Sexta-feira, 21.10.11
"Crazy Horse" abre hoje o DocLisboa
"Crazy Horse" abre hoje o DocLisboa (DR)
O mote deste ano é "o mundo todo está em Lisboa" - mas talvez fosse mais apropriado falar de "os fins do mundo todos estão em Lisboa". Viagem por dez dias de programação.

"Um festival acordado para o mundo", disse-se na conferência de imprensa em que se apresentou, no princípio de Outubro, a edição 2011 do DocLisboa. Um mundo em crise, feito de mudança, colapso, metamorfose - "não são tempos fáceis e estamos de olhos abertos para eles".

Dito e feito: o que aí vem, ao longo de dez dias de festival que vão obrigar os interessados a desmultiplicarem-se por uma programação riquíssima e desafiadora, é um olhar lúcido, resoluto, não sobre "o mundo", mas sobre "os mundos" (tantos quantos podem caber dentro do planeta em que vivemos) e sobre os desafios à sua sobrevivência. O Doc abre hoje (Culturgest, 21h) com um olhar sobre um microcosmos - "Crazy Horse", de Frederick Wiseman, sobre os bastidores do célebre cabaré parisiense (em sala a 27 de Outubro) - e fecha a 29 (Culturgest, 21h), com um olhar sobre o tempo que passou na vida de um cineasta - "Photographic Memory", de Ross McElwee. 

Entre ambos, o Doc 2011 promete ser um festival de apocalipses - palavra que significa, no seu sentido mais restrito, "revelação". O que descobrimos, no Doc 2011, são mundos que acabam, que começam, que acabam para que outros comecem.

O melhor exemplo desse fim que é também um princípio é o filme mais abertamente desafiador de gavetas da competição internacional - e que, ainda por cima, é português: "É na Terra, Não é na Lua", de Gonçalo Tocha (Culturgest, dias 25, 21h, e 29, 14h45), "diário de bordo" de quatro anos de longas estadas na ilha açoriana do Corvo compactadas em três horas. Na encruzilhada do diário pessoal, do documentário de autor e do registo etnográfico, é um filme sobre a liberdade que se pode encontrar numa comunidade de 300 pessoas no meio do Atlântico; e também sobre um local em constante equilíbrio entre as tradições que se perdem e os recém-chegados atraídos pelos seus mistérios.

A ilha do Corvo de Gonçalo Tocha, entre passado que se dissolve e futuro difuso, tem muitos pontos de contacto com a aldeia belga de Doel ou a comunidade indígena argentina de Kolla Tinkamaku. Mas tem conseguido escapar ao destino da primeira, tal como mostrado no tocante filme do holandês Tom Fassaert, "An Angel in Doel": o camartelo em nome da expansão do porto de Antuérpia, a trasladação do cemitério, o lento desocupar de casas à qual só Emilienne Driesen, uma velhota casmurra, resiste (Culturgest, amanhã, 17h, e dia 24, 18h30). 

E não está ainda em riscos de desaparecimento como o modo de vida do grupo indígena da província argentina de Salta registado pelo alemão Thomas Heise no magistral ensaio "Solar System": rodado em quatro aldeias, o filme celebra um ritmo ancestral e orgânico de vida, ameaçado por uma "civilização" urbana cada vez mais próxima (Culturgest, dias 22, 16h, e 23, 21h45). 

Nem todos os fins de mundo são maus - como o provam a celebração da Primavera Árabe em Tahrir - "Liberation Square", do italiano Stefano Savona (São Jorge, dia 24, 22h), e "Plus Jamais Peur", do tunisino Mourad Ben Cheikh (Culturgest, dia 28, 21h30, e Londres, dia 30, 18h45). A nostalgia irá inevitavelmente colorir as memórias dos mundos antigos - como o olhar de Martin Scorsese sobre o "Beatle sossegado" George Harrison em "Living in the Material World" (São Jorge, dias 22 e 23 às 22h, em DVD em Novembro) ou o comunismo irredutível de Armando Cunha em "A Nossa Forma de Vida", de Pedro Filipe Marques (Culturgest, dias 22, 17h, e 25, 18h30), espantoso olhar para um Portugal íntimo e caseiro quase parado no tempo que é o ponto alto da competição nacional de longas. 

Mas alguns fins de mundo são dolorosos e espelham os momentos que vivemos actualmente. É o caso do desequilibrado "Wadan"s World", onde o alemão Dieter Schumann acompanha, ao longo de dois anos, um estaleiro da região de Hamburgo apanhado no turbilhão da crise económica (Culturgest, dias 22, 21h30, e 26, 16h). É o caso do perturbante e controverso "Vol Spécial", do suíço Fernand Melgar (Culturgest, dias 22, 19h30, e 27, 21h), que se concentra nos custos humanos das políticas europeias para com os imigrantes clandestinos, ou de "Les Éclats", de Sylvain George, "distilação" do olhar sobre a expulsão pelas autoridades francesas dos imigrantes romenos que o realizador tem acompanhado(Londres, dias 21, 18h45, e 23, 21h45). As perguntas que estes filmes levantam: como testemunhar aquilo que não pode ser registado? Como filmar aquilo que não pode ser filmado?É isso que "Barzakh" do lituano Mantas Kvedaravicius (Culturgest, dias 23, 16h00, e 24, 17h00), sobre os "desaparecidos" durante a guerrra civil na Tchetchénia, ou os outros todos que vão preencher as salas da Culturgest e dos cinemas Londres e São Jorge até dia 30, perguntam. Como podemos falar do mundo para que o mundo ouça?

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 08:53 | link do post | comentar

Terça-feira, 17.05.11
O movimento já tinha invadido em Março as instalações do BPN
O movimento já tinha invadido em Março as instalações do BPN (Foto: Paulo Pimenta)

Apareceram de cara tapada e colaram cartazes, como quando em Março “invadiram” as instalações do BPN para lá colarem cartazes a acusar “O vosso roubo custou 13 milhões”. Na última madrugada, os alvos do movimento É o povo pá! foram os centros de emprego e, nos cartazes que deixaram colados nos vidros, lê-se “Não queremos subsídios, queremos emprego”.

 

Foi assim nas instalações do IEFP na Rua da Saudade, no centro do Porto, foi assim em mais 30 cidades do país. Objectivo: “Chamar a atenção para a questão do desemprego e para a forma como são chamados os desempregados deste país, porque achamos que os centros de emprego perderam a vocação que tinham, centrada numa política nacional de combate ao desemprego e de criação de emprego, para se transformarem em centros fiscalizadores dos desempregados”, explicou ao PÚBLICO um dos membros do movimento. 

“Não aceitamos que [os centros de emprego] sejam locais onde somos ameaçados, vigiados e fiscalizados como se não ter emprego fosse um crime que nos devesse ser imputado”, lê-se no texto que acompanhou o protesto. 

Percebe-se, pelo uso da primeira pessoa do plural, que está desempregado quem dá a voz pela iniciativa no Porto. E pouco mais se sabe, porque os dinamizadores do movimento É o povo pá! insistem em manter-se sob anonimato. “Queremos que se fale do que andamos a fazer e não de quem somos”. O inusitado das acções visam garantir a mediatização das iniciativas, reforçando assim objectivo de “somar protesto ao protesto” social. 

Na acção sobre o BPN, surgiram em forma de interrogação “E o povo, pá?”. Agora, o nome trocou o ponto de interrogação por um de exclamação. Na próxima acção, que há-de ser imposta pela conjuntura, logo se vê. Entretanto, os passos do movimento podem ser acompanhados aqui.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 08:43 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sábado, 07.05.11
Os pastéis de Tentúgal são um dos doces tradicionais a concurso
Os pastéis de Tentúgal são um dos doces tradicionais a concurso (Nélson Garrido (arquivo))

Os portugueses podem, a partir de hoje, votar nas 7 Maravilhas da Gastronomia, que incluem pratos como coelho à caçador, chanfana, pastel de Belém, alheira de Mirandela, amêijoas à Bulhão Pato, bacalhau à Gomes de Sá ou açorda à alentejana.

 

Os 21 pratos selecionados são apresentados por sete categorias -- entradas, sopas, marisco, peixe, carne, caça e doces -, cada uma das quais com três iguarias da gastronomia portuguesa, mas os votantes são convidados a escolher, até 07 de setembro, os sete pratos que mais lhe agradam, independentemente da categoria. 

Para a categoria “entradas”, a escolha recaiu na alheira de Mirandela (Trás-os-Montes e Alto Douro), pastel de bacalhau (Lisboa e Setúbal) e queijo da Serra da Estrela (Beira Interior/Beira Litoral). 

As “sopas” escolhidas são açorda à alentejana (Alentejo), caldo verde (Entre Douro e Minho) e sopa da pedra (Ribatejo/Estremadura). 

Os “mariscos” colocados a votação são amêijoas à Bulhão Pato (Lisboa e Setúbal), arroz de marisco (Estremadura e Ribatejo) e xarém com conquilhas (Algarve). 

Já no “peixe”, as opções são bacalhau à Gomes de Sá (Entre Douro e Minho), polvo assado no forno (Açores) ou a popular sardinha assada (Lisboa e Setúbal). 

Na categoria “carne”, os pratos colocados a votação são chanfana (Beira Litoral), leitão da Bairrada (Beira Litoral) e tripas à moda do Porto (Entre Douro e Minho). 

Para “caça”, os 21 especialistas convidados pela organização do evento, escolheram coelho à caçador (Beira Litoral), coelho à Porto Santo à caçador (Madeira) e perdiz de escabeche de Alpedrinha (Beira Interior). 

Os “doces” selecionados foram pastel de Belém (Lisboa e Setúbal), pastel de Tentúgal (Beira Litoral) e pudim Abade Priscos (Entre Douro e Minho). 

A seleção dos 21 finalistas culmina um processo iniciado a 07 de fevereiro último e que passou pela apresentação de candidaturas (433 ao todo) e um primeiro processo de seleção, por um painel de 70 especialistas, cujo resultado (70 pré finalistas) foi anunciado a 7 de Abril. 

Os 21 pratos selecionados são apresentados hoje em Santarém, cidade escolhida como “anfitriã” da iniciativa. 

Os interessados podem votar por telefone, SMS ou via Internet, neste caso no site do evento (www.7maravilhas.pt) ou através do Facebook (www.facebook.com/7MGastronomia), usando os códigos relativos ao prato da sua preferência. 

A organização já disse que espera críticas, algo que considera “natural” e que até ajuda ao sucesso da iniciativa. 

“Quanto mais tivermos mais sucesso terá, porque mais gente estará interessada em saber do que se trata”, disse Luís Segadães à Lusa na fase de pré seleção, sublinhando que este concurso avalia os pratos, não pela sua confecção, mas “enquanto representantes culturais das suas regiões”. 

 

Votar no seu prato preferido aqui: www.7maravilhas.pt

 

Via Público



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