Segunda-feira, 21.05.12
Indignados abrem a porta do treino da selecção 

O treino da selecção em Óbidos contou com muita assistência


Um movimento espontâneo de adeptos “indignados” formou-se nesta segunda feira à porta do Estádio Municipal de Óbidos, local do primeiro treino aberto da selecção portuguesa, no qual só podia entrar quem tinha bilhete.

 

Cerca de meia hora depois de o treino começar, o primeiro de quatro abertos ao público, o protesto acabou por resultar, e as portas foram abertas, mesmo a quem não tinha um dos 1840 ingressos, que devia ser previamente levantado no Posto de Turismo de Óbidos .

Enquanto 21 dos 23 convocados de Paulo Bento realizavam exercícios de aquecimento no relvado, mais de 200 pessoas indignavam-se à porta pela falta de informação sobre a necessidade de ter bilhete para assistir ao treino.

Daniel Vitória era um dos indignados e foi perentório em afirmar que não voltaria para tentar ver mais nenhum treino.

“Acho que é uma vergonha. Disseram nos jornais que era um treino aberto ao público e é o que se vê”, afirmou, acrescentando: “Aqui ninguém foi informado sobre os bilhetes”.

Sentados num canteiro de flores, Arlinda e Joaquim, de Peniche, lamentavam a falta de bilhete, depois de uma deslocação de Peniche, e comparavam a situação com o sucedido há oito anos, durante a preparação para o Euro 2004.

“Há oito anos estivemos cá e não era preciso bilhete, entrava toda a gente”, garantiu Arlinda.

Enquanto à porta oficial muitos se indignavam, outros optaram por ocupar o lado oposto à bancada, junto ao complexo de escolas de Óbidos, onde o bilhete era completamente dispensável.

Os protestos acabaram por resultar e a porta abriu-se também a quem não tinha bilhete, permitindo que Diogo, Arlinda, Joaquim e Daniel Vitória e muitos outros assistissem ao treino aberto, que se repete na quinta-feira.

Contas feitas, entre bilhetes distribuídos, “intrusos” e “indignados” o primeiro treino com a selecção completa foi presenciado por cerca de 3.000 adeptos.

 

Noticia do Público



publicado por olhar para o mundo às 19:55 | link do post | comentar

Sexta-feira, 11.05.12

"Primavera Global" é o nome do movimento de protesto internacional decorre entre sábado e quarta-feira. Em Portugal estão marcadas ações de protesto e reflexão para sete cidades. 

 

 

"A Primavera Global está a chegar, vamos tomar as ruas!". É este o repto lançado pelos organizadores portugueses do movimento de protesto internacional que irá decorrer, entre sábado e terça-feira, em cerca de 350 cidades de 40 países dos quatro continentes.

 

Em Portugal, estão anunciadas ações - que vão desde manifestações, a debates, worshops e atividades culturais - em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Santarém, Évora e Faro.

 

Sábado é o dia que conta com a maior parte das iniciativas. Em Lisboa, está marcada para as 15h uma concentração no Rossio, que irá seguir até ao Marquês de Pombal. No Porto, a concentração terá lugar, a partir das 11h, na Avenida dos Aliados. Em Coimbra, às 14h, na Praça da República.

 

"Decidiu-se celebrar as Primaveras várias, desde as árabes ao 12 de março em Portugal, ao 15 de maio em Espanha e aos subsequentes movimentos de indignados que surgiram em diversos pontos do mundo", refere Paulo Raposo, um dos organizadores da Primavera Global PT.

 

O movimento internacional organizado através da Internet conta entre nós com ações promovidas por novos movimentos de contestação e cidadania como os Precários Inflexíveis, Movimento Gerações ou Assembleia da Graça.

 

"Queremos despertar a cidadania"

 

"Não é um protesto de queixume e pieguice. É um protesto de propostas. Queremos mudar, queremos despertar a cidadania que tem estado muito ativa nos últimos tempos e que percebam que somos parte da solução", afirma Paulo Raposo.

 

O manifesto internacional da Primavera Global assenta em dois eixos fundamentais: a criação de uma economia social solidária e uma democracia mais participativa. "É isso que vamos tentar discutir sábado em todo o mundo. É uma manifestação pacifica, apartidária e aberta a toda a gente, desde que dentro do espírito de tolerância e não discriminação da Primavera Global", refere Raposo.

 

Dentro das ações que decorrem sábado em Lisboa, a partir das 17h tem início a iniciativa as "Ideias Saem à Rua", que conta com debates públicos sob temas como "Dívida portuguesa, canabalização de um povo" ou "Da Geração à Rasca à Primavera Global, como continuar?", worshops e atividades para crianças.

 

Numa ação de incitamento à "desobediência civil", o denominado Grupo de Transportes dos Indignados de Lisboa desafia a que, entre sábado e terça-feira, se viaje nos transportes públicos sem pagar.

 

Retirado do Expresso



publicado por olhar para o mundo às 17:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 13.03.12
"Manif" foi um protesto contra a classe política mobilizado com a ajuda da Internet
"Manif" foi um protesto contra a classe política mobilizado com a ajuda da Internet (Foto: Paulo Pimenta)
Nesta segunda-feira faz um ano que milhares de portugueses saíram à rua. E depois? Para onde foi a indignação? Uma historiadora, um sociólogo, um psicanalista e um activista arriscam respostas

Há um ano, o país levou uma bofetada. Milhares de pessoas (cerca de 300 mil, segundo a polícia; mais de 500 mil, diz a organização) saíram à rua para protestar contra a precariedade que lhes foi imposta. O apelo à mobilização correu célere no Facebook, com alguns jovens até então anónimos a conseguirem aquilo que nenhum sindicato e nenhum partido haviam conseguido. Um ano depois, para onde foi tanta indignação? "Está paralisada pelo medo e pela estupefacção", responde Joaquin Estefanía, ex-director do diário espanhol El País, para quem o medo foi transformado numa arma de controlo social (ver entrevista na página ao lado). 

Dizendo-se "atónita com tanta passividade" portuguesa, a historiadora Irene Flunsel Pimentel concorda que as pessoas estão "amedrontadas, aterrorizadas e desorientadas, sobretudo porque não vêem nenhuma luz ao fundo do túnel". "As que ainda têm emprego têm medo de o perder mas também não sabem muito bem o que fazer", explica, para, no jogo das diferenças com as reacções à crise nos outros países, atirar culpas à herança deixada por Salazar. "A Espanha e a Grécia tiveram tremendas guerras civis, com milhares de mortos, e isso acaba por se inscrever no código genético das populações. Nós tivemos um ditador que viveu sempre com o apoio de uma parte da população, não se pode dizer que subsistiu apenas através da repressão. Não havia liberdade, mas havia aquela pessoa que zelava pela nossa segurança, que não nos deixava cair na miséria total e que nos habituou a pensar que os outros é que mandam em nós". 

O psicanalista Coimbra de Matos também alude à sensação de que nada se pode contra o que está a acontecer para explicar o que tem mantido a indignação portuguesa no reduto doméstico. "Somos um povo passivo, sem aquilo a que os ingleses chamam empowerment, de pessoas habituadas a não ter poder nas suas mãos, e suponho que isso deva algo à ditadura. Esta, sendo relativamente suave - não era como em Espanha, que matava muito mais -, apelava à capacidade de conformação dos portugueses e usava métodos que não suscitavam uma reacção tão maciça e tão discordante". Temos assim todo um país mergulhado numa "depressão patológica, que ?? uma reacção à perda e a um sentimento de injustiça, mas que, no caso português, não comporta a revolta e até acredita que a culpa é um bocado nossa, porque vivemos acima das nossas posses". 

Numa leitura diferente, o sociólogo e político Augusto Santos Silva sustenta que a indignação se domesticou porque perdeu o alvo directo. "A actuação política em Portugal tornou-se exógena. Com a celebração do pacote de ajuda financeira, a capacidade de actuação autónoma do Governo diminuiu radicalmente aos olhos da opinião pública; logo, as acções reivindicativas deixaram de ter tantas condições de atingir os seus objectivos". 

Inquestionável é que se a revolta que há um ano saiu à rua não assumiu entretanto contornos de violência, não é porque as perspectivas tenham melhorado. Ao contrário. O desemprego galgou entretanto até aos 14%: 770 mil pessoas sem trabalho. Se olharmos só para os sub-25, são 30,7% os desempregados. É a terceira maior taxa da UE. O resto é o que se sabe. A perpetuação dos contratos a prazo a assumir letra de lei, os estágios sem remuneração, a instabilidade dos recibos verdes a adiar o futuro. Mas os jovens não estão mais à rasca que os outros. A manifestação de há um ano, porque mobilizadora de todas as idades, mostrou-o. Havia pensionistas de pensões congeladas, logo sem dinheiro para a conta dos medicamentos. Havia famílias sobretaxadas, nomeadamente pelo medo de deixarem de conseguir pagar a casa. Sublinhem-se, a propósito, as 670.637 famílias que chegaram ao fim de 2011 a não conseguir pagar os empréstimos aos bancos. 

Para Irene Pimentel, a heterogeneidade dos manifestantes foi a força mas também a fraqueza daquela manifestação e uma das razões para que, a seguir, nada de extraordinário tenha acontecido. "Aquilo englobou desde a extrema-esquerda, à extrema-direita. Até neonazis. E criou-se em torno dessa manifestação um unanimismo que englobava todas as opções políticas contra um fenómeno muito complicado que era a precariedade. Mas aquilo vivia de uma falsa solidariedade e de um falso corporativismo, porque muitas pessoas estavam lá para derrubar o Governo". O sociólogo e ex-ministro do anterior executivo Augusto Santos Silva também sustenta que foi o contexto político que ditou que o protesto tivesse há um ano uma expressão que não viria a repetir-se. "Naquela manifestação confluíram os interesses do BE, do PCP e do PSD, que criaram uma lógica de tenaz para derrubar o Governo socialista, liderado por um ministro muito enérgico, José Sócrates, que concentrava em si todo o amor e todo ódio político possível. Hoje, Portugal vive uma situação de tutela e isso levou a uma mudança do horizonte de expectativas, isto é, as pessoas assimilaram a ideia de que as perdas que sentem decorrem de uma imposição externa mais do que de uma posição autónoma do Governo de Passos Coelho, e, portanto, sentem que as condições de obtenção dos objectivos diminuíram radicalmente a partir do momento em que a troika passou a regular o funcionamento do país". 

A tensão existe. Rebenta? "A explosão da revolta social pode acontecer, mas tem vindo a ser contrariada pela actuação muito prudente do PCP e da CGTP, que entretanto recuperaram a liderança do protesto", contextualiza Santos Silva, para recordar que, "ao longo da História, os movimentos mais propícios às revoluções nunca foram os momentos de máxima privação mas aqueles em que a exequibilidade de mudança se tornou mais real". Ora, João Labrincha, um dos desempregados que apareciam a assinar o manifesto que apelou à manif de 12 de Março, acredita que a mudança já começou. "As dinâmicas sociais criadas neste momento em Portugal mostram que as pessoas estão a fazer acontecer como nunca antes na nossa democracia. Há movimentos a aparecer um pouco por todo o lado, estão é a fazer um trabalho de formiguinha que não é visível porque tem muita dificuldade em disputar o espaço mediático com os partidos políticos", defende, para reforçar: "Quando aconteceram o Maio de 1968 e a contestação à guerra do Vietname, era muito difícil na altura perceber o que é que aquilo ia mudar. Só muito mais tarde se teve noção das enormes mudanças que aqueles movimentos geraram". Para Labrincha, "o sistema baseado no petróleo e na ganância vai ruir, como já está a ruir, e, ao mesmo tempo, vai aparecer um novo paradigma, como já está a aparecer, sem que seja preciso um crash". De resto, "é visível que as pessoas se estão a desidentificar com as estruturas tradicionais do Estado e a procurar caminhos alternativos". E essa foi, diz, "a grande conquista da manifestação de há um ano".

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 17:40 | link do post | comentar

Sábado, 03.12.11
A banda norte-americana Yo la Tengo, o músico britânico Lloyd Cole e o realizador Michael Moore estão entre os artistas envolvidos no lançamento de um álbum de apoio ao movimento «Occupy Wall Street».

O disco “Occupy This Album», inspirado por aquele movimento de indignados, pretende «proporcionar um hino e um grito de protesto aos manifestantes envolvidos na insurreição», referiram os produtores do álbum, citados pelo canal de televisão norte-americano CNN.

 

Os produtores revelaram que todos os lucros provenientes do disco irão beneficiar o movimento «Occupy». Metade dos lucros será doado ao «Occupy Wall Street General Fund» e o restante será distribuído entre os maiores movimentos de ocupação espalhados pelos Estados Unidos da América.

 

Entre os artistas envolvidos no álbum, que deverá ser lançado neste inverno, estão os Yo la Tengo, Devo, Ladytron, Third Eye Blind, Lloyd Cole e o realizador/ativista Michael Moore.

 

Entretanto, em solidariedade com o movimento «Occupy London», os britânicos Massive Attack lançaram o canal «Occupy Radio» no site de partilha de música SoundCloud.

 

A página tem disponíveis, para já, remisturas, inspiradas pelo movimento, de 3D, dos Massive Attack, do DJ e produtor Tim Goldsworthy e dos Horse Meat Disco.

 

Em novembro foi lançado o site www.occupymusicians.com onde milhares de músicos, entre eles Lou Reed, Laurie Anderson, Thurston Moore e Lee Ranaldo, ambos dos Sonic Youth, Tom Morello, dos Rage Against the Machine, Akil Talib, dos Jurassic 5, Marc Ribot, Kymia Dawson, Guy Picciotto, dos Fugazi e Talib Kweli expressaram publicamente o apoio aos movimentos de indignados de todo o mundo.

 

Músicos,«técnicos de som, produtores, DJ, instrumentistas, compositores e letristas», são convidados a subscrever a tomada de posição e a demonstrar o apoio a estes movimentos.

 

O site, além de tornar pública uma tomada de posição, serve também para programar pequenos concertos nos locais onde decorrem os protestos e como arquivo de áudio, vídeo e textos de artistas que apoiem os indignados.

 

Além do site criado pelos músicos, existem ainda outros de escritores (www.occupywriters.com), realizadores (www.occupyfilmmakers.com) e ilustradores (www.occupycomics.com), que manifestam publicamente o apoio aos movimentos de indignados de todo o mundo.



publicado por olhar para o mundo às 17:24 | link do post | comentar

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