Pelo menos 73 pessoas terão morrido durante uma invasão de campo num jogo de futebol em Port Said, no Egipto, diz a televisão estatal do país.
Adeptos das duas equipas envolveram-se em violentos confrontos após uma invasão de campo durante um jogo entre as equipas do A-Masry e do A-Ahly, equipa que é treinada pelo português Manuel José.
Ainda segundo a televisão estatal, os confrontos provocaram centenas de feridos.“Alguns morreram esmagados, outros morreram sufocados”, disse o porta-voz do hospital de Port Said.
“Quando o jogo terminou, não consegui voltar ao balneário por causa da confusão toda que aquilo deu. Levei pontapés, murros, meteram-me numa sala e nunca mais consegui voltar à cabina. Trouxeram-me para um quartel, estou à espera que os jogadores venham. Os nossos adeptos chegaram a entrar para a nossa cabine. A culpa é dos soldados, havia dezenas deles e polícias também. Desapareceram todos, está o caos completo”, afirmou Manuel José à SIC Notícias.
As imagens televisivas mostram os jogadores das duas equipas a fugir da multidão que invadia o relvado. Segundo um dos jogadores, as forças de segurança não agiram no momento da invasão. “As forças de segurança abandonaram-nos. Um adepto morreu no nosso balneário”, afirmou Mohamed Abou-Treika, médio do Al-Ahly, a maior equipa do Egipto, que perdeu o jogo por 3-1, a sua primeira derrota do campeonato.
Segundo a televisão estatal, a federação egípcia de futebol decidiu interromper os jogos da liga egípcia.
Via Público
Muitos egípcios – e analistas – temem que a saída de Mubarak apenas tire de cena a figura principal de um regime até então sustentado por dois pilares, o Exército e os empresários que dominavam a economia.
O líder do Conselho Superior das Forças Armadas é Mohamed Tantawi, que ocupou nos últimos 20 anos o cargo de ministro da Defesa e que era visto como próximo de Mubarak. Na remodelação apressada que o antigo Presidente fez tentado responder aos protestos, Tantawi foi até promovido a vice-primeiro-ministro (mas agora terá sido próprio Tantawi uma figura essencial na decisão de afastar Mubarak).
Este governo manter-se-á, entretanto, em funções para tratar dos “assuntos correntes”, segundo uma comunicação lida na televisão por um alto responsável militar.
Enquanto isso, activistas pró-democracia já lançaram um comunicado com exigências à nova autoridade. Pedem a dissolução deste Governo e a suspensão do Parlamento que saiu das eleições de Novembro, marcadas por graves irregularidades. Querem ainda uma autoridade provisória constituída por quatro civis e um militar, que prepare uma eleição para daqui a nove meses.
Neste espaço de tempo, pedem, deve ser elaborada uma nova Constituição, deve haver liberdade dos media e dos sindicatos, e possibilidade de formar partidos políticos. E os tribunais militares e de emergência (que têm servido para julgar dissidentes sob capa da ameaça à segurança nacional) devem ser abolidos.
A vassoura é uma arma
Na ressaca da festa, muitos dos que pediram mudança na praça Tahrir voltaram ao local. Exaustos, mas felizes, demoraram um pouco a ler jornais, e ajudaram na limpeza. Uma menina varria a rua com uma vassoura quase da sua altura. “A nova arma é a vassoura”, brincava no Twitter o ciberactivista conhecido como SandMonkey.
Algumas tarefas eram distribuídas através da rede de microblogging: “Pessoal, quem ainda estiver a ir para Tahrir: precisamos de tinta branca e rolos! Estamos a pintar e reconstruir pavimentos” – uma parte destes foi destruída quando na violência do auge dos protestos os manifestantes partiram os pavimentos para obter pedras para usar contra as forças policiais que as atacavam.
Na praça ainda havia muitos sinais dos 18 dias de acampamento de muitos manifestantes que não arredaram pé até Mubarak sair, como um monte quase piramidal de cobertores coloridos.
As operações de limpeza misturavam-se com festejos. Manifestantes e soldados, que tinham passado estes dias numa convivência de quase neutralidade, abraçavam-se e limpavam, uns retirando lixo, outros o arame farpado.
As pessoas ainda se abraçavam, ainda se beijavam, ainda cantavam, ainda agitavam bandeiras do Egipto. Muitos não dormiram: No Twitter alguém perguntava a Wael Ghonim, o executivo da Google que se tornou a face dos jovens-do-Facebook que marcaram os protestos, quando é que ele dormia: “Quando não estou tão entusiasmado”, respondeu Wael Ghonim, antes de twitar: “Bom dia Egipto! Senti a tua falta nos últimos 30 anos!”
Via Público

O opositor egípcio e Prémio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei previu hoje que o Egito "vai explodir" e apelou à intervenção do Exército para "salvar o país".
Numa mensagem colocada no Twitter, pouco tempo depois de terem terminado as intervenções deHosni Mubarak e Omar Suleiman, prevê uma catarse para os próximos dias. A frase Tem menos de 140 caracteres: "O Egipto vai explodir. O exército tem de salvar o país agora".
Em entrevista à CNN, ElBaradei diz que "devemos estar muito precupados" com a situação no país porque "as pessoas estão muito zangadas".
O Nobel da paz está no Egipto e interroga-se sobre o alcance do anúncio desta noite. "Como é que se pode ser presidente sem poder?", diz perante a anunciada delegação de poderes ao número dois. "Eles [Mubarak e Suleiman] têm de demitir-se. As pessoas perderam a confiança neles."
Via Ionline