Sábado, 03.12.11
Manoel de Oliveira: a Literatura 'é muito superior' ao Cinema
O cineasta Manoel de Oliveira afirmou hoje que a literatura é «muito superior» ao cinema e assumiu-se como um «homem de fé» num encontro com o realizador brasileiro Nelson Pereira dos Santos, em Guimarães.

O primeiro encontro entre os dois realizadores foi em Paris, em 1956, durante o 'Primeiro Encontro Internacional de cineastas'. Depois encontraram-se «algumas vezes» em Cannes, França.

 

«Foi o primeiro realizador brasileiro que conheci», esclareceu Manoel de Oliveira.

 

Hoje, voltaram a cruzar-se para uma «conversa intimista» em Guimarães, a convite da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012.

Do cinema dos «velhos tempos» ao analógico, da Fé às «coisas da vida», estes dois realizadores contaram histórias, partilharam visões do cinema.

 

Sobre o «digital», os dois cineastas, o português com 102 anos e o brasileiro com 83 anos, afirmaram-se «agradecidos» pela introdução tecnológica no cinema.

 

«Facilita a realização», valorizou Nelson Pereira dos Santos. «É o progresso e traz conforto», além de que «ajuda o negócio», apontou o português.

 

Se para o brasileiro a génese do «cinema novo» do Brasil «está na literatura, Manoel de Oliveira encara a literatura como «algo mais».

«A literatura é muito superior ao cinema. É a máxima da expressão humana», afirmou.

 

Passando da literatura até à vida contemporânea e à religião, para o realizador português «Abel e Caim estão instalados na sociedade».

«Todos querem o poder e para o terem matam tudo o que está à frente sem dó nem piedade», explanou.

 

Questionado sobre se é um «homens de fé», Nelson Pereira dos Santos afirmou «ter fé» no «ser humano».

 

O realizador português declarou que é um homem de fé: «Não tenho outro remédio».

 

Em comum ambos têm uma motivação: «O que nos leva a trabalhar nos filmes é a fé», adiantou Manoel de Oliveira, seguindo da anuência do realizador brasileiro.

 

Refugiando-se nas «partidas da memória», o cineasta português não revelou o que «anda a fazer», apenas declarando que anda «a escrever o que vai fazer».

 

«Só temo não ter vida para fazer os meus projectos», afirmou, a uma semana de completar 103 anos.

 

Via Sol



publicado por olhar para o mundo às 10:17 | link do post | comentar

Terça-feira, 20.09.11
LA Times elogia o 'estranho caso' de Manoel de Oliveira

 

Por ocasião da edição em DVD nos Estados Unidos do filme O estranho caso de Angélica, o jornal norte-americano LA Times elogiou a vitalidade e a singularidade da obra do realizador Manoel de Oliveira, ele próprio «um caso estranho».

A três meses de completar 103 anos, Manoel de Oliveira «começou ainda no tempo do cinema mudo e tem uma trajectória incomparável». «O mais notável» não é tanto a produtividade, mas sobretudo o facto de grande parte da sua obra «continuar viva e singular», escreveu o diário de Los Angeles na edição de domingo.

 

Como realizador, Manoel de Oliveira demonstra uma liberdade de quem existe quase há tanto tempo como o próprio cinema: «É a encarnação de um século de cinema», sublinha o diário, recordando o enredo de O estranho caso de Angélica e a história por detrás da produção.

 

O filme, protagonizado por Ricardo Trêpa e que teve estreia comercial este ano em Portugal, é o retomar de um projecto antigo de Manoel de Oliveira, com mais de 50 anos.

 

O realizador tinha o projecto pronto, mas não chegou a concretizá-lo na altura do Estado Novo.

 

Depois da revolução de Abril de 1974, Manoel de Oliveira recuperou o tempo perdido, de vários anos sem filmar, escreveu o jornal, e desde então tem produzido com bastante regularidade, sobretudo a partir dos anos 1990.

 

A crítica do LA Times, a propósito da edição de O estranho caso de Angélica em DVD, surge numa altura em que Manoel de Oliveira se prepara para rodar em Paris um novo filme, O Gebo e a Sombra, a partir de uma peça de teatro de Raúl Brandão, e com os actores Ricardo Trêpa, Michel Piccoli e Ludivine Clerc.

 

Hoje, 19 de Setembro, assinalam-se os 80 anos da estreia no cinema, em Lisboa, do primeiro filme de Manoel de Oliveira, Douro, Faina Fluvial.

 

Via Sol



publicado por olhar para o mundo às 17:54 | link do post | comentar

Quinta-feira, 28.04.11
Manoel de Oliveira cumpre sonho em 'O estranho Caso de Angélica'
O realizador Manoel de Oliveira confessou hoje que o filme 'O estranho Caso de Angélica' era um sonho que já não esperava concretizar.

«É um projecto que, de certo modo, me atiraram para fazer, porque eu pensava que já não o faria», disse o mais idoso cineasta em actividade no mundo na antestreia nacional de O estranho Caso de Angélica, no Auditório de Serralves, no Porto.

 

Recusando comentar a sua mais recente obra, Manoel de Oliveira definiu o filme, que chega às salas de cinema na quinta-feira, como um retrato de «uma relação entre espíritos e corpos».

 

«Todos os corpos são animados de espírito e quando o espírito abandona o corpo ele liberta-se da sua personalidade, deixa de ser aquilo que era», completou o cineasta portuense.

 

Manoel de Oliveira confessou que não tem noção da verdadeira importância de O estranho Caso de Angélica.

 

«Eu estar aqui hoje é que é importante», brincou, escusando-se adiantar pormenores sobre os seus projectos futuros, uma vez que «ainda é tudo muito duvidoso».

 

O estranho Caso de Angélica integrou a selecção oficial do Festival de Cannes 2010, sendo exibido na secção Un Certain Regard» (Um Certo Olhar), e dos festivais de cinema de Toronto e Nova Iorque.

 

A obra conta a história de Isaac, um jovem fotógrafo e hóspede da Pensão D. Rosa, na Régua, que é chamado com urgência por uma família abastada para tirar o último retrato da filha, Angélica, uma jovem mulher que morreu logo após o casamento.

 

O fotógrafo (interpretado por Ricardo Trepa) descobre Angélica (Pilar López de Ayala) e «fica estupefacto com a sua beleza», sendo que, «quando encosta o olho à lente, a jovem parece voltar à vida, só para ele».

 

A história do filme desenvolve-se a partir daí, com Angélica a assombrar o fotógrafo dia e noite, até à exaustão.

 

O estranho caso de Angélica conta ainda com a participação dos atores Leonor Silveira, Luís Miguel Cintra e Isabel Ruth, entre outros.

 

Via Sol



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