Terça-feira, 07.02.12
As comemorações de 2014 prometem animar a nação escocesa

As comemorações de 2014 prometem animar a nação escocesa (Jens Schlueter/Reuters)

 

Os ânimos estarão ao rubro quando, em Junho de 2014, os escoceses rumarem a Bannockburn para celebrarem os 700 anos da mais mítica batalha contra o Exército inglês. Tal como naquele embate, a Escócia estará prestes a decidir a sua sorte, disputando já não com armas mas com votos a sua independência - uma ambição que nunca abandonou e que agora renasce com o referendo proposto pelo Governo de Edimburgo.

 

"Os próximos tempos serão verdadeiramente históricos", disse ao PÚBLICO Tom Deville, professor de História Escocesa da Universidade de Edimburgo, explicando que, apesar do muito que pode mudar em dois anos e meio, existem hoje condições para uma mudança profunda no Reino Unido, criado há 300 anos pela união de escoceses e ingleses. "Isto não torna a independência da Escócia inevitável, mas torna-a mais provável do que em qualquer outro momento na história desde 1707", afirmou.

Os alarmes soaram em Londres, em Maio do ano passado, quando, contra todas as previsões, o Partido Nacional Escocês (SNP), liderado por Alex Salmond, conquistou nas eleições de 2011 a maioria absoluta que lhe fugira em 2007. Reforçado, o carismático primeiro-ministro escocês garantiu que cumpriria a promessa de chamar os eleitores a decidir sobre o fim da união política com Londres. 

"Decidimos casar com os que estão do outro lado da fronteira, mas agora chegou o tempo de nos divorciarmos", disse à AP Gillian Leathley-Gibb, dona de uma loja de recordações na cidade de Stirling, a curta distância do local onde, em 1314, o rei Roberto I venceu o exército do monarca inglês Eduardo II. "Por mim, construía um muro na fronteira. Eles fazem as leis todas lá em Londres, sem terem uma ideia do que está a acontecer aqui", acrescentou a vizinha Janice Black, repetindo queixas antigas contra o centralismo do Estado britânico.

A Escócia manteve sempre um sistema judicial próprio e, desde 1999, tem ampla autonomia, elegendo um Parlamento com poderes para decidir as suas próprias políticas de saúde, educação e economia. Mas Salmond quer uma Escócia que "fale pela sua própria voz, se erga mais alto no mundo e assuma a responsabilidade pelo seu futuro", como afirmou quando, no final de Janeiro, pôs em marcha o processo para a realização do referendo, no Outono de 2014.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, não ficou impávido perante o desafio e, ainda antes de Salmond formalizar a sua proposta, avisou que só o Parlamento de Westminster poderia convocar um referendo com efeitos constitucionais e que só estava disposto para o autorizar mediante duas condições: a consulta teria de realizar-se "o mais cedo possível" (e não no ano das comemorações) e aos eleitores seria apenas perguntado se querem ou não a independência.

A terceira via

Salmond acusou Cameron de "querer esmagar a Escócia com as suas botifarras" e insiste que os escoceses devem poder pronunciar-se sobre uma terceira opção - a concessão de total autonomia fiscal ao governo de Edimburgo, que ficaria apenas impedido de decidir sobre matérias de Defesa ou Política Externa. Esta é a alternativa preferida pelos eleitores (68 por cento apoiam a ideia), mas Londres teme os efeitos que tal transferência de poder teria para o Reino Unido. 

"Os três principais partidos britânicos [todos pró-união] até podem achar que estão a ser mais inteligentes e que a maioria votará "não", mas e se estiverem enganados? Se não apresentarem alternativas, muita gente vai pensar que é tudo ou nada e vão optar pelo tudo", disse ao PÚBLICO Peter Lynch, professor de Política da Universidade de Stirling, para quem "há boas hipóteses de o "sim" vencer". 

As últimas sondagens mostram que os pró-independência continuam em minoria (38%), mas com tendência para aumentar. As palavras de Cameron inflamaram os ânimos, mas Lynch vê causas mais profundas para o optimismo nacionalista. Por um lado, "a economia britânica está numa situação bastante má" e as medidas de austeridade funcionarão a favor da campanha do "sim". Por outro, diz, as políticas liberais de Cameron trazem à memória a era Thatcher, "um período desastroso para a maioria dos escoceses", tradicionais eleitores da esquerda e que, depois de décadas a votar nos trabalhistas, se transferiram para o SNP. 

Desde que chegaram ao poder, os nacionalistas apostaram em políticas de investimento, em contraciclo com Londres, e iniciativas populares como a isenção de propinas nas universidades ou a prescrição gratuita de medicamentos para os idosos. "Neste momento, temos duas nações diferentes na abordagem que fazem à sociedade e na forma de enfrentarem os problemas, e essa é uma das razões por que tem sido tão difícil para a causa do "não" defender a união", diz o politólogo. Mas terá a Escócia os meios para se tornar independente? Salmond reclama 90% das receitas do crude extraído no mar do Norte, um modelo económico que tem sido bem-sucedido a captar investimento estrangeiro e a convicção de que uma Escócia independente se tornaria membro automático da UE. Nos últimos dias, sugeriu também que Edimburgo poderá continuar a usar a libra - adiando a pretensão de aderir ao euro, apesar da perda de autonomia fiscal que isso implicaria. 

Os economistas avisam, no entanto, que um país de apenas cinco milhões de habitantes e com uma economia muito endividada não teria a mesma facilidade de acesso ao crédito e seria forçado a adoptar a mesma austeridade que agora critica a Londres. 

É nestes riscos que os unionistas apostam, mas Tom Devine avisa que, ainda que o "não" vença, o referendo abrirá uma porta que, mais cedo ou mais tarde, levará Londres a fazer cedências. "Se tivesse que fazer uma previsão, eu diria que num prazo não inferior a 20 anos o mais provável é uma solução federal", diz o historiador, apontando para um "Parlamento escocês com muito mais poderes", a criação de um congénere inglês e a "transformação do Parlamento britânico numa autoridade federal". "Isto representaria a reconfiguração total de um dos Estados mais centralizados da Europa."

 

Via Público



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Quarta-feira, 28.09.11

Já sabemos o motivo que levou Alberto João Jardim a ficar quase 40 anos no poder. É que o dr. Jardim é muito mau no seu passatempo, ou seja, não dá para piadista. É caso para dizer don't quit your day job, dr. Jardim.

 

No início do fim-de-semana, este Hugo Chavéz atlântico lançou a piadinha chapa 5: a Madeira independente. No final do fim de semana, o nosso querido Alberto baixou uma oitava e apenas disse que deseja mais autonomia. Ora, isto até teria graça, sim senhor, se não fosse ofensivo para os contribuintes do continente. A autonomia da Madeira tem sido financiada pelos nossos impostos. A canalhada cubana é estúpida, mas lá vai pagando a governação do dr. Alberto. Nós damos 300 milhões num tal subsídio de insularidade à Madeira, e os madeirenses têm impostos baixíssimos. E agora o dr. Alberto vem dizer que quer ainda mais autonomia? Quer o quê? 500 milhões de subsídio de insularidade? Quer impostos ainda mais baixos? Quer que o nome de Portugal passe a ser "República Portuguesa do Contintente cubano e da gloriosa ilha da Madeira fundada pelo excelso dr. Jardim, o Bolívar do Funchal"? Pensando bem, acho que devemos propor uma coisa ao dr. Jardim: please, quit your day job.   

 

Este bravo dr. Jardim faz lembrar o filho ali da D. Laurinda: saiu de casa com grande alarido, ai, já sou adulto, mas agora vem deixar a roupa suja na casa da mãe, e as contas também. O jardinismo é como este rapazola: sozinho, sem a ajuda da mãe (os "cubanos"), não conseguiria encontrar a cabeça com as duas mãos. O dr. Alberto quer ser um homenzinho? A Madeira quer ser uma mulherzinha?Então que abdiquem dos subsídios e que paguem impostos iguais aos do continente. Quando fizerem isso, então sim, já terão moral para falarem com aqueles narizinhos para cima. 



Via Expresso



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Terça-feira, 05.07.11
Santos Pereira, à esquerda, escreveu que João Jardim usa <i>bluff</i> independentista para conseguir mais verbas para a Madeira
Santos Pereira, à esquerda, escreveu que João Jardim usa bluffindependentista para conseguir mais verbas para a Madeira (Foto: Daniel Rocha/arquivo)

Álvaro Santos Pereira, o novo ministro da Economia, acha que “se a Madeira quiser, um dia poderá tornar-se independente”. “Afinal, se Malta, Chipre, e até Timor-Leste conseguem ser independentes, porque é que os madeirenses não poderão sonhar com uma autonomia total de Portugal?”, questiona Santos Pereira para quem “a resposta é claramente positiva”.

O professor de Economia, no seu livro Os mitos da Economia Portuguesa, dedica um capítulo à independência deste arquipélago, texto que foi integralmente reproduzido pelo Jornal da Madeira, propriedade do governo de Alberto João Jardim, no Dia da Região, também marcado pela exibição de bandeiras do movimento independentista Flama em várias localidades da ilha e, a propósito desta acção, por nova ameaça separatista do líder insular ao governo de Pedro Passsos Coelho, antes de apresentar esta semana o novo caderno reivindicativo a Lisboa.

 

Via Público



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