Sábado, 17.09.11

Mais de 150 golfinhos residentes na região de Melbourne, na Austrália, foram agora identificados como sendo uma nova espécie.

 

 

Alguns dos golfinhos que vivem na costa de Melbourne, na Austrália, foram recentemente identificados como uma espécie até hoje desconhecida: os tursiops australis.

Mais de 150 golfinhos farão parte desta espécie, identificada por uma equipa de investigadores liderada por Kate Charlton-Robb, da Universidade Monash , através de testes de ADN e da análise de crânios de golfinhos que se encontravam na posse de vários museus.

Antes desta investigação ser realizada, pensava-se que os golfinhos da espécie tursiops australis, anteriormente desconhecida, pertenciam as outras duas espécies que também habitam nesta região da Austrália, os roaz-corvineiro (tursiops truncate) e os golfinho-nariz-de-garrafa-do-Índico (tursiops aduncus).

Espécie tursiops australis deve ser protegida

 

De acordo com os autores do estudo, o reconhecimento formal de golfinhos tursiops australis, dos quais só se conhecem duas populações residents em Melbourne, é essencial para proteger a espécie e torna clara a necessidade de reunir esforços para a sua conservação

De acordo com Kate Charlton-Robb, em declarações à BBC, "é uma descoberta fascinante, porque só foram reconhecidas três espécies de golfinhos desde o século XIX. O que torna isto incrível é o facto destes golfinhos terem estado sempre aqui debaixo do nosso nariz".

As características da nova espécie identificada estão explicadas em pormenor num artigo científico da autoria da equipa que levou a cabo a investigação, disponível no site "PLoS One" .


Veja algumas fotos dos golfinhos da espécie tursiops australis:

 

 

 



Via Expresso



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Sexta-feira, 16.09.11
Uma representação do sistema estelar Kepler 16
Uma representação do sistema estelar Kepler 16 (NASA/JPL-Caltech)

 Pois é George Lucas, dois pores-do-sol seguidos deixaram de ser uma fantasia do planeta Tatooine, casa de Luke Skywalker, acontece mesmo em Kepler 16, um sistema com duas estrelas e um planeta que giram a cerca de 200 anos-luz de distância da Terra.

 

A descoberta foi feita graças ao Kepler, o telescópio espacial programado para detectar planetas fora do quintal do Sol. O investigador Laurance Doyle serviu-se dele para olhar para sistemas binários, ou seja, sistemas solares com duas estrelas. 

“A maioria dos astrofísicos suspeita que é possível a formação de planetas à volta de duas estrelas, mas esta é primeira detecção definitiva e inequívoca de um planeta circumbinário [que gira em torno de duas estrelas]”, disse o investigador num podcast da Science, a revista científica onde o estudo foi publicado nesta quinta-feira. Doyle é co-autor do artigo. juntamente com mais quase cinco dezenas de pessoas de várias instituições dos Estados Unidos. 

O cientista trabalha num instituto da SETI (procura de vida extraterrestre), na Califórnia, e desde que o Kepler foi enviado para o espaço, em 2009, tem estado a observar centenas de sistemas binários que estavam no campo de visão do telescópio, ou seja, num quadradinho do espaço que apanha as constelações de Balança e do Cisne.

O telescópio tem uma câmara do tipo grande angular que foi desenhada para detectar a luminosidade das estrelas com um detalhe fabuloso. Quando um planeta passa à frente do seu sol faz uma pequena sombra e a quantidade de luz que chega à Terra vinda da estrela diminui algumas fracções. O telescópio consegue detectar essa variação. 

No caso de duas estrelas a girar uma à volta de outra, a máquina detecta os eclipses. Foram estes eclipses que Laurance Doyle andou a observar. Mas com o Kepler 16 houve algo que despertou a atenção dos cientistas. 

“Via eclipses regulares, mas o meu olhar foi atraído para os eclipses extra que ocorriam fora de uma sequência e pensei ‘ou é um terceira estrela ou é um planeta’”, explicou Doyle. A equipa confirmou que existia um astro que passava à frente das duas estrelas, e criava eclipses diferentes. 

Depois, através da medição do tamanho das duas estrelas, do grau dos eclipses criados pelo terceiro objecto e da influência que este tem nas órbitas dos sóis, os cientistas concluíram que só podia ser um planeta. “Acredito que seja, até à data, o planeta fora do sistema solar que tem a massa e o raio melhor medidos”, disse. 

Apresenta-se então o Kepler 16. No centro de gravidade do sistema, nada, há duas estrelas e por isso nenhuma está no meio. A maior, com quase sete décimos do tamanho do Sol, é a que está mais próxima deste centro. A segunda estrela tem apenas um quinto do tamanho do Sol, é mais escura e menos quente. As duas estrelas têm um período de rotação de 41 dias e uma órbita excêntrica.

O planeta é grande, do tamanho de Saturno, é meio rochoso, meio gasoso, adianta o investigador. Tem uma órbita circular à volta dos sóis, com um período de 228 dias e tem uma temperatura média entre os 103 graus negativos e 70 graus negativos. 

“Tudo está alinhado de uma forma belíssima”, referiu Laurance Doyle, explicando que isso sustenta a ideia de que este planeta surgiu do mesmo disco estelar que criou os dois sóis e não foi puxado pela gravidade das estrelas, vindo de outro lado do espaço. “Mais uma vez, o que era ficção científica passou a ser realidade”, disse em comunicado Alan Boss, outro autor do artigo, e Tatooine passou a ser possível.

 

Via Público



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Sábado, 10.09.11
Satélite que vai cair na terra
Sem combustível, a Nasa não conseguirá encaminhar o UARS para o mar

 

A agência espacial norte-america, Nasa, reconheceu estar "preocupada" com a queda prevista para final de setembro e outubro, de um satélite com mais de 20 anos.

 

Os restos mortais do Upper Atmosphere Research Satellite (UARS) podem cair em qualquer lugar mas, segundo os cientistas, a possibilidade de atingirem alguém é de um para 3.200. Com efeito, parte do equipamento de 5.9 toneladas deverá desintegra-se ao entrar na atmosfera terrestre, onde não deverá chegar, pelas contas da Nasa, cerca de 544 quilos de metal.

 

Bem menos do que estação espacial russa Mir de 123 toneladas, que caiu na Terra em 2001 ou do Skylab (91 toneladas), atingindo a superfície terrestre em 1979. Em ambos os casos ninguém foi atingido.

Um para 10.000

"Desde o fim da corrida do espaço que re-entram regularmente na atmosfera objetos, sem que ninguém tenha sido atingido até à data", lembrou Gene Stansbery, da Nasa. "Isso não significa que não estejamos preocupados", acrescentou.

 

Atualmente, a Nasa tem uma regra, segundo a qual, a possibilidade de um satélite atingir alguém não poderá ser maior do que um para 10.000. Só que o UARS foi lançado em 1991, bem antes dessa regra ter sido adotada.

 

Este satélite, sem combustível desde 2005, foi lançado com o intuito de estudar as alterações climáticas, medindo a concentração de determinadas substâncias químicas na atmosfera.

 

"É muito cedo para dizer com rigor quando é que o UARS deverá re-entrar na atmosfera, e em que região deverá cair, mas a Nasa segue a situação de muito perto", rematou Gene Stansbery.

 


Via Expresso



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Terça-feira, 30.08.11
Próxima etapa da investigação será em Setembro
Próxima etapa da investigação será em Setembro (DR)

Nos jardins de “King’s Knot”, em Stirling Castle, na Escócia, foi encontrada uma fortaleza circular coberta com relva pelos arqueólogos da Universidade de Glasgow. Os investigadores suspeitam que por baixo daquele achado possa estar a Mesa Redonda do Rei Artur. Os jardins onde desde Maio estão a decorrer as investigações datam de 1620, embora se estime que a forma circular descoberta seja mais antiga.

 

O objectivo da investigação, que decorreu em conjunto com a Stirling Local History Society(SLHS) e a Stirling Field and Archaeological Society , é descobrir mais segredos sobre a história para além dos que já foram desvendados. A Mesa Redonda do Rei Artur era o local onde os cavaleiros se reuniam para debaterem os problemas de segurança do reino, mas ao contrário do que acontecia em outras reuniões da época, estes cavaleiros não se diferenciavam através de classes sociais. 

Esta não é a primeira vez que alguém tenta descobrir mais mistérios em torno da Mesa Redonda. Também Carlos I, no século XVII, tentou investigar mais segredos na mesma zona onde agora estão a decorrer as investigações. 

O historiador John Harrison, presidente da SLHS, revelou que “os arqueólogos estão a utilizar uma técnica de teledetecção geofísica e ao que parece localizaram uma vala circular por baixo de ‘King’s Knot’”, cita o jornal britânico The Daily Telegraph. Harrison que estudou o “King’s Knot” durante 20 anos acrescenta: “É um mistério que os documentos não podem resolver, mas a geofísica deu-nos novas perspectivas.” 

O coordenador do projecto, o arqueólogo Stephen Digney, defende que a área em torno do Stiling Castle “tem algumas das mais belas paisagens da Europa medieval”, e que por isso esta “investigação é um passo empolgante que conta com o esforço sério para explorar, explicar e interrogar”. 

Alguns escritores medievais fizeram referência ao local como sendo a principal localização para a famosa Mesa Redonda do Rei Artur. O poeta escocês John Basbour disse, em 1375, que a mesa redonda estava no sul de Stirling Castle, e em 1478, foi a vez de William de Worcester contar como é que o “Rei Artur manteve a Mesa Redonda em Stirling Castle”.

 

Via Público



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Sábado, 27.08.11

 

Descoberto planeta de diamante

 

Novo planeta encontra-se a uma distância de 4 mil anos-luz da Terra e tudo indica que é composto por diamante.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/descoberto-planeta-de-diamante=f670105#ixzz1WAQLUmzo
O novo planeta foi descoberto na Via Láctea por uma equipa internacional de astrónomos liderada por Matthew Bailes, professor na Universidade de Tecnologia de Swinburne , em Melbourne, Austrália. 

Localizado a uma distância de 4 mil anos-luz, tudo indica que o planeta é composto por carbono cristalino, ou seja, diamante, e pode vir a chamar-se Lucy.

Aproximadamente cinco vezes maior do que a Terra, o planeta orbita em torno da estrela de neutrões J1719-1438, num movimento de translação com a duração de duas horas e dez minutos.
 
Foi a monitorização da estrela J1719-1438, efetuada por telescópios instalados na Áustrália, Reino Unido e Havai, que permitiu aos astrónomos detetarem a existência deste novo planeta.

 

Planeta feito de diamante

O novo planeta descoberto é composto por uma forma alotrópica de carbono, identificada como diamante, mas a sua aparência real é ainda um mistério. Segundo Ben Stappers, da Universidade de Manchester, "não acredito que a imagem de um objeto muito brilhante seja o que vamos encontrar". 

O planeta descoberto tem aproximadamente a mesma massa que Júpiter, mas esta é 20 vezes mais densa. 

Para além do carbono identificado, é provável que o planeta também contenha oxigénio à superfície, mas a sua densidade sugere que elementos como o hidrogénio e o hélio, que fazem parte de planetas como Júpiter, não estão presentes.


Via Expresso



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Segunda-feira, 20.06.11
O aparelho voará a uma altitude de 32 quilómetros acima do nível do mar
O aparelho voará a uma altitude de 32 quilómetros acima do nível do mar (DR)

O projecto dá pelo nome de ZEHST (Zero Emisssion HyperSonic Transportation) e consiste num avião ultra-sónico de fabrico europeu que poderá ligar Paris a Tóquio em menos de duas horas e meia, em vez das 11 actuais. Mas só em 2050.

 

O projecto é da responsabilidade do consórcio europeu EADS - European Aeronautic Defence and Space Company, dono da fabricante europeia de aviões Airbus - e vai ser apresentado no Salão Aeronáutico Le Bourget que arranca amanhã nos arredores de Paris.

A EADS estima que estes voos poderão ter como clientes habituais donos de grandes multinacionais, adiantando que os preços dos bilhetes rondarão os 6000/8000 euros para um trajecto entre Paris e Nova Iorque - que se fará em hora e meia.

De acordo com o jornal “Le Parisien”, a maqueta do avião será apresentada amanhã (ver vídeo), bem como as características do aparelho. O avião será capaz de alcançar os 5000 quilómetros por hora, uma velocidade quatro vezes mais rápida que a velocidade do som. 

E a cereja no topo do bolo é que este aparelho promete fazer viagens intercontinentais com baixas emissões de gases contaminantes, graças à utilização de combustíveis biológicos.

Este novo aparelho será apresentado oito anos após o derradeiro voo do Concorde (26 de Novembro de 2003), o último aparelho comercial capaz de romper a barreira do som e que fazia a viagem Paris/Londres→Nova Iorque em menos de três horas e meia (em vez das tradicionais oito horas). 

O Concorde levava cerca de 120 passageiros a bordo, ao passo que este novo aparelho deverá transportar apenas entre 60 e 100 pessoas.

Este avião ultra-sónico de baixas emissões poderá converter-se no “standard das companhias aéreas em 2050”, disse o responsável de tecnologia e inovação da EADS, Jean Botti, ao diário “Le Parisien”.

O aparelho voará a uma altitude de 32 quilómetros acima do nível do mar. Esta particularidade permitir-lhe-á “não contaminar a capa atmosférica” e alcançar a velocidade de 5000 km/h, indicou ainda Botti.

O avião vai descolar de forma clássica graças a dois turbo-reactores alimentados com carburantes biológicos feitos a partir de algas marinhas. 

Uma vez alcançado o corredor dos cinco quilómetros acima do nível do mar, três motores propulsionados por uma mistura de hidrogénio e oxigénio entrarão em acção, ajudados por um reactor concebido a partir da tecnologia utilizada nos foguetões Ariane. 

Nessa altura o aparelho terá já uma velocidade 2,5 vezes superior à do som.

Quando finalmente o aparelho alcançar o corredor dos 32 quilómetros de altitude, entrarão em funcionamento os reactores que permitirão que o avião atinja os 5000 km/h, a sua velocidade de cruzeiro.

A aterragem acontecerá igualmente de forma clássica, impulsionada pelos turbo-reactores. 

O projecto terá de contar com financiamento europeu, no âmbito de um programa comunitário de redução da poluição.

O Salão Aeronáutico de Le Bourget terá ainda uma outra novidade, desta feita americana. O principal rival da Airbus, a Boeing, irá apresentar pela primeira vez fora do seu país o avião de transporte 747-8 alimentado exclusivamente a carburantes biológicos.





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Segunda-feira, 13.06.11
Eclipse total da Lua será visível esta quarta-feira
 
 

A Lua vai estar "escondida" quando nascer, esta quarta-feira, devido a um eclipse. Dos seis previstos para 2011, este será o único visível em Portugal.

 

Tanto no continente, como nas ilhas, este fenómeno pode ser observado ao nascer da Lua, ou seja, "quando nascer já vai estar totalmente eclipsada, por isso não vai ser vista", como explicou o presidente do Observatório de Lisboa.

 

"Com o Sol a desaparecer no outro horizonte, temos um céu azul claro ainda e o brilho da Lua vai ser tão fraco que ficará escamoteado pelo céu azul. Com o passar das horas, teremos um céu azulado a perder brilho, a ficar cada vez mais escuro, a Lua progride pelo céu, começa a sair do cone de sombra e começa a ver-se cada vez melhor, acrescentou Rui Agostinho.

 

O eclipse total da Lua é um fenómeno astronómico em que a Lua "mergulha" por completo na sombra da Terra. Isto acontece quando a Lua cheia passa nos nodos da sua órbita ou na proximidade.

 

Observatório de Lisboa convida a assistir ao eclipse


O Obsvervatório de Lisboa inicia uma acção pública, a partir das 20.30 horas, em que todos os interessados em astronomia são convidados a deslocar-se até às suas instalações e a levar os seus binóculos ou pequenos telescópios, já que o eclipse é visível.

 

O Observatório Astronómico de Lisboa previne, no entanto, que as actividades programadas para quarta-feira dependem de "bom tempo atmosférico, pelo que serão canceladas em caso de ocorrência de chuva, mau tempo ou céu totalmente nublado".

 

O nascimento da Lua em Lisboa será às 20.58 horas, no Funchal às 21.13 horas, na ilha de Santa Maria às 20.55 horas e na ilha das Flores às 21.27 horas, segundo uma informação do site do Observatório.

 

Via JN



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A tabela ordena os elementos químicos pelo número de protões de cada átomoA tabela ordena os elementos químicos pelo número de protões de cada átomo (DR)

 

Hidrogénio, hélio, lítio. Estes são os três primeiros elementos químicos da Tabela Periódica que foi prolongada esta semana pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (UIQPA) ao aceitar integrar mais dois elementos, o 114º e o 116º.

 

A Tabela Periódica dispõe os vários átomos que existem na natureza ao longo de linhas e colunas, consoante o número de protões de cada elemento. O hidrogénio tem um protão, o hélio tem dois, e assim por diante. Outra qualidade da tabela, é que os elementos da mesma coluna têm propriedades semelhantes. Os dois novos elementos, de nomes provisórios ununquadium e ununhexium, têm respectivamente 114 e 116 protões. 

Os átomos foram descobertos em 1999 e 2000 num trabalho conjunto entre o Instituto Comum de Investigação Nuclear de Dubna, perto de Moscovo, na Rússia, e o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, Estados Unidos.

A UIQPA demorou até aceitar integrar os novos elementos na tabela. O ununquadium e ununhexium não existem naturalmente na natureza, os cientistas produzem-nos no laboratório. O primeiro foi feito através da fusão entre o cálcio e o plutónio, e o segundo através do cálcio e o cúrio. Os dois elementos, quando são produzidos, decaem rapidamente para outros, por isso a união teve que se certificar de que de facto podiam ser considerados átomos novos.

O último elemento da Tabela Periódica que tinha sido adicionado antes foi o copernício, em 2009. O 112º elemento teve o nome em honra de Nicolau Copérnico, astrónomo polaco. À espera de serem integrados na tabela estão os elementos 113, 115 e 118.

 

Via Público



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Domingo, 12.06.11

Cimeiras do clima

Um modelo matemático desenvolvido por dois investigadores portugueses fornece pistas para obter a cooperação de todos contra o aquecimento global - e conseguir salvar o planeta.

 

A teoria dos jogos, como muitas outras áreas da matemática, utiliza por vezes expressões poéticas para nomear os objectos que estuda. Uma delas é a "tragédia dos comuns", que é como dizer o desastre final. Dá-se quando "num grupo de indivíduos que têm a possibilidade de contribuir - ou não - para o bem comum, ninguém contribui e acabam por perder todos", explica-nos Jorge Pacheco, matemático da Universidade do Minho. Com Francisco Santos, jovem físico da Universidade Nova de Lisboa, quiseram ver se seria possível evitar a "tragédia dos comuns" em matéria de alterações climáticas. Os seus resultados foram publicados online, ontem ao fim da tarde, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
"A cooperação tem um custo", explicou Jorge Pacheco numa conversa que o PÚBLICO teve com ambos os cientistas no Complexo Interdisciplinar da Universidade de Lisboa. Os impostos são um "exemplo flagrante" de tragédia dos comuns em potência: se ninguém quiser pagar o seu IRS, um país não pode funcionar.

A ideia de que as cimeiras do clima não servem para incitar os intervenientes a cooperar para salvar o planeta - e a nossa espécie - não é nova. "Copenhaga [em 2009] foi um fracasso", frisa Jorge Pacheco. O que é novo, dizem os cientistas, é que o seu modelo toma em conta, pela primeira vez nesta matéria, duas coisas: a evolução da atitude cooperativa das pessoas ao longo do tempo, em função do sucesso dos outros, e a percepção aguda do risco de haver uma catástrofe se nada for feito. (Matematicamente, esta percepção é definida como a probabilidade de que o planeta se salve sem ninguém fazer nada. Uma percepção elevada do risco é representada por um valor próximo de zero e uma fraca percepção por um valor próximo de 1). 

"Modelizamos uma população em que todos participam no mesmo jogo e vamos vendo, ao longo do tempo, quantas pessoas que no início não queriam cooperar mudam de ideias." Na gíria, chama-se a isto teoria dos jogos evolutiva. O "jogo", neste caso, consiste em decidir assinar ou não um acordo em que cada um se compromete a travar o aquecimento global.

Redes de interesses 
Num primeiro modelo, os cientistas consideraram um grupo único de cerca de 200 indivíduos, destinado a espelhar as cimeiras mundiais do clima, nas quais apenas participam representantes ao mais alto nível de cada país. O que acontece aqui é que, como o ganho é maior para quem não coopera (cooperar implica conversões tecnológicas e outros sacrifícios), cada indivíduo adopta uma posição egoísta - que conduz, inexoravelmente, à tragédia dos comuns. "Este resultado mantém-se mesmo quando a percepção do risco está lá", diz Jorge Pacheco. "As pessoas têm consciência de que vão morrer" e, no entanto, optam por não cooperar para o bem comum. "O nosso modelo mostra que as cimeiras do clima nunca vão resultar."

Num segundo modelo, distribuí-ram os indivíduos em grupos, ao acaso. E constataram que, quando a percepção do risco era elevada, a existência de grupos alterava radicalmente o desfecho. "A percepção do risco conduz a uma auto-organização espontânea da cooperação", salienta Francisco Santos. "Isso não é mágico", explica Jorge Pacheco. Quando a percepção do risco é forte, o custo de assinar, de cooperar, torna-se relativamente menor. E isso faz com que a maioria das pessoas acabe por cooperar, num processo de emulação, ao verem que os que cooperam têm, a prazo, um maior retorno. Mas a cooperação não é unânime: "Há sempre um conjunto de malandros", acrescenta Jorge Pacheco a rir. Mas o bem comum acaba por vencer o oportunismo de alguns "traidores".

"Uma caricatura"

 

Num terceiro modelo ainda, Jorge Pacheco e Francisco Santos criaram uma "rede social", um mecanismo de ligação preferencial, entre os diferentes grupos, "com um ingrediente muito particular, que era a presença de muitos grupos pequenos e de poucos grupos grandes". E desta vez constataram que, para uma mesma intensidade de percepção do risco, a cooperação surgia mais facilmente em presença de uma rede do que na sua ausência. "As redes de interesses - diz Francisco Santos - introduzem diversidade no jogo e abrem um novo caminho para a cooperação."

Os dois cientistas admitem que o seu modelo é um pouco uma "caricatura", uma vez que as decisões reais das pessoas reais no mundo real são muito mais complexas. Mas, mesmo assim, o seu trabalho fornece pistas que podem ajudar a determinar "a que nível devem ser discutidos os problemas climáticos", diz Francisco Santos. 

"Para maximizar a cooperação - diz Jorge Pacheco -, os grupos têm de ser pequenos em relação ao tamanho da população global, a percepção do risco alta e o custo da cooperação razoável". Por isso, propõem que a discussão em matéria de alterações climáticas "seja feita ao nível regional" e não mundial. Mesmo o Norte e o Sul de um mesmo país podem ter interesses diferentes em termos energéticos, com uma região a querer privilegiar a energia eólica e a outra energia solar, por exemplo, em função dos seus recursos naturais. "À escala regional, é possível gerar uma diversidade natural" e fomentar, também, a cooperação com outras regiões que tenham os mesmos interesses através de redes de afinidades. Claro que o facto de haver alguns grupos grandes, muito influentes, também pode ser benéfico; os grandes grupos que conseguem cooperar para o bem comum desempenham um papel crucial. "Se Obama disser que temos de fazer qualquer coisa para salvar o planeta, isso vai gerar um efeito bola de neve."

 

Via Público



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Sexta-feira, 25.03.11
Os cientistas vão continuar a investigar novas substâncias que influenciam o crescimento do cancro

 

 
Os cientistas vão continuar a investigar novas substâncias que influenciam o crescimento do cancro 

O LRP1B não desaparece das células cancerosas, mas é como se o fizesse. Em 2010, uma equipa de Cambridge descobriu que o gene estava entre os dez genes mais bloqueados em 3312 cancros. “Verificámos que nos tumores da tiróide havia uma repressão significativa deste gene”, disse Hugo Prazeres ao PÚBLICO, primeiro autor do artigo, que trabalha no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto. O estudo foi liderado por Paula Soares.

A proteína é especialmente activa nas células da tiróide e do tecido nervoso, mas também aparece silenciada no cancro colo-rectal, do pulmão, da bexiga e noutros. Os cientistas descobriram que este bloqueio acontece de três formas. O gene pode ser mutado e não originar uma proteína normal, podem ligar-se pequenas moléculas que emaranham o ADN e impedem a maquinaria celular de iniciar a produção da proteína e o processo pode ainda ficar bloqueado depois de a maquinaria ter produzido o ARN – a molécula que codifica os aminoácidos que juntos formam a proteína.

“Investigámos o que é que acontecia se introduzíssemos o gene funcional LRP1B em tumores, uma das coisas mais importantes foi a repressão da invasão”, disse o cientista. A equipa conseguiu travar o crescimento tanto em células in vitro como em modelos animais. O passo seguinte foi compreender qual a função desta proteína membranar. 

“A molécula faz parte da família de receptores de lipoproteínas que conhecemos melhor por internalizarem o colesterol para dentro das células”, explicou o investigador. Ou seja esta proteína membranar “retira moléculas solúveis do ambiente extracelular para o interior da célula”. 

As substâncias solúveis ligam-se a várias proteínas LRP1B. Depois, o pedaço de membrana celular que tem as proteínas, com ajuda da maquinaria celular, é puxado para dentro da célula, transformando-se numa vesícula redonda.

A equipa do IPATIMUP descobriu que, neste caso, a substância retirada pela proteína membranar do espaço extracelular é a MMP2, uma enzima conhecida por degradar a matriz que une as células. Na mulher o gene da MMP2 é expresso em altos níveis no útero e é activado pela menstruação. “A degradação do endométrio é mediada por esta enzima”, disse Prazeres, exemplificando uma das utilidades desta proteína.

Quando as células cancerosas inibem a produção da proteína membranar LRP1B, que normalmente recolhe a enzima MMP2 do ambiente fora da célula, a enzima continua lá, a degradar a matriz extracelular, “o que permite arranjar espaço para as células tumorais crescerem”. O que faz com que o tumor possa evoluir. 

A equipa está a investigar outras substâncias do meio extracelular que como o MMP2 podem ajudar à propragação dos tumores. Terapias que controlem o cancro manipulando este meio não têm a desvantagem de ser ultrapassadas se as células cancerosas ganharem resistência, como acontece nas terapias tradicionais. “O LRP1B surge neste estudo como uma possível ferramenta terapêutica”, disse Prazeres.

 

Via Público



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Sexta-feira, 11.03.11
Picada de aranha poderá substituir Viagra até quatro horas
 
Veneno da Aranha-Armadeira, comum no Brasil, contém toxinas que provocam priapismo nos homens, ou seja, depois de picados podem ter erecções que duram até quatro horas.
 
A notícia foi publicada no Journal of Sexual Medicine e relata as descobertas de um grupo de investigadores do Medical College (Estados Unidos) sobre os efeitos da picada da Aranha-Armadeira, que vive na América do Sul. Um deles é uma erecção que dura até quatro horas e que poderá ser uma boa notícia para aqueles que, como os hipertensos, estejam impedidos de usar o Viagra, o famoso comprimido azul que agitou a humanidade. O teste foi feito com ratos e o resultado foi imediato, não prejudicando os pequenos animais que sofriam de hipertensão.
 


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Quinta-feira, 10.03.11

 

Como o pénis perdeu as espinhas e o que mudou por isso

 

O que faz com que os seres humanos tenham um aspecto distinto, tão facilmente identificável por outro ser humano? O segredo, estão os cientistas a descobrir, está na regulação da actividade dos genes, tal como um cozinheiro põe mais ou menos pimenta. Hoje, uma equipa relata na revistaNature ter identificado centenas de eventos moleculares com impacto na evolução humana. Entre eles, o que fez com que desaparecessem as espinhas queratinosas do pénis nos humanos.

 

 

A equipa de Gill Bejerano e David Kingsley, da Universidade de Stanford (EUA) beneficiou da última década de avanços da sequenciação genómica, que oferece já um leque vasto de espécies cujos genomas podem ser comparados. “A tecnologia permite-nos comparar os genomas de humanos e outros mamíferos e procurar o que nos torna únicos”, comentou Philip Reno, da Universidade da Pensilvânia, um dos autores do trabalho, citado num comunicado. “E podemos relacionar essa informação com características físicas humanas específicas.”

Usando a genómica comparativa, a equipa identificou 510 sequências genéticas muito conservadas em todas as espécies de mamíferos, inclusivamente nos chimpanzés (os nossos parentes mais próximos), mas que estão ausentes no genoma humano. São sequências de ADN que, se forem encaradas como palavras, escrevem instruções regulatórias, que influenciam a actividade dos genes.

Uma dessas sequências fica perto do gene que codifica a produção de um receptor de androgénios. A sua ausência leva à perda das pequenas espinhas queratinosas no pénis, que têm muitos outros mamíferos (como os chimpanzés e gorilas). Essa deleção pode ter tido consequências importantes para os humanos, em termos evolutivos: uma “morfologia simplificada do pénis tende a ser associada com estratégias reprodutivas monógamas nos primatas”, escrevem os cientistas na Nature.

Esta característica será uma coisa tipicamente humana: “Temos as sequências genéticas de três Neandertais, e não têm este receptor”, sublinha Reno. Esta diferença genética terá então surgido há sete milhões de anos, quando o nosso ramo evolutivo se separou dos chimpanzés, favorecendo actos sexuais mais longos, em vez de rápidos, como os dos chimpanzés.

Outra sequência reguladora de ADN que não existe nos seres humanos localiza-se perto de um gene supressor dos tumores no cérebro. "Durante o desenvolvimento dos mamíferos, morrem muitos neurónios, quando se está a desenvolver o cérebro. A ausência desta sequência nos seres humanos atenua a actividade deste gene, que leva à morte morte celular. Isto ajuda à formação de cérebros maiores", diz Reno.

 

Via Público



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Sexta-feira, 25.02.11

Criado computador que cabe na ponta de uma caneta

 

Uma equipa de investigadores da Universidade de Michigan anunciou ter criado um micro-computador que cabe em locais tão pequenos como a ponta de uma caneta

A primeira utilização deste sistema de computação milimétrico será efectuada em ambiente médico, uma vez que o mesmo foi projecto com o objectivo de monitorizar a pressão ocular em doentes com glaucoma.

O protótipo, que tem o nome de Phoenix, é pouco maior do que um milímetro cúbico e tem no seu interior um microprocessador de baixa potência, um sensor de pressão, memória, uma bateria ultra-fina, um célula solar e um rádio wireless com uma antena para poder transmitir dados para um dispositivo externo.

Dennis Sylvester, professor da Universidade de Michigan e um dos investigadores envolvidos no projecto, referiu em comunicado que este micro-computador poderá ser aplicado a outras áreas, como a monitorização da poluição, de estruturas ou a fiscalização de determinadas situações. Para o investigador este é um trabalho«único porque se trata de sistemas completos em que todos os componentes são de baixa potência e estão encaixados num chip».

 

Via Sol



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Terça-feira, 15.02.11

Homens toleram melhor se forem traídos com outra

 

Um estudo da Universidade do Texas revela que os homens tendem a tolerar melhor a infidelidade da namorada quando esta é cometida com outra mulher. Já estas não querem nem pensar em serem traídas com outro homem.

 

O estudo, publicado num jornal científico de psicologia evolutiva, dá conta que 50% dos homens não terminaria uma relação pelo facto da namorada dormir com outra mulher. Um valor muito superior ao obtido quando os inquiridos foram questionados sobre uma hipotética traição da sua companheira com outro homem: apenas 22% perdoaria tal acto.

 

Já as mulheres não se mostram mais tolerantes com a infidelidade homossexual. Apenas 21% perdoaria a traição do seu namorado com outro homem, um valor inferior aos 28% de inquiridas que perdoariam o seu companheiro por uma eventual traição com outra mulher.

 

Os autores do inquérito afirmam que, ao passo que os homens se sentem instintivamente ameaçados com o relacionamento de outro homem com a sua companheira, o envolvimento com outra mulher é antes visto como uma oportunidade para o homem manter relações sexuais com mais uma parceira.

 

No entanto, os investigadores norte-americanos sublinham que nem a infidelidade homossexual, nem a tão fantasiada 'ménage à trois' são cenários comuns.

 

Via SOL



publicado por olhar para o mundo às 23:27 | link do post | comentar

Quarta-feira, 09.02.11

Investigadores portugueses e o método para datar árvores

 

As oliveiras antigas, basta terem mais de 150 anos, ficam com o tronco oco. Sem a parte mais antiga para contar os anéis de crescimento ou fazer uma datação com carbono 14, André Soares dos Reis, proprietário de uma empresa que vende oliveiras ornamentais, estava a ver-se confrontado com um problema: como garantir aos clientes a idade das oliveiras antigas?

Bateu a várias portas, todos lhe diziam que isso era impossível. Não desistiu e, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) encontrou quem aceitasse o desafio de desenvolver um método de datação de árvores antigas.

Também o engenheiro florestal José Luís Louzada, da UTAD, começou por dar uma resposta negativa a André Soares dos Reis, proprietário da empresa Oliveiras Milenares, no Vimieiro, perto de Arraiolos. Mas a insistência do empresário foi tal que José Luís Louzada acabou por lhe dizer: "Neste momento, não há desenvolvido nenhum método, a não ser que estudemos o problema para ver se conseguimos arranjar um método alternativo. Está disposto a pagar, podendo nunca chegar-se a bons resultados?"

Entre 2007 e 2008, e pagas "algumas dezenas de milhares de euros" pelo empresário, diz José Luís Louzada, estava desenvolvido um método e as oliveiras puderam passar a ter um certificado oficial a atestar a idade. 

Como é que o investigador, com outros colegas da UTAD, resolveu o problema dos troncos ocos? "Já que não podíamos contar os anéis ou fazer a datação por carbono 14, fomos encontrar um modelo matemático que relacionasse a dimensão da árvore com a idade. Mas precisávamos de saber quanto tempo esta espécie demora a atingir determinada dimensão."

Para tal, a equipa teve de estudar os padrões de crescimento da oliveira, no clima português, e usou uma abordagem que faz lembrar as matrioskas, as bonecas russas que vão saindo umas de dentro das outras, na questão dos troncos ocos. "Partimos progressivamente de árvores maiores para mais pequenas, que tinham a parte central do tronco intacta, para estudar o crescimento desta espécie. Nessas árvores, já podíamos contar os anéis e sabíamos a sua forma e dimensão."

Com esses dados, fez-se um modelo matemático, que relaciona a idade, para esta espécie, em condições mediterrânicas, com características do tronco como o perímetro e o raio. Ficou então a saber quantos anos têm de passar até uma oliveira atingir certa dimensão. "Depois de termos esta função, sabe-se a idade de qualquer árvore. Basta medi-la e introduzir os dados num programa de computador."

Datação até três mil anos

Em rigor, a equipa desenvolveu mais do que um modelo matemático. Um deles é para árvores com 500 a 600 anos, com uma margem de erro de cerca de um por cento. A partir daí, não funciona bem, pelo que se aplica outro modelo, com dois por cento de margem de erro: "Numa árvore com mil e tal anos, são mais ou menos 20 anos de erro, o que não é nada. Até três mil anos, este modelo funciona bem", diz José Luís Louzada. 

Para validar o método, dataram-se com carbono 14 algumas árvores com o tronco intacto, no Instituto Tecnológico e Nuclear, em Sacavém.

O método permite ainda datar oliveiras novas sem lhes causar danos. Pelos métodos tradicionais, para aceder à parte central, a zona mais velha, formada nos primeiros anos de vida, ou corta-se a árvore ou retira-se um cilindro de madeira com uma broca.

"Desenvolvemos de raiz uma metodologia que permite datar árvores por um processo rápido, não destrutivo, que não provoca qualquer lesão e, talvez o aspecto mais importante, é exequível em árvores ocas", resume José Luís Louzada. "A nível mundial, não existia qualquer método de datação de árvores antigas que satisfizesse todos estes requisitos, o que revela o seu carácter inovador."

Por causa disso, André Soares dos Reis quis proteger o método com uma patente, em partes iguais entre o empresário e a UTAD, para que a concorrência não certifique a idade de árvores velhas. No final de 2008, o pedido deu entrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Passados os dois anos em que teve de ficar pendente, verificando-se se há patentes iguais, a patente deve estar a sair em breve, diz José Luís Louzada. "A patente é do método em si. Neste momento, é para oliveiras, mas pode ser aferido para diferentes espécies."

A ideia é estender o registo de patente à União Europeia, até porque é para Espanha, França e Alemanha que André Soares dos Reis mais exporta oliveiras. Seguem agora acompanhadas por um certificado da UTAD. "Este é um bom exemplo da aplicação e transferência directa da investigação para o mercado", diz Louzada.

A empresa de André Soares dos Reis certifica igualmente a idade de oliveiras vendidas por outras empresas. Ou, como sucedeu agora, o empresário ofereceu ao Convento do Espinheiro, em Évora, a datação da oliveira no seu jardim. Tem 1098 anos, e o certificado é entregue a 19 de Fevereiro. 

Mesmo com tal idade, é uma jovem ao lado de uma oliveira do aldeamento turístico de Pedras d"el Rei, perto de Tavira, classificada como árvore de interesse público em 1984. Pelo método do carbono 14 - embora não se saiba quem fez a datação ou que parte da árvore, oca, foi testada -, terá 2016 anos. "Pelo nosso método", diz José Luís Louzada, "a oliveira de Pedras d"el Rei tem 2210 anos".

 

Via Público



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Segunda-feira, 07.02.11

 

O quilo está a perder peso

 

Ao contrário do que acontece com tantos de nós, o quilo está a perder peso com a idade. Não é coisa que afecte a vida do dia-a-dia, mas os cientistas procuram agora uma forma de encontrar uma unidade de massa que seja o mais estável possível perante a passagem do tempo.

 

 

Parece evidente, mas deu muito trabalho. O mundo funciona com unidades de medida padronizadas e, de tão habituados que estamos a elas, até nos esquecemos que não são entidades absolutas. Na verdade, para que um metro ou um segundo queiram dizer o mesmo em Portugal ou na Nova Zelândia, foi preciso padronizá-los. Não é um mundo fácil, este da metrologia, principalmente quando se descobre que, como acontece actualmente, uma dessas medidas está a ficar "fora de prazo". E é o que se passa com o quilograma.

O quilograma tem como protótipo internacional um cilindro de platina e irídio de 39mm de altura e outro tanto de diâmetro, que se mostrou mais "leve" nas últimas pesagens - ou seja, perdeu massa durante os seus122 anos de existência. Trata-se de um valor residual - cerca de 0,00005 gramas, sensivelmente o peso de um grão de areia. Dos pequenos.

"Não tem quaisquer implicações na vida das pessoas, mas o que se procura é um valor imutável, ligado às constantes fundamentais da física, como já foi feito com outras unidades de medida", explica ao P2 Eduarda Filipe, directora da Unidade de Metrologia Aplicada do Instituto Português da Qualidade (IPQ). É aqui que está guardada a cópia mundial n.º 10 do quilograma e deverá ser esta engenheira a representante portuguesa na próxima reunião internacional onde o tema será tratado.

"O objectivo da redefinição não é encontrar o conceito mais simples possível, mas sim padronizar uma unidade de massa que seja o mais estável possível perante a passagem do tempo", explica ao jornal espanhol Publico o físico John Stock, do Laboratório Internacional de Pesos e Medidas de Sèvres, França, onde está conservado o protótipo internacional do quilograma.

Não antes de 2015

E é aqui que as coisas se começam a complicar. Há duas propostas para padronizar o quilograma, uma utilizando a constante de Planck, outra a constante de Avogadro. O problema é que, sendo constantes da natureza, nem assim atingem valores iguais - mais uma vez, as diferenças são infinitesimais, mas o rigor científico exige que se prossigam os trabalhos para resolver este problema. Não é expectável que o quilograma seja repadronizado antes de 2015.

Estes trabalhos são "muito caros", admite Eduarda Filipe, o que justifica que Portugal, apesar de acompanhar o processo, não esteja directamente envolvido. Laboratórios na Alemanha, Canadá, EUA, França, Inglaterra, Japão e Suíça assumiram essa missão, informa uma nota do IPQ.

É bom sabermos que o assunto está nas mãos de quem sabe, porque as noções envolvidas são de uma complexidade desafiadora. Os documentos de trabalho da Conferência Mundial de Pesos e Medidas (CGPM na sigla em francês), cuja próxima reunião será em Outubro, dão prioridade à constante de Planck na missão de padronizar o quilograma. Esta exprime-se na fórmula 6.626 06X x10-34 joules por segundo (e o "X" maiúsculo corresponde ainda ao grau de incerteza que os estudos actuais tentam superar). 

Já a constante de Avogadro NA é 6.022 14X x1023 mol-1 e também aqui há ainda um "X" para aperfeiçoar. Por enquanto, as duas constantes (a primeira estabelece as bases da física quântica, enquanto a segunda permite calcular o número de átomos de um gás em função do seu volume), quando aplicadas ao quilograma, são discrepantes em 0,00000017g, adiantou ao Publico a física Estefania de Mirandés, que também trabalha em Sèvres. 

Se gosta de desafios, fique a saber que há ainda outras duas propostas (também elas verdadeiras locomotivazinhas de comboios de números...) para padronizar o quilo. São elas a da massa do electrão e a da carga elementar. 

Agora, resta os cientistas aprimorarem os seus cálculos até alcançarem uma plataforma de entendimento universal que possa ser aceite por toda a gente. É uma tarefa que também está a ser equacionada para outras das unidades de medida do Sistema Internacional de Unidades (ver texto nestas páginas), uma convenção já adoptada oficialmente por todos os países do mundo excepto três: a Birmânia, a Libéria e os... EUA. O quilo é o único destes padrões globais que se baseia num objecto concreto. Mas, apesar das suas ligeiras oscilações, uma coisa é certa: enquanto esperamos pela nova definição, se nos sentirmos enganados no talho, a culpa não será da unidade de medida...

 

Via Público



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