Quinta-feira, 24 de Março de 2011
Guerra dos sexos, parte II

 

Mulher: uma vítima sacrificada, cujas ambições foram esmagadas pela sociedade dominada pelo sexo masculino. Homem: indivíduo insensível, pragmático, descomplicado, por vezes rude. Conhece os estereótipos? Serão verdadeiros ou talvez não? Conferimos estudos científicos, estatísticas e teorias de psicólogos e sexólogos para levar a cabo uma tarefa ambiciosa: desvendar as diferenças que alimentam hoje em dia a chamada guerra dos sexos. Na cama, na vida e no trabalho e ainda na relação com o dinheiro.

1. NA CAMA

Quer seja homem ou mulher, procurará retirar do sexo uma coisa: prazer. O que pode variar conforme o género é a forma como esse prazer é obtido. Para a mulher, a satisfação sexual está dependente de quão confortável se sente com o parceiro. Sentimentos como a insegurança e a ansiedade ("Será que ele me acha atraente? Será que ele reparou que estou mais gorda?"), ou as preocupações do dia a dia (emprego, filhos, etc.) influenciam o desejo feminino.

Os homens, por sua vez, têm a capacidade de se abstrair da realidade, entregando o corpo e a mente à relação sexual. Apresentam uma vantagem em relação às mulheres, porque se excitam mais facilmente e mais rapidamente do que o sexo feminino. A conclusão é da sexóloga Marta Crawford, que lançou recentemente o livro "Diário Sexual e Conjugal de Um Casal" e faz a seguinte analogia: "O homem é como a tomada, liga-se e desliga-se. A mulher é como o ferro de engomar de antigamente, leva muito tempo a aquecer..."

Segundo a sexóloga, "a mulher precisa de ser apreciada pelo parceiro e de sentir que este tem carinho por ela". Mas a sociedade está em mudança.

Carrie Bradshaw, personagem desempenhada pela atriz Sarah Jessica Parker, declarou que queria "fazer sexo como um homem" num dos primeiros episódios de "Sexo e a Cidade". Poderá a série simbolizar uma revolução (ou evolução) na perspetiva feminina sobre o sexo? Carrie e as suas três companheiras representam uma nova vaga de mulheres independentes que procura só satisfação física no sexo, sem ligações emocionais. Os homens até têm medo delas...

O estudo "O Que Querem as Mulheres?", realizado recentemente pela consultora Strategy One, confirma que esta revolução estendeu-se a Portugal. E conclui que as portuguesas são das europeias felizes neste campo: "88% das portuguesas sentem-se realizadas sexualmente e 81% afirmam ter relações pelo menos uma vez por semana."

"Há poucos anos, as mulheres portuguesas não tinham sequer grau de comparação entre parceiros. Hoje estão mais informadas e têm mais experiência. Mais do que satisfeitas, estão mais exigentes", afiança o sexólogo Júlio Machado Vaz, que acrescenta que, em contrapartida, "os homens portugueses estão cada vez mais inseguros".

Tal como surgiu uma nova vaga de mulheres independentes, também se pode falar de uma nova vaga de machos sensíveis, que sentem necessidade de carícias e palavras de afeto. Porém, "as mulheres ainda pensam que o beijo e a carícia deles é apenas um pretexto para chegar ao sexo e não acreditam que queiram só isso", observa Crawford.

Nas diferenças, assinala-se ainda a maior predisposição dos homens para a relação sexual a priori. "O homem é mais sexual do que a mulher, e estes valores continuam muito presentes na nossa sociedade", afirma a sexóloga. Mas desenganem-se quanto às divergências no que toca à satisfação sexual. Ambos tiram a mesma, assegura a especialista. A diferença é que a iniciativa para o sexo parte geralmente deles.

Criatividade amorosa. "Os homens são muito visuais, veem uma mulher nua e conseguem ficar excitados imediatamente. Uma mulher vê um homem nu mas... não é o suficiente, não é tão automático", avança Crawford. Assim, o homem quer avançar rapidamente, porque já está excitado antes sequer de haver proximidade física. Já "a mulher precisa de sentir a mão na pele, de ser tocada, estimulada. Está em desigualdade, requer tempo e dedicação até ficar com o mesmo grau de excitação".

As mulheres gostam muito de surpresas, mais do que os homens, e são capazes de ser mais criativas na cama do que eles. Os homens, por sua vez, apreciam a diversidade, porque facilmente conseguem retirar prazer de várias coisas. "A diferença significativa entre os sexos é que o homem satisfaz-se mais facilmente com o que a mulher dá, e a mulher pode não ficar satisfeita com o que recebe."

Um dos maiores medos da mulher é não passar de um objeto para o parceiro. "A mulher precisa da confirmação que depois do sexo o parceiro continua a gostar dela. O abraço, o dormir em concha é um sinal de que os dois estão em sintonia", refere Crawford. Esqueça o ato de se virar para o outro lado da cama e começar a ressonar.

Já os homens receiam não ter habilidade suficiente para dar prazer à parceira. Quando tal acontece, veem-no como fraqueza e falta de virilidade. Júlio Machado Vaz aponta a ansiedade dos homens ao nível da performance sexual como um dos principais obstáculos ao êxito da relação sexual: "As mulheres têm uma visão mais desportiva do sexo. Quando nos dizem 'hoje correu mal, deixa estar que amanhã corre melhor', estão a ser sinceras. Mas eles não sabem lidar com isso."

As preocupações das mulheres relacionam-se mais com a aparência física. A culpa é da sociedade... e dos homens! Estamos numa sociedade que aprecia muito o corpo estereótipo: magras, esbeltas, giras. Mas por vezes os parceiros também não ajudam: "Há situações em que têm comentários desagradáveis ou fazem comparações e, assim, vêm reforçar esta ideia." A aparência física não tem tanto peso para o sexo masculino. As mulheres apaixonam-se não só porque o parceiro é uma brasa mas porque é gentil, inteligente e bem-disposto.

2. NA VIDA E NO TRABALHO

A sociedade só tem a ganhar se reconhecer as diferenças entre géneros, em vez de as ignorar. Quem o afirma é Susan Pinker, psicóloga na Universidade de McGill, em Montreal, no livro "O Paradoxo Sexual: Rapazes Traquinas, Raparigas Dotadas e a Verdadeira Diferença Entre os Sexos".

Pinker afiança não ter encontrado qualquer diferença na inteligência, mas frisa várias vezes que os sexos não são biologicamente equivalentes e, como tal, não têm metas idênticas. "Em média, as mulheres interessam-se mais por pessoas e processos orgânicos - como animais e plantas - do que por objetos inanimados ou sistemas", afirma Pinker. Além disso, preferem profissões onde possam ver o impacto do seu trabalho no melhoramento da vida das pessoas, como professoras, médicas, assistentes sociais e psicólogas, em detrimento de profissões das engenharias.

As mulheres procuram uma vida equilibrada, que não seja só fixada em emprego, salário e promoções, mas que tenha também uma componente doméstica e familiar. Pinker exemplifica que, em países como a Holanda, é normal que a mulher trabalhe metade das horas para ter mais tempo para a família ou para um hóbi, porque é assim que se realiza.

Os homens, por sua vez, vivem mais para o emprego e gostam de competir e arriscar: "Estão mais interessados em quem ganha mais, quem conduz o carro mais caro, quem é casado com a mulher mais bonita, quem consegue mais pontos num jogo", observa.

Como gostam de escutar e comunicar e têm mais tendência a sentir empatia e a relacionar-se com os outros do que os homens, as mulheres são mais influenciáveis e as suas decisões são determinadas, em parte, pelas opiniões dos amigos, dos colegas e da família. Os homens podem ser menos influenciáveis, porém perdem se não derem importância à vida social. De acordo com o "Paradoxo Sexual", as pessoas com estreito contacto com familiares e amigos têm menos stresse, perdem menos memória, são mais saudáveis e vivem mais tempo.

 

Diferenças psicológicas.


Os rapazes têm mais tendênciaa sofrer dificuldades de aprendizagem a nível da linguagem (como aprender a ler) do que as raparigas, revela o livro. "Os homens têm mais probabilidade de sofrer dificuldades a nível de atenção e controlo, razão pela qual a hiperatividade e problemas severos de comportamento são três vezes mais comuns em homens do que em mulheres", acrescenta Pinker.

As mulheres, por sua vez, têm duas vezes mais probabilidades do que os homens de sofrer de ansiedade e depressão, problemas que têm uma componente hormonal e que por isso não afetam as raparigas até chegarem à puberdade.

Uma coisa que exemplifica as diferenças de comportamento entre os homens e as mulheres é o tipo de videojogos que os atrai. Elas preferem os jogos de estratégia e habilidade. Gostam de construir cidades e quintas nos jogos das redes sociais. Eles preferem os jogos de ação, que envolvam sexo, drogas, velocidade e rock. O estudo é da Flurry, uma empresa norte-americana de análise de aplicações para telemóvel, que revela ainda que quem dedica mais tempo a jogar nos smartphones são as mulheres.

3. NA CARTEIRA

Também nas finanças, os homens gostam de competir e arriscar. A aspiração masculina é gerir o dinheiro melhor do que ninguém. As mulheres são mais sentimentais. Segundo Susana Albuquerque, autora do livro "Independência Financeira para Mulheres" e presidente da ASFAC (associação do sector do financiamento especializado), apesar de as mulheres terem os seus empregos, ainda se queixam da pouca independência financeira que têm, quer pela sua própria atitude quer pela intervenção dos companheiros. "É como se sentissem que este poder e controlo do dinheiro não é para elas", confessa.

A mulher relaciona-se com o dinheiro segundo uma lógica de colaboração com as pessoas com quem divide os rendimentos, o parceiro e/ou familiares. "A diferença é que, geralmente, consultam o seu parceiro mesmo até nas pequenas compras, enquanto os homens tendem a não ouvir a sua parceira em relação às decisões financeiras que tomam, mesmo as grandes compras."

Da pesquisa que fez para o seu livro, apurou que elas elegem um gestor de conta ou consultor financeiro de acordo com a empatia, enquanto eles baseiam a sua escolha nos resultados por ele obtidos. Os homens tomam decisões com base em factos e ações concretas e são mais objetivos. No entanto, a faceta objetiva deles pode ser um entrave à comunicação com quem gere o seu dinheiro, avisa Susana.

Além disso, as mulheres mostram-se geralmente mais conservadoras no tipo de investimento que escolhem. De acordo com a autora, elas preferem os produtos financeiros com pouco ou nenhum risco, como depósitos a prazo, planos poupança reforma e certificados de aforro.

 

Afinal, são loucos por compras!


Os homens bem que podem começar a redimir-se por associarem o vício das compras ao sexo feminino. De acordo com o eBay, site de compras online, os homens gastam muito mais do que as mulheres nas compras feitas pela Internet. Segundo um estudo que o site realizou no mês de janeiro de 2010, 80% das compras no eBay a partir de Portugal foram efetuadas por homens.

Eles ficarão, porventura, surpreendidos ao saberem que os artigos mais procurados por elas no eBay não são os sapatos! E que a roupa e acessórios estão só em segundo lugar. Tal como os homens, as mulheres usam o eBay para comprar sobretudo telemóveis e acessórios para PDA. Eles compram ainda selos, roupa e acessórios de moda, CD e peças para carros.

"As mulheres são tão consumistas ou gastadoras quanto os homens. O que muitas vezes se confunde é a forma como eles e elas fazem compras, pois as mulheres tomam mais tempo e têm mais prazer", remata Susana Albuquerque. Afinal, não somos assim tão diferentes.

 

Via Expresso



publicado por olhar para o mundo às 21:03 | link do post

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