Sexta-feira, 16.09.11
Uma representação do sistema estelar Kepler 16
Uma representação do sistema estelar Kepler 16 (NASA/JPL-Caltech)

 Pois é George Lucas, dois pores-do-sol seguidos deixaram de ser uma fantasia do planeta Tatooine, casa de Luke Skywalker, acontece mesmo em Kepler 16, um sistema com duas estrelas e um planeta que giram a cerca de 200 anos-luz de distância da Terra.

 

A descoberta foi feita graças ao Kepler, o telescópio espacial programado para detectar planetas fora do quintal do Sol. O investigador Laurance Doyle serviu-se dele para olhar para sistemas binários, ou seja, sistemas solares com duas estrelas. 

“A maioria dos astrofísicos suspeita que é possível a formação de planetas à volta de duas estrelas, mas esta é primeira detecção definitiva e inequívoca de um planeta circumbinário [que gira em torno de duas estrelas]”, disse o investigador num podcast da Science, a revista científica onde o estudo foi publicado nesta quinta-feira. Doyle é co-autor do artigo. juntamente com mais quase cinco dezenas de pessoas de várias instituições dos Estados Unidos. 

O cientista trabalha num instituto da SETI (procura de vida extraterrestre), na Califórnia, e desde que o Kepler foi enviado para o espaço, em 2009, tem estado a observar centenas de sistemas binários que estavam no campo de visão do telescópio, ou seja, num quadradinho do espaço que apanha as constelações de Balança e do Cisne.

O telescópio tem uma câmara do tipo grande angular que foi desenhada para detectar a luminosidade das estrelas com um detalhe fabuloso. Quando um planeta passa à frente do seu sol faz uma pequena sombra e a quantidade de luz que chega à Terra vinda da estrela diminui algumas fracções. O telescópio consegue detectar essa variação. 

No caso de duas estrelas a girar uma à volta de outra, a máquina detecta os eclipses. Foram estes eclipses que Laurance Doyle andou a observar. Mas com o Kepler 16 houve algo que despertou a atenção dos cientistas. 

“Via eclipses regulares, mas o meu olhar foi atraído para os eclipses extra que ocorriam fora de uma sequência e pensei ‘ou é um terceira estrela ou é um planeta’”, explicou Doyle. A equipa confirmou que existia um astro que passava à frente das duas estrelas, e criava eclipses diferentes. 

Depois, através da medição do tamanho das duas estrelas, do grau dos eclipses criados pelo terceiro objecto e da influência que este tem nas órbitas dos sóis, os cientistas concluíram que só podia ser um planeta. “Acredito que seja, até à data, o planeta fora do sistema solar que tem a massa e o raio melhor medidos”, disse. 

Apresenta-se então o Kepler 16. No centro de gravidade do sistema, nada, há duas estrelas e por isso nenhuma está no meio. A maior, com quase sete décimos do tamanho do Sol, é a que está mais próxima deste centro. A segunda estrela tem apenas um quinto do tamanho do Sol, é mais escura e menos quente. As duas estrelas têm um período de rotação de 41 dias e uma órbita excêntrica.

O planeta é grande, do tamanho de Saturno, é meio rochoso, meio gasoso, adianta o investigador. Tem uma órbita circular à volta dos sóis, com um período de 228 dias e tem uma temperatura média entre os 103 graus negativos e 70 graus negativos. 

“Tudo está alinhado de uma forma belíssima”, referiu Laurance Doyle, explicando que isso sustenta a ideia de que este planeta surgiu do mesmo disco estelar que criou os dois sóis e não foi puxado pela gravidade das estrelas, vindo de outro lado do espaço. “Mais uma vez, o que era ficção científica passou a ser realidade”, disse em comunicado Alan Boss, outro autor do artigo, e Tatooine passou a ser possível.

 

Via Público



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Terça-feira, 22.02.11

Sexualidade na China

 

Num país que descriminalizou a homossexualidade em 1997 e deixou de a considerar, oficialmente, uma doença mental há dez anos, continua a ser mais fácil não sair do armário do que assumir a sexualidade - ainda que se estime haver cerca de 40 milhões de homossexuais na China.

Mas uma nova geração de chineses parece ter encontrado uma solução de compromisso: o casamento entre um gay e uma lésbica. E os potenciais noivos já se podem encontrar em eventos próprios.

Em Xangai, considerada a cidade mais liberal e progressista da China, não faltam bares gay nem quem ostente publicamente a sua preferência sexual. Só que assumir para os amigos ou para estranhos é uma coisa - para a família, é outra. Casar e ter filhos não é um direito, é uma obrigação. Sobretudo para aqueles que são os herdeiros da geração que viveu e protagonizou a Revolução Cultural (1966-1976), e que seria a pioneira da política do filho único, implementada após a morte de Mao Tsé-tung.

Segundo a sexóloga Li Yinhe, citada pela revista Slate, 80% dos homossexuais chineses casam-se com heterossexuais. Esta tem sido a forma encontrada para contentar os progenitores e torná-los avós, numa sociedade em que a família ainda é, verdadeiramente, um pilar. A pressão para formar família é tal que, na China, as mulheres solteiras com mais de 27 anos não são chamadas tias : são chamadas restos ...

 

A fórmula perfeita
Para evitar este cenário de casamentos infelizes e vidas duplas mas, ao mesmo tempo, não dar aos pais o desgosto de o seu único filho assumir a sua homossexualidade, começaram a ser organizadas feiras de falsos casamentos nas grandes cidades chinesas, como Xangai. São reuniões discretas, em que gays e lésbicas tentam encontrar no sexo oposto o seu par. Ambas as partes sabem que a união será uma fachada. É a fórmula perfeita.

Fen Ye, de 30 anos, homossexual casado com uma lésbica, explicou à Slate a importância destes casamentos: «No teu trabalho, na tua vida social e nas reuniões de família, tens de levar alguém. Todos esperavam que me casasse. A cerimónia foi como uma tarefa que eu tinha de cumprir». Ele e a mulher já falaram em ter um filho. «Para ter um bebé, talvez tentemos a inseminação artificial», diz Fen, que deixou claro que não existe vida sexual entre ele e a mulher. E que assegura que, se for pai, sairá do armário para o seu filho.

 

Via Sol



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