Manuela Marques fotografou realidades que constituem o caos.
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O trabalho de Manuela Marques, vencedora do Prémio BES Photo 2011, foi realizado no centro da cidade de São Paulo e procura "questionar a realidade" de uma forma política e intuitiva, segundo a autora. Manuela Marques era uma das cinco finalistas do galardão e foi no seu trabalho que acabou por recair a opção do júri internacional, anunciada terça-feira à noite, numa cerimónia no Museu Coleção Berardo, em Lisboa. Numa entrevista à agência Lusa na abertura da exposição dos finalistas no Museu Berardo, a artista, nascida em Tondela em 1959, e a residir em Lisboa e em Paris, explicou o conceito do trabalho vencedor, que desenvolveu no ano passado em São Paulo, cidade que visita regularmente desde 2003. Manuela Marques fotografou "as múltiplas realidades que constituem o caos" do centro do espaço público daquela cidade gigantesca e também fez um vídeo com as crianças que vivem em favelas e brincam com bolas nas avenidas. Trabalho político"Este é um trabalho político, intuitivo, que dá conta das realidades de São Paulo. Centra-se mais no contorno daquilo que se está a passar", explicou.
Dessa forma, "uma certa opacidade" atravessa o conjunto de fotografias de avenidas, das zonas verdes, de pessoas que circulam na cidade, e proporciona múltiplas leituras a quem as observa. A multiplicidade de olhares é reforçada no vídeo "Close up", sobre os meninos das favelas. "É um termo muito usado no cinema e também entre os mágicos, quando fazem truques muito perto dos nossos olhos e criam situações tão próximas que não se percebe muito do que se está a passar à nossa frente", comparou. A forma como Manuela Marques filmou as crianças "não revela a sua situação social e acaba por ser uma espécie de ficção e de jogo" intencional. A vencedora do Prémio BES Photo 2011 não trabalha habitualmente com temas. Prefere filmar a realidade tendo em mente que "é uma impossibilidade, está sempre a fugir-nos", e por isso capta situações que a questionam e proporcionam reflexão. Na terça-feira à noite, muito emocionada com a conquista do galardão, referiu que os 40 mil euros vão proporcionar-lhe "tranquilidade" para prosseguir vários projetos que tem em curso. Criadores de língua portuguesaO português Carlos Lobo, o angolano Kiluanji Kia Henda, o moçambicano Mário Macilau e o brasileiro Mauro Restiffe eram os outros quatro finalistas do Prémio BES Photo 2011, este ano alargado a criadores de nacionalidade brasileira e dos países africanos de língua portuguesa. Iniciativa do Banco Espírito Santo (BES) em parceria com o Museu Colecção Berardo, ao galardão - o mais importante para as artes visuais a nível nacional - junta-se este ano a Pinacoteca do Estado de São Paulo, que acolherá também a exposição das obras finalistas. Os artistas selecionados têm os seus trabalhos expostos no Museu Berardo até 13 de junho de 2011 e seguem depois para a Pinacoteca de São Paulo entre julho e agosto de 2011. O Prémio BES Photo, criado em 2004 para premiar a fotografia e as artes visuais, galardoou anteriormente Helena Almeida (2004), José Luís Neto (2005), Daniel Blaufuks (2006), Miguel Soares (2007), Edgar Martins (2008) e Filipa César (2009). |
Via Expresso