Sábado, 19.02.11

A geração dos Deolinda vai sair à rua?

 

Há quem diga que foram os Deolinda a chamar a atenção para os problemas da "geração parva". Outros acreditam que as manifestações no Egipto são uma inspiração, ao mostrar que é possível derrubar um governo de forma quase espontânea. Seja o que for, começam a germinar online protestos mais ou menos apartidários contra o sistema e contra o estado de coisas a que chegou o país. A geração está à rasca?

"Não sei se está tão à rasca quanto se diz. ''As notícias da minha morte são muito exageradas'', a parvoíce desta geração também é muito exagerada. Mas tenhamos esperança, estes protestos mostram que o país não está completamente amorfo e há qualquer coisa a germinar. Qual o fruto e quando amadurecerá ainda não se sabe. E é bom que não se saiba para não o irem cortar pela raiz", explica o sociólogo Manuel Villaverde Cabral.

No Facebook, o grupo "1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política" já tem quase 23 mil seguidores. "Sabemos que um milhão é impossível, trata-se de um número simbólico. Também sabemos que a demissão de toda a classe política levaria ao caos, mas esta é uma maneira de mostrarmos o nosso desagrado pela classe política actual", refere o porta-voz do grupo, José Couto Nogueira. 

Um protesto que não é bem visto aos olhos de todos. O deputado do PSD e comentador político Pacheco Pereira considera-o "um puro manifesto antidemocrático" e levanta algumas questões no seu blogue: "Demitem toda a classe política como? Como em 1926, com o 28 de Maio? Como se Portugal fosse o Egipto e ''Sócrates-Passos Coelho-Portas'' (e porque não Jerónimo de Sousa e Louçã) fosse um compósito de Mubarak? Sem eleições? Sem partidos? Democracia directa com votos pela televisão em chamadas de valor acrescentado e o parlamento no Facebook?" O grupo foi de facto inspirado nas manifestações no Egipto: "Percebemos que é possível grandes manifestações sem partidos nem centrais por detrás", explica o porta-voz. O dia da manifestação ainda não foi marcado. "Só quando atingirmos os 50 mil seguidores no Facebook", diz Couto Nogueira. 

Preparada parece estar já a manifestação do próximo dia 12 de Março, organizada pelo grupo Protesto da Geração à Rasca, um protesto que se diz "apartidário, laico e pacífico". A manifestação será em Lisboa e no Porto com o objectivo de "promover o debate alargado sobre a problemática da precariedade e mostrar que existe muita gente nesta situação que se encontra descontente e pretende, ao aderir ao movimento, mostrar que quer fazer parte da solução", explicam via email os criadores do grupo João Labrincha, Alexandre de Sousa Carvalho e Paula Gil. 

O grupo pede para que todas as pessoas que se decidam manifestar levem escritas numa folha A4 as razões que os levaram ao protesto para depois serem entregues na Assembleia da República. Até agora quase 11 mil pessoas afirmam que vão aderir ao protesto mas os criadores não fazem "qualquer previsão do número de pessoas a participar. Quantos mais melhor. O Facebook é uma excelente plataforma para chegar a um número muito alargado de pessoas. Até agora entraram em contacto connosco pessoas que se disponibilizaram a organizar protestos, baseados no nosso manifesto, no Porto, Funchal, Braga, Ponta Delgada e Viseu". 

As razões que levam ao protesto repetem-se. "Vou estar na manifestação por causa dos ordenados baixos, das horas extraordinárias que não nos pagam, dos contratos que não existem e dos recibos verdes", diz André Cabrita, estudante de Arquitectura em Lisboa. Quando questionado se considera que a manifestação pode mudar alguma coisa a resposta sai certeira: "Não. Mas é o meu dever cívico. Cada cidadão faz a sua parte para tentar sair do buraco que estão a escavar, o problema é que só reparam quando já estamos enterrados", afirma. 

O jornalista Nuno Ramos de Almeida resume as razões para estes protestos: "Primeiro o Código Contributivo veio alterar, e muito, a precariedade. Começa a ser muito complicado ser precário. Depois, a questão das manifestações por todo o mundo passa a ideia de que é interessante fazer o mesmo". Por fim, "a reacção à música dos Deolinda" fez perceber "que não estamos sós".

A manifestação de dia 12 será um primeiro teste para medir o pulso aos portugueses. "É mais fácil lutar contra a ditadura do que contra a ditamole. É difícil ultrapassar a viscosidade da nossa situação política mas oxalá que venham para a rua e isso contribua para uma reforma política sem a qual Portugal vai a pique", acredita Villaverde Cabral.

 

Via Ionline



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