Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
A primeira ideia era fazer uma emissão pirata
 
Um efémero regresso da rádio que marcou, para muitos, os anos 90 lusos. A Energia comemora os 20 anos da sua fundação e leva ao reencontro a equipa original que, durante três dias e em emissão contínua, promete devolver aos fãs o espírito que marcou a estação, noutros tempos “proibida a maiores de 21 anos”, e com as estrelas de antigamente, hoje nomes fortes de outros media. Nostalgia? Sim, com energia.
 

A primeira ideia era fazer uma emissão pirata. O que nem é estranho, dado que para a grande maioria, foi neste tipo de emissões que surgiu o “bichinho da rádio”. Mas, passado o impulso inicial, decidiram que “desta vez tinha que ser algo em grande”, como sublinhou ao P2 Sérgio Noronha, um dos fundadores e antigo director de produção da Energia.

É assim que, passadas duas décadas, a equipa original da NRJ – Rádio Energia se reuniu e, apoiando-se na divulgação através das redes sociais, nomeadamente o Facebook (www.facebook.com/radioenergia2.0), apresenta-se numa emissão contínua, das 07h00 de sexta-feira às 24h00 de domingo, com os programas-ícone de há duas décadas e com a ambição de “abanar as ondas hertzianas” com as vozes da altura, notícias, reportagens em directo e, garantem, a boa disposição que era chancela das emissões.

Para sexta-feira, está prometida uma viagem ao passado com os sons de 1991/93, as notícias ao estilo de Paulo Bastos ou as histórias estapafúrdias do sábio Avô Meirelles. Já no fim-de-semana, é de esperar uma versão do que poderia ser hoje esta rádio, passando o conceito para a actualidade, com uma hora reservada a cada um dos ex-profissionais da Energia para dar aos ouvintes a sua versão. Na Grande Lisboa é preciso estar em sintonia com a 105.4 Cascais FM, que cedeu a sua emissora; ao resto do país e do mundo, a emissão chega pela Internet, via Myway.pt.

A comemoração surge 20 anos depois, mas a ideia já se arrasta desde o marco da primeira década. Nessa altura, a equipa de 1991/93 juntou-se num jantar, ao qual não faltaram figuras como Noronha, Nuno Santos (actual director de informação da RTP), José Mariño (director musical da RDP), Miguel Quintão (Antena 3), Augusto Seabra (voz-off da SIC) ou Paulo Bastos (TVI). Do encontro saíram duas certezas: a de que mantinham o(s) espírito(s) que os unira de início e a de que, como salientou Nuno Santos, director da emissora na altura, ao P2, “mais gozo do que nos juntarmos, era colocarmos no ar uma Rádio Energia”. Uma ideia para integrar os fãs e ex-ouvintes que originou a acção, à qual se foram juntando mais amigos.

E quais as expectativas em relação à comemoração? Resposta unânime: “não há”. Então o que põe tanta gente a trabalhar pro bono? Talvez a nostalgia ou a admiração em torno de “um projecto inovador” que se extinguiu para esta equipa em 1993 quando, em desavenças com a administração, cerca de 20 pessoas se demitiram em bloco — três anos depois, morria a Energia.

Agora, o trabalho para os festejos tem por base o voluntarismo desses ex-profissionais da Energia, numa acção, como resume Noronha, que seria “uma coisa irrepetível nos dias de hoje”. Com o propósito de “comemorar um período áureo na rádio portuguesa” mas, também, de homenagear “um dos profissionais mais criativos” da história da rádio, sublinha Nuno Santos: Nuno Miguel, um dos fundadores e grande entusiasta deste projecto de ressurreição, o "homem do som", profissional da Antena 3, que morreu no início do mês.

Os amigos da Energia

Numa segunda-feira, a 8 de Abril de 1991, nascia a Energia. Nos estúdios da Avenida de Ceuta, em Lisboa, a equipa entrava no ar com Nuno Santos a fazer as honras da casa e a apresentar as primeiras notícias com Paulo Bastos. O grande tema de abertura era a luta estudantil da altura (que ainda se pode ouvir em http://energia.home.sapo.pt/track1.htm), mas a diferença seria marcada também pelos característicos jingles ou pelos inovadores spots publicitários.

“A Rádio Energia nasceu como uma rádio temática, criada de raiz e com notícias durante 24 horas”, num projecto que surgiu da TSF, a partir de Emídio Rangel, explicou Nuno Santos, sublinhando o facto de que “as pessoas estavam todas motivadas, em sintonia”. O realizador e locutor Henrique Amaro (do programa Portugália da Antena 3), que fez carreira na divulgação da música portuguesa, vai mais longe e assevera que o que aquela equipa iniciou foi algo a que o país não estava habituado: “um projecto em que as pessoas pareciam estar em sintonia não só em estúdio mas também com os ouvintes”.“Foi uma coisa importante para todos nós. Apareceu no tempo certo e na altura tinha uma postura de rádio diferente”, relembra o DJ Miguel Quintão, que apresenta com Álvaro Costa o programa Bons Rapazes da Antena 3. “A informação era mais agressiva, mais real e estava mais perto do nosso auditório”, como aconteceu com as grandes manifestações de estudantes no início da década de 90 ou com a inovação das reportagens nos concertos ao vivo e transmissões em directo de eventos como os Brit Awards britânicos ou os Óscares de Hollywood. “A Energia era uma estação atrevida, destemida e diferente das outras. Era uma rádio sem medo”, atira Quintão, relembrando as eclécticas playlists que uniam tanto dance como pop, rap, rock e metal.

Energia musical

O nascimento da Energia mexeu, de facto, com o panorama musical em Portugal. Para além de ter ajudado a colocar o país no mapa das grandes bandas — concertos como os de Nirvana, Metallica, Guns & Roses ou Prince tiveram o carimbo Energia —, alternava as suas playlists mais comerciais com programas de música menos massificada: como os momentos dedicados ao metal com António Freitas, ao hip-hop com José Mariño ou à música alternativa com Vítor Marçal.

Foi nesse espírito que surgiu o Johnny Guitar: um dos programas-ícone que juntava em estúdio Henrique Amaro e Zé Pedro (da banda Xutos & Pontapés). A ideia partiu do então produtor Sérgio Noronha que pretendia recriar em rádio o espírito do mítico espaço homónimo que marcou a noite lisboeta. “Aquilo era um fervor criativo de uma série de pessoas”, recorda Amaro, com perceptível emoção.

O mesmo espírito musical deverá pautar as duas festas programadas para abrilhantar a iniciativa. Os animadores da altura marcam presença no elenco: Augusto Seabra, Mónica Mendes, Paulo José e Pedro Viana animam, na sexta-feira, a festa Pop-Rock, revitalizando os sons dos 90s. No dia seguinte, a Energia Dance Music conta com Miguel Quintão e Nuno Reis para animar as pistas. Entre a Vip Room e a pista electrónica andam DJ PêPê (Pedro Viana) e Sofia Louro (da dupla feminina Morgana.Wicctofly).

E depois dos três dias? Ter-se-á lembrado a história ou até feito história? Animadores, jornalistas ou produtores nenhum faz prognósticos. Apenas reafirmam que os anos da Energia “foram os melhores tempos”. E isso bastou para que se dê nova vida, ainda que apenas por três dias, a esta nova “velha rádio” que, mais além desta celebração, continua a ser lembrada com páginas de fãs e espaços na Internet: saiu do ar faz duas décadas mas continua uma Energia renovável.

 

Via Público



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