Domingo, 02.10.11
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Katy Perry actuou no primeiro dia do festival Sergio Moraes/REUTERS

 

Desde ajudar metaleiros a fugir de prostitutas ou pôr toalhas brancas para a cantora que não tocava no chão caminhar, Ingrid Berger é responsável por atender os pedidos mais excêntricos dos ídolos da música. Mas hoje confessa que já aprendeu a dizer “Não!”

 

Os fãs dos Guns N’ Roses têm que torcer para que Ingrid Berger, responsável pelos camarins da edição carioca do Rock in Rio, encontre, até domingo, a cerveja checa exigida por Axl Rose nas quatro páginas de pedidos enviados, pelo manager da banda de rock, à produção do festival.

O vocalista dos Guns N’ Roses é o campeão de exigências que vão desde champanhe Krug ou Cristal até cerveja australiana (Buddha Beer) ou a checa que Ingrid ainda não conseguiu encontrar. Dias antes de o festival começar até domingo, quando termina, no Brasil, a produtora dorme apenas duas horas por noite para satisfazer os pedidos das 38 bandas que actuam durante os sete dias de concertos.

 

Ingrid Berger recebeu o Life&Style no complexo de contentores que formam os 22 camarins, no sábado passado, segundo dia do Rock in Rio. Em 25 minutos, somos interrompidos pelo menos cinco vezes. “Elas são todas bonitinhas e simpáticas”, aponta Ingrid para as assistentes das bandas (Snow Patrol e Red Hot Chili Peppers estavam nos camarins para os últimos concertos da noite), “mas estão a pedir coisas desde as oito da manhã [são 22h]. Chega esta hora ninguém aguenta mais. Hoje já pediram um spray para o cabelo da marca tal, pizza... e a cada momento vem um pedido novo. Ontem foi a Rihanna. Chegou às oito da noite e eu disse: ‘Chega, não. Não dá mais’. No início da carreira, eu tinha receio que o artista ficasse chateado e isso pudesse atrapalhar o concerto, mas agora não. Já briguei com muito manager mas nunca com um artista.”

Ingrid trabalha no Rock in Rio desde 1991, quando foi produtora da MTV. Depois passou a ser responsável pelos camarins. É uma veterana em lidar com os bastidores da música e, ao longo dos anos, traz na bagagem uma colecção de histórias para contar. Uma espécie de memorabilia das excentricidades dos artistas.

Prince

“Prince queria jantar sozinho. Mandou fechar o Antiquarius (o restaurante português mais caro e elegante do Rio de Janeiro). Não queria ver nem o empregado de mesa. Ele só deixava o prato e saía. Há estes artistas que não querem lidar com seres humanos.”

Metallica

“Os Metallica eram muito jovens quando vieram ao Rock in Rio de 1991 e queriam gravar um clip com prostitutas no cais do porto do Rio de Janeiro. Nós avisamos, mas eles insistiram. Chegámos lá. Quando as prostitutas, umas senhoras gordas, desdentadas, viram aqueles meninos louros e muito jovens, saíram a correr atrás deles, e aqueles roqueiros metálicos saíram a fugir, a correr para o carro, desesperados, com medo das prostitutas. Agora imagine a cena...”

Whitney Houston

“A Whitney Houston, no auge da carreira, não tocava no chão. Ela ia andando e eu tinha que ir, à sua frente, e, a cada passo, colocava uma toalha branca para ela pisar. Quando se sentava, era a mesma coisa. Ela não se sentava sem uma toalha branca sobre o sofá.”

Stereophonics

“Os rapazes tinham alergia a tudo. Tudo tinha de ser esterilizado, cada bocado de comida tinha de ser enrolado em plástico. Era uma loucura. Não aguentava mais!”

 

Bryan Ferry

“A maior surpresa foi o Brian Ferry, pela elegância, gentileza e pela educação. Fiquei muito bem impressionada.”

Eric Clapton

“A maior decepção. Tinha loucura para conhecê-lo, para trabalhar com ele. Aqui, no Brasil, fazemos não apenas o camarim mas vamos ao aeroporto buscar o artista. Cheguei cedo e ele saiu do avião mal-humorado, de ressaca, um homem que grunhia como um cão. Antipático. Julguei que ia morrer.”

Rammstein

“São mesmo difíceis. Já tínhamos encerrado tudo e eles continuavam no camarim e eu dizia ‘temos de ir embora, temos de desmontar tudo’ e eles ‘tirem o sofá que a gente vai continuar a festa’. Enlouqueceram-me em 2010.”

U2

“Quando eles entram no camarim, não pode haver ninguém no corredor, ou seja, todo o mundo tem de sair da frente, tem de parar de trabalhar para eles passarem.”

Kenny G  

“O manager de Kenny G mandava-me faxes — na época, não havia correio electrónico — com os horários: ‘17h01 sopa, 17h05 salada, 17h10 prato com peixe...’ E eu entrava na hora certa com o prato, com receio de me atrasar. Até que Kenny G virou-se para mim e me convidou para jantar, dizendo que não aguentava mais comer sozinho. E eu não sabia o que fazer.”

 

“A maior parte destas exigências não vem dos artistas, mas dessa entourageque força a isso, a esse isolamento. Ou seja, não são os U2 que não querem ver ninguém, não é o Kenny G que quer comer sozinho”, avalia Ingrid.

 

O mais difícil para a produtora não é gerir os pedidos estranhos das estrelas, mas sim o espaço físico, porque os desenhos dos camarins são feitos antes de os artistas serem contratados. “Sempre falta espaço”, diz. No primeiro dia da edição de 2011, Katy Perry levou 70 pessoas. Contando com a entouragede Elton John e de Rihanna, eram mais de 200 pessoas nos camarins. “Não conseguíamos andar aqui”, queixa-se.

Todos os dias, Ingrid e a equipa de 12 profissionais mudam tudo de lugar. Dos móveis aos detalhes na decoração, de acordo com os pedidos feitos.

 

Ingrid recorda com nostalgia a edição de 2001 do Rock in Rio, no Rio de Janeiro, quando tinham camarins com ginásio, espaço zen e local para exposições de artesanato. Eram 700 pessoas a circular por dia.

 

A brasileira compara o comportamento dos artistas de hoje ao dos festivais de rock de há 30 anos: "São menos destrutivos, menos junkies. São vegetarianos, todos orgânicos (comem todos saladinha), mais saudáveis. Não preciso mais pedir churrascos. Os Red Hot Chili Peppers vão comer legumes e peixe. Ninguém mais pede carne."

 

Quando fala de Axl Rose, o último a apresentar-se no domingo, Ingrid suspira. Conhece Axl de outros festivais e sabe melhor do que ninguém que aparecerá com pedidos de última hora. Mas, com ou sem a cerveja checa, Ingrid vai atender o seu próprio e único pedido: quando o concerto dos Guns N’ Roses terminar e o trabalho nos camarins estiver encerrado, a loura sorridente — que admite ser impossível ter vida pessoal e quase não dorme há duas semanas — vai para a região serrana do Rio de Janeiro, ficará quatro dias sem telefone, sem Internet, sem televisão. Fora do ar.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 10:04 | link do post | comentar

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