Quinta-feira, 09.02.12
Portugueses criam portal de estágios (pagos) no Reino Unido

 

Internwise tem cerca de mil anúncios e oito mil candidatos activos. Estágios podem ser a alavanca para a entrada no mundo de trabalho londrino.

 

A ideia andava na cabeça de Rui Zamith desde 2008, quando terminou o curso de Informática de Gestão na Universidade Portucalense, no Porto, e iniciou uma (difícil) busca de trabalho em Londres: criar uma plataforma que ajudasse as pessoas a encontrar emprego.

 

“Recordo-me que, na altura, não tive muita facilidade; tive de procurar directamente nas empresas, apesar de já existirem sites que agregassem essa informação”, conta o jovem de 28 anos. No final de 2010, Rui Zamith e Nuno Dhiren criavam, no Reino Unido, o Internwise, um portal que junta anúncios de empresas inglesas e currículos de candidatos de todo o mundo.

 

O site oferece estágios, sempre remunerados (“apesar de muitas vezes serem apenas ajudas de custo”), que pretendem funcionar como uma porta de entrada no mercado de trabalho. Há, neste momento, cerca de oito mil candidatos e mil anúncios activos, sobretudo nas áreas de design, comunicação, marketing e business.

 

O primeiro passo

“Estamos a falar do primeiro passo profissional - ou do segundo, para quem já fez um estágio aí, por exemplo, – e não há necessidade de envolver agências, até porque as agências acabam por criar burocracia e não ser úteis”, acredita Rui Zamith, que conversou com o P3 a partir de Londres.

 

Aquilo que este portal oferece é um “contacto directo”, explica Zamith: “O email cai na caixa de correio da própria empresa. Temos relatos de casos em que em dois ou três dias a pessoa está a começar [a trabalhar]; é bom para ambas as partes, para a própria empresa é prático e rápido contratar um estagiário”.

 

O que Zamith e Nuno Dhiren fazem “não é um serviço de agência, é a ponte” entre empresas e potenciais trabalhadores. O Internwise funciona como uma comunidade, onde os candidatos se registam, criam um perfil e colocam o CV e onde empresas colocam anúncios, que os dois portugueses espalham depois por diversas plataformas, de forma a proporcionar-lhes a maior visibilidade possível.

 

Quase tudo é gratuito

O trabalho deles consiste sobretudo na divulgação, moderação dos artigos, comunicação com as pessoas e contacto com empresas, para que estas anunciem no Internwise. O serviço é gratuito – para empresas e candidatos –, mas os empregadores podem contratar um serviço extra pago que dá mais visibilidade ao anúncio ou envia newsletters directamente para os candidatos.

 

A maioria dos utilizadores desta rede não está em Portugal. Mas Rui Zamith, que trabalha como gestor de comunicação na empresa PokerStars, em Londres, acredita que o baixo número de candidatos nacionais se deve à falta de conhecimento do serviço. Ingleses e cidadãos de países à volta são, para já, os que mais utilizam este portal.

 

Mesmo em Londres, um dos “centros europeus de negócios online”, Rui e Nuno não conseguem viver exclusivamente do Internwise. O objectivo é fazer crescer o portal e conseguir autonomia financeira com ele. Mas os dois jovens estão dispostos a arcar com a pouca rentabilidade do projecto: “Sentimos que, pelo menos, estamos a ajudar outras pessoas a arranjar emprego. Isso é um grande reconforto”.

 

Via P3


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Terça-feira, 07.02.12
As comemorações de 2014 prometem animar a nação escocesa

As comemorações de 2014 prometem animar a nação escocesa (Jens Schlueter/Reuters)

 

Os ânimos estarão ao rubro quando, em Junho de 2014, os escoceses rumarem a Bannockburn para celebrarem os 700 anos da mais mítica batalha contra o Exército inglês. Tal como naquele embate, a Escócia estará prestes a decidir a sua sorte, disputando já não com armas mas com votos a sua independência - uma ambição que nunca abandonou e que agora renasce com o referendo proposto pelo Governo de Edimburgo.

 

"Os próximos tempos serão verdadeiramente históricos", disse ao PÚBLICO Tom Deville, professor de História Escocesa da Universidade de Edimburgo, explicando que, apesar do muito que pode mudar em dois anos e meio, existem hoje condições para uma mudança profunda no Reino Unido, criado há 300 anos pela união de escoceses e ingleses. "Isto não torna a independência da Escócia inevitável, mas torna-a mais provável do que em qualquer outro momento na história desde 1707", afirmou.

Os alarmes soaram em Londres, em Maio do ano passado, quando, contra todas as previsões, o Partido Nacional Escocês (SNP), liderado por Alex Salmond, conquistou nas eleições de 2011 a maioria absoluta que lhe fugira em 2007. Reforçado, o carismático primeiro-ministro escocês garantiu que cumpriria a promessa de chamar os eleitores a decidir sobre o fim da união política com Londres. 

"Decidimos casar com os que estão do outro lado da fronteira, mas agora chegou o tempo de nos divorciarmos", disse à AP Gillian Leathley-Gibb, dona de uma loja de recordações na cidade de Stirling, a curta distância do local onde, em 1314, o rei Roberto I venceu o exército do monarca inglês Eduardo II. "Por mim, construía um muro na fronteira. Eles fazem as leis todas lá em Londres, sem terem uma ideia do que está a acontecer aqui", acrescentou a vizinha Janice Black, repetindo queixas antigas contra o centralismo do Estado britânico.

A Escócia manteve sempre um sistema judicial próprio e, desde 1999, tem ampla autonomia, elegendo um Parlamento com poderes para decidir as suas próprias políticas de saúde, educação e economia. Mas Salmond quer uma Escócia que "fale pela sua própria voz, se erga mais alto no mundo e assuma a responsabilidade pelo seu futuro", como afirmou quando, no final de Janeiro, pôs em marcha o processo para a realização do referendo, no Outono de 2014.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, não ficou impávido perante o desafio e, ainda antes de Salmond formalizar a sua proposta, avisou que só o Parlamento de Westminster poderia convocar um referendo com efeitos constitucionais e que só estava disposto para o autorizar mediante duas condições: a consulta teria de realizar-se "o mais cedo possível" (e não no ano das comemorações) e aos eleitores seria apenas perguntado se querem ou não a independência.

A terceira via

Salmond acusou Cameron de "querer esmagar a Escócia com as suas botifarras" e insiste que os escoceses devem poder pronunciar-se sobre uma terceira opção - a concessão de total autonomia fiscal ao governo de Edimburgo, que ficaria apenas impedido de decidir sobre matérias de Defesa ou Política Externa. Esta é a alternativa preferida pelos eleitores (68 por cento apoiam a ideia), mas Londres teme os efeitos que tal transferência de poder teria para o Reino Unido. 

"Os três principais partidos britânicos [todos pró-união] até podem achar que estão a ser mais inteligentes e que a maioria votará "não", mas e se estiverem enganados? Se não apresentarem alternativas, muita gente vai pensar que é tudo ou nada e vão optar pelo tudo", disse ao PÚBLICO Peter Lynch, professor de Política da Universidade de Stirling, para quem "há boas hipóteses de o "sim" vencer". 

As últimas sondagens mostram que os pró-independência continuam em minoria (38%), mas com tendência para aumentar. As palavras de Cameron inflamaram os ânimos, mas Lynch vê causas mais profundas para o optimismo nacionalista. Por um lado, "a economia britânica está numa situação bastante má" e as medidas de austeridade funcionarão a favor da campanha do "sim". Por outro, diz, as políticas liberais de Cameron trazem à memória a era Thatcher, "um período desastroso para a maioria dos escoceses", tradicionais eleitores da esquerda e que, depois de décadas a votar nos trabalhistas, se transferiram para o SNP. 

Desde que chegaram ao poder, os nacionalistas apostaram em políticas de investimento, em contraciclo com Londres, e iniciativas populares como a isenção de propinas nas universidades ou a prescrição gratuita de medicamentos para os idosos. "Neste momento, temos duas nações diferentes na abordagem que fazem à sociedade e na forma de enfrentarem os problemas, e essa é uma das razões por que tem sido tão difícil para a causa do "não" defender a união", diz o politólogo. Mas terá a Escócia os meios para se tornar independente? Salmond reclama 90% das receitas do crude extraído no mar do Norte, um modelo económico que tem sido bem-sucedido a captar investimento estrangeiro e a convicção de que uma Escócia independente se tornaria membro automático da UE. Nos últimos dias, sugeriu também que Edimburgo poderá continuar a usar a libra - adiando a pretensão de aderir ao euro, apesar da perda de autonomia fiscal que isso implicaria. 

Os economistas avisam, no entanto, que um país de apenas cinco milhões de habitantes e com uma economia muito endividada não teria a mesma facilidade de acesso ao crédito e seria forçado a adoptar a mesma austeridade que agora critica a Londres. 

É nestes riscos que os unionistas apostam, mas Tom Devine avisa que, ainda que o "não" vença, o referendo abrirá uma porta que, mais cedo ou mais tarde, levará Londres a fazer cedências. "Se tivesse que fazer uma previsão, eu diria que num prazo não inferior a 20 anos o mais provável é uma solução federal", diz o historiador, apontando para um "Parlamento escocês com muito mais poderes", a criação de um congénere inglês e a "transformação do Parlamento britânico numa autoridade federal". "Isto representaria a reconfiguração total de um dos Estados mais centralizados da Europa."

 

Via Público



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Sexta-feira, 16.12.11
as mulheres e o homem perfeito
 
As mulheres parecem ter vindo a perder a sua crença na expressão que define 'o príncipe encantado'. Um estudo realizado no Reino Unido mostra que em cada quatro mulheres três revelam não acreditar que para si exista o homem perfeito. Restará então o que menos defeitos terá.

 

Apesar do estudo se basear num inquérito realizado a apenas duas mil mulheres, as suas conclusões não deixam de merecer um curioso destaque. No final, determinou-se que mais de 75 por cento das inquiridas não acredita na existência do homem perfeito.

 

A descrença representada em números e percentagens baseia-se em algo que foi vastamente destacada pelas mulheres do estudo: os defeitos dos seus companheiros.

 

De acordo com o Daily Telegraph, entre os defeitos mais realçados estiveram a excessiva atenção dada a desportos, deixar aberto o tampo da retrete ou incapacidade de realizar várias tarefas em simultâneo – 'multitasking'.

 

Voltando aos números, a maioria das inquiridas classificou o seu companheiro apenas como sendo 69 por centro perfeito.

 

Cerca de um quarto das respostas colocaram o sentido de humor como a qualidade mais importante a ter e, por outro lado, uma em cada cinco mulheres acreditava que o seu parceiro frequentemente fingia estar a ouvir durante conversas entre ambos.

 

Via Sol



publicado por olhar para o mundo às 08:24 | link do post | comentar

Quarta-feira, 07.12.11

Reino Unido é o principal destino de emigração de jovens farmacêuticosO mercado (ainda) não está saturado. Os salários mais elevados e o maior reconhecimento da profissão são os principais factores que os levam a sair de Portugal

Os números são reais e elucidativos. A grande fatia dos farmacêuticos em Portugal concentra-se na faixa etária mais jovem. Têm até 35 anos e são 5311 profissionais qualificados em Farmácia. Mas nem todos se encontram em Portugal: o Reino Unido é o destino de eleição, onde se encontram ofertas mais competitivas.

 

Duarte Santos, presidente da Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos (APJF) refere o Reino Unido como o principal país a recrutar em Portugal: "Não é por acaso que países na vanguarda da ciência nos procuram". Portugal está a assistir a uma "perda de talentos" e João do Ó, mestre em Ciências Farmacêuticas, é um exemplo disso.

 

Emigrar, às vezes, "é o único reduto"

O presidente da APJF fala em “problemas graves de empregabilidade” e numa “redução muito significativa de pessoas” por parte das empresas. Os jovens emigram, acrescenta, porque existe uma maior valorização da profissão e as perspectivas de carreira são mais abrangentes. Noutros casos, “é o último reduto”, depois de meses de espera.

 

Assegura ainda que “os últimos mestres têm tido uma enorme dificuldade de inserção”, afirmação que vai ao encontro do que disse ao P3 Marta, a farmacêutica que emigrou para o Rio de Janeiro por não encontrar um emprego à "sua altura."

 

O problema? Duarte Santos enuncia o Estado e as gravosas medidas de austeridade: “O Estado gasta dinheiro na formação e depois não tira partido disso. Tudo isto foge muito à racionalidade. Devíamos contar com mais respeito por parte de quem legisla.”

 

Outros revelam-se menos pessimistas. Não que o tempo médio de espera para conseguir emprego seja elevado: “É muito díspar, mas talvez quatro, cinco meses… mas há outros colegas que conseguem logo”, diz Catarina Pires, presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP).

 

Catarina considera que a capacidade de absorção destes jovens no mercado de trabalho não é a mesma: “Há seis anos quase não se falava de emigração e há 10 anos nem se falava em desemprego.” E acrescenta: “Os ordenados já não são o que eram e para não se ficar no desemprego muitas vezes aceitam-se trabalhos a recibos verdes, horas extras, noites e feriados.”

 

Já João Castilho, presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL), acredita que os valores da taxa de emprego ainda rondem os 100% e que os recém-mestres em ciências farmacêuticas esperem entre zero a três meses para encontrar emprego, mesmo que não seja um na vertente pretendida. Quem emigra, prossegue João, são sobretudo aqueles que querem ir para o sector da indústria farmacêutica.

 

Via P3



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