Sábado, 23.07.11

 

Na Somália, 3,7 milhões de pessoas estão em risco de morrer à fome. As Nações Unidas apelaram aos países doadores para se mobilizarem em €1100 milhões de ajuda humanitária.

 

Dezenas de milhares de pessoas "estão em risco de morte na Somália", alertaram hoje em conferência de imprensa responsáveis da ONG francesa Ação Contra a Fome (ACF), enquanto diversas organizações emitiam apelos aos países doadores.

Enquanto a ONU acaba de declarar o estado de fome em duas regiões do sul da Somália, ao considerar que perto de metade da população somali está atualmente em situação de crise, a ONG ACF referiu que "dezenas de milhares de pessoas estão em risco de morte".


"A situação deteriora-se há várias semanas, com dezenas de milhares de mortos. Se nada for feito, é possível que se registe o mesmo número de vítimas nos próximos meses e semanas", admitiu Jens Opperman, chefe da missão para a ACF na Somália. 

Os responsáveis desta ONG francesa precisaram que 80% das 12 mil crianças recolhidas nos sete centros instalados pela organização no país estavam em "estado de subnutrição severa e aguda" e que "300 mil pessoas" beneficiavam atualmente dos programas de nutrição da organização.

Por sua vez, a Oxfam France emitiu um comunicado no qual sugere que "começou a contagem decrescente" para evitar numerosos mortos. "A comunidade internacional não pode permanecer imóvel e assistir a esta tragédia", conclui o texto.

Ban Ki-moon pede €1100 milhões contra a fome

 

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou hoje aos países doadores para se mobilizarem contra a fome na Somália e explicou que são precisos 1600 milhões de dólares (€1100 milhões) para ajuda humanitária.

"Perto de metade da população, 3,7 milhões de pessoas, está em situação de crise", afirmou em conferência de imprensa. "Isso vai ter efeitos devastadores, não apenas na Somália mas também nos países vizinhos", acrescentou.

"No total, são necessários 1600 milhões de dólares para a Somália, onde crianças e adultos morrem todos os dias a um ritmo assustador", adiantou, avisando que "a demora pode causar ainda mais mortes".

Duas regiões do sul da Somália, atingidas por uma grave seca, foram declaradas pelas Nações Unidas zonas de fome. A ONU fala "na crise alimentar mais grave" dos últimos 20 anos em África e apela à mobilização para evitar que a situação piore.

"As agências humanitárias precisam urgentemente de dinheiro para salvar vidas. Se os fundos não estiverem disponíveis para uma intervenção imediata, a fome vai provavelmente continuar e aumentar", afirmou Ban.



Via Expresso



publicado por olhar para o mundo às 17:30 | link do post | comentar

Quarta-feira, 23.02.11

Criança sudanesa que deu Pulitzer ao fotógrafo Kevin Carter sobreviveu ao abutre

 

Deve o fotojornalista apenas mostrar a realidade crua através da sua lente ou interferir nela quando a sua consciência assim o exige? Kevin Carter achou que não devia interferir, em 1993, quando fotografou, para o New York Times a imagem de um bebé do Sudão, caído no chão, enquanto no mesmo plano um abutre esperava pacientemente pela refeição. Não salvou a criança e o mundo, que deu o bebé como morto, criticou-o e chamou-lhe a ele próprio abutre. Carter acabou por ganhar o prémio Pulitzer com esta imagem que o perseguiu e o levou ao suicídio aos 33 anos.

Afinal, conta este fim-de-semana o El Mundo, o bebé era um menino, chamava-se Kong Nyong, e sobreviveu ao abutre. Segundo o jornal espanhol a enfermeira Florence Mourin, que coordenava os trabalhos do programa das Nações Unidas para o combate à fome no Sudão em Ayod, o local onde tudo aconteceu, que o menino estava a ser acompanhado, como prova a pulseira branca na mão direita, que se podia ver na fotografia premiada. Uns tinham a letra T nas pulseiras, para casos de subnutrição grave. Outros tinham a letra S, quando precisavam de suplementos alimentares. Kong, que tinha marcada na pulseira a inscrição T3, sofria de subnutrição grave, foi o terceiro a chegar ao centro das Nações Unidas. E sobreviveu, conta Florence ao El Mundo, que foi até Ayod para reconstituir, 18 anos depois, a história daquela imagem.

Kong viveu até 2007, depois morreu de “febres”, contou o pai do menino.

Carter, que com Ken Oosterbroek, Greg Marinovich e João Silva - o fotojornalista lusodescendente que perdeu as pernas num acidente no Afeganistão em Outubro passado - fundaram o Bang Bang Club, movimento que denunciou, pela fotografia, os crimes doapartheid na África do Sul, entregou-se às drogas e acabou por se suicidar, tinha 33 anos. Em Abril de 1994, pouco depois do anúncio do Pulitzer, Osterbroek morreu, baleado, quando fotografava um tiroteio em Tozoka, África do Sul, Carter estava ao seu lado. Carter, que era descrito como alguém que profisisonalmente procurava sempre o limite da condição humana, era também arrastado facilmente para a depressão pela força do seu próprio trabalho, contavam os amigos. Dizia que se não fotografasse seria piloto de Fórmula 1, por gostar de viver no limite.

A fome no Sudão matou 600 mil pessoas em 1993. A guerra civil e a seca provocaram no país centenas de refugiados naquela década. O país continua a ser um dos focos de crise humanitária mais graves do planeta.

Via Público



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