Quinta-feira, 01.03.12

Francisco José Veigas: «Não há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós»

 

Francisco José Viegas afirmou ontem que o Governo se prepara para alterar o Acordo Ortográfico até 2015 e que cada português é livre para escrever como entender.


Francisco José Veigas: «Não há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós»

O secretário de Estado da Cultura admitiu ontem em entrevista à TVI-24 alterar até 2015 algumas regras do novo Acordo Ortográfico, que já está em vigor nos organismos do Estado desde janeiro deste ano.

 

Manifestando o seu desacordo com algumas normas, Francisco José Viegas lembrou que "do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial. Portanto, podemos mudá-la. Até 2015 podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos que aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer".

 

Questionado sobre a polémica decisão de Vasco Graça Moura que ordenou aos serviços internos do Centro Cultural de Belém (CCB) que não apliquem o novo acordo, o responsável pela pasta da cultura começou por lembrar que o presidente do CCB "é uma das pessoas que mais refletiu e se empenhou no combate contra o Acordo Ortográfico" para seguidamente lembrar aqueles que "não têm qualquer intimidade nem com a escrita, nem com a ortografia, terem vindo criticar e pedir sanções".

 

"Para mim é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da nossa língua, escreverá como lhe apetecer", acrescentou o governante.

 

"Às vezes quando escrevo como escritor tenho dúvidas e vou fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa possibilidade, isto é, a competência que têm para escolher a sua ortografia. Não há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós", rematou Francisco José Viegas.

 

Via Expresso



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Segunda-feira, 16.01.12

Um dos tópicos mais procurados diz respeito às dúvidas sobre a aplicação do Acordo Ortográfico

Um dos tópicos mais procurados diz respeito às dúvidas sobre a aplicação do Acordo Ortográfico (Nuno Ferreira Santos)
Foi há 15 anos. Os jornalistas João Carreira Bom e José Mário Costa resolveram avançar com uma ideia que há muito vinham amadurecendo: criar um espaço de promoção do português na internet. Nasceu o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Em 2011, o site recebeu uma média mensal de 300 mil visitas.

Como se deve dizer (ou escrever) determinada palavra? “Encarregado” ou “encarregue”? “Podem calar-se” ou “podem-se calar”? É o mesmo dizer “em hipótese alguma” e “em hipóteses nenhuma”? E qual o feminino das palavras barão e cônsul?

Ao longo do tempo, foram aumentando as perguntas colocadas aohttp://www.ciberduvidas.com/ cujos fundadores, inspirados numa ideia de serviço público para prestar um serviço universal e gratuito, montaram uma equipa com professores especializados em várias áreas da língua portuguesa para responder às questões mais diversas e garantir as actualizações diárias daquele site.

A morte súbita de Carreira Bom em Janeiro de 2002 não diminuiu a actividade do Ciberdúvidas que passou a ter apenas José Mário Costa à frente do grupo. No ano passado, este espaço de promoção do português recebeu uma média de 300 mil visitas. 

As respostas já ultrapassaram as 30 mil, num total de 40 mil textos acerca de diversas questões, entre as quais, as respeitantes à terminologia linguística ou à polémica em torno do acordo ortográfico, refere José Mário Costa. 

Entre os utilizadores do Ciberdúvidas, contam-se as pessoas que fazem da língua o seu instrumento de trabalho, como jornalistas, tradutores, revisores ou juristas, de ensino e aprendizagem, como professores, alunos e estudantes – muitos estrangeiros, inclusive, de países como a China ou a Austrália. 

Com a adopção do Acordo Ortográfico no ensino básico e secundário, em Setembro passado, verificou-se um aumento considerável de pedidos para esclarecimento de dúvidas. “Não há um dia que não cheguem perguntas sobre as novas regras da escrita do português, nomeadamente da comunidade escolar, professores e alunos. Perguntas de Portugal, mas também do Brasil, país de onde chega o segundo maior fluxo de consultas ao Ciberdúvidas”, explica José Mário Costa.

As dúvidas mais insistentes, diz, “respeitam às novas regras do uso hífen e da aglutinação, para além dos casos da queda ou não da dupla consoante”. Mas o objectivo deste site ultrapassa o de consultório, constituindo-se como um espaço de esclarecimento e de debate sobre as questões do português nos países de língua oficial portuguesa. 

É que, como língua viva e dinâmica, o português vai fluindo ao sabor de quem a fala. Não faltam os exemplos de palavras que antes significavam uma coisa e, com os tempos, evoluíram para outros sentidos. “O problema, nos tempos que correm – por via da influência dominante do audiovisual e do menor rigor no uso do idioma nacional –, é quando a persistência no erro vai transformando os chamados “equívocos” em verdades… mediáticas”, nota José Mário Costa, dando como exemplos, “o caso do “solarengo” que passou a ser usado no sentido de “soalheiro”, ou da expressão “ovelha ranhosa”, em vez de “ovelha ronhosa”” Ou da recorrente troca entre o “ir de encontro a” e o “ir ao encontro de”. Dos anómalos “despoletar”, “rúbrica”, “interviu” e ”intervido”. Ou, ainda, o permanente mau uso do verbo nas frases iniciadas com a expressão “um dos que…”…

Este espaço da promoção da língua portuguesa garante ainda três programas de rádio na RDP e a responsabilidade dos conteúdos do programa “Cuidado com a Língua!,” na RTP protagonizado pelo actor Diogo Infante.

A “carolice” e generosidade dos que colaboram com o Ciberdúvidas, o patrocínio da Fundação Vodafone e o apoio Universidade Lusófona que cedeu as instalações onde funciona, permitem que este serviço continue a ser prestado, mesmo depois de ter sido retirado o patrocínio dos CTT, no ano passado.

E possibilita que avance ainda com outros projectos. Desde Outubro que existe neste espaço um outro serviço, igualmente de acesso gratuito, especificamente destinado ao sistema de ensino português. Trata-se da Ciberescola da Língua Portuguesa (http://www.ciberescola.com), uma plataforma de exercícios interactivos e cursos via Internet de ensino do português, língua materna e língua estrangeira. Todos os conteúdos são originais, produzidos especificamente por professores e investigadores em linguística e literatura, cobrindo as competências da compreensão/interpretação oral e escrita, gramática, léxico e semântica. No fim deste mês será lançado uma extensão dirigida particularmente ao público anglo-saxónico, com o apoio da FLAD.

 

Via Público



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