem repetidas. Um golo sofrido em casa é perigoso na UEFA e o técnico leonino voltou a não arriscar, deixando Wolfswinkel muito só na frente. Na expectativa. Pela frente, uma equipa treinada por um homem que pagou do seu bolso para ir estudar com Fabio Capello, Christoph Daum e Carlo Ancelotti.

Com as cartas na mesa, as duas equipas iam-se estudando. E respeitando. Até aparecer Capel, no segundo tempo. O espanhol desatou o nó na esquerda, isolou-se e serviu Izmailov para o golo. Era o lado esquerdo do Sporting a funcionar, uma lição trazida do intervalo, já que Obradovic parece ser o elo mais fraco desta equipa. Atordoada a equipa ucraniana cedeu um livre, ganho por Matías à entrada da área. Foi a oportunidade para Insúa fazer o que tinha feito à Lazio: um golo ao cantinho. Todos, inclusive o guarda-redes Goryainov, pensavam que seria o chileno a bater o livre, mas nem ele nem Schaars, foi o argentino.

O estádio, com a melhor assistência da época (40 mil, mais dois mil que contra o City), respirava de alívio. A sua equipa tinha conseguido soltar-se do espartilho ucraniano. Uma equipa invicta fora de casa (tinha até aqui cinco vitórias e um empate) e com o melhor ataque na prova, parecia, finalmente, abalada, ferida na sua forte personalidade.

O Metalist, como muitas equipas desta zona, é presidida por um homem de negócios, Oleksandr Yaroslavsky, uma das pessoas mais ricas e influentes do país. Mas, tal como os seus rivais domésticos Dínamo e Shakhtar, saiu derrotado. Os “leões” venceram sempre os adversários ucranianos.

Nesta quinta-feira, contudo, foi preciso recorrer (mais uma vez) a Patrício. Por três vezes salvou o golo, duas delas com grandes defesas, quando tinha um adversário sozinho pela frente na pequena área. Só não resistiu no último suspiro do jogo ao penálti marcado por Cleiton. Isto depois de ter feito uma gtrande defesa e, na recarga, ter derrubado Blanco.

O Sporting saiu com uma vitória manchada. Quase amputada por um golo da equipa ucraniana. Os “leões” estiveram por mais que uma vez com a hipótese de fazer o terceiro golo, já com Carrillo e Jeffren em campo, mas perdoaram o adversário. E deixaram-no vivo para o jogo da segunda mão, na Ucrânia, para a semana, e no qual não estarão Carriço (viu amarelo), nem Torsiglieri e Gueye (também viram cartão).

POSITIVO
Insúa/Capel
O adversário ucraniano começou a perder graças ao flanco esquerdo do Sporting. Capel foi devastador, desatou o nó que permitiu chegar ao golo, mas para isso contou com a ajuda de Insúa, o seu adjunto naquele corredor. O argentino fez ainda mais que o espanhol: fez o que já tinha feito à Lazio. Um golo.
Taison/Cleiton
Estes dois brasileiros são a alma e o coração do Metalist. O primeiro a desequilibrar nas alas, o segundo no centro, a pensar e a marcar o ritmo do jogo da sua equipa. Se Taison foi um quebra-cabeças no corredor de João Pereira, Cleiton deu oxigénio à sua equipa para o segundo jogo.

NEGATIVO
Obradovic
Foi o elo mais fraco do Metalist e no seu corredor nasceu o primeiro golo do Sporting.

Ficha de Jogo
Sporting, 2
Metalist, 1

Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Assistência 40.512 espetadores.

Sporting Rui Patrício A90’, João Pereira, Polga, Xandão, Insúa, Daniel Carriço A57’(Renato Neto, 70’), Schaars, Matías, Izmailov A43’ (Carrillo, 79’), Diego Capel (Jeffren, 72’) e Wolkswinkel. Treinador Sá Pinto
Metalist Goryainov, Villagra, Gueye A59’, Torsiglieri A33’, Obradovic, Torres, Cleiton Xavier A52’, Sosa (Valyayev, 90'+3’), Blanco (Marlos, 77’), Taison e Cristaldo (Devic, 65’). Treinador Myron Markevych

Árbitro Wolfgang Stark (Alemanha). Amarelos Torsiglieri (33’), Izmailov (43’), Cleyton Xavier (52’), Carriço (57’), Gueye (59’), Rui Patrício (90’).
Golos 1-0, por Izmailov, aos 51’; 2-0, por Insúa, aos 64’; 2-1, por Cleiton Xavier, aos 90'+1’ (g.p.).

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 00:17 | link do post

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