Segunda-feira, 28.05.12
Michael Haneke segura a Palma de Ouro com a actriz Emmanuelle Riva (à esquerda) e Jean-Louis Trintignan (à direita)Michael Haneke segura a Palma de Ouro com a actriz Emmanuelle Riva (à esquerda) e Jean-Louis Trintignan (à direita) (Valery Hache/AFP)
Amour, do austríaco Michael Haneke, é o vencedor da Palma de Ouro do Festival de cinema mais importante do mundo. É a segunda Palma de Ouro para o realizador de A Pianista, depois de O Laço Branco em 2009.

Depois de em 2011 o prémio máximo do Festival de Cannes ter sido entregue a A Árvore da Vida, de Terrence Malick, o júri 2012, sob a batuta do realizador italiano Nanni Moretti, premiou um filme que acompanha os últimos meses de um casal idoso interpretado por Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant.

Amour, de Michael Haneke, era o filme favorito da maior parte da imprensa presente no Festival de Cannes 2012, edição que muitos dizem ter sido a melhor em muitos anos. Nanni Moretti, presidente do júri, podia perfeitamente assestar os holofotes noutro filme.

Na volta, Amour foi o vencedor da cerimónia de encerramento que teve lugar ao fim da tarde de domingo sob chuva torrencial em Cannes, valendo ao realizador austríaco a sua segunda Palma de Ouro após O Laço Branco em 2009. 

O júri fez questão de assinalar, ao entregar o prémio, o trabalho fundamental dos seus actores, Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, dois veteranos do cinema francês convocados para interpretar um casal idoso confrontado com a doença terminal da esposa. (Trintignant aceitou interromper o seu “auto-exílio” dos écrãs para entrar no filme, e Haneke disse que se ele tivesse recusado o filme não se faria.) 

Mesmo que Amour fosse um vencedor “anunciado”, o restante palmarés trouxe confirmações e surpresas. Confirmou o dinamarquês Mads Mikkelsen, que já foi vilão de James Bond (em Casino Royale), favorito para melhor actor em The Hunt de Thomas Vinterberg. 

O novo filme do romeno Cristian Mungiu (Palma de Ouro por 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias), no geral bem recebido, foi o único filme a “repetir” no palmarés, com os prémios de melhor argumento e melhor actriz, este entregue ex-aequo a Cosmina Stratan e Cristina Flutur. 

E The Angel's Share, comédia do veterano inglês Ken Loach (Palma de Ouro por Brisa de Mudança) sobre desempregados de Edimburgo e uma golpada com whiskies, gerou bastante entusiasmo na Croisette. O júri de Moretti deu-lhe o Prémio do Júri com Loach a enviar nos agradecimentos os seus votos de solidariedade para com os resistentes europeus à austeridade económica. 

O júri surpreendeu, contudo, ao dar o Grande Prémio – o segundo mais importante do certame – a Reality, onde o italiano Matteo Garrone, realizador de Gomorra, lança um olhar sobre a cultura dos reality-shows televisivos. Reality foi um dos filmes menos unânimes da competição, tal como Post Tenebras Lux do mexicano Carlos Reygadas, que recebeu o prémio de realização. 

Reygadas, ao receber o prémio, não resistiu ironicamente a agradecer à imprensa que “tanto o tinha apoiado”, e Nanni Moretti, na conferência de imprensa após a cerimónia de encerramento, confessou que esse fora um de três filmes que dividiram abertamente o júri. Dos três, foi o único a entrar no palmarés: os outros dois, Paradise: Love, do austríaco Ulrich Seidl, e Holy Motors, o regresso do enfant terrible francês Léos Carax, ficaram de fora. Este último foi o evidente “caso” do festival, “o” filme de que toda a gente falava entre duas projecções, o que justificou alguma indignação junto dos seus muitos apoiantes pela sua ausência do palmarés. 

O palmarés da 65ª edição do festival completa-se com a Câmara de Ouro, prémio atribuído ao melhor primeiro filme no conjunto das secções competitivas, ao americano Beasts of the Southern Wild de Benh Zeitlin, já vencedor de Sundance 2012. A Palma de Ouro da Curta-Metragem coube a Sessiz-be Deng, do turco Rezan Yesilbas. 

Nas secções paralelas, foi a América Latina que saiu vitoriosa: a Quinzena dos Realizadores entregou o seu prémio principal a No, do chileno Pablo Larraín, e Un Certain Regard premiou Después de Lucía, do mexicano Michel Franco.

Palma de Ouro: Amour, de Michael Haneke

Grande Prémio do Júri: Reality, de Matteo Garrone

Prémio do Júri: The Angel's Share, de Ken Loach

Prémio de Realização: Carlos Reygadas, Post Tenebras Lux

Prémio de Interpretação Masculina: Mads Mikkelsen, The HuntPrémio de Interpretação Feminina: Cristina Flutur e Cosmina Stratan, Beyond the Hills

Prémio de Argumento: Beyond the Hills, de Cristian Mungiu

Câmara de Ouro (Melhor Primeiro Filme): Beasts of the Southern Wild, de Benh Zeitlin

Quinzena dos Realizadores: No, de Pablo Larraín

Un Certain Regard: Después de Lucía, de Michel Franco

 

Retirado do Público



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Segunda-feira, 23.05.11
"A Árvore da Vida", Palma de Ouro da edição de Cannes deste ano, estreia esta quinta-feira"A Árvore da Vida", Palma de Ouro da edição de Cannes deste ano, estreia esta quinta-feira (DR)

Portugal não vai passar ao lado da 64ª edição do Festival de Cannes, que terminou este domingo, e por isso alguns dos filmes premiados e outros que estavam em competição já têm estreia assegurada nos cinemas portugueses. A Palma de Ouro de 2011, que foi entregue a Terrence Malick por “A Árvore da Vida”, chega às salas na quinta-feira.

 

A estreia do filme, protagonizado por Brad Pitt e Sean Penn e que retrata a história de uma família americana dos anos 1950 liderada por um pai autoritário e obcecado com a educação dos três filhos, já estava garantida pela Zon Lusomundo, ainda antes de Malick ter sido distinguido com o prémio máximo do Festival de Cannes. 

“A Árvore da Vida”, o quinto filme do realizador norte-americano em 38 anos de carreira, gerou alguma controvérsia em Cannes, não tendo reunido o consenso entre os críticos de cinema presentes. 

Como já se esperava, Malick não apareceu na cerimónia de entrega dos prémios para receber a Palma de Ouro, depois de também já ter falhado a conferência de imprensa de promoção do filme.

“Le Gamin au vélo”, dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, e “Once upon a time in Anatolia”, do realizador turco Nuri Bilge Ceylan, que conquistaram em ex-aequo o Grande Prémio do Júri também vão estar em exibição nos cinemas portugueses. Embora a distribuidora Clap Filmes, também responsável pela estreia de “Melancholia”, de Lars von Tier, que valeu a Kirsten Dunst o prémio em Cannes de melhor actriz, e “Elena”, do realizador russo Andrei Zvyagintsev, distinguido com prémio especial do júri na secção “Un Certain Regard”, ainda não tenha divulgado as datas em que os filmes vão chegar às salas.

A Clap Filmes assegura ainda a estreia em Portugal de outras obras que marcaram a edição deste ano do Festival de Cannes. “L’Apollonide: Souvenirs de la Maison Close”, de Bertrand Bonello, sobre o quotidiano de um bordel parisiense no final do século XIX, e “Pater”, realizado por Alain Cavalier, que também co-protagoniza esta obra singular com o actor Vincent Lindon, fizeram ambos parte da Competição Oficial do certame.

“Hors Satan”, de Bruno Dumont, e “Les Neiges Du Kilimandjaro”, de Robert Guédiguian, que integraram a secção “Un Certain Regard” têm igualmente estreia assegurada através da mesma distribuidora, assim como o filme que abriu a Semana da Círitca, “La Guerre est déclarée”, da actriz e realizadora Valérie Donzelli.

Entretanto, também a Midas Filmes assegurou a estreia de quatro filmes presentes em Cannes. O filme "Le Havre", do realizador Aki Kaurismäki, que venceu o prémio Fipresci, da crítica internacional, no festival de Cannes, tem estreia assegurada mas ainda não existe uma data prevista.

A 13 de Outubro, estreará o também premiado em Cannes, "Poliss", da francesa Maïwenn, que venceu o Prémio do Júri. 

"Habemus Papam", do italiano Nanni Moretti, vai estar em exibição ainda este ano, a 24 de Novembro, e o filme "7 Days in Havana", projecto composto por sete segmentos realizados por Benicio del Toro, Pablo Trapero, Elia Suleiman, Julio Medem, Gaspar Nóe, Juan Carlos Tabio e Laurent Cantet, ainda não tem data marcada.

 

Via Público



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