Terça-feira, 01.03.11

Gelados no inverno

 

O sonho de João Martinho, de 47 anos, era encher um avião de caixas de gelados de zabaglione e trazê-las para Lisboa. Se nunca ouviu falar deste sabor, não se preocupe. João também não o conhecia até ir viver para Buenos Aires. "É uma sobremesa italiana [feita com gemas, açúcar e vinho Marsala] muito popular na Argentina. Lá o gelado é uma instituição, mais ou menos como o café é em Portugal", explica o gestor. "As geladarias são um ponto de encontro e as pessoas consomem gelados todo o ano. Zagablione é o meu preferido."

Nem foi preciso fretar um avião. Quando voltou para Lisboa, há dois anos, João lembrou-se de abrir uma geladaria com os sabores invulgares que provara em Buenos Aires. "Tive sorte porque encontrei aqui um mestre artesão argentino da reputada rede de geladarias Un'' Altra Volta."

Há três semanas concretizou o tal sonho. Zagablione é um dos vinte sabores da sua geladaria, a Ice Dreams, recém-aberta no Príncipe Real, em Lisboa. O gelado, feito com vinho do Porto e ginja, continua a ser o seu preferido da carta de "sabores de Inverno". 

Abrir uma geladaria nesta altura do ano, quando os aquecedores ainda estão ligados, é arriscado e João tem consciência disso. "Portugal é dos poucos países europeus que reduz o consumo de gelados no Inverno", afirma. "Na Alemanha, nos países escandinavos e até na Suíça produzem-se e consomem-se gelados durante o ano inteiro e não têm bom tempo." Vários estudos provam isso. Em 2006, e segundo uma pesquisa da Universidade de Guelph, a Finlândia (onde hoje se registavam 6 grau negativos de temperatura máxima) era o quarto maior consumidor de gelados do mundo, com uma média de 14 litros por pessoa. Na lista, a Suécia ocupava o quinto lugar e Itália, a terra dos gelados, o sétimo.

"Um gelado artesanal é uma boa sobremesa em qualquer altura do ano", continua João. "No Inverno apostamos no sabores mais calóricos e no Verão nos sorvetes, feitos de água e fruta." Queijo mascarpone com frutos do bosque, queijo de cabra, chocolate branco com baunilha e doce de leite são alguns dos sabores recomendáveis em dias frios. Na Ice Dreams há outras inovações: como gelados de vinho (branco e brut seco) e gelados acompanhados com um copo de Porto Tawny. "Qualquer dos nossos chocolates combina muito bem", aconselha João. 

OUTROS TEMPLOS DO GELADO

Na Artisani, na Avenida Álvares Cabral, em Lisboa, "sente-se a sazonalidade dos gelados". Luísa Lampreia, uma das sócias da geladaria que em Abril vai abrir mais uma loja em Cascais, confessa que no Inverno as vendas descem para menos de metade do que é habitual no Verão. "Mesmo assim as pessoas vêm cá buscar gelados para comerem em casa." Na Artisani também se preocupam em fazer sabores "com mais creme" nesta altura do ano, como o de cheese cake ou de tarte de limão.

Na Fragoleto, "a melhor geladaria a oeste de Génova", segundo o guia da Lonely Planet, os sabores variam consoante a altura do ano. "No Natal até fiz gelado de bolo rei", conta Manuela Carabina, dona da geladaria na Rua da Prata. "Adapto sempre os sabores à fruta da época. Agora temos pêra rocha e laranja."

Na geladaria Santini o movimento continua a ser mesmo no Inverno. "Neste fim-de-semana de sol as filas em Lisboa e em Cascais chegaram ao meio da rua", diz Eduardo Fuentes, genro de Attilio Santini, o fundador dos gelados artesanais mais populares do país.

A geladaria em Cascais costumava fechar portas no Inverno e reabrir em Abril, mas isso mudou desde o ano passado. "Agora temos mais pessoal aqui e trabalhamos todo o ano. A loja de Lisboa tem muita gente, principalmente ao fim-de-semana. Mas aí também há chá, café e até o melhor bolo de chocolate do mundo", conta Eduardo.

O seu filho, Eduardo Santini, é o responsável pela fábrica e gosta de criar novos sabores. No Inverno há alguns especiais, como gorgonzola com nozes, doce de ovos com pinhão ou chocolate com pimenta. E há aqueles que têm saída o ano todo, como o doce de leite, que demora um dia e meio a ser feito.

 

Ice Dreams. Rua da Escola Politécnica, 21, Lisboa. De 2.ª a  6.ª  das 10h30 às 21h; sáb. até às 22h e dom. das 12h às 20h. Preço de um sabor: 2,3€

 

Santini. Rua do Carmo, 9, Lisboa. Todos os dias das 10h às 00h. Preço de uma bola: 2,5€

 

Fragoleto. Rua da Prata, 80, Lisboa. De 2.ª a 6.ª das 11h às 20h; sáb. das 13h às 20h; domingos das 13h às 19h. Preço de um sabor: 1,9€

 

Artisani. Av. Álvares Cabral, 65-B, Lisboa. De 2.ª a 5.ª das 11h às 23h; 6.ª e sáb. das 11 às 00h; dom. das 12h às 23h. Preço de uma bola: 2,5€

 

Via Ionline



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